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Autodesenvolvimento

o rumo que muda o mundo é eterno.

(Você pode ler esse texto ao som de “Nuvole bianche”, de Ludovico Einaudi)

É realmente assustador quando nos damos conta de que basta um segundo pra que nossa realidade se transforme: seja pra melhor, seja pra pior. Um segundo. Um piscar de olhos. Tudo o que nos deixa em pé pode desmonorar em uma minúscula partícula de tempo. O chão pode ser removido a qualquer hora. Qual o seu chão? Quem é seu chão?

O rumo que muda o mundo é eterno. É infinito. Existem tantas possibilidades nessa vida. Tantas, tantas, tantas. Eterno e infinito. Já parou pra pensar no que isso significa? Não sei. Ninguém sabe. É só incerteza. Nós não temos controle do que acontecerá. Nunca teremos. Nós achamos que temos e escolhemos acreditar que sim. Nós sempre vamos dormir tendo uma boa noção de como será nosso dia seguinte; mas, de repente, tudo pode mudar. E se mudar?

Essa incerteza é assustadora. Nós sempre achamos que nada vai acontecer e realmente acreditamos nisso. E tudo bem, nem sempre acontece mesmo. A vida nem sempre é feita de grandes marcos — sejam eles bons ou não. A vida, geralmente, é um acumulado de pequenos tesouros, de pequenas dores, pequenos medos. Dessa forma, custa acreditar que tudo pode virar de ponta cabeça assim, do nada. Mas pode sim. O rumo que muda o mundo é eterno e infinito e ele pode tomar outra direção a qualquer instante.

Se você perder o chão, em que vai se apoiar? Se tudo aquilo que você tinha como verdade desmoronar, em que você vai acreditar? O que realmente importa pra você? O que você prioriza?

A vida é um grande clichê, muitas vezes. E os clichês não existem à toa. Nós precisamos constantemente manter contato com nosso eu mais profundo pra realinhar, (mais uma vez) constantemente, o que precisa morrer dentro da gente e o que precisa continuar sendo regado para viver. A vida é tão frágil (mas tão, tão, tão, frágil) que a gente precisa se lembrar, a cada escolha que tomamos, o que, verdadeiramente, faz sentido pra gente. E por mais que saibamos disso muito bem, vamos continuar fazendo escolhas péssimas vez ou outra.

Escolher bem exige coragem. Escolher bem, muitas vezes, dói. Fazer renúncias pode ser muito chato. Os momentos de crise nos lembram que diante da fragilidade da vida, só nos resta tentar e acreditar. Os rumos podem ser bons, e isso consiste em manter a calma e viver de acordo com sua verdade. Saber que você vai errar, mesmo sabendo de tudo isso, também é importante para que você tenha coragem pra ver  e viver a vida do jeito que você sente que ela merece ser vivida: busque suas paixões, vá atrás do que te faz brilhar os olhos, crie seu próprio chão alternativo, alimente o amor das pessoas que te apoiam, agradeça o ar em seus pulmões.

E o mais bizarro de tudo é que nem sempre sabemos qual é a nossa verdade. Precisa-se cavocar bem fundo para conseguir captar seus gracejos, que nem sempre aparecem. Nós não temos como saber tudo nem da gente mesmo. E por mais que não ter controle seja algo tão massacrante, precisamos aprender a dançar conforme o caos — o de fora e o de dentro.

Não estamos aqui para zerar a vida — ela não é nenhum jogo. Estamos aqui para colecionar os miúdos tesouros tanto quanto possível. A vida, por si só, já é um milagre. Se você tem alguma dúvida quanto a isso, observe o mundo em que vivemos, o tamanho do caos instaurado. Você acha mesmo que viver é um privilégio de todos? Não. Viver é o maior dos milagres. E como sendo hospedeira desse milagre, honre-o. Honre sua vida vivendo-a bem. Cuidando dela como se fosse o maior dos tesouros. Dançando e espalhando graça, sentindo os cheiros que chegam até você, curtindo os sabores que te acompanham, abraçando e beijando quem tá aí do lado, agradecendo por estar viva nesse querido e velho mundo.

“existem aqueles dias em que a simples ação de respirar leva você à exaustão. parece mais fácil desistir desta vida. a ideia de desaparecer é capaz de trazer paz. passei tanto tempo sozinha num lugar em que não existia sol. em que não crescia flor. mas de vez em quando no meio da escuridão alguma coisa que eu amava surgia para me trazer de volta à vida. como testemunhar o céu estrelado. a leveza de dar risada com velhos amigos. uma leitora que me disse que os poemas salvaram sua vida. e ainda assim eu lutava para salvar a minha. meus queridos. viver é difícil. é difícil para todas as pessoas. e é bem nesse momento que a vida parece um eterno rastejar por um túnel minúsculo. que precisamos resistir com força às memórias negativas. nos recusar a aceitar os meses ruins ou anos ruins, porque nossos olhos querem engolir o mundo. ainda há tantos lugares com água turquesa para mergulhar. há a família. de sangue ou escolhida. a possibilidade de se apaixonar. pelas pessoas e lugares, colinas altas como a lua. vales que vão fundo em novos mundos. e viagens de carro. acho muito importante aceitar que nós não somos mestre deste lugar. e como visitantes devemos aproveitá-lo como um jardim. tratá-lo com gentileza. para que quem vier depois também aproveite. devemos encontrar nosso sol. cultivar nossas flores. o universo nos presenteou com toda a luz e as sementes. talvez às vezes a gente não ouça mas aqui sempre tem música. só precisa aumentar o volume ao máximo. enquanto houver ar em nossos pulmões – precisamos continuar dançando”.
— Rupi Kaur

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