Categorias
Autodesenvolvimento

quando o desnecessário é necessário.

Eu sempre digo que deus mora nos detalhes. A divindade das coisas se esconde nos gestos simples e pequenos que passam despercebidos aos olhos da maioria de nós. São as singularidades que preenchem nossa alma; as pequenices; o tanto de coração que um ato nos revela e como coisas simples tocam nossa alma tão lá no fundo que ficamos marcados de um jeito tão sutil e encantador que jamais nos esquecemos. Isso é simplesmente divino, encantador, leve. E por isso, sem dúvida, a divindade está presente ali — e essa divindade pode ser interpretada como você bem entender (o importante é sentir, na real; interpretar não é lá tão necessário assim).

A arte da cor!                                                                                                                                                                                 Mais

Durante o deslizar dos dias, nossa tendência é buscarmos a praticidade e acabar logo com tudo o que precisa ser feito — e não, não há nada errado nisso. Há coisas que precisam ser feitas com rapidez, sem delongas. Entramos no piloto automático, não colocamos nosso coração, não adicionamos pitadas de leveza e de encantamento naquilo que fazemos. Simplesmente vamos fazendo: sem paixão, sem poesia, sem valorização. E de fazer em fazer, vamos tecendo nossa vida. A vida se dá momento a momento; a cada escolha costuramos — ou remendamos — mais um ponto da nossa jornada. E tem gente que ainda vive a espera de coisas grandiosas para se sentir vivo. Quanta tolice, quanta ignorância.

Existem pequenices que, a meu ver, são mágicas; e são mágicas porque nos elevam, nos trazem presença, nos fazer sentir a vida com nova perspectiva. A gente sai diferente do que entrou. Nossa consciência se transforma. Elas são tão pequenas que nos custa acreditar que podem fazer diferença, e por isso as deixamos de lado. São classificadas, essas tal pequenices, como irrelevantes, estúpidas, como sendo frescura e, principalmente, desnecessárias. Vá direto ao ponto e faça o que precisa ser feito, é o que nos dizem. Ótimo. Mas que tal irmos direto ao ponto, fazendo o que precisa ser feito, com uma singularidade capaz de transformar esse simples gesto em um gesto de devoção, de saudação, de reverência?

É o tanto de coração que você coloca. Se você precisa passar vassoura no chão (ou qualquer outra coisa), você tem duas escolhas: passar reclamando ou passar com inteireza, colocando tudo o que você tem nessa ação — e aí você fica livre para sentir, criar, pensar, organizar, imaginar, silenciar, agradecer ou qualquer coisa que te der vontade; qualquer coisa que sua acenar de dentro de você pode ser feita.

Algumas pessoas talvez se sintam impelidas a dizer que isso é fuga de realidade. A realidade é a história que nos contamos. Real é tudo que tem vida. E você pode contar uma história com elementos e singularidas especiais — e não com invenções. São situações completamentes diferentes; são escolhas completamente opostas. Escolher viver com encantamento é escolher uma vida com presença, com subjetividade. É transformar o ordinário em extraordinário, e isso só é possível quando estamos ali por inteiro; quando fazemos o necessário com o máximo de detalhes absurdamente inúteis e irrelevantes, mas carregados de alma e coração.

O valor que você dá às coisas vai compondo o valor que você dá à sua vida. Viver é difícil. Muito difícil. E a gente perde tanto tempo e ainda vai perder outro tanto. Alimentamos nossa vida toda vez que criamos algo onde antes não havia nada. Isso transforma tudo.

 

 

1 resposta em “quando o desnecessário é necessário.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.