efêMEROS DEMAIS.

E de repente nos damos conta de que tudo não passa de momentos, de fases, de ciclos que começam e precisam de um fim. Olhamos para trás e percebemos que que as coisas foram como deviam ser e que elas estão sendo como precisam ser. Nós estamos onde precisamos estar.

Toda essa efemeridade nos faz ser. De parte em parte juntamos o nosso todo. Os fragmentos de vida que espalhamos por aí nos transformam em totalidade, em pedaços inteiros. Estamos completos o tempo todo, e ao mesmo tempo, nos lançamos ao mundo em pedaços: é assim que as coisas funcionam.

From Eli x

Eu gosto muito (muito muito muito) de acreditar que TUDO é uma conspiração amorosa do universo (ou do divino) para nos levar aonde precisamos estar. Se acreditarmos e absorvermos o melhor de tudo, seguramente toda essa efemeridade terá sentido. As coisas podem mudar muito rápido, e não raramente vivemos como se elas fossem estar sempre iguais, estáveis e imutáveis. Mas não: em um piscar de olhos sua vida pode virar de ponta cabeça. Nossa existência, além de efêmera, sabe ser bastante imprevisível. E nós, caros amigos, precisamos encarar e aceitar que mudamos e mudaremos, e todos os outros também: somos todos feitos de fases; algumas boas, outras nem tanto. E vida que segue.

Por isso é muito doloroso e injusto e desumano cobrar ou exigir que sejamos sempre os mesmos. E mudar não significa falta de essência; significa, a meu ver, um grande respeito e autenticidade: em um mundo que cobra tantos padrões, difícil mesmo é aceitar seus picos e descidas com honestidade e compaixão. Não tem problema nenhum mudar de opinião, de preferências, de casa, de país, de estilo… O único problema está na forma como encaram(os) tudo isso: queremos tudo e todos sempre iguais, não damos aos outros e a nós mesmos o direito da mudança; temos medo de magoar, de decepcionar. E sentir isso é humano, pois crescemos recebendo tais estímulos. Mas precisamos repensar constantemente nossas ações e buscarmos expandir nossa consciência dia após dia.

Nossa formação é dualista. Somos e sempre seremos seres duais (a não ser que já estejamos iluminados, né). Nós precisamos dos contrastes para evoluir. PRECISAMOS. E mesmo sabendo disso, a gente se cobra e se martiriza quando as coisas não saem do nosso jeito. Mesmo sabendo que não temos controle de tudo o tempo todo, nos sentimos fracassados; mesmo sabendo que a perfeição não existe, julgamos.

Temos que prestar muita atenção em nossa hipocrisia. Quantas vezes julgamos, por exemplo, um professor que erra uma resposta? Ou um terapeuta que passa por problemas? Ou um matemático que erra a conta? E quantas vezes pregamos a diversidade e nos pegamos escolhendo ou vivendo tudo que é padronizado?

Somos capazes de detonar uma pessoa por um simples deslize que ela tinha cometido. É certo que NINGUÉM tem o direito de interferir e machucar qualquer pessoa, por dentro ou por fora, mas todos temos o direito de errar. Todos nós somos passamos a vida toda em uma incessante metamorfose, então por que pegamos tão pesado assim com os erros nossos e dos outros? Pra onde se foi a compaixão? 

Acho, na verdade, que estamos muito desconectados — de nós mesmos e entre nós. Vivemos nos escondendo atrás de disfarces para que ninguém veja nossas limitações. Mesmo sabendo de todos nossos entraves, fazemos um esforço gigantesco para parecermos ser mais interessantes, visto que já o somos — sem precisar de grandes esforços, já somos mais interessantes do que imaginamos, cada um com sua história. Mas pra quê fugimos tanto assim? Será que queremos mesmo perpetuar isso? Será que é tão indigno assim mostrar suas dificuldades? E por que ainda nos fascinamos quando alguém aparenta ter a vida dos sonhos? Qual é a vida dos sonhos? Existe uma? Ou será que existe a melhor vida para cada um? Todos estão fazendo o possível dentro do nível de consciência que lhes é disponível no momento. E sim, erraremos. Não, a vida não será estável e isenta de problemas. 

A vida é feita de fases. Aceitemos. E não nos esqueçamos nunca que TUDO PASSA. Aproveita o teu momento — VIVA o teu momento.

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