o depois que nunca chega.

Já observou como sempre estamos olhando o que virá depois e como nunca estamos satisfeitos com o que temos agora? Sempre queremos mais, mais, mais, mais, mais. Por certo, precisamos de objetivos e de sonhos para evoluirmos na vida, mas com o que andamos sonhando? Será que estamos vivendo mais de ilusões do que de realidade?

Se estamos insatisfeitos com nosso emprego, já de cara queremos largar. Se uma pessoa nos desagrada em algum aspecto, já desistimos rapidinho. Se alguma pessoa falha com a gente, esse erro, por menor que seja, já é suficiente para que nos afastemos. Afinal de contas, não somos obrigados a nada, né? Mas até que ponto estamos vivendo de fuga? Quando a preservação sai de cena e quando entra em jogo o medo do compromisso e da responsabilidade? Nós gostamos do que nos convém, fato. Mas acho que estamos intolerantes e fujões demais. 

três pessoas com rostos psicodélicos

Viver se resume ao próximo amor. Ao próximo encontro. Ao próximo emprego. Ao dia em que eu tiver tal corpo. Ao dia em que eu tiver tal atitude. Ou ao dia em que eu tiver dinheiro. Será que estamos tão cegos assim que acabamos nos esquecendo que o próximo pode nem chegar? É um puta de um clichê, mas nós não temos tempo pra perder (sem tempo, irmão — literalmente). 

Nossa geração tem muito medo de relacionamento, de compromisso. Nós somos mimados. Nós gostamos de fazer somente o que queremos e buscamos o fácil na vida. Largamos o osso assim que ele fica com um gosto ruim. Nós nadamos no raso, na superfície: o profundo nos assusta. E o fundo de qualquer coisa pode ser assustador, mas eu acho que perdemos grandes belezas quando não mergulhamos. Nós somos convictos de que temos uma mente aberta, mas comos covardes. Nós falamos mais do que fazemos. Nós vivemos correndo atrás de um depois. Mas o que virá depois será o suficiente? Na verdade, quem vive em busca do próximo nunca pousa em lugar nenhum e nada lhe satisfaz. Porém, de uma coisa eu tenho certeza: aonde quer que você vá, lá estará você. Você está satisfeito com quem você é? Você ama quem está se tornando? Se você está insatisfeito com tudo a seu redor, já parou pra pensar que talvez (só talvez) o problema esteja em você?

Viver não se resume a fazer apenas o que se gosta. Eu sei que a gente acredita que está aqui pra e divertir e que nada mais importa. Mas antes de se divertir, estamos aqui pra cumprir nossa missão e encontrar-nos a nós mesmos. E, falando muito sério, quando você se conhece e faz de tudo para cumprir seu propósito, o depois não importa. Você está satisfeito com o que é e com o que tem agora; se você está conectado a si mesmo, você sabe que as coisas acontecem com alguma razão. Você está tão empolgado em ser sua merlhor versão que suas insatisfações se transformam em desafios a serem superados para seu próprio benefício. (People, nessa vida o equilíbrio é tudo: não estou falando que temos que tolerar abusos e gente ou lugares tóxicos, tá? Só temos que ter discernimento para ver quando é fuga e quando é necessidade e, mais uma vez, só conseguimos isso quando nos conhecemos e estamos conectados a nós mesmos).

Nós temos muitas escolhas nessa vida e, sinceramente, acho que isso confunde nossa cabeça. Por sabermos disso, acabamos desistindo muito fácil quando o sapato aperta. Nós não tentamos consertar mais o que temos: ao invés disso, largamos aquilo que dá trabalho e seguimos nossa busca por outra coisa. Nossa coragem está carregada de medo, mas nós continuamos a mentir para nós mesmos dizendo que isso é liberdade. Meu amor, disciplina é liberdade. Fuga é cagasso mesmo.

Vejam esse vídeo m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o da Lorelay Fox, que resume bem tudo isso e apimenta nossa reflexão 🙂

https://www.youtube.com/watch?v=4wj0zDQXpio 

 

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