Categorias
Autodesenvolvimento Entretenimento Para ler

20 citações de F. Pessoa que mostram que ele era tão perdido quanto você.

Se você as vezes se questiona “O QUE EU TÔ FAZENDO COM A MINHA VIDA?”, aqui vai um consolo: Fernando Pessoa também era um cara perdidão.

Em seu Livro do Desassossego, Pessoa nos mostra que é normal ser um perdido na vida, sem saber que rumo tomar.

Te adianto: o cara manja da sofrência, mas ele sofre de um jeito muito cult e muito profundo. Aqui trouxe algumas citações que nos fazem refletir muitas circunstâncias que a vida adulta nos empurra goela abaixo e a gente só pensa em cuspir mesmo.

Inquietos com a vida somos e sempre seremos, mas hoje vamos refletir essa nossa essência humana junto com um dos gênios da literatura portuguesa.

  • “Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos – um poço fitando o céu” (ai, a ingratidão).
  • “São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Surjo do que ontem internamente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui” (sobre a jornada em busca de si mesmo).
  • “Arranco do pescoço uma mão que me sufoca. Vejo que na mão, com que a essa arranquei, me veio preso um laço que me caiu no pescoço com o gesto de libertação. Afasto, com cuidado, o laço, e é com as próprias mãos que me quase estrangulo” (você é seu maior inimigo).
  • “Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece” (vulgo eu não sei o que tô fazendo da minha vida).
  • “Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma” (intensidade).
  • “Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar” (fuga).
  • “Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração. Vale mais para mim um adjetivo que um pranto real da alma” (dormência).
  • “Somos todos escravos de circunstâncias externas: um dia de sol abre-nos campos largos no meio de um café de viela; uma sombra no campo encolhe-nos para dentro, e abrigamo-nos mal na casa sem portas de nós mesmos […]” (dependência).
  •  “Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade” (ambição).
  • “Encontrar a personalidade na perda dela – a mesma fé abona esse sentimento de destino” (avesso).
  • “Invejo a todas as pessoas o não serem eu. Como de todos os impossíveis, esse sempre me pareceu o maior de todos, foi o que mais se constituiu minha ânsia cotidiana, o meu desespero de todas as horas tristes” (utopia).
  • “Mas este horror que hoje me anula é menos nobre e mais roedor. É uma vontade de não querer ter pensamento, um desejo de nunca ter sido nada, um desespero consciente de todas as células do corpo da alma. É o sentimento súbito de estar enclausurado numa cela infinita. Para onde pensar em fugir, se a cela é tudo?” (prisão).
  • “Não se pode comer um bolo sem o perder” (cada escolha uma renúncia, isso é a vida).  “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela” (a cada respiração, um segundo mais perto do fim).
  • “Assisto a mim. Presencio-me. As minhas sensações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento” (#chateado).
  • “Dormir horroriza-me como tudo. Morrer horroriza-me como tudo. Ir e parar são a mesma coisa impossível. Esperar e descrer equivalem-se em frio e cinza. Sou uma prateleira de frascos vazios” (o que enche seu frasco?).
  • “Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele” (nostalgia do que não sou).
  • “Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo” (mal-estar).
  • “Interrogo-me e desconheço-me. Nada tenho feito de útil nem farei de justificável. Tenho gasto a parte da vida que não perdi em interpretar confusamente coisa nenhuma” (falta de sentido).
  • “Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade! Só nos parecemos de longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns” (no fundo, todos iguais de tão diferentes).
  • “Se penso, é porque divago; se sonho, é porque estou desperto. Tudo em mim se embrulha comigo, e não tem forma de saber de ser” (indefinição).

1 resposta em “20 citações de F. Pessoa que mostram que ele era tão perdido quanto você.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.