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Crônicas do Cotidiano

O que você espera da vida?

Você pode ouvir essa música ao som de “Coldplay – Lost”.

Nunca troque o você mais quer na vida pelo que você mais quer no momento.

Eu tenho pensando muito nisso. O que eu espero da vida?

(Pare de esperar pela sexta; pelo verão; por alguém que se apaixone por você; pela vida. A felicidade é alcançada quando você para de esperar por ela e faz o máximo do momento no qual está agora).

Todos nós, quando crianças, criamos a ilusão de um adulto – vou ser professora, serei médico, bombeira… Tanta coisa passa pela cabeça da gente… São tantas opções, tantos caminhos a serem trilhados; mas temos que optar por um. E não é fácil. Crescemos e vamos percebendo que o amanhã nunca chega. Nunca, nunca, nunca. Não somos nós que deveríamos esperar da vida; a vida espera da gente. Nós somos a vida. Nós somos os únicos capazes de caminhar – e o melhor (e mais assustador) é que tudo sempre só depende da gente.

Tudo bem que algumas situações fogem ao nosso controle – várias delas; mas a escolha de uma possível reação é sempre nossa. A questão é que nós somos um universo; nós podemos viver aquilo que desejamos, mas isso exige um sacrifício danado e um equilíbrio que precisa ser conquistado. Metas. A maioria de nós possui várias; mas será que todos nós escolhemos nossas ações para que possamos alcança-las? Ou ficamos esperando que, de repente, um estalo nos faça mudar? Eu confesso que muitas vezes me pego esperando esse estalo e vivo sonhando com um amanhã que nunca chega. E ele nunca irá chegar, sabe por quê? Porque nós não estamos fazendo nada para atraí-lo. A mudança está na gente, não está aí fora. E mesmo parecendo de uma simplicidade gigante, acho que essa consciência é uma das mais difíceis da vida.

Reclamamos de nossas situações e nem sempre agimos para provocar uma mudança. Vamos sempre deixando pra amanhã, pra depois. O amanhã não vai chegar, o depois não vai chegar. Você não vai chegar se você não fizer diferente hoje.

Mas como fazer diferente? Tô aprendendo também. Mas o que sei, até agora é que:

  • pequenos passos são os mais significativos; pare de tentar fazer coisas grandes sem ter o terreno bem preparado, pega leve e evite frustrações desnecessárias;
  • não pare de caminhar, vá aumentando o ritmo aos poucos e não se compare no meio do caminho com aqueles que parecem estar à sua frente;
  • pequenos sacrifícios são fundamentais para aprender a se controlar e a ser livre de você mesmo – em muitos momentos da minha vida eu tive como certo de que eu deveria fazer TUDO aquilo que minha carne desejasse; resultado: de tanto viver o hoje como se fosse o último dia, eu esqueci de trabalhar por meus sonhos e planos;
  • faça – a vida é ação pura; quando você perceber que está adiando algo importante, pare de pensar e comece a agir, chega de enrolação e vença-se dando um passo de cada vez (lembre-se de começar com coisas pequenas);
  • elimine a culpa da sua vida – muitas vezes nos culpamos por nossas ações pois elas podem parecer não condizer com as expectativas dos outros – continue mesmo assim;
  • você vai bater a cabeça, você vai sentir culpa, você vai se desesperar. Relaxa, tá tudo certo. Reinvente-se e tente observar as coisas como um todo, tire o foco do imediatismo;
  • desencane dos resultados imediatos – exercite a paciência;
  • não fuja de você aprenda a se amar;
  • acredite em você – você é capaz de ir mais longe do que imagina.

Todos os dias a gente vai descobrindo coisas novas: não fuja do que está acontecendo com você. Se está sentindo alguma coisa, é porque precisa passar por essa fase para aprender algo maior. Entregue-se a isso e tente não parar no meio do caminho.

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Sobre ser essência e consciência.

Você pode ouvir esse texto ao som de “Benjamin Clementine – Nemesis”.

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Seu corpo e universo são um só campo de energia, informação e consciência. O corpo é a sua ligação com o computador cósmico, que está organizando uma infinidade de eventos simultaneamente. Ao escutar seu corpo e responder a ele com consciência, você entra no campo de possibilidades infinitas, no qual a experiência natural é paz, harmonia e contentamento.

– Deepak Chopra

A mente da gente é um turbilhão, né? Pensamos, repensamos, julgamos, improvisamos, mudamos… Tanta coisa cabe dentro dessa fenomenal ferramenta que possuímos. Porém, mais alto do que nossos pensamentos está nossa consciência. É um tremendo desafio defini-la, e nem acho que precise realmente de uma definição – você simplesmente sabe quando ela te chama, sempre (mesmo que você decida ignorar).

Mente trabalha junto com corpo: diretamente, incansavelmente e constantemente. Se você não está alinhado com seu interior, seu exterior vai transparecer tal desequilíbrio e vice-versa. Nosso corpo é uma máquina que trabalha em conjunto e quando forçamos uma separação a coisa toda fica artificial demais; elas são realmente inseparáveis. E é exatamente isso que vem me chamando atenção ultimamente: ser coerente na vida é uma maneira de ser consciente. Ser coerente é fazer as coisas com plena atenção e com cuidado; é saber observar e enxergar, é ser consciência no meio de tantas oscilações. Eu acho simplesmente um absurdo as pessoas reclamarem daquilo que elas mesmas escolheram plantar. Sério. Eu sei que em vários pontos da vida erraremos, mas a linha entre errar e escolher é, na maioria das vezes, bem frágil. Você escolhe se quer julgar aos outros (ou a si mesmo), você escolhe se vai trair, você escolhe se vai mentir, você escolhe se vai ser coerente. É muito fácil reclamar dos outros, mesmo – é tão mais confortável, mais simples e tira muito menos nosso sono.

Queremos tanto mudar o mundo e esquecemos que a primeira via de acesso é mudar, primeiramente, a si mesmo! É um puta desafio, mas as descobertas são fascinantes! Quando a gente começa a prestar atenção em nossas atitudes, em nossas ações e em nossos pensamentos ou sentimentos, fazemos tudo com consciência. Você escolhe ser honesto, você escolhe não julgar, você escolhe compreender diferentes opiniões, você escolhe ser livre e deixar o outro sê-lo.

Se você não presta atenção no que faz, como espera que suas respostas sejam positivas? É aquela história de que se você não sabe pra onde vai, qualquer caminho serve. A partir do momento em que você está consciente sobre o que deseja colher e receber do universo, você se torna mais cuidadoso nas suas ofertas – sim, a vida se consiste também em demandar e ofertar – e seria ingênuo demais pensar que fazer as coisas sempre no automático pode trazer felicidade, pois não traz. A felicidade é a soma das suas ações conscientes. Se você agir conscientemente, até mesmo as situações dolorosas servirão de sustento para sua alma – nem só de alegrias vive o homem – e cada vez estará mais perto da sua essência.

Ser essência é ser consciência. Essa coisinha que nos guia e que muitas vezes insiste em calejar é uma ótima balança para ver quão equilibrada nossa vida está. Observe que ela não deixa nada passar (se você prestar atenção, por exemplo, quando faz a retrospectiva do seu dia, das suas ações, ela sempre vai te apontar algo, seja positivo ou negativo, e se você tiver a atenção plena, poderá trabalhar nisso em você mesmo ao invés de achar que apenas o mundo precisa de cura).

Então, por favor, tentemos não ser pessoas que odeiam mentiras, mas mentem; pessoas que odeiam a corrupção, mas corrompem; pessoas que não suportam traição, mas traem. Seja consciente de seus atos e preste atenção no seu corpo. Antes de sair por aí apontando dedos, lembre-se que o que pensamos das pessoas diz mais respeito a nós mesmos do que a elas. Seja essência e busque consciência.

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O que é ser livre?

Você pode ouvir esse texto ao som de “Call it what you want – Foster the people”.

Muita gente acredita que liberdade é o direito de ir e vir sem amarras e de tomar as próprias decisões. Sim, está é uma vertente da liberdade física; mas acredite: nós podemos até viver com o corpo solto, mas com a mente aprisionada sobreviver torna-se um sufoco. O verdadeiro cárcere reside na mente humana. Não há fuga; não há escapatória – só é livre o homem que aprendeu a domar sua consciência.

Basta analisar a vida quando as preocupações e ansiedades tomam conta: a mente cheia é um convite para a perturbação – ela entra e logo se instala. É cobrança, julgamento, culpabilidade, temor, instabilidade, insegurança… Quando se dá conta, já fomos engolidos por nós mesmos – é uma total alienação.

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Liberdade – eita palavra. Pra alguns ela é sinônimo de poder, de facilidades físicas, de conforto material, de bem-estar financeiro. Não sejamos hipócritas: sim, todas essas conquistas podem facilitar nosso encaixe na sociedade capitalista; mas todas essas mordomias não garantem conforto espiritual e nem mental. Mas, afinal, o que garante tal conforto?

Em primeiro lugar, conhecer a si mesmo: preservar, em todas suas atitudes, seus valores. Ser fiel a quem você é e aceitar-se por inteiro; sentir prazer em habitar a pele que lhe foi designada. Depois, superar suas próprias barreiras – isso faz um bem danado! É ter consciência de suas emoções mais aterrorizantes e não recuar diante delas, é ajudar a si mesmo, todos os dias, a superar os fantasmas mais assustadores (e os mais bobos, também!). Em terceiro lugar, perdoar-se (e aos outros também). Sentimentos negativos não devem ser evitados, mas sim enfrentados. Se algo lhe tira o sono (inveja, ciúme, culpabilidade, ansiedade, raiva, ódio) encontre a raiz do problema e lute diariamente contra eles. Não adianta se sentir um péssimo ser humano por ter emoções como essas – SOMOS HUMANOS (eis um grande problema da sociedade moderna: nos ensinam desde pequenos que sentir raiva – ou qualquer emoção “malvada” – é proibido e é coisa de gente ruim; porém, sem exceções, todos sentimos raiva em determinados momentos da vida e, quando isso acontece, ao invés de lidar com essa emoção, nos culpamos por senti-la). É trabalho de formiguinha. Não se culpe por não conseguir perdoar imediatamente, mas não deixe – em hipótese alguma – esse sentimento derrotar você (seria o oposto de liberdade, pois estaria te dominando). APRENDA A DIZER NÃO, caramba! Por que isso é tão difícil? Dizer não está diretamente ligado a preservar seus valores em todas as situações; é conhecer-se e não ter medo de assumir quem é e onde quer chegar. Não, não, não!

Ao final de tudo, a gente percebe que liberdade é coisa de dentro. É se conhecer, é se aceitar, é se posicionar. É controlar seu próprio universo, mas jamais deixar de ser inflexível quando algo sai do planejado; é sentir raiva, vontade de socar, de gritar e até mesmo de odiar em alguns momentos, mas é lutar, diariamente, para ser transformação. Liberdade é sentir-se infinito; liberdade é saber que o que vem de fora é conforto, mas o que vem de dentro é divino. Liberdade é fazer o bem e fazer-se bem. Afinal, para onde quer que você vá, lá estará você.

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O medo de tomar decisões erradas.

Você pode ouvir esse texto ao som de “Planta e Raiz – Eu também faço meu jogo”.

Você não pode se preocupar e viver ao mesmo tempo. Decida-se.

Situações complicadas são corriqueiras; a vida é composta por um emaranhado delas, e a cada nova circunstância, uma nova escolha. Eu, particularmente, sempre tive medo de decisões – muitas vezes fujo dos momentos decisivos. Mas com o tempo nós vamos entendendo que são nossas escolhas que nos levam aos lugares aos quais precisamos chegar – sejam lugares à frente, ou até mesmo lugares que nos fazem parecer regredir. Digo parecer porque não sei se acredito que podemos, de fato, regredir na vida. Depende do ponto de referência, na verdade. Se estivermos falando do ponto de vista financeiro, por exemplo, podemos regredir. Mas quando tratamos de valores, fica difícil dizer se estamos dando passos para trás.

Imagem de life, options, and live

Tudo é questão de perspectiva. Mudanças fazem parte da vida, mas para que elas aconteçam nós precisamos decidir o tempo todo. O ponto é que somos condicionados a valorizar mais as coisas de fora do que as coisas de dentro: é seu emprego, seu corpo, suas posses, suas relações sociais e mais um punhado de coisas externas que te fazem parecer estar à frente. Mas estar à frente de quem? É essa competição que nos faz temer as decisões, as responsabilidades, o medo de fracassar e de ficar para trás – novamente: atrás de quem?

Vivemos frustrados porque vivemos de ilusões. “Onde está seu coração, está também sua riqueza”. Estamos colocando nosso coração em lugares aos quais ele não pertence. Tá fazendo falta olhar pra dentro e ser gentil consigo mesmo e com os outros. Já sabemos que cada escolha é uma renúncia e, em muitos casos, nossas escolhas custam muito. Dói abrir mão de coisas, dói renunciar aquilo que nos gera algum benefício. E o mais complicado é que estamos cada vez mais confusos; e essa confusão atrapalha muito em nossas decisões.

Mas voltando às decisões. De onde vem esse medo desesperador que assola tanta gente? Por que temos tanto medo assim de errar? Isso é muito sério. Somos e estamos muito intolerantes aos erros – aos nossos e aos dos outros. Não conseguimos ficar em paz quando achamos que somos fracassados. Mas aqui, novamente, entra nossa consciência: qual é nossa definição de fracasso?

Na hora de decidir, olhamos muito ao nosso redor: o que vão pensar e dizer sobre mim? Isso é inevitável para muita gente. Mas nós poderíamos ter mais amor pelas nossas decisões; e aceitar que tudo bem se fizermos escolhas erradas vez ou outra, faz parte do processo. Ninguém nasce sabendo tudo. Viver sob pressão e atolados de cobranças é venenoso, ainda mais quando este veneno vem de dentro.

Todos nós já fizemos escolhas erradas e muito provavelmente colecionaremos mais algumas no decorrer da vida; remoer-se por causa delas só aumentará o medo na hora de fazer a próxima escolha. Pega leve com você. Este medo que alimentamos é irracional. Você não está atrás de ninguém e ninguém está à sua frente; essas linhas que criamos para estabelecer padrões são imaginárias. E aí vai mais uma escolha a ser feita: você quer que essas linhas criadas pelo imaginário coletivo façam parte da sua história?

 

 

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Minha experiência como Au Pair nos Estados Unidos.

Meu desejo aqui não é fazer você desistir. É fazer você colocar seu pé no chão – porque eu, que tenho realmente a cabeça na nuvem, deixei minha ansiedade falar mais alto que minha razão.

Eu fui ser au pair no final de 2016. Era um dos meus grandes sonhos e eu achava que tinha sido feita pra esse programa (risos). Como eu já havia morado fora por um bom tempo em 2015, eu realmente achava que eu não sentiria falta de casa e que eu não iria demorar para me adaptar.

Eu sempre trabalhei com crianças, já falava bem a língua inglesa, sabia dirigir bem… Enfim, eu estava toda preparada para ser uma au pair. Porém, eu esqueci de preparar o mais importante: o emocional.

Gente, sério. Morar fora é uma delícia e eu quero muito que isso dê certo pra você. Já deu muito certo pra mim em outra ocasião e ainda quero voltar pra fora; mas você precisa estar preparada para a situação – principalmente ao morar em uma casa com outra família.

Mas o quê aconteceu com você então? Seguinte: eu morei na Espanha em 2015 para estudar parte da minha graduação por lá e eu amei. Foi uma das melhores experiências da minha vida e eu recomendo a todos essa vivência. Porém, lá eu não trabalhava, morava sozinha, fazia o que queria, saía de segunda a segunda, não precisava dar satisfação a ninguém… E aqui no Brasil eu também morava sozinha na época (e meus pais também são MEGA tranquilos, temos uma relação super boa de confiança e eu não preciso ficar falando todos os meus passos a eles). E em base era isso: eu estava acostumada com minha independência e nunca pensei em viver de outra forma.

Outro erro que eu cometi foi o de escolher a primeira família que deu match comigo. NÃO FAÇAM ISSO, SÉRIO! Converse com várias famílias para depois tomar sua decisão. Eu tinha ouvido várias meninas falando sobre isso e eu, ignorante, achei que comigo ia ser diferente.

De fato, minha família parecia ser bem legal. Eram três crianças (isso não é tão bom assim), o pai era britânico e mega acolhedor. A mãe era o maior problema – extremamente controladora. Controladora a ponto de ficar rastreando os filhos pelo GPS durante o dia todo; eu consigo compreender, mas eu fiquei chocada (ficava imaginando aqueles filhos na adolescência e na juventude, totalmente reprimidos e controlados).

Quando você sai do treinamento começa sua realidade de au pair. Você será avaliada o tempo todo pela sua host family; você precisará seguir as regras da casa e precisará conquistar a confiança de todos. Eu sabia disso, obviamente, mas não é fácil. É extremamente chato saber que você será o centro das atenções por um tempo – eles vão te testar, vão pedir coisas pra ver se você é capaz e os olhos estarão ali, em cima de você. Mas isso passa, galera. Todos nós, com toda certeza, faríamos o mesmo se alguém estivesse dentro de nossa casa.

Mas eu assustei real. Eu odeio gente me testando, eu odiava acordar e não saber se estava fazendo a coisa certa, eu morria de medo de fazer cagadas (e eu fiz várias) e eu tremia de medo da host mom – ela era bem estúpida. Ela sempre vinha me pedir desculpa depois de suas grosserias, mas o medo fica instalado na gente, né?

Os dias foram se passando e eu me sentia cada vez mais insegura. Eu tinha medo de dirigir, tinha medo de me perder com as crianças no carro (eu já me perdi sozinha e foi mega engraçado haha fui parar umas quatro towns pra frente de onde eu morava, com um carro mega luxuoso na minha mão e com hora certa pra voltar – eu quase tive um treco, mas superei e hoje dou muita risada disso). Enfim, eu estava vulnerável demais.

Outra questão importante a ser levada em conta: eu tinha um relacionamento no Brasil – mas não era um relacionamento saudável, não. E isso mexeu muito com meu emocional também.

Eu fiquei louca, gente. Só choravam chorava, chorava, chorava, chorava.

Eu, a pessoa mais sem raiz do mundo, tava doida pra voltar pra casa. Vale lembrar que você sempre pode trocar de família, mas eu não achava que o problema era a família – o problema era meu psicológico. Mas depois eu fui notando que o problema estava na casa onde eu vivia, também.

O estrago estava feito. Eu ficava todas as noites pesquisando minhas passagens de volta (é você quem paga quando volta antes do tempo) e caçando promoções. Mas eu ainda tentei resistir. Porém, cada dia estava pior. Era muita cobrança, muito medo, muita insegurança. Nada do que eu fazia estava bom. Pra vocês se situarem: a mãe não tinha um ponto de referência ao dar limites aos filhos – em muitos momentos eles eram extremamente estúpidos com ela e nada acontecia, ela aceitava; em alguns outros momentos, eles derrubavam leite no chão e ela surtava, gritava e dava um show. Eu ficava tipo:

Sério, não dava pra entender. E eu tinha medo de ser mole demais com as crianças e medo de ser dura demais. E foi aí que eu decidi que eu não ia ser mais nada hahahaha.

Conversei com minha família (a minha mesmo) e perguntei a opinião deles. Falei com várias amigas que fiz por lá também e todas me ajudaram muito. Muitas estavam amando, e muitas também estavam detestando. Minha família sempre me apoia nas minhas decisões: eles queriam que eu tentasse mais um pouco, mas eu poderia voltar pra casa se realmente quisesse aquilo.

Quando você decide ser au pair, você tem uma pessoa que fica te auxiliando no processo todo na cidade que você vai morar. A minha pessoa era meio aérea. Quer dizer, ela era legal, mas ela nunca tinha tempo pra me ouvir e me ajudar – ela tinha vários filhos, era mãe solteira e nunca me respondia nada com tanta certeza (e ela era mais amiga de todas as host moms do que das au pairs – cuidado com isso; ah, e todas as mães da cidade – se for pequena, claro – são fofoqueiras e contam tudo uma pra outra).

Eu passei por poucas e boas. Até que, com MUITA dor no coração, resolvi que precisava voltar pro Brasil. Cara, foi uma das decisões mais difíceis que tomei. Tinha muita gente torcendo por mim e eu estava realizando um sonho. Eu não queria nem tentar outra família. Eu percebi que aquela não era a vida que eu queria ter nem por um tempo. Decisões, né? Cada escolha, uma renúncia. E comprei minha passagem. Eu só queria sair daquela situação.

Conversei com a host family e eles entenderam a situação. Mas isso mudou. Logo a host mom começou a me odiar e a situação ficou uma merda. Mas eu não tava nem aí mais.

Outro detalhe mega importante: se possível, converse com as antigas au pairs da família que você deu match; se não for, pergunte para eles o histórico deles com au pairs e torçam para que estejam sendo sinceros com vocês.

O histórico da minha não era tão bom: a última Au Pair ficou duas semanas (por aí) e desistiu. Eu não dei atenção pra esse fato quando eles me contaram. Não façam como eu, por favor.

Acredito que a host mom tenha ficado chateada por essa situação estar acontecendo de novo dentro de sua casa. Isso deve tê-la feito se sentir mal, mas paciência. Espero que ela tenha entendido que ela também precisava mudar de postura.

Acho que a maior dica que eu posso te dar é: pergunte tudo para sua host family, mas tudo mesmo. Eu deveria ter perguntado mais. Não tenha medo de parecer chata, pois será sua vida por um ou dois anos. Queira saber os detalhes da rotina, analise tudo o que ouvir para ver se vai aguentar a situação por um ou dois anos. Não tenha pressa, faça com calma.

É um programa que exige determinado tipo de perfil. Se você não se enquadra, não se desespere – existem outras opções. Au pair é realmente uma das mais baratas (a mais barata até onde sei), mas pode sair caro caso você não se adapte. Meu conselho é: pesquise e leia muito sobre o programa. Há casos de sucesso e há casos de insucesso, como tudo nessa vida. Você não vai saber se não tentar. Porém, algumas coisas podem ser evitadas com as informações corretas. Sem preguiça e sem ansiedade nessa hora.

Assim que eu deixei a casa da minha host family, eu fui pra New Jersey na casa de uns amigos dos meus pais. Estava sensacional lá. Eles queriam muito que eu ficasse com eles um tempo e que eles encontrassem outra família pra mim, mas era impossível devido às normas do programa.

Eu não me arrependo da decisão que tomei. Eu sofri muito depois, pois foi uma tentativa que não deu certo – mas, com certeza, eu aprendi muito mais do que sofri. Encarei situações complicadas e sobrevivi. Eu me julgava muito por ter desistido do programa, mas o tempo me mostrou que desistir também é um ato de coragem. Eu fui bastante ingênua em muitos pontos da situação, e não recomendo que você crie um mundo perfeito na sua cabeça.

A linha é bem tênue quando se trata de tomar decisões. Você sempre vai deixar algo pra trás e sempre vai abraçar alguma outra coisa. Só você sabe o que se passa dentro de ti. Escute os outros se quiser, mas não deixe ninguém tomar as decisões que são suas.

E você? Já passou por algo semelhante? Já precisou “desistir” de um sonho?

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Risque sua vida, mas não tenha medo de rabiscá-la.

Você pode ler esse texto ao som de “Mexeu Comigo – Tiê”.

Se você nunca mudar o caminho, vai acabar exatamente onde parou.

Desde que nascemos, criamos planos, idealizamos uma vida inteira e nos iludimos facilmente com promessas alheias; amamos muito, choramos, sorrimos, brigamos. E todos os eventos vivenciados nos levam até uma coisa: nossa própria identidade. Porém, algumas pessoas são extremamente apegadas às vivências, às pessoas, aos bens: elas bolam toda uma trajetória contando que tudo será exatamente igual daqui alguns anos, que as pessoas serão as mesmas, que ela será a mesma. Mas o que ninguém quer encarar é o fato de que nós mudamos: mudamos de roupa, de cabelo, de pensamento, de opinião e até mesmo de sentimentos; podemos mudar de religião, podemos mudar de carreira. Nós nunca somos, de fato; nós sempre estamos. Não adianta pensar que a vida está terminada, que tudo já foi feito e conquistado, pois SEMPRE haverá caminhos que não foram caminhados e gostos que não foram provados.

Sim, é fato que planejamos demais, que riscamos nossa vida linearmente, com todos as vírgulas, pontos finais e reticências; esquecemos, entretanto, que todos ao nosso redor possuem uma caneta e também uma borracha, e a partir do momento em que somos seres sociais, rabiscamos as linhas dos outros e os outros rabiscam as nossas páginas também. Nem sempre tudo sairá como planejado. Cada ser humano é um universo, é inteiro, é livre. Como podemos ousar tanto a ponto de sonhar que aquela pessoa será sempre a mesma? Terá as mesmas ambições e as mesmas malícias? Isso seria uma baita ingenuidade.

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Medo, há um tempo, deixou de fazer parte do meu vocabulário. Eu risco, mas também rabisco. Se algo não saiu como planejado, qual a razão para teimar? Claro que devemos tentar se acreditamos em algo, mas não podemos viver presos ao duvidoso “e se?”. Se não foi de um jeito, amigo, vai ser de outro. Acredite: a vida tem uma maneira muito doida de alinhar as coisas, e com certeza você sabe do que eu tô falando. Quantas vezes você não foi prova disso? Você tem algo hoje que, ao olhar para trás, explica o motivo pelo qual outra coisa não funcionou? Claro que isso nos traz dor, angústia. Mas passa. Acho que recebemos tudo aquilo que mandamos ao universo, sem balela. Defendo isso com garra porque sou prova viva dessa grande encrenca que é viver – sou prova de que as coisas são como são. Que temos que riscar, traçar, mas não tema em rabiscar tudo, fazer uma confusão, perder-se, levantar a cabeça e seguir em frente. Não estamos no mundo para vencer todas as batalhas, perder faz parte – e quão vitorioso é saber perder!

O que eu te digo, então, é: rabisque mesmo. Trace linhas tortas, lineares, mas trace. Se uma estrada acabou em desilusão, pegue a próxima. Mas, por favor, não fique parado. Não aceite ficar sem chão simplesmente porque caiu de um degrau: é apenas um degrau, e não o firmamento todo. “Dói. Dói e não é pouco, mas faz um bem danado depois que passa”. Afinal, qual a graça de viver sem se reinventar? Mude de nota, quem sabe você não estará acertando o tom; quem sabe você não encontre a melhor linha no meio de tanto rabisco?

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Quando você perde as rédeas da sua vida.

É  falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.

É corriqueiro perdermos a cabeça frente às frustrações, medos e anseios – afinal, somos humanos e não recebemos um manual quando chegamos a esse mundo, um que nos contasse qual a melhor reação e qual a melhor postura diante dos acontecimentos da vida. Muito pelo contrário, só aprendemos quando erramos, e nem isso pode ser suficiente em todas as ocasiões. Haverá vezes em que agiremos como crianças carentes, outras em que nos pareceremos com um psicopata, outra em que fingiremos ser o que não somos. Isso é normal, estamos aqui para aprender. Porém, há algo de preocupante quando você perde o controle de si mesmo: outros vão te controlar – não tenha dúvida disso. O ser humano gosta de ter alguém que o oriente e que aponte o melhor caminho. Ou seja, alguém que tome decisões e controle – ainda que subjetivamente – seu comportamento.

Muitas vezes, tardamos para ver quão maléfico isso é para nossa mente e corpo e passamos as rédeas para quem nos cerca: mãe, pai, amigo, namorado…e assim seguimos: acatando e atacando. Atacando porque quando você não tem controle sobre si mesmo algo te alerta que algo não vai bem: no fundo todos somos cientes, apenas relutamos por não saber como agir; e quando não se sabe como agir, você entra em estado de desespero, de desequilíbrio, pois você sabe que precisa de um impulso, mas se sente incapaz de auto gerar esse impulso; e consequente a isso, quando você enxerga pessoas que estão resolvidas e protagonizam suas respectivas vidas você se sente impotente: “o que eu tenho de errado? Parece que todos sabem guiar a vida, e eu aqui, totalmente sem noção”. Você derrota sua confiança, sua autoestima e sua capacidade de ver as coisas positivas. Em suma, você perde seu equilíbrio. E você atua de maneira irracional, faz coisas sem pensar e inimagináveis. O pior de perder suas rédeas está na parte em que a pessoa para de se admirar, uma vez que não vê utilidade em si mesmo… Vai afundando, afundando […] Mas a vida é sábia, minha gente. Primeiramente, o reconhecimento. Em segundo, a mudança de atitude.

Valorize-se, ame-se, coloque-se em primeiro lugar: você não pode fazer alguém feliz se você está infeliz; não pode admirar a beleza do céu, das estrelas, se você está apagado. Há que se olhar pra cima. O resto é consequência. Pode parecer egoísmo, mas na verdade é mais que isso: quando você tem as rédeas na sua mão, você está mais propenso a fazer e a desejar o bem. Ser uma pessoa bem resolvida é fruto de muito esforço, e está cheio de ladeiras e descidas. É preciso ter muita força interna, jamais arredar. Estar bem consigo mesmo é sinônimo de estar em paz perante o universo.

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Quando não se tem nada, não se perde nada.

Você pode ler esse texto ao som de “Nando Reis – Mantra”.

Quando não tiver mais nada, nem chão, nem escada, escudo ou espada, o seu coração acordará. Quando estiver com tudo, lã, cetim, veludo, espada e escudo, sua consciência adormecerá. Quando não se tem mais nada, não se perde nada, escudo ou espada. Pode ser o que se for, livre do temor. – Nando Reis

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Olhe para sua volta e responda sinceramente: se tudo lhe fosse retirado, subitamente, você continuaria feliz? Se de repente lhe arrancam à força o que você jurava ser sua razão da felicidade, você saberia como se reinventar e se levantar? A questão é se perguntar – qual a importância que as coisas têm na sua vida? Sejam coisas, sejam pessoas: ninguém é responsável por sua felicidade, exceto você mesmo. É comum vermos pessoas desesperadas após alguma perda, após alguma decepção, mas o mistério está em compreender o motivo pelo qual tais coisas tomam uma posição de prioridade em nossas vidas e são capazes de atrocidades inimagináveis.

Sempre acreditei que as coisas/pessoas têm o valor que damos a elas: seu carro tem a importância que você dá a ele; sua conta bancária também; o mesmo acontece com sua paixão, família e religião. Muitas vezes intitulamos como nosso “tudo” algo que não é assim tão significativo – e já sabemos o que se passa quando esse “tudo” é arruinado: viramos pó, viramos um nada. Devemos saber priorizar e definir nosso “tudo” e nosso “nada”, afinal, o único indivíduo responsável por delinear sua história é tu mesmo, ninguém fará isso em seu lugar.

A sociedade cria muitos padrões: é padrão pra cabelo, pra corpo, pra tamanho de bunda, de braço, de músculos; é uma voracidade pra ver quem tem o melhor carro, a melhor casa, a carteira mais volumosa, o emprego mais valorizado. Mas, um momento, quem nos inseriu nessa competição? Eu tô seguindo o padrão de quem? Não quero participar dessa guerra, não. Avisem que estou de fora. Quero ter minhas prioridades, quero controlar meus anseios e quero trilhar meus caminhos – faço questão: não o façam por mim. Isso não significa que não devemos batalhar para conquistar uma vida mais cômoda, mais digna e com regalias: podemos fazer o que bem quisermos, mas sem deixar que digam quem somos e aonde vamos. Quando deixamos que controlem nossas pulsões, perdemos nossa essência.

Essencial, segundo o dicionário, é o que constitui a parte necessária ou inerente de uma coisa; primordial, indispensável. O que é essencial na sua vida? Você define, você decide. Mas não adianta se lamentar quando seu “tudo” for por água abaixo – não se esqueça que o mundo gira e ele mesmo encontra maneiras de nos organizar, e o dano que o avesso pode causar depende do valor que é atribuído aos bens, às pessoas. Se, subitamente, algo não sai como planejado, a culpa é apenas nossa; nós criamos expectativas, nós nos frustramos. Viver a vida com leveza implica em deixar ir, em deixar ser, em deixar acontecer. Assim como ser controlado é nocivo, querer controlar tudo também é: os extremos se chocam. Mente, alma e corpo estão conectados, e para que funcionem em conjunto é preciso de equilíbrio. Quando deixamos aspectos terrenos se sobressaírem aos aspectos espirituais, corremos grande risco. Seu tudo e o seu nada são criações que apenas você pode fazer; se você não tem nada, não existe o medo de perder, não existe a dependência – essa, por sinal, pode ser um veneno. Você depende de que pra ser feliz? Não coloque sua felicidade na mão de coisas ou de pessoas, a estrada é apenas sua, quem vai trilhá-la não são os outros, e nem as coisas. Escute os sinais que a vida lança e não ignore o vazio que te preenche: ele pode sinalizar que os barulhos dentro da gente querem ser ouvidos e não mais ignorados. Quer ser livre? Aprenda a não depender do exterior – está tudo dentro da gente mesmo. E sim, é um aprendizado – ninguém acorda e é livre – liberdade é construída, talhada, moldada. Encontre seu nada e sejam felizes – você não o perderá, mesmo.

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Somos todos bárbaros.

No mundo capitalista o crescimento da barbárie é alarmante. Somos capazes de atitudes que desafiam leis e vão contra o homem. Acreditamos piamente que somos seres livres, mas não enxergamos que, na verdade, nunca estivemos sendo tão controlados quanto agora.

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A sociedade atual tem um mecanismo de controle próprio que pode ser visto nas mais variadas extensões: oprimidos e opressores. Ora, podemos dizer que este é um dos pilares do capitalismo – uns obedecem, outros mandam; uns são menos, outros são mais. O capital é produzido em torno disso e, como consequência, instala-se a barbárie. Como a sociedade aceita calada tamanhas injustiças? Como a sociedade educa seus cidadãos para que se calem frente ao que é bárbaro, ao que é selvagem? Nossa consciência é paralisada com uma pseudoformação?

Hoje vemos a tão falada inversão do sujeito com o objeto. O que é o sujeito sem o objeto? Nós somos controlados o tempo inteiro por coisas e acabamos por tornar-nos seres coisificados. Triste realidade: antigamente a máquina era a extensão do nosso corpo, e sempre tínhamos controle sob ela; hoje nós somos máquinas controladas por objetos. Acabamos sendo personificações de nossos objetos.

Certo, mas o que fazer com tudo isso? Como mudar tudo isso? Sofremos, segundo Adorno, de uma “claustrofobia de um mundo totalmente administrado”, ou seja, assim que chegamos ao mundo tudo já está estabelecido: vidas previsíveis e controladas. A racionalidade capitalista – que de racional não tem nada – já está instaurada. Somos tão incentivados a uma competição calculista que desde crianças criamos indiferença pelo outro; somos manipulados a subjetivamente depender de regras. Não somos livres e não sabemos ser livres. Nascemos com a pressão de sermos alguém, e temos que sê-lo custe o que custar, passe por cima de quem precisar. O capital nos move. A barbárie está declarada. O que vale é a lei da sobrevivência: os mais fortes apenas chegam ao cume, os outros ficarão por baixo e servirão de escada. Estamos cada vez mais parecidos com o homem da caverna. Somos oprimidos, opressores. Somos selvagens sedentos de capital e não somos capazes de negá-lo – o que automaticamente nos exclui do prazer de possuir coisas (até tornar-nos coisas). Não somos autônomos, nem críticos, nem muito menos estamos preocupados em fazer parte de uma história. Somos todos bárbaros.

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Entretenimento Para ouvir

Você precisa ouvir: Merry Christmas Mr. Lawrence.

Pare e vá até um lugar calmo. Feche os olhos e aperte o play. Essa música precisa ser sentida, vivida – e não apenas ouvida. Ela nos transporta a um labirinto de sentimentos e emoções e nos traz um pouco mais de esperança e otimismo na humanidade.

Ryuichi Sakamoto é o compositor dessa façanha. É um japonês que entende da arte de nos emocionar: formado pela Universidade Nacional de Tóquio de Belas Artes e Música, já ganhou no mínimo cinco prêmios por suas belas obras. Possui uma discografia impressionante e, a meu ver, humanizadora. Seus toques sempre me remetem ao lado bom do homem, ainda que pareçam tristes.

Eu, particularmente, nunca ouvi uma música tão completa de sentimentos. Assim que a melodia começa, a alma se transborda de sentimentos; a princípio, as notas nos remetem á épocas mais árduas – dor, saudade, tristeza, solidão, medo, angústia. A dor do piano proclama aos nossos ouvidos e nos coloca em um estado mais depressivo, por assim dizer. Eu sempre me ponho a imaginar, como sugere o nome da canção, uma noite fria, chuvosa. E, de repente, pan: a esperança nos atinge! A melodia passa de triste à feliz, cheia de esperança, otimismo, alegria, risos e fé.

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O nome da melodia é dedicado a um filme de mesmo nome (mas também é conhecido por “Furyo, em nome da honra”), da qual nosso querido compositor fez parte. Tal filme é baseado nas vivências de um jovem que foi prisioneiro durante a segunda guerra mundial, e foi lançado em 1983.

Eu posso listar várias músicas de Ryuichi, mas essa é, em minha opinião, a mais preciosa: é um verdadeiro tesouro que precisa ser sentido, em todas suas notas e arranjos. Melodia mais completa não há – não que eu conheça.

Agora é sério. Sinta a melodia e me conta aqui as sensações.

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Crônicas do Cotidiano

Abrace sua escuridão.

Você pode ler esse texto ao som de “Metamorfose Ambulante – Raul Seixas”.

“Mas veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão”. – Guimarães Rosa

A vida é efemeridade pura. Nunca estaremos constantes – é praticamente impossível. Não conseguimos manter o mesmo humor durante um único dia; somos frutos de circunstâncias e situações; somo regidos por momentos, sentimentos e pensamentos.

Conforme o tempo caminha, novas perspectivas surgem e aprendemos a ser mais flexíveis quanto ao que nos é apresentado – seja por outros ou por nós mesmos; somos edificados o dia inteiro, o tempo todo, com todas as situações. Isso é curioso e sadio.

Porém, como bons humanos, tendemos a negligenciar algumas considerações que surgem repentinamente; somos criados para focar no ‘mais’, e não no ‘melhor’; acabamos ficando apavorados com a ideia da inconstância e tememos muito o olhar do outro quando se referem a nossa metamorfose. Sim: as pessoas julgam nossas metamorfoses. Não sei quem escreveu a lei que diz que temos que ser iguais no berço ao túmulo; criticam nossas transmutações de opiniões como se fosse um genocídio. Eu fico meio assim com quem não muda nunca – passam-se anos e a pessoa continua ali, com as mesmas dúvidas e as mesmas certezas.

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O medo de autorreflexão gera pessoas estagnadas, sem movimento. E pra mim, movimento é vida. “Só o que está morto não muda”. Mas de onde surge esse medo? É que cada vez que fuçamos dentro da gente encontramos um lado sombrio que assusta. É nosso lado humano, rudimentar, arcaico. Ele dá medo. A gente não quer mexer muito pra que nada saia de lá de dentro. Mas aí está o erro: quando ele sai de lá, há a chance do escuro se transformar em claro, mas se ele permanece trancado, ele será pra sempre escuro. Medo de tentar e fracassar. Medo. Escuro. Medo do escuro – do nosso escuro.

E não se engane, é trabalho pra vida toda. Nunca estaremos totalmente afinados. As únicas certezas são: somos efêmeros (mude quando quiser, como quiser) e somos luz (apesar do lado mais sombrio que TODOS carregam, nosso potencial de iluminação é gigantesco). Não adianta passar a vida lutando contra seus defeitos, eles são intermináveis (que trágico), mas vale a pena passar a vida redescobrindo qualidades e transformando pequenas cinzas em faíscas luminosas.

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Autodesenvolvimento Entretenimento Para ler

Deepak Chopra e o poder da consciência.

Eu amo esse cara, sério. Acho ele muito bom e inteligente e humano e simples. Gosto das reflexões que ele faz, e mais, gosto do resultado que essas reflexões trazem à minha vida.

Hoje vou indicar três livros de Chopra. Estes livros foram de grande importância na minha formação e me ajudaram m-u-i-t-o a evoluir e mudar alguns pontos de vistas – ou seja, esses livros me ajudaram a ter consciência e a entender coisas que eu não entendia; a pensar coisas que eu não pensava; a me comportar de modo mais positivo e saudável.

O legal desse ser humano é que ele não desassocia a saúde mental da saúde física e nem da saúde espiritual. E são poucos os que pensam nesses três níveis: a maioria fica só com o mental e físico, esquecendo-se do espírito.

  • “O futuro de Deus”. Clique aqui para comprar.

Esse foi um dos melhores livros que li em toda minha vida – foi libertador. SÉRIO. Fui criada por uma família extremamente religiosa e boa parte dessa vivência me fez criar aversão a tudo o que era relacionado ao divino, ao espírito e à alma. Embora eu sempre tivesse sentido muita falta disso (vulgo de Deus), eu não conseguia separar deus de religião; pra mim eu estaria sendo hipócrita ao falar com Deus ou rogar por Ele uma vez que eu não participava ativamente nas missões religiosas. E esse livro me ajudou a entender o que eu não entendia; consegui colocar em palavras todos os sentimentos que eu carregava com relação a isso e, finalmente, depois de anos fugindo desse assunto, eu consegui me libertar, compreender e aceitar tudo o que acontecia – não só comigo, mas com muita gente também.

De modo geral, Deepak afirma que Deus está na origem da consciência humana – e, portanto, está em nosso cotidiano o tempo todo. Tudo é Deus (mas não se apegue a nomenclaturas, visto que em muitos casos fazemos associações erradas por conta de banalizações); o fortalecimento do nosso lado espiritual é extremamente necessário, ainda mais em épocas tão confusas e caóticas.

O mais interessante é que Chopra nos fala que “para buscar um caminho espiritual, é preciso não dominar o caos, mas ver através dele“, e o primeiro passo para esse caminho é encontrar seu verdadeiro centro e se fundamentar nele – isto é, achar o seu ponto de equilíbrio e viver com consciência, mesmo sabendo que as forças externas continuarão ali.

No final do livro, ele nos dá um guia prático de sete dias para que possamos entrar em contato com nosso interior e desbravar essa tal consciência.

F-E-N-O-M-E-N-A-L

  • “Você tem fome de quê?”. Clique aqui para comprar.

Esse livro abre nossa consciência pra algo que passa batido no nosso cotidiano: alimentação, o todo-poderoso-combustível. E é sério. A gente não pensa mais pra comer. Quantas pessoas sofrem quadros de compulsão alimentar? São muitas, infelizmente.

Nesse livro Chopra nos dá acesso ao conhecimento essencial para que possamos mudar de vida (obviamente só depende da gente) e viver em estado de consciência até quando estamos sentados na mesa. Ele vai nos explicar a razão pela qual atacamos a comida (ou deixamos de comer) e nos ajudará a compreender por que o nosso corpo é o registro físico da história que vivemos até o momento.

Este não é um livro de dieta. É um livro de nutrição, mas nutrição em todos os níveis – não só corporal. E realmente, a meu ver, é o melhor caminho para uma vida saudável – e vida saudável não se trata apenas de fazer escolhas certas na cozinha, mas de fazer escolhas certas para sua mente e sua alma – é um combo, poxa vida. NÓS SOMOS UM PACOTINHO. Não temos só corpo aqui não; a gente presta conta pra mais esferas nessa vida. E o mais legal de tudo: ele nos ensina meditações e nos convida à reflexões que poderão nos trazer uma vida equilibrada, leve e iluminada. Que delícia.

  • “Você é o universo”. Clique aqui para comprar.

Este livro foi escrito juntamente com Menas Kafatos, um físico aparentemente foda.

Nesta obra os autores nos trazem visões que indicam que a busca pela verdade está em nós mesmos e que nossa realidade esta intimamente relacionada à consciência e à percepção (ele fala bastante de realidade no livro “O futuro de Deus”, é bem massa). Uma das principais mensagens – que fica clara logo no início do livro – é que nós participamos do universo o tempo todo, e ele precisa da gente pra existir. Quando você para pra pensar nisso, faz bastante sentido. Se nós não existíssemos, ele estaria aí pra quê? (sim, é meio confuso e louco; eu perdi um bom tempo tentando fazer esta associação).

Universo participativo. Além dessa reflexão, eles respondem perguntas polêmicas que provavelmente você já se fez: “o que tinha aqui antes do big bang?”; “como a vida começou?”; “de onde viemos?” […] Sempre fazendo paralelo com a consciência e a realidade, ele alega que para mudarmos nosso universo, que está bastante incerto, nós precisamos mudar de atitudes.

Vocês já leram esses livros? O que mais marcou vocês na leitura?