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quando o desnecessário é necessário.

Eu sempre digo que deus mora nos detalhes. A divindade das coisas se esconde nos gestos simples e pequenos que passam despercebidos aos olhos da maioria de nós. São as singularidades que preenchem nossa alma; as pequenices; o tanto de coração que um ato nos revela e como coisas simples tocam nossa alma tão lá no fundo que ficamos marcados de um jeito tão sutil e encantador que jamais nos esquecemos. Isso é simplesmente divino, encantador, leve. E por isso, sem dúvida, a divindade está presente ali — e essa divindade pode ser interpretada como você bem entender (o importante é sentir, na real; interpretar não é lá tão necessário assim).

A arte da cor!                                                                                                                                                                                 Mais

Durante o deslizar dos dias, nossa tendência é buscarmos a praticidade e acabar logo com tudo o que precisa ser feito — e não, não há nada errado nisso. Há coisas que precisam ser feitas com rapidez, sem delongas. Entramos no piloto automático, não colocamos nosso coração, não adicionamos pitadas de leveza e de encantamento naquilo que fazemos. Simplesmente vamos fazendo: sem paixão, sem poesia, sem valorização. E de fazer em fazer, vamos tecendo nossa vida. A vida se dá momento a momento; a cada escolha costuramos — ou remendamos — mais um ponto da nossa jornada. E tem gente que ainda vive a espera de coisas grandiosas para se sentir vivo. Quanta tolice, quanta ignorância.

Existem pequenices que, a meu ver, são mágicas; e são mágicas porque nos elevam, nos trazem presença, nos fazer sentir a vida com nova perspectiva. A gente sai diferente do que entrou. Nossa consciência se transforma. Elas são tão pequenas que nos custa acreditar que podem fazer diferença, e por isso as deixamos de lado. São classificadas, essas tal pequenices, como irrelevantes, estúpidas, como sendo frescura e, principalmente, desnecessárias. Vá direto ao ponto e faça o que precisa ser feito, é o que nos dizem. Ótimo. Mas que tal irmos direto ao ponto, fazendo o que precisa ser feito, com uma singularidade capaz de transformar esse simples gesto em um gesto de devoção, de saudação, de reverência?

É o tanto de coração que você coloca. Se você precisa passar vassoura no chão (ou qualquer outra coisa), você tem duas escolhas: passar reclamando ou passar com inteireza, colocando tudo o que você tem nessa ação — e aí você fica livre para sentir, criar, pensar, organizar, imaginar, silenciar, agradecer ou qualquer coisa que te der vontade; qualquer coisa que sua acenar de dentro de você pode ser feita.

Algumas pessoas talvez se sintam impelidas a dizer que isso é fuga de realidade. A realidade é a história que nos contamos. Real é tudo que tem vida. E você pode contar uma história com elementos e singularidas especiais — e não com invenções. São situações completamentes diferentes; são escolhas completamente opostas. Escolher viver com encantamento é escolher uma vida com presença, com subjetividade. É transformar o ordinário em extraordinário, e isso só é possível quando estamos ali por inteiro; quando fazemos o necessário com o máximo de detalhes absurdamente inúteis e irrelevantes, mas carregados de alma e coração.

O valor que você dá às coisas vai compondo o valor que você dá à sua vida. Viver é difícil. Muito difícil. E a gente perde tanto tempo e ainda vai perder outro tanto. Alimentamos nossa vida toda vez que criamos algo onde antes não havia nada. Isso transforma tudo.

 

 

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O que teu barulho cala?

Os ruídos da vida são altos demais, convenhamos. É gritaria pra tudo que é lado. Mas e aí dentro, como andam as coisas? Você está se ouvindo? Se amando? Se conhecendo? Ou você tá correndo dessa confusão toda aí de dentro usando o barulho como válvula de escape? Pois é, isso acontece muito. Mas poderia — e pode — ser diferente.

Nós estamos realmente acostumados com o barulho. Prova disso é o espanto que o silêncio nos causa. Já percebeu isso? Puxamos qualquer assunto com qualquer pessoa, mas o silêncio precisa ser evitado. Ele incomoda e parece que aumenta o volume de tudo. Então nós damos piruetas para evitá-lo. E sozinhos? Bem, sozinhos fazemos o mesmo. Para não vivê-lo, colocamos sons mais altos ainda ao redor da gente.

Celular. Internet. Músicas. Vídeos. A gente não para quieto! É toda hora algo diferente, um barulho a mais. A busca por mais informação, conhecimento ou seja lá o quê for. Tudo continua igual: continuamos a buscar fora. Sempre fora. Opiniões. Aprendizados. Qualquer coisa. Mas e o que você pensa? Qual sua opinião? O que você já sabe? Como tem se sentido? Presta atenção em você, por favor! Precisamos disso. O mundo precisa disso. Não, você não precisa ser individualista e nem se isolar do resto do mundo, mas tenta dar uma equilibrada nisso tudo.

Eu ando meio saturada de informação. Eu sempre chegava do trabalho e colocava um vídeo enquanto tomava banho; eu sempre ouvia uma música enquanto colocava roupa. Sempre assistia um filme quando estava sem nada pra fazer. Mas eu me sentia distante de mim mesma quando essa rotina ficava excessiva. Claro que essa é minha perspectiva da coisa, mas é algo que observo em muitos lugares: as pessoas podem estar sentadas almoçando juntas, mas sempre tem alguém que não sai do celular — nem mesmo pra comer. E vejo pais fazendo isso com os filhos para que fiquem quietos. Céus. Isso me assusta muito. Claro que há exceções; o problema é quando isso se torna regra. Será que estamos vivendo o aqui e o agora? Será que entendemos a dimensão do presente? Será que sabemos ter presença? Por que é que fugimos tanto do silêncio? Por que ficar parados quietos nos atormenta tanto?

O silêncio é nosso amigo. Ele fala o que precisamos ouvir. Através dele é que podemos intuir nossos caminhos e compreender as coisas que estão acontecendo. É no silêncio que as coisas voltam pro lugar onde deveriam estar. É lá que está a resposta pra quase tudo que queremos saber. E isso é tão mais fácil do que ficar buscando aí fora. Mas nós somos mesmo teimosos, né? Complicar coisas é nossa especialidade (hahaha).

Então fica o convite: que saibamos silenciar mais. Ouvir o que está acontecendo dentro da gente. Claro, uma musiquinha é sempre bem-vinda. A diferença é na vida que damos aos momentos presentes: estamos vivendo aquilo ou apenas nos deixando levar? O silêncio nos ajuda a dar vida às coisas. Inclusive mais vida à nossas vidas. Mais presença. Mais vigor. Maior entrega.

Demore-se. Não tenha medo do barulho que o teu silêncio faz — encarar as nossas próprias sombras nunca será tarefa fácil, mas totalmente necessária pro amadurecimento da gente. Entenda o motivo das suas fugas. Quais são os gatilhos? Por que será que a tendência da gente é sempre tentar abafar o que dói ao invés de encarar? Silencia o mundo de fora pra ficar pertinho do seu próprio mundo. Tá tudo aí dentro, e não do lado de fora.

Se não puder melhorar o silêncio, cale-se.

vai ver, você sabe muito pouco sobre você…

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Entretenimento Para ler

10 citações de F. Pessoa que mostram que ele era tão perdido quanto você — parte II

Na primeira parte desse artigo eu mostrei que Fernando Pessoa (cético e um tanto quando pessimista), em seu “Livro do Desassossego”, nos mostrou que a vida é mesmo uma incógnita (leia aqui). Isso é trágico (e ás vezes cômico), mas também pode servir para nos mostrar um outro lado da coisa — a vida de adulto sucks, mas refletir sobre ela nos mostra que sempre é tempo de mudar de perspectiva.

(tristeza e depressão são coisas sérias e precisam ser encaradas como tal; se esse tipo de conteúdo for um gatilho para você, não leia. a intenção é trazer reflexão junto ao senso de identificação, e não o contrário).

A vida é um novelo que alguém emaranhou. Há um sentido nela, se estiver desenrolada e posta ao comprido, ou enrolada bem. Mas, tal como está, é um problema sem novelo próprio, um embrulhar-se sem onde.

É, realmente viver é um emaranhado. Mas é muito prazeroso ir desenrolando os fios e descobrir novos significados para eles. E faz parte da nossa trajetória fazer alguns nós aqui e ali. Não há nada errado com isso. Ai, os nós que nós fazemos!

Cheguei hoje, de repente, a uma sensaçã absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém.

Vocês já sentiram isso? Eu sempre me dou conta da minha pequenez quando penso no universo ou no mar. Isso, ao invés de me levar pro negativo, me enraíza no positivo: meus problemas não são tão grandes assim — e eu mereço levar a vida levemente já que ela é tão curta e pequena quando comparada a coisas tão grandes; e sempre lembrando que TUDO, absolutamente TUDO, passa.

O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é.

Seres humanos tendo problemas para se expressar desde sempre 🙂

Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros.

É sempre bom ter algo pra conhecer. Saber tudo seria muito chato. Conhecer tudo e todos seria um tédio. Desconhecer é bom porque podemos sempre estar conhecendo.

Só eles sabem que nós somos presas da ilusão que nos criaram. Mas qual é a razão da ilusão, e por que é que há essa, ou qualquer, ilusão, ou por que é que eles, ilusos também, nos deram que tivéssemos a ilusão que nos deram — isso, por certo, eles mesmos não sabem.

Isso me parece confuso, mas de um jeito estranho, me faz muito sentido: a gente cria a ilusão e depois quer sair dela. Seres humanos sabem mesmo complicar as coisas. Sei lá.

Mais que uma vez, ao passear lentamente pelas ruas da tarde, me tem batido na alma, com uma violência súbita e estonteante, a estranhíssima presença da organização das coisas. Não são bem as coisas naturais que tanto me afetam, que tão poderosamente me trazem esta sensação: são antes os arruamentos, os letreiros, as pessoas vestidas e falando, os empregos, os jornais, a inteligência de tudo.

Por que será que as coisas são assim? Pra quê? Como foi que as coisas se organizaram dessa maneira que vivenciamos? Poderia ser diferente? Faria mais sentido?

Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.

Por isso eu digo: sentir é muito melhor que pensar.

Feliz quem não exige da vida mais do que ela espontaneamente lhe dá, guiando-se pelos instintos dos gatos, que buscam o sol quando há sol, e quando não há sol o calor, onde quer que esteja.

Parar de lamentar o que falta e olhar pro que já temos. Parar de querer impedir o sofrimento e preocupar-se mais em encontrar momentos de alegria. É tudo questão de perspectiva.

Tudo quanto tenho buscado na vida, eu mesmo o deixei por buscar. Sou como alguém que procure distraidamente o que, no sonho entre a busca, esqueceu já o que era.

Quem nunca ficou tão focado em conseguir alguma coisa que acabou se deixando pra trás? Essa citação nos confirma uma coisa: nossos sonhos não podem ser maiores do que nós mesmos. Nossa essência vem antes de tudo — até mesmo dos sonhos. Ir atrás do que se quer é bastante importante, mas saiba escolher sua jornada para chegar até lá: com certeza ela pode ser mais leve e menos dolorosa (ainda que demore um pouco mais).

A nossa vida de adultos reduz-se a dar esmolas aos outros. Vivemos todos de esmola alheia. Desperdiçamos a nossa personalidade em orgias de coexistência.

Pesado, né? A vida não se reduz a isso, mas é preciso ter atenção ao que se dá e ao que se recebe: são migalhas fracionadas ou inteiros? A escolha é nossa.

Eu sempre gostei do “Livro do Desassossego”. É um tanto quando pesado, pessimista. O livro nos mostra um lado muito denso de viver, de pensar, de sentir. Mas o que sempre admirei em Fernando foi a profundidade, mesmo. Esse cara descreve muito bem os sentimentos, a mente, os estados psíquicos, a moral e o conhecimento. Tudo de maneira íntima. Apesar do peso da leitura, há também uma reflexão muito sincera do ato de viver. Vale a pena <3

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pequenos passos

Definitivamente, uma das piores sensações que podemos sentir é a estagnação. É muito difícil perceber-se travado. Difícil e, ao mesmo tempo, doloroso. É nesse momento que a gente fica cara a cara com nossas sombras. Sentir-se parado na vida nos revela muitas ansiedades: a gente nunca tá satisfeito e a gente sucumbe facilmente às pressões externas e às ambições internas.

Eu sempre quis abraçar o mundo. Quero tudo e quero ao mesmo tempo. Quero estudar tudo, quero aprender tudo, quero guardar dinheiro, quero gastar, quero ler mil livros. Resultado? Não faço nada (ou faço pela metade). Enquanto nos preocuparmos mais com grandes passos, mais esqueceremos da importância dos pequenos — são eles que nos levam para longe. E sim, ter consciência disso não é nada fácil.

E eu penso muito nisso: pequenos passos. Por que eles me assustam tanto? Por que quero passar por cima deles? Por que quero logo me arriscar no grande? E, lá no fundo de tudo, deparo-me com meu ego. Sim. Meu ego quer ter tudo pra já. Caso contrário ele se sente derrotado e fracassado. Ilusão das ilusões.

Pega leve — digo a mim mesma. Faça poucas coisas, mas as faça bem. E me lembro que é preciso calma e tranquilidade. Nada com pressa. Mudanças efetivas levam tempo. E respeitar esse tempo é respeitar as fases da vida, também. Quem muito fala pouco faz. Quem muito quer pouco tem. Quem só se preocupa com os grandes passos jamais conseguirá dar os primeiros. E é preciso ver em quais aspectos da vida somos nós os faladores. E nossa tendência é negar, mesmo. É bem mais fácil. A vida acontece fora da zona de conforto — e lutar contra si mesma e sair da zona de conforto também é um belo ato de autocuidado. Fazer renúncias a si mesma, ouvir o seu coração, ter paciência, agradecer o que já se tem e entender que você está onde precisa é um treino diário. Todos os dias a gente precisa se lembrar que a vida nos traz os mestres que a alma precisa nesse exato momento. Então vive o que tá aí na sua frente. As coisas vão andar, você vai chegar onde precisa chegar. Tenha calma.

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O mais bonito e difícil disso tudo é aceitar que cada um tem uma vida, uma dor, um amor. Eu posso estar lutando contra isso e você não e, mesmo assim, isso não me diminui diante de você. Você pode enfrentar tormentas que eu não enfrento, e isso não me engrandece. E por que será que é tão fácil nos esquecermos disso? Nós não ficamos pra trás, mas nos sentimos perdendo a corrida. Mas qual corrida? Quem fez as regras e por que é tão difícil quebrá-las?

Essa semana eu li algo muito bonito e era mais ou menos assim: o ponto da vida não é tentar apenas amenizar nossos sofrimentos, mas, ao invés disso, procurar mais alegria. Mudar o foco, a perspectiva. Ao invés de olharmos para o que sangra, vamos encarar o que cicatriza. Talvez a gente perca muito tempo querendo mudar e esquecemo-nos de aproveitar as pequenices da vida que nos inundam a alma. A questão não é e nunca foi ter tudo.

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autocuidado.

estar vulnerável é assustador, mas tudo bem — esteja mesmo assim.

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Cura, pressa, vida, fraqueza.

Sabe aqueles dias em que a alma está tão leve que achamos que zeramos todos os problemas e ficamos nos questionando “nossa, por que eu achava que a vida tava mal, hen?”. Há também os dias que tá tudo dando TÃO errado que a única coisa que brota na cabeça é “meu deus, o que será que tá acontecendo? cadê os dias de glória? minha vida é mesmo um trem desgovernado” e logo em seguida surge um novo dia maravilhoso e a gente esquece das coisas ruins.

Vai e volta.

E até nisso precisamos ter desapego. Não podemos achar que tudo vai ser sempre bom, pois obviamente não vai. E nem tudo vai ser ruim também. É um eterno vai e volta — eis mais um belo clichê da vida. E a gente demora muito pra entender, aceitar e acolher todas as nuances que aparecem por aí.

Talvez nem tanto assim.

Apego. Controle. Mania de perfeição e de fingir perfeição a todo custo. Nossa, como dá medo mostrar fraqueza, mostrar erros, mostrar o lado feio. Eu pelo menos tenho muito medo disso. Só mostro o que quero pras pessoas. Finjo que sou isenta de problemas. Quero agradar, quero mostrar que sou legal. A questão é que sim, eu sou legal, mas não sempre. E por que tenho tanto medo de mostrar o lado chato? Aprovação? Pertencimento? Eu sou uma pessoa altruísta, mas não o tempo todo. Sou otimista, mas não o tempo todo. Gosto de respeitar, mas nem sempre consigo fazer isso do melhor modo. E por que é tão difícil aceitar e mostrar isso? Mostrar-se imperfeito? Porque, lá no fundo, todos nós queremos ser bem vistos e queremos ser surpreendentes e extraordinários. Por que ser extraordinário? Por que querer tanto destaque? Talvez sejamos todos incríveis, mas não tanto assim e nem o todo assim. E o que há de errado nisso?

Real life sucks.

Desse modo anulamos a vida real e passamos odiar a vida real. É muito chato ser normal. O legal mesmo é ser idolatrado e amado e reconhecido e valorizado. Por quem? Pelos outros. A gente busca isso primeiro pra depois buscar o próprio reconhecimento. É difícil pra caramba sair disso. Eu ainda tô tentando. Será que vivemos nossa realidade? Será que desejamos aquilo que podemos ter? Será que estamos sendo nós mesmos? É fácil falar “eu sou eu mesmo”, difícil mesmo é ser. São muitas convenções sociais e imposições culturais. É muito ego. É muita dúvida. É muito tudo. Mas a vida real é o mais legal que podemos ter porque ela é TUDO que temos. Simples assim. A gente tem o que tem. Nada mais. Podemos até fingir, mas uma hora a coisa começa a ficar beeeeem incômoda. E graças ao divino esse incômodo vem e muda tudo de lugar. 

A cura.

Acho que cuidar disso tudo não é trabalho fácil. Demanda tempo. E sangra muito, poxa vida. Cada dia uma coisa pra ser observada. E temos que olhar sim, mas com muito amor e cuidado — não há cura sem amor. E vale dar uma desencanada também. Até na questão de se conhecer e tudo mais. Muitas vezes me pego querendo saber mais e mais e mais e mais que acabo ficando mais perdida do que antes. É bom botar o pé no freio e só viver sem pensar de vez em quando. Até nisso precisamos ter equilíbrio. E isso é algo recente pra mim (tendo a ser bem intensa nas coisas). Um passo de cada vez. Um ajuste de cada vez. Sem neura, sem tanta pressa. Senão a gente só tá substituindo uma neurose por outra. Quer gostemos ou não, estamos nesse mundo. Não dá pra saber tudo e nem pra conhecer tudo e nem pra curar tudo. Pronto. Faça poucas coisas, mas as faça bem. Acho que esse já é um belo começo. Poquito, poquito. Portanto, pega leve. Até no seu próprio autoconhecimento. Não dá pra bitolar, não. É pior, acreditem. 

sobre sentir e deixar ir - dhiman
Sinta o que você precisa sentir e depois deixe ir. Não deixe isso te consumir.

Continue lendo <3

a tal validação externa…

você respeita suas más escolhas?

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cada um é de si mesmo.

Menina ruiva com tricô e de olhos fechados.

Mania chata essa de controle que vamos adquirindo ao longo da vida, né? Queremos possuir tudo: pessoas, lugares, bens… A lista é longa! Gostamos de ter tudo debaixo de nosso nariz, controladinho… E ai se fugir de vista! A gente já perde as estribeiras.

Nos esquecemos muito facilmente que nessa vida ninguém é de ninguém. É difícil, eu sei. Mas olha pra tua história: você, alguma vez nessa vida, já conseguiu prender alguém? Seja ela quem fosse: amores, famílias, amigos… Não, né? Não dá pra saber do dia de amanhã. Pessoas e lugares e sentimentos e pensamentos mudam (o tempo todo).

Por isso, meu bem, não vale a pena viver na neura. Deixe as coisas irem e virem. Essa é a vida.

Mas, vem cá… Ninguém é tão sua quanto você mesma. Ninguém. Gravou bem isso? Não sei se você realmente entende a profundidade e o tamanho dessa constatação, mas, amiga, você só tem você. E isso é maravilhoso e grandioso e incrível.

Você só pode assinar contratos consigo mesma. Só pode fazer garantias pra você mesma — e o mais legal de tudo isso? Você pode mudar de ideia quando bem entender. Você não precisa ser sempre a mesma, desejar as mesmas coisas… Você é livre pra mudar de ideia, de cor de cabelo, de preferências musicais… Você é livre o suficiente pra isso? Você saberia ser livre o bastante pra se permitir viver a sua vida? E mais: você é livre o bastante pra deixar os outros serem deles mesmos?

(Duro, né? Eu sei. Dói mesmo.)

Parece fácil, né? Mas é bem difícil se desamarrar de tudo o que te amarrou até aqui. É um trabalho pra vida toda.

Quando você entende o tamanho da sua liberdade, você respeita a liberdade dos outros também. Essa é a maior prova de amor que podemos demonstrar para nós e para os outros: deixar com que cada um seja de si mesmo.

Não temos o direito de intervir no sonho de alguém, e ninguém tem o direito de intervir no nosso. O que acontece é que, algumas vezes, cedemos e deixamos com que nos invadam, e daí sentimo-nos no direito de fazer o mesmo com o outro. Cagada. Não troque sonhos por pessoas e não faça ninguém ter que escolher entre você e o sonho da vida dela. Isso é MUITO desumano. A gente tá aqui pra viver com pessoas que edifiquem nossos sonhos e nos ajudem a chegar lá. Você anda fazendo isso com o sonho dos que estão ao seu redor? Você ajuda ou você desestimula?

Pense nisso seriamente. Cada um é de si mesmo e ponto final. Deixe as pessoas viverem a liberdade delas e não se doa por isso: você tem a sua pra viver. Viva-a plenamente. <3

Vai ser fácil? Com certeza não. Nós não sabemos, de fato, o que é ser livre. E quando você começar a descobrir, um monte de neura e de gente chata vai aparecer e te apontar dedos — vão te chamar de maluca, de trouxa, de ridícula. Ignore. Ser livre é entender que cada um faz e fala o que quer, e que se você tem apenas a si mesma, por que diabos escutaria gente mal-intencionada?

Quer continuar refletindo?
Leia esse textinho aqui, ó: https://cabecadenuvem.com/a-gente-nunca-sabe-nada/
Quer mais ainda? Vai nesse, então: https://cabecadenuvem.com/desapego-fuga-equilibrio/

Ei, psiu, vem falar com a gente 🙂
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o oposto de amar é temer.

Não é ódio, não é indiferença — o oposto de amar é temer. Quem tem medo não se entrega, não se permite. Tudo fica travado quando sentimentos medo.

Menina negra com os cabelos atrás da orelha.

Vai dar medo? Vai.

E você precisa ir mesmo assim. Não dá pra viver escolhendo o caminho do medo. Mas como você lida com esse seu medo é que faz toda a diferença. Obviamente em alguns momentos o medo é nosso parceiro, mas na maioria das vezes ele é puro ego. Medo de perder, medo de sair por baixo medo de estar vulnerável, medo de dizer que ama, de assumir que não sabe, de pedir perdão… A lista é longa! Nosso ego gosta de nos confundir 🙂 Por isso, conheça-se, permita-se, respeite-se. <3

você precisa viver sem medo?

Não tem como viver sem medo! É impossível. A  vida é assustadora (nós somos assustadores, também). Não dá pra se blindar do medo, mana. E tudo bem. Mas o que você faz com ele é problema seu e sempre será. Você foge? Finge demência? Fica insensível? Usa máscaras? Qual é sua proteção contra o medo? Qual sua desculpa? Todos nós temos um abrigo pra nos escondermos quando sentimos medo: qual é o seu? E sim, esse abrigo é apenas uma máscara e uma impotência que carregamos. É proteção, bem sabemos — mas a linha entre proteger e te privar de viver experiências i-n-c-r-í-v-e-i-s é mega tênue. Ou vai ou fica. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. A vida é assim. Nós não sabemos quando vamos sorrir ou quando vamos chamar. E isso dá medo pra caramba, cara, mas isso é viver. Essa imprevisibilidade dá toda a graça e todo o medo. Se joga!

De quantas experiências você já se privou por medo?

Aposto que muitas. É inerente, mas sempre há tempo de mudar! Tudo (absolutamente tudo) nessa vida é imprevisível. Trocar de emprego, encontrar um amor, fazer amizades, arriscar uma nova área, uma viagem… Em tudo corremos risco. Viver é o maior deles. Nunca se sabe em qual esquina seu coração vai parar de bater. NUNCA SE SABE — você tem ideia do que isso significa? Mesmo?

Significa que a gente vai morrer. Pra valer. E só teme a morte quem tem medo da vida. E todos nós temos medo da vida, então vou esclarecer as coisas: só teme a morte aquele que escolhe agir pelo medo, aquele que deixa a insegurança liderar e comandar os rumos.

Ame. Pule. Grite. Desabafe. Mande a real. Mude de emprego. Se descabele. Viaje. Fale que ama. Abrace mais. Não esconda seus sentimentos. Bote tudo pra fora. Corte o cabelo. Mude a cor dele, também. Ou não faça nada disso.

Não deixe o medo mandar em você. Você pode se arrepender? Pode, mas mais vale a pena viver com arrependimentos do que não se arriscar por puro medo. Viva a história que deseja contar.

Gostou? Então vem ler esses aqui:

Sobre sentimentos.

Sobre a imprevisibilidade da vida.

Sobre estar vulnerável.

<3

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Crônicas do Cotidiano

a gente nunca sabe nada.

75/100 of #100daysofhair For fancy hair, just shove a bunch of bobby pins in there and hope for the best.

Depois de um tempo as coisas parecem fazer sentido. Começamos a aceitar que tudo é um ciclo e que viver é grandioso demais pra tentarmos controlar tudo o que nos acontece. A vida não costuma esperar. Ela é impaciente. E ela não aceita metades. Quer dizer, ela até aceita, mas ela sempre cobra caro depois. E ela continua sendo grandiosa. A beleza é realmente sentida em doses pequenas e ela está por toda parte. A dor costuma chegar feito vendaval, mas ela sempre vai embora. E nesse vai e vem a gente percebe que não dá pra saber de nada. A vida é grandiosa e é surpreendente. Ela sabe te deixar com a boca aberta. Ela adora pegar suas certezas e virar do avesso e te fazer rir da sua ignorância. A vida é grandiosa e surpreendente e por vezes irônica. A vida é mãe. Ela nos quer bem, mas ela nos quer fortes. Ninguém passa ileso por ela. Viver é uma constante surpresa. Ora boa, ora não tão boa. O gelo na barriga é garantido. A gente tem que se acostumar, cara. Não adianta. E a gente vai pegando a manha, também. Apesar de relutantes, vemos que não adianta. Simplesmente não adianta perder tempo com travas e barreiras. Só vai. Deixa a vida fluir e seguir o fluxo que precisa ser vivido. As situações sempre nos são convenientes. Pode parecer que não, mas há luz em tudo que nos acontece. Sei que a teimosia grita e berra dentro da gente. Mas com o tempo ficamos mais maleáveis. Não sabemos nada. Nunca saberemos nada. Percebe? Dá pra ver como é inútil se preocupar com o que foge do nosso controle? E a vida é meio descontrolada mesmo, cara. Nem coloque energia numa tentativa frustrada de moldar as coisas. Lembre-se: a vida sabe ser irônica… Ela até deixa a gente pensar que temos controle, mas depois ela dá uma leve puxada no tapete (sem maldade), nos coloca no lugar e sussurra “calma, garota, confia”. Não sabemos de nada. Portanto, confie. Não tente controlar. <3

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quanto aos sentimentos, escolha ser gentil e generoso.

Sentir dói. Sentir sangra. Sentir chora. Sentir é permitir-se ser e estar vulnerável; é deixar exposto o que há de mais nobre e verdadeiro e vergonhoso dentro de você.

É um verdadeiro barulho. Nem sempre dá pra ficar em paz e não raramente parece mais confortável esconder tudo e fingir que não é com a gente.

Sentir exige coragem. Ser vulnerável e quente exige coragem. Muita coragem. É muito mais fácil ser frio e impenetrável. Porém, é muito mais interessante e gigante sentir e mostrar que sente.

Sempre pense que, se o outro ou os outros não sabem respeitar e entender o que está dentro de você, eles (simplesmente) não merecem seu tempo.

Você não precisa gastar energia com quem não compreende o que há de mais sincero em você. E não precisa provar nada pra ninguém: não há travesseiro mais confortável do que respeitar o que vem de você; nada se compara à sensação de estar sendo sincero e honesto consigo mesmo.

Não troque sinceridade por aprovação. Não troque verdade por medo. Não troque sua essência por vaidades.

 Menina sentada olhando.

As coisas passam: pessoas, lugares, músicas, sabores… Mas o que você mantém aquecido aí dentro de você vai lhe acompanhar pro resto da vida. E deve ser muito triste chegar no fim e perceber que o medo sempre foi maior que o sentimento.

O contrário do amor é o medo. O medo apaga o que temos de mais bonito e genuíno. Ele é destruidor e ele chega sem dó.

Todos os dias você escolhe entre encarar ou se esconder. Ou encara ou se esconde.

Chega um momento da vida em que você se dá conta de que o mais importante é ser verdadeiro. Consigo e com os outros. Quem vale a pena, fica. Quem não vale, vai embora.

E eu sei que dói falar tchau pra algumas pessoas. Eu sei. Mas confia. Não vale a pena vestir uma máscara só para que alguém fique. Você se mata um pouquinho cada vez que escolhe deixar alguém dizer quem você deve ser, que música deve ouvir, que direção deve seguir.

Seja rico e generoso com seus sentimentos. Acolha-os. Compreenda-os. Investigue-os. Não camufla, não. Deixa eles ficarem. Deixa eles zonearem sua vida de cabeça pra baixo para depois, com a mesma intensidade, permitir que eles lhe organizem novamente.

Não economize no seu sentir.