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Cura, pressa, vida, fraqueza.

Sabe aqueles dias em que a alma está tão leve que achamos que zeramos todos os problemas e ficamos nos questionando “nossa, por que eu achava que a vida tava mal, hen?”. Há também os dias que tá tudo dando TÃO errado que a única coisa que brota na cabeça é “meu deus, o que será que tá acontecendo? cadê os dias de glória? minha vida é mesmo um trem desgovernado” e logo em seguida surge um novo dia maravilhoso e a gente esquece das coisas ruins.

Vai e volta.

E até nisso precisamos ter desapego. Não podemos achar que tudo vai ser sempre bom, pois obviamente não vai. E nem tudo vai ser ruim também. É um eterno vai e volta — eis mais um belo clichê da vida. E a gente demora muito pra entender, aceitar e acolher todas as nuances que aparecem por aí.

Talvez nem tanto assim.

Apego. Controle. Mania de perfeição e de fingir perfeição a todo custo. Nossa, como dá medo mostrar fraqueza, mostrar erros, mostrar o lado feio. Eu pelo menos tenho muito medo disso. Só mostro o que quero pras pessoas. Finjo que sou isenta de problemas. Quero agradar, quero mostrar que sou legal. A questão é que sim, eu sou legal, mas não sempre. E por que tenho tanto medo de mostrar o lado chato? Aprovação? Pertencimento? Eu sou uma pessoa altruísta, mas não o tempo todo. Sou otimista, mas não o tempo todo. Gosto de respeitar, mas nem sempre consigo fazer isso do melhor modo. E por que é tão difícil aceitar e mostrar isso? Mostrar-se imperfeito? Porque, lá no fundo, todos nós queremos ser bem vistos e queremos ser surpreendentes e extraordinários. Por que ser extraordinário? Por que querer tanto destaque? Talvez sejamos todos incríveis, mas não tanto assim e nem o todo assim. E o que há de errado nisso?

Real life sucks.

Desse modo anulamos a vida real e passamos odiar a vida real. É muito chato ser normal. O legal mesmo é ser idolatrado e amado e reconhecido e valorizado. Por quem? Pelos outros. A gente busca isso primeiro pra depois buscar o próprio reconhecimento. É difícil pra caramba sair disso. Eu ainda tô tentando. Será que vivemos nossa realidade? Será que desejamos aquilo que podemos ter? Será que estamos sendo nós mesmos? É fácil falar “eu sou eu mesmo”, difícil mesmo é ser. São muitas convenções sociais e imposições culturais. É muito ego. É muita dúvida. É muito tudo. Mas a vida real é o mais legal que podemos ter porque ela é TUDO que temos. Simples assim. A gente tem o que tem. Nada mais. Podemos até fingir, mas uma hora a coisa começa a ficar beeeeem incômoda. E graças ao divino esse incômodo vem e muda tudo de lugar. 

A cura.

Acho que cuidar disso tudo não é trabalho fácil. Demanda tempo. E sangra muito, poxa vida. Cada dia uma coisa pra ser observada. E temos que olhar sim, mas com muito amor e cuidado — não há cura sem amor. E vale dar uma desencanada também. Até na questão de se conhecer e tudo mais. Muitas vezes me pego querendo saber mais e mais e mais e mais que acabo ficando mais perdida do que antes. É bom botar o pé no freio e só viver sem pensar de vez em quando. Até nisso precisamos ter equilíbrio. E isso é algo recente pra mim (tendo a ser bem intensa nas coisas). Um passo de cada vez. Um ajuste de cada vez. Sem neura, sem tanta pressa. Senão a gente só tá substituindo uma neurose por outra. Quer gostemos ou não, estamos nesse mundo. Não dá pra saber tudo e nem pra conhecer tudo e nem pra curar tudo. Pronto. Faça poucas coisas, mas as faça bem. Acho que esse já é um belo começo. Poquito, poquito. Portanto, pega leve. Até no seu próprio autoconhecimento. Não dá pra bitolar, não. É pior, acreditem. 

sobre sentir e deixar ir - dhiman
Sinta o que você precisa sentir e depois deixe ir. Não deixe isso te consumir.

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a tal validação externa…

você respeita suas más escolhas?

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Dadme la muerte que me falta.

Dá-me a morte que preciso. Quão difícil pode ser deixar morrer o que precisa morrer? Quão difícil viver sendo o que se é e não mais o que se foi? A morte nos ensina e traz vida. Não há vida sem morte, não há morte sem vida. Eis o ciclo da transformação; o ciclo da vida. Viver, morrer, viver. Viver, morrer, viver.

Viver tem sido líquido. Nada foi feito para durar: desde bens materiais até relacionamentos, as mortes têm sido evitadas, tamanha voracidade temos em pular de galho em galho, sempre sedentos e insatisfeitos — nós fugimos assim que as coisas ficam ruins ou estranhas ou desagradáveis, sem mais nem menos, num piscar de olhos vamos embora. Por que? Porque nós não sabemos lidar com o que morre, com o que se transforma. Nós começamos uma relação achando que todos aqueles sentimentos serão sempre os mesmos, mas jamais o serão. A morte vem para eles e os transforma — e nós nem sempre sabemos lidar com essa transmutação. A gente se apega ao que espera, e isso nos deixa tão frustrados que fugimos. Não ficamos, fugimos. Não arrumamos, trocamos.

Quando algo nasce, algo morre. Inevitavelmente. Quando algo morre, algo nasce. Mas como traremos nova vida e novos significados se não deixamos morrer o que já não cabe dentro de nós? Como traremos nova vida se temos tanto medo da morte? Só de vê-la acenando, de longe, já entramos em desespero e logo fechamos nossas portas a ela. Não aceitamos o processo. Não acolhemos a morte como sendo generosa e parte vital do grande ciclo de transformação: coisas precisam morrer e outras coisas precisam entrar. Ciclo de transformação. Metamorfoses. A fuga? A fuga só nos acovarda. Seria ingenuidade? Pressa?

O desejo de forçar o amor a prosseguir somente no seu aspecto mais positivo é o que faz com que o amor acabe morrendo, e para sempre. (…) Amar significa ficar com. Significa emergir de um mundo de fantasia para um mundo em que o amor duradouro é possível, cara a cara, ossos a ossos, um amor de devoção. Amar significa ficar quando cada célula nos manda fugir.”

Por sermos duais, é extremamente sábio de nossa parte compreender exatamente o que precisa morrer. E é aqui que entra o autoconhecimento, também. Conhecer para saber o que vai e o que fica. O que me veste e o que não entra mais em mim? O que me dói e o que me faz bem? O que eu realmente quero? Pra onde preciso ir? Quem vai comigo? Que parte de mim preciso enterrar? É por isso que fazemos tudo o que fazemos. É por isso também que ficar na zona de conforto é tão gostoso: não precisamos matar nada — mas depois não adianta reclamar que as coisas estão empacadas. Se nada morrer, nada novo vai entrar. É por isso que fazemos tudo o que fazemos. 

Paradoxalmente, à medida que sua vida antiga está morrendo e até mesmo os melhores remédios não conseguem esconder este fato, ela (a mulher, no caso) está alerta para sua perda de sangue e, portanto, apenas começando a viver.

É preciso aceitar o fim. Deixar morrer o que precisa morrer. Dadme la muerte que me falta. Que tenhamos forças pra irmos de encontro ao que tem que morrer. Que saibamos acolher a vida que nasce em seguida com esperança e brilho nos olhos. Vida, morte, vida. Vai ser sempre assim. Tudo passa por esse ciclo, absolutamente tudo. Coisas, pessoas, animais, sentimentos. Tudo. E sim, vai ser difícil, mas também vai ser delicioso.

O texto foi feito com base na reflexão do livro de Clarissa Pinkola Estés, em “Mulheres que correm com os lobos”, e todos os trechos destacados foram retirados do mesmo (by the way, leiam esse livro — l-e-i-a-m esse livro, pelo amor de tudo que é mais sagrado).

Continua por aqui, você é legal:
“Será que estamos nos percebendo?”, aqui.
“Peça ajuda”, aqui.

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pra que ceder?

Em um mundo de egoístas, corajosos mesmos são aqueles que sabem ceder. Me peguei pensando esses dias em como somos individualistas e compreendemos o mundo de acordo com nossas percepções o tempo todo: nossas dores, nossos medos, nossos anseios, nossas inseguranças. Devemos pensar em nós e respeitar tudo o que carregamos SIM, mas o tempo todo? Isso é saudável? E os outros? Todo mundo quer se proteger, se acolher. Mas se todo mundo fizer tudo apenas pensando em si, onde o mundo irá parar? Até onde pensar no nosso umbigo é proteção individual e até que ponto é egolatria?

Presenciei uma polêmica dia desses e isso me fez ter várias reflexões. A situação era a seguinte: um homem e uma mulher tinham um relacionamento; ela começou a treinar e contratou um personal trainer homem; o marido se sentiu ameaçado; ela estava cogitando conversar com o marido sobre essa irracionalidade para que ela fosse tratata e, no meio tempo, trocar de personal para evitar dores inúteis no companheiro. Caíram em cima dela dizendo que isso era machismo, onde já se viu, ele que se virasse com a dor e insegurança dele e blá-blá-blá. 

Casal autêntico fazendo graça - amar é ceder.

Consigo entender os dois lados. Num primeiro momento, também achei a concessão um absurdo. Mas depois comecei a trazer isso para minha realidade e me dei conta de que, NA MINHA OPINIÃO, isso não era machismo (desde que essa insegurança fosse levada a sério e bem tratata). Por que? Porque o amor cede também (amor, amor, tá? não essas coisas líquidas e banais). Se ceder não for nos prejudicar emocional e fisicamente, o que nos impede de abrir a mão? Orgulho? Pra provar que estamos certos a qualquer custo? Não acho que seja bem assim. E se fosse o contrário? Se alguém não é capaz de renunciar pequenas coisas, como serão as grandes? Não serão, né. 

Nós fomos criadas em uma sociedade altamente machista, fato. Mas os homens também estão nessa. Eles também estão aprendendo. Não adianta endemonizar e tomar toda atitude como sendo machista. Ao invés disso, cada mulher poderia ajudá-los. E mulheres também erram. É normal, somos humanos. Por debaixo de cada atitude nossa existe um ser humano vulnerável e propenso a errar. E nós vamos errar, mesmo cercados de tantas informações assim. E tanta informação também pode ser um problema. A gente fica o tempo todo ouvindo várias pessoas dizendo o que é certo e o que é errado. A gente se confunde. “meu deus, se eu aceitar isso estarei sendo trouxa”; “não posso ceder nisso porque eu ouvi falar que é assim que os relacionamentos abusivos começam”; “eu tenho que me amar em primeiro lugar e não posso fazer nada que eu não queira”. E é assim que se forma uma geração mimada e egoísta e imediatista e medrosa (me incluo e luto contra ela todo dia, tá?).

Acho que o abuso começa no momento em que as exigências aparecem. As imposições, as proibições, as opressões. Isso é motivo de alerta. Mas quando é uma troca genuína de sentimentos, nós temos que ajudar quem escolhemos ter do nosso lado. Estamos falando de quem AMAMOS e queremos bem. Ajudem e procurem ajuda. Conversem muito. Não achem que o companheiro ou companheira de vocês é seu inimigo ou inimiga (e se for, hasta la vista, baby). Abrir o coração e expor inseguranças autênticas é muito difícil — e nessas horas a abordagem conta muito: como você as expõe? Você faz isso de coração aberto ou você chega de peito estufado pra cima? Mostrar vulnerabilidade não é fácil, não.

Se queremos um mundo diferente, estamos no caminho errado. O amor ultrapassa qualquer demanda do ego quando é verdadeiro. Precisamos ceder (aos homens e às mulheres) e o ato de ceder não faz com que você perca seu valor em uma relação saudável (e se não for saudável, siga seu instinto, procure ajuda e vaze assim que conseguir).

Parece fácil, mas não é. É muito complexo. É necessário avaliar a situação toda pra se ter discernimento. Mas nós temos que ajudar quem nós amamos. Isso não significa passar por cima de seus mais profundos valores — não! Isso implica em reconhecer a fraqueza do outro e ajudá-lo e respeitar sua dor, e isso tem que ser recíproco! 

 

Vem ler mais textos <3

“Peça ajuda”, aqui.
“Será que estamos nos percebendo?”, aqui.
“Somos medrosos (e mimados) demais, aqui.

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peça ajuda.

O mundo está cada vez mais individualista, né? Mas quem faz o mundo somos eu e você. Já parou pra pensar nisso? Talvez seja momento de sairmos um pouco de nossas bolhas e aceitarmos que precisamos um dos outros — e não, isso não é sinal de covardia.

Pedir ajuda pode até ser vulnerabilidade, mas há muita (MUITA) força na vulnerabilidade. E humildade também. Gente durona não pede ajuda e, quase sempre, quem é muito durão é, beeem lá no fundo, super mole. Irônico, né? 

Nós precisamos da nossa individualidade, certamente. Mas de onde vem esse receio em pedir ajuda? Tá, vamos combinar que existem pessoas que se sentem as bam-bam-bam quando pedem ajuda pra elas, né? E essas pessoas gostam de humilhar, de mostrar sua superioridade e por aí vai. Mas esse tipo de gente é melhor relevar. Eu tô falando mesmo em pedir ajuda pra quem quer nos ajudar — e tem muita gente disposta a isso.

Menina de olhos azuiz entre flores.

Um dos motivos, como já disse, é que a gente pode pegar um certo ranzo em pedir ajuda quando o fazemos a pessoas erradas. Fato. Mas muita gente se julga também quando pede ajuda. “ai, como sou fraca”. “por que eu nao consigo resolver isso sozinha? claro que eu consigo. eu sou forte e vou provar isso”. Não, não, não, não, não. Todo mundo precisa de ajuda e ninguém é fraco por isso.

Sabe, algumas coisas a gente não queria pra nossa vida. Cada um tem suas sombras e nós sabemos bem como é chato viver com elas. Mas elas são nossas. E quanto a gente entende que elas existem para nossa própria jornada ter mais sentido, a gente aceita; ainda que com dor, a gente aceita; na verdade, podemos muito bem escolher não aceitá-las, mas adianta? Uma hora elas voltam pra gente. O melhor é abraçá-las agorinha (ainda que rolem uns tapas pra lá e pra cá).

E nós não precisamos fazer isso sozinhas. Primeiro, temos nossa intuição como guia. Use-a. Investigue-a. Ela deve ser seu primeiro farol. Segundo, o mundo tá cheio de gente linda (e gente bem de buenas) para nos ajudar. Peça ajuda. Nós precisamos dos outros. Você não é menos quando pede ajuda. A outra pessoa não é mais quando ajuda. Isso é irmandade, é troca. Eu bem sei que é algo cultural essa questão de covardia VS coragem, mas o mundo gira e nós temos que desconstruir para conseguirmos ampliar nossa consciência.

Você conhece alguém que diz que terapia é só pra gente doida? Que reforço escolar é só pra burro? Que fé é só para os medrosos? Que nutricionista é só pra descontrolados? Acho que sim, né? E isso é só uma parte da grande lista de afirmações ignorantes que temos o desprezer de ouvir. Tem gente que quer se virar sozinha sempre e esquece que a dor pode ser diluída quando damos a mão pra alguém. O simples fato de falar sobre suas dores com alguém pode trazer imenso alívio. Não tenha medo — ainda existe gente linda no mundo.

E, obviamente, ajude. Ajude os outros e tente não esperar nada em troca — pode ser que haja reciprocidade, pode ser que não. Eu sei que quase todos nós, bem lá no fundo, espera o bem em troca quando fazemos o bem. Mas nem sempre isso ocorre e não dá pra se revoltar por isso. Muitas vezes coisas ruins acontecem com pessoas boas. Esse mundo não é justo. Ajude mesmo assim. Ame mesmo assim. Perdoe mesmo assim. Não é fácil ser um terráqueo mas é o que temos pra hoje.

Doeu? Peça ajuda. Alguém que você gosta (ou não, vai saber) tá numa bad violenta? Ajude com o que puder. A gente não precisa passar por tudo sozinho. Peça ajuda. Peça ajuda. Peça ajuda. E só pra deixar bem claro: ninguém é fraco ao pedi-la.

 

Vem refletir mais <3

“Autocuidado”, clica aqui.
“Será que estamos nos percebendo?”, clica aqui.

Tem alguma sugestão de reflexão? Escreve pra gente aqui nos coments 🙂

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será que estamos nos percebendo?

O que, de fato, andamos enxergando na gente e nos outros? Será que estamos prestando atenção? Estamos percebendo nossos sentimentos, nossos incômodos, nossa essência? E, ao mesmo tempo, será que estamos enxergando os outros no real sentido da palavra?

Como sempre escrevo por aqui, acredito realmente que as pessoas colocam pra fora somente aquilo que trazem dentro de si mesmas. Tendo isso como garantia, é absurdamente chato conviver com gente que não nos percebe; a impressão que tenho é que elas são, antes de mais nada, incapazes de se autoenxergarem. E isso é triste. Muito triste.

Porém, não é sempre que as pessoas não nos enxergam. Em muitos momentos essa impressão que temos não passa de capricho e carência de feridas que estão abertas dentro de nós. É preciso aguçar a percepção e também a intuição para discernir o que está em jogo: insegurança ou incompatibilidade.

Viver com gente que não te enxerga é um dos piores tipos de relacionamento. Você acaba aceitando migalhas e se vê maluco tentando mostrar pro outro quem é você. Mas a gente tem que se lembrar constanemente que, se precisamos nos provar ou justificar pra que vejam nosso valor, algo anormal está acontecendo e atitudes precisam ser tomadas. Mas antes de sair julgando e se afastando de pessoas é legal lembrar que somos responsáveis pela nossa vida e que vestir a capa de vítima pode ser perigoso e enganador.

Muita gente anda vazia de si mesma e cheia dos outros. Nós, muito comumente, somos cercados por pessoas com as quais somos obrigados a conviver, e isso pode ser altamente venenoso se não nos cuidarmos no meio de todo esse processo. Depender da validação externa sempre será uma jornada fadada ao fracasso — eis mais um belo clichê da vida!

Mulher entre flores tapando um olho.

E no meio de tudo isso, algo que merece destaque: nossos relacionamentos precisam ser escolhidos a dedo, com muito cuidado, mas também com muita humanidade. Saiba quem está ao seu lado. Por certo, nós somos responsáveis pelos nossos sentimentos, mas é torturante ficar ao lado de gente abusiva, e o poder de escolha é todo nosso; se não cuidarmos de nossa saúde mental, ninguém o fará. Dá pra sentir o que sai da pessoa. Dá pra perceber quando elas nos querem bem ou não. É ruim demais ser criticado o tempo todo, ser cobrado, ser julgado por suas escolhas e por suas características.

Mas é preciso ter calma. Acima de tudo estamos lidando com humanos. Nós todos temos ego. Nós vivemos em uma sociedade marcada pela cultura da guerra — a gente fica na defensiva mesmo. Eu erro, tu erras, ele erra… Todos nós estamos sujeitos a isso. Então é preciso ter calma para não se tornar inflexível e desequilibrado e autocentrado demais. Equilíbrio é tudo, né? Pessoas que acham que estão sendo invejadas e perseguidas o tempo todo mostram o outro lado da moeda: muitas vezes somos NÓS que estamos percebendo pouco os outros e exigindo demais.

Desvalidar alguém é um ato insensível, e é fácil e confortável demais alegar que “fulano não presta, você merece mais” sem antes compreender que todo ser humano está sujeito a falhas e vulnerabilidades. Nós nos transformamos constantemente, então, logicamente, todos se transmutam no decorrer da vida. Ora, então os outros também evoluem, assim como eu! 

Há uma enorme diferença (e eu me dei conta disso recentemente) entre juízo de valor e julgamentos moralizadores: o juízo de valor reflete aquilo que julgamos ser o melhor para a vida; já quando fazemos julgamentos moralizadores, condenamos pessoas e comportamentos que estão contra nossos juízos de valor. Complexo, né? Mas faz todo sentido. E a empatia é uma ferramenta poderosa para diferenciarmos um do outro.

As pessoas têm o direito de ser quem elas são. Quem escolhe quem vai e quem fica é você. Vale a pena ficar ao lado de tal pessoa? Eu me sinto bem? Me sinto livre para ser quem sou? Sempre lembrando que, do outro lado da história, alguém também pode estar querendo se afastar de você. E como você se sentiria com isso? Você gostaria de julgamentos doentios ou de compreensão? Eu sei que é fácil falar e que na hora a gente costuma cagar e sentar em cima, mas é uma prática reflexiva aprender a lidar com tudo isso. Do mesmo modo que queremos ser vistos, os outros também querem. 

Não acredito que a responsabilidade seja sempre só de um. Se alguém nos maltrata, de algum modo estamos permitindo isso (interprete esta frase com cuidado). Mas compatibilidade e incompatibilidade existem. Energia também. Tem gente que suga, tem gente que soma. Tem gente que machuca e tem gente que cura. Mas talvez quem te machuque seja a cura de outra pessoa. E aí? A gente nunca vai saber. Somos tão complexos. Não dá pra ser amigo de todo mundo, mas o contrário também é verdadeiro. Nós precisamos uns dos outros e a ajuda é sempre bem-vinda. Mas o olhar benevolente para com o outro está em falta; somos violentos demais nas nossas relações. Com certeza você já ouviu aquela frase maravilhosa que diz que “nós nunca sabemos pelo que o outro está passando; portanto, seja gentil” e ela é genuína. 

Meu termômetro é meu sentimento honesto. Em casos como este, eu procuro meditar e refletir e estudar meu próprio corpo e alma. Se tenho que ir embora, tento ir sem julgar os outros com minha moral. Se eu fico, eu tento entender que a escolha foi minha. Note que eu falei que tento. Nem sempre consigo e muitas vezes falho e imponho regras aos outros. Mas a gente é feito disso, né? Erros e acertos. E meu pensamento final, talvez, seja o de que precisamos ser a cura do mundo o máximo que pudermos: vamos enxergar mais os outros — isso diz com certeza que também estamos atentos a nós mesmos; e percepção de ninguém no mundo se equipara ao olhar que temos para conosco. Não significa colocar os outros acima ou abaixo, significa apenas ser humano e empático.

Banat, banat, ban jai.
(Fazendo, fazendo, um dia feito. Um esforço hoje, outro amanhã, e um dia você atinge a meta divina). <3

Aproveito para deixar aqui a dica de dois livros sen-sa-ci-o-nais:

  • Comunicação não-violenta, de Marshall B. Rosenberg.
  • Autobiografia de um iogue, de Paramahansa Yogananda.

E também pra indicar mais leituras aqui do bróguinho:

  • Somos medrosos e mimados demais, aqui.
  • A tal validação externa, aqui.

 

 

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você tem medo de quê?

Desde que iniciei minha jornada de autoconhecimento, nunca consegui olhar para o medo sem pensar na coragem, concomitantemente. Um está de mãos dadas para o outro e sempre caminham juntos. Afinal de contas, corajoso é aquele que faz mesmo com medo. Não há coragem sem medo — é semanticamente impossível.

Menina de mãos dadas com o medo.

Eu fico admirada e ao mesmo tempo mega confusa com a dualidade que existe em nós e como ela se completa por si só, mesmo que as vezes desejemos que ela não exista. É chato pra caramba ficar triste; é um porre sentir vergonha, indiferença, frustração, raiva, ansiedade… Mas esses sentimentos nos constituem como seres humanos e precisamos acolhê-los. Fácil nunca foi, não é e nem nunca será. Mas estamos nessa vida para isso, dentre tantas outras coisas que negligenciamos. Minha percepção de mundo se transformou muito quando aceitei que a dualidade faz parte de todos nós.

A criação é, ao mesmo tempo, luz e sombra. Sempre precisa existir uma alternância na supremacia entre o bem e o mal de maya. Se a alegria fosse ininterrupta aqui neste mundo, viria o homem a desejar um outro? Sem o sofrimento, ele dificilmente trata de recordar que abandonou seu lar eterno. A dor é aguilhoada para despertar a memória. A via de escape é a sabedoria.

— A voz divina para Paramahansa Yogananda, em Autobiografia de um Iogue.

Com o medo não é diferente. Nós precisamos dele para expressarmos coragem. Se você faz mesmo com medo, isso significa que você venceu sua própria sombra e se agarrou à luz. Nem sempre isso fica evidente instantaneamente — muitas vezes a convicção da coragem (e da vitória por meio dela) demora a chegar. E assim precisamos caminhar. Não devemos atacar e reprimir nossos medos; ao invés disso, precisamos aprender a como confrontá-los, a como deixarmos a coragem nos guiar diante disso tudo. Ninguém vem ao mundo sem medo de alguma coisa. 

As emoções que sentimos são compostas de uma infinitude de eventos que nos ocorreram; nem sempre o medo vai ser racional e geralmente ele vem cheio de cargas emocionais. Sem contar que esse sentimento sempre leva em consideração os desejos do ego, e por isso eles precisam ser trabalhados e analisados com cautela. Mas ele não é apenas um vilão: o medo pode nos livrar de grandes problemas, também.

O medo também pode ser ferramenta muito útil para nos autodescobrirmos. O que seu medo pode revelar sobre você? Pra onde ele te leva? Quais são seus medos mais profundos? Pergunte-se. Olhe pra dentro de si mesmo e tente trazer à tona os seus medos. Isso pode ser revelador (e um tanto quanto perturbador, mas é assim mesmo). 

Mas o que transforma tudo é a forma como lidamos com nosso medo. Ele pode ser seu inimigo, mas também pode ser um amigo (um desses nem sempre muito agradáveis, sabe?). Fingir que eles não existem pode revelar um outro medo, e aí é algo que só quem sente pode investigar. O que eu sei que ajuda? A fé que você carrega e preserva; a aceitação e o olhar afetivo para com seus medos; a meditação; a contemplação; o autoconhecimento. O que muda tudo é olhar pra dentro de si próprio (sem se esquecer de olhar pra fora, também, senão é como trocar seis por meia dúzia) e descobrir que nós somos os únicos capazes de fazer algo concreto por nossos medos. A palavra e a decisão final sempre serão nossas. As emoções têm o tamanho que damos a ela. Qual o tamanho dos seus medos? Você tem medo de quê?

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o depois que nunca chega.

Já observou como sempre estamos olhando o que virá depois e como nunca estamos satisfeitos com o que temos agora? Sempre queremos mais, mais, mais, mais, mais. Por certo, precisamos de objetivos e de sonhos para evoluirmos na vida, mas com o que andamos sonhando? Será que estamos vivendo mais de ilusões do que de realidade?

Se estamos insatisfeitos com nosso emprego, já de cara queremos largar. Se uma pessoa nos desagrada em algum aspecto, já desistimos rapidinho. Se alguma pessoa falha com a gente, esse erro, por menor que seja, já é suficiente para que nos afastemos. Afinal de contas, não somos obrigados a nada, né? Mas até que ponto estamos vivendo de fuga? Quando a preservação sai de cena e quando entra em jogo o medo do compromisso e da responsabilidade? Nós gostamos do que nos convém, fato. Mas acho que estamos intolerantes e fujões demais. 

três pessoas com rostos psicodélicos

Viver se resume ao próximo amor. Ao próximo encontro. Ao próximo emprego. Ao dia em que eu tiver tal corpo. Ao dia em que eu tiver tal atitude. Ou ao dia em que eu tiver dinheiro. Será que estamos tão cegos assim que acabamos nos esquecendo que o próximo pode nem chegar? É um puta de um clichê, mas nós não temos tempo pra perder (sem tempo, irmão — literalmente). 

Nossa geração tem muito medo de relacionamento, de compromisso. Nós somos mimados. Nós gostamos de fazer somente o que queremos e buscamos o fácil na vida. Largamos o osso assim que ele fica com um gosto ruim. Nós nadamos no raso, na superfície: o profundo nos assusta. E o fundo de qualquer coisa pode ser assustador, mas eu acho que perdemos grandes belezas quando não mergulhamos. Nós somos convictos de que temos uma mente aberta, mas comos covardes. Nós falamos mais do que fazemos. Nós vivemos correndo atrás de um depois. Mas o que virá depois será o suficiente? Na verdade, quem vive em busca do próximo nunca pousa em lugar nenhum e nada lhe satisfaz. Porém, de uma coisa eu tenho certeza: aonde quer que você vá, lá estará você. Você está satisfeito com quem você é? Você ama quem está se tornando? Se você está insatisfeito com tudo a seu redor, já parou pra pensar que talvez (só talvez) o problema esteja em você?

Viver não se resume a fazer apenas o que se gosta. Eu sei que a gente acredita que está aqui pra e divertir e que nada mais importa. Mas antes de se divertir, estamos aqui pra cumprir nossa missão e encontrar-nos a nós mesmos. E, falando muito sério, quando você se conhece e faz de tudo para cumprir seu propósito, o depois não importa. Você está satisfeito com o que é e com o que tem agora; se você está conectado a si mesmo, você sabe que as coisas acontecem com alguma razão. Você está tão empolgado em ser sua merlhor versão que suas insatisfações se transformam em desafios a serem superados para seu próprio benefício. (People, nessa vida o equilíbrio é tudo: não estou falando que temos que tolerar abusos e gente ou lugares tóxicos, tá? Só temos que ter discernimento para ver quando é fuga e quando é necessidade e, mais uma vez, só conseguimos isso quando nos conhecemos e estamos conectados a nós mesmos).

Nós temos muitas escolhas nessa vida e, sinceramente, acho que isso confunde nossa cabeça. Por sabermos disso, acabamos desistindo muito fácil quando o sapato aperta. Nós não tentamos consertar mais o que temos: ao invés disso, largamos aquilo que dá trabalho e seguimos nossa busca por outra coisa. Nossa coragem está carregada de medo, mas nós continuamos a mentir para nós mesmos dizendo que isso é liberdade. Meu amor, disciplina é liberdade. Fuga é cagasso mesmo.

Vejam esse vídeo m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o da Lorelay Fox, que resume bem tudo isso e apimenta nossa reflexão 🙂

https://www.youtube.com/watch?v=4wj0zDQXpio 

 

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efêmeros demais.

E de repente nos damos conta de que tudo não passa de momentos, de fases, de ciclos que começam e precisam de um fim. Olhamos para trás e percebemos que que as coisas foram como deviam ser e que elas estão sendo como precisam ser. Nós estamos onde precisamos estar.

Toda essa efemeridade nos faz ser. De parte em parte juntamos o nosso todo. Os fragmentos de vida que espalhamos por aí nos transformam em totalidade, em pedaços inteiros. Estamos completos o tempo todo, e ao mesmo tempo, nos lançamos ao mundo em pedaços: é assim que as coisas funcionam.

From Eli x

Eu gosto muito (muito muito muito) de acreditar que TUDO é uma conspiração amorosa do universo (ou do divino) para nos levar aonde precisamos estar. Se acreditarmos e absorvermos o melhor de tudo, seguramente toda essa efemeridade terá sentido. As coisas podem mudar muito rápido, e não raramente vivemos como se elas fossem estar sempre iguais, estáveis e imutáveis. Mas não: em um piscar de olhos sua vida pode virar de ponta cabeça. Nossa existência, além de efêmera, sabe ser bastante imprevisível. E nós, caros amigos, precisamos encarar e aceitar que mudamos e mudaremos, e todos os outros também: somos todos feitos de fases; algumas boas, outras nem tanto. E vida que segue.

Por isso é muito doloroso e injusto e desumano cobrar ou exigir que sejamos sempre os mesmos. E mudar não significa falta de essência; significa, a meu ver, um grande respeito e autenticidade: em um mundo que cobra tantos padrões, difícil mesmo é aceitar seus picos e descidas com honestidade e compaixão. Não tem problema nenhum mudar de opinião, de preferências, de casa, de país, de estilo… O único problema está na forma como encaram(os) tudo isso: queremos tudo e todos sempre iguais, não damos aos outros e a nós mesmos o direito da mudança; temos medo de magoar, de decepcionar. E sentir isso é humano, pois crescemos recebendo tais estímulos. Mas precisamos repensar constantemente nossas ações e buscarmos expandir nossa consciência dia após dia.

Nossa formação é dualista. Somos e sempre seremos seres duais (a não ser que já estejamos iluminados, né). Nós precisamos dos contrastes para evoluir. PRECISAMOS. E mesmo sabendo disso, a gente se cobra e se martiriza quando as coisas não saem do nosso jeito. Mesmo sabendo que não temos controle de tudo o tempo todo, nos sentimos fracassados; mesmo sabendo que a perfeição não existe, julgamos.

Temos que prestar muita atenção em nossa hipocrisia. Quantas vezes julgamos, por exemplo, um professor que erra uma resposta? Ou um terapeuta que passa por problemas? Ou um matemático que erra a conta? E quantas vezes pregamos a diversidade e nos pegamos escolhendo ou vivendo tudo que é padronizado?

Somos capazes de detonar uma pessoa por um simples deslize que ela tinha cometido. É certo que NINGUÉM tem o direito de interferir e machucar qualquer pessoa, por dentro ou por fora, mas todos temos o direito de errar. Todos nós somos passamos a vida toda em uma incessante metamorfose, então por que pegamos tão pesado assim com os erros nossos e dos outros? Pra onde se foi a compaixão? 

Acho, na verdade, que estamos muito desconectados — de nós mesmos e entre nós. Vivemos nos escondendo atrás de disfarces para que ninguém veja nossas limitações. Mesmo sabendo de todos nossos entraves, fazemos um esforço gigantesco para parecermos ser mais interessantes, visto que já o somos — sem precisar de grandes esforços, já somos mais interessantes do que imaginamos, cada um com sua história. Mas pra quê fugimos tanto assim? Será que queremos mesmo perpetuar isso? Será que é tão indigno assim mostrar suas dificuldades? E por que ainda nos fascinamos quando alguém aparenta ter a vida dos sonhos? Qual é a vida dos sonhos? Existe uma? Ou será que existe a melhor vida para cada um? Todos estão fazendo o possível dentro do nível de consciência que lhes é disponível no momento. E sim, erraremos. Não, a vida não será estável e isenta de problemas. 

A vida é feita de fases. Aceitemos. E não nos esqueçamos nunca que TUDO PASSA. Aproveita o teu momento — VIVA o teu momento.

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quem sou eu?

E foi com essa pergunta que deixei o consultório da terapeuta na última semana. Quem sou eu? Respondi que depende, ué. Depende do dia, da circunstância, do humor. Mas eu percebi que estava faltando algo: eu estava desconectada de mim mesma. Muito. Mas como definir algo tão profundo assim? Não sou meu nome, não sou minha profissão, não sou uma lista de qualidades e defeitos… Sou, apenas. 

Menina de cabelo roxo com roupa de olhos.

A rotina frenética nos distancia da nossa essência. É vertiginoso como esquecemos de olhar pra dentro nas situações corriqueiras; é assustador o quão impetuoso somos na hora de nos auto atacarmos e mais espantoso ainda é a forma como nos cobramos para sermos bem vistos e aceitos pelos outros — os outros, sempre os outros.

Quem sou eu? Será que estou vivendo para mim ou para os outros? Será que venho sendo minha própria referência? Será que espero muito a validação dos outros? Até que ponto estou agindo por mim mesma e quando deixo que os outros determinei quem eu sou?

É bizarro viver em sociedade. Em muitos momentos nós fingimos ser o que não somos para sermos aceitos. Não digo que isso seja um crime horrendo, pois acredito que a maioria de nós faz isso em algum (ou alguns) momento da vida — talvez por falta de interiorização ou falta de consciência ou por estarmos constantemente no piloto automático. Não dá pra se culpar por isso, mas precisamos dar atenção e encarar isso com amor.

Eu realmente acredito que vencer na vida seja conseguir ser quem se é, sem pudores, sem vergonhas. Isso parece fácil, mas dá um baita trabalho. Primeiro que para ser quem de fato se é, precisa-se de MUITO autoconhecimento; segundo que se conhecer dá trabalho e não é uma linha estável: este caminho de descobertas vem cheio de surpresas indesejáveis que precisam ser cavocadas com muita coragem, e logo esses caminhos se desdobram em outros, e depois em outros, em outros, em outros… Nós não temos fim. 

Quem sou eu? Será que preciso me definir? Será mesmo que sou? Ou será que sempre estou? Fiquei pensando nisso durante a semana toda. Consegui fazer uma lista dos meus atributos e qualidades e defeitos, mas não acabou ali: não sou apenas isso. Eu sou infinita. Somos todos infinitos. Então como é que dá pra saber quem se é?

Será que somos o que pensamos? Não, não pode ser. Muita identificação com a mente nos leva a loucura. Será que somos o que sentimos? Sentir é algo cabeludo. Quais sentimentos são meus e quais sentimentos me foram impostos? Acredito que o que sentimos verdadeiramente nos dá grande pistas de quem somos. Mas o primeiro processo é se auto avaliar e filtrar o que é genuinamente seu.

Sabe aquele ponto na vida em que você se sente totalmente confusa a respeito do que você gosta e do que quer para sua vida? Você percebe que amadureceu e que deixou muitas coisas para trás, mas você, vira e mexe, se pega fazendo coisas por puro impulso que não lhe cabem mais. E isso te confunde, cara. É um constante deixar de ser quem se era para e tornar quem se é. Os gostos mudam, as preferências se transformam. Somos metamorfose. E talvez eu me defina assim. Será que é suficiente? Será que é muito raso? 

Talvez isso tudo pareça dramático demais, mas não é. Esse processo não precisa ser triste, mas precisa ser encarado — e alguns momentos não podem ser considerados felizes, por assim dizer. Mas tá tudo bem. Isso faz parte — conhecer-se não é só gostosuras: também têm suas dores.

Eu já ouvi dizer que quem consegue responder quem se é não sabe nada, na verdade. Segundo a pessoa, somos infinito e estamos sempre mudando, então uma resposta definitiva seria impossível. Talvez eu concorde com isso. E talvez eu deva parar de encontrar essa resposta e começar a me sentir, a me observar, a me perceber. 

Saber quem se é talvez seja difícil mesmo. Mas acredito que nossas emoções nos mostram se estamos no caminho certo ou não. A intuição também é muito importante. Ah, e depois de um tempo dá preguiça tentar agradar a todos e a gente desiste naturalmente. Então, o que digo pra mim mesma é: paciência. E olha pra dentro sem medo, menina. 

 

Continua lendo, bonit@ 🙂

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afinal de contas, o que é ser bem resolvida?

Para iniciar a semana de forma a inspirar vocês, resolvi compartilhar alguns wallpapers de empoderamento e motivação. Confira! #Wallpaper #EmpoderamentoFeminino #Frases #FraseDoDia #FrasesMotivacionais #FrasesCurtas #FrasesTumblr  #EmpoderamentoFemininoDesenho #EmpoderamentoFemininoMensagem

O que é ser bem resolvida em um mundo tão turbulento? Como deixar pra trás tantas inseguranças, tantas frustrações e vergonhas? Gente, isso é muito difícil. Acho que nunca ninguém estará bem resolvido o tempo todo, a vida toda. Afinal, nós somos feitas de muitas fases — muitas, muitas, muitas, muitas.

Será que basta saber o que se quer e o que não quer? E se depois mudarmos de opinião? E Se a vibe for outra? Se somos feitas de tantas fases, como manter essa boa resolução o tempo todo? Eu, como boa geminiana, não posso desconsiderar isso jamais. Nem ninguém deveria, né? Afinal, tudo é efêmero nessa vida: nada é, tudo está. Claro, vale quase tudo, menos perder a essência e a coerência.

Fases, fases, fases.

Acho que estar bem resolvida também é uma fase, que assim como qualquer outra, pode passar — afinal, são muitas turbulências. Mas acima de tudo isso, acho que estar bem resolvido é saber quem você é, de verdade mesmo, e tentar manter a coerência entre o que você faz e o que acredita. Isso, pra mim, é estar bem resolvido.

Quando você se conhece, você aprenderá a respeitar seus limites mais facilmente; quando você se conhece, sabe o que quer e o que não quer — mesmo que isso mude depois. Estar bem resolvido é aceitar que as coisas são imperfeitas e que as coisas podem das errado e que mesmo assim você vai estar ali, com presença e com verdade. Talvez ser bem resolvida exija que aprendamos a dançar conforme a música e a respeitar as nossas fases. Isso é tão, mas tão difícil. Muitas vezes a gente fica buscando fora o que tá dentro, e isso, com certeza, não é estar bem resolvido. Quando sabemos do nosso poder, paramos de olhar tanto assim pra fora. Quanto mais você se conhece, mais dona se si você fica. Suas escolhas são tomadas com mais sabedoria e você para, de uma vez por todas, de aceitar qualquer coisa.

Resolver-se é treino (pra variar). Muita gente se acha muito bem resolvida mas foge e se esconde dos próprios erros e age como se a imperfeição fosse defeito. Impefeição não é defeito. Imperfeição é naturalidade. Gente, nós evitamos falar sobre a morte, mas nós vamos morrer. Então qual o sentido de ficar usando tantas máscaras e se deixando tudo pra depois? A real é que não dá pra ser bem resolvida sem estar conectada a si mesma, aceitando-se e amando-se, haja o que houver. Acho que, bem no fundo, podemos dizer que ser bem resolvida é estar bem resolvida. A gente vive flutuando entre as infinitas variações. Sempre estamos.

Resolver-se, portanto, é ser quem se é. Lealdade para consigo mesma. Ah, não ache que ser bem resolvida é estar acima de outras ou outros. Resolver-se também é saber que o divino te habita e, se Deus está dentro de você, Ele também está dentro de todos os outros.

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autocuidado.

Viver é uma eterna montanha russa que não para jamais de descer e subir. Portanto, de nada adiantaria passar anos e anos fingindo que não estamos em cima dela: todos nós estamos e todos nós fomos feitos para estarmos ali. O único que nos resta é aprender a remediar os enjoos que todas essas subidas e descidas provocam. Autocuidado é um ótimo remédio pra isso. Mas como?

uma mulher com sua saúde mental em dia não quer guerra com ninguém.

Autocuidado começa no respeito que você tem por você mesma. E nós só nos respeitamos quando assumimos o protagonismo de nossas vidas. Dá pra se colocar sempre em primeiro lugar? Se alguém souber como, por favor, me passa a receita. Muitas situações da vida acabam fazendo com que nos coloquemos em segundo plano, e isso é extremamente necessário para que nos conheçamos mais. Nós só podemos nos aprofundar e fazer boas escolhas quando conhecemos e sabemos os dois ou vários lados de um mesmo enredo. Se não passássemos por momentos estranhos e chatos na vida talvez não saíssemos nunca do lugar. E a vida, meu bem, é puro movimento.

Autocuidado é respeitar seus momentos e suas fases. Tem hora que a vida pede mais calma, tem horas que ela pede mais agressividade. Você vai ficar irritada, estressada, enraivecida, reclamona, frustrada, com baixa auto estima e tudo que se possa imaginar. Você é humana. Não tente esconder seu lado feio, não finja que ele não existe. Pegue suas histórias de fracasso e comece a integrá-las aos momentos de glória, poxa vida. A gente se maltrata tanto quando empurra pra baixo do tapete os erros. A gente se maltrata tanto quando comparamos nossas vitórias (ou derrotas) com as dos outros. A gente se prejudica tanto tanto tanto quando esquece que nessa vida só temos a nós mesmos. Autocuidado é valorizar muito seu momento de solitude e buscar aquele preenchimento completo que só você pode se dar. Isso é muito sério, mesmo. 

Autocuidado é respeitar suas escolhas e sua intenção. Se seu corpo não quer, não faça. Se você não está afim de alguma coisa, não faça essa coisa (a não ser que sua vida dependa disso, né). Se algo está te fazendo mal, aprenda a se afastar. Esse é o autocuidado na prática. Cuide do seu corpo, do seu espírito e da sua mente. Valorize o que você sente. Perdoe-se. Olhe-se com compaixão. Tenha paciência consigo mesma, você está aprendendo (todos nós estamos e estaremos sempre aprendendo).

Autocidado também tem a ver com treino, sabia? Treine sua mente e seu espírito para evitar as próprias armadilhas (sabemos muito bem ser nossas piores inimigas, é bizarro) e se fortalecer. Quando bater o desespero, tente olhar as coisas de longe, como se você estivesse fora — as coisas mudam de tamanho instantaneamente e nossos problemas parecem diminuir. Claro que isso não os resolve, mas pode te ajudar a encarar as coisas com mais leveza. Olhe pro seu passado agora mesmo. Lembra daquilo que te fazia chorar e sangrar muito. Se você se amou, você conseguiu enfrentar e cicatrizar a ferida. A gente sempre dá conta. Na maioria das vezes, nós somos nossos maiores atrasos pro nosso próprio crescimento. A gente se apega, a gente se culpa, se condena, se maltrata. A gente não se deixa fluir. Tudo sempre passa. Tudo sempre passa. Tudo sempre passa. Nós aumentamos as coisas de tamanho mesmo, mas lembre-se: tudo sempre passará.

Precisamos aprender a fazer renúncias para praticarmos o autocuidado. Você é as renúncias que faz. As escolhas. Autocuidado também é saber enfrentar as consequências do que outrora foi sua opção. Autocuidado é estar presente, é estar do seu lado o tempo todo e discernir com maturidade suas escolhas. Os outros até nos ajudam, mas quem bate o martelo precisa ser você. Difícil, né? Ainda mais estando tão acostumados a receber ordens de alguém. Mas autocuidado é isso: ser responsável por você. Você está a frente da sua vida, você está no comando. E pra que isso seja saudável, você tem que se conhecer. Autocuidado também é autoconhecimento. 

E não, você não precisa estar tão bem resolvida assim na vida pra se cuidar. Na verdade, só pelo fato de aceitar que nada está resolvido (se for seu caso), você já está, de alguma maneira, bem resolvida.

E se alguém lhe falar qualquer merda a seu respeito, não leve pro pessoal (o problema não é seu). Ninguém sabe tudo o tempo todo; ninguém tem certeza o tempo todo do que quer. Então, relaxa e (se) curta.

Quer continuar lendo? <3

Sobre aceitar – clica aqui.
Você respeita suas más escolhas? – clica aqui.

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pra brotar um arco-íris na alma: 20 conselhos aleatórios.

Leia essa lista ao som de “Tiê – Pra Amora”.

Menina com arco-íris na cabeça.

  1. Vá até o fim e tente terminar tudo o que começar. Seja um hidratante corporal ou um projeto profissional grande. Não tem problema errar e não tem problema NENHUM se as coisas não saírem como planejado.
  2. Respeite o que é seu. Seja você.
  3. Tente achar a sua voz. Fale mais o que você pensa, mesmo que quase ninguém escute. Seu respeito por si mesma é mais importante que a validação externa.
  4. Demonstre tudo o que você sente. Seja sincera. Seja coerente. Tente não se esconder atrás do medo.
  5. Aceite-se. Por favor, aceite-se.
  6.  Não procure cura em alguém que te feriu. A cura está em você e somente em você.
  7.  A forma como as pessoas vão embora diz muito sobre elas. Se alguém partiu, deixe que vá. As pessoas dão o que elas têm pra dar. Às vezes é muito, às vezes é muito pouco. 
  8. Saiba quem manter na sua vida. Tem gente que não vale a pena o desgaste emocional. Nem gente e nem lugar. Não insista, mas não pare de dar seu melhor (mesmo que ninguém esteja olhando).
  9. Sempre que possível, não se preocupe com o futuro. A vida tem um jeito bizarro de colocar as coisas em ordem. Acredite. Espiritualize-se.
  10. Se faz sentido pra você, continue. É sua essência em ação.
  11. A forma como você encara as coisas pode ser transformadora. Mude de perspectiva até tudo se assentar aí dentro.
  12. Respeite suas más escolhas e seus momentos de pessimismo. Somos seres duais e vamos falhar muito. Vai dar raiva? Vai. Mas segue o baile.
  13. Nunca pare de se conhecer — nunca, nunca. Você é tão infinita…
  14. Aprenda a dizer não. Vai ver, a falta da renúncia é o que te puxa pra trás e você nem percebe.
  15. Faça o seu melhor. Entregue-se. Viva as coisas intensamente. Não deixe as coisas acabarem pra perceber que queria ter vivido muito mais.
  16.  Arrependa-se sim. Reconheça seus erros. Só assim você vai pra frente.
  17. Não leve as coisas pro lado pessoal. As pessoas são o que são. O máximo que podemos fazer é mudar a forma como encaramos as situações mais chatas da vida.
  18. Faça mais o que te faz bem. Dance, viaje, fique em casa, durma até mais tarde. Presenteie-se. E sempre atualize suas definições de felicidade. Não tenha medo das suas próprias mudanças e não se apegue ao que era no passado — e isso você só consegue quando se conhece.
  19. Medite. Contemple-se a si mesma e ao que está ao redor. Olhe pra dentro de si mesma todos os dias. Veja como você se sente e como reage com o que te circunda.
  20. Perdoe-se, dia após dia.