Quem sou eu?

E foi com essa pergunta que deixei o consultório da terapeuta na última semana. Quem sou eu? Respondi que depende, ué. Depende do dia, da circunstância, do humor. Mas eu percebi que estava faltando algo: eu estava desconectada de mim mesma. Muito. Mas como definir algo tão profundo assim? Não sou meu nome, não sou minha profissão, não sou uma lista de qualidades e defeitos… Sou, apenas. 

Menina de cabelo roxo com roupa de olhos.

A rotina frenética nos distancia da nossa essência. É vertiginoso como esquecemos de olhar pra dentro nas situações corriqueiras; é assustador o quão impetuoso somos na hora de nos auto atacarmos e mais espantoso ainda é a forma como nos cobramos para sermos bem vistos e aceitos pelos outros — os outros, sempre os outros.

Quem sou eu? Será que estou vivendo para mim ou para os outros? Será que venho sendo minha própria referência? Será que espero muito a validação dos outros? Até que ponto estou agindo por mim mesma e quando deixo que os outros determinei quem eu sou?

É bizarro viver em sociedade. Em muitos momentos nós fingimos ser o que não somos para sermos aceitos. Não digo que isso seja um crime horrendo, pois acredito que a maioria de nós faz isso em algum (ou alguns) momento da vida — talvez por falta de interiorização ou falta de consciência ou por estarmos constantemente no piloto automático. Não dá pra se culpar por isso, mas precisamos dar atenção e encarar isso com amor.

Eu realmente acredito que vencer na vida seja conseguir ser quem se é, sem pudores, sem vergonhas. Isso parece fácil, mas dá um baita trabalho. Primeiro que para ser quem de fato se é, precisa-se de MUITO autoconhecimento; segundo que se conhecer dá trabalho e não é uma linha estável: este caminho de descobertas vem cheio de surpresas indesejáveis que precisam ser cavocadas com muita coragem, e logo esses caminhos se desdobram em outros, e depois em outros, em outros, em outros… Nós não temos fim. 

Quem sou eu? Será que preciso me definir? Será mesmo que sou? Ou será que sempre estou? Fiquei pensando nisso durante a semana toda. Consegui fazer uma lista dos meus atributos e qualidades e defeitos, mas não acabou ali: não sou apenas isso. Eu sou infinita. Somos todos infinitos. Então como é que dá pra saber quem se é?

Será que somos o que pensamos? Não, não pode ser. Muita identificação com a mente nos leva a loucura. Será que somos o que sentimos? Sentir é algo cabeludo. Quais sentimentos são meus e quais sentimentos me foram impostos? Acredito que o que sentimos verdadeiramente nos dá grande pistas de quem somos. Mas o primeiro processo é se auto avaliar e filtrar o que é genuinamente seu.

Sabe aquele ponto na vida em que você se sente totalmente confusa a respeito do que você gosta e do que quer para sua vida? Você percebe que amadureceu e que deixou muitas coisas para trás, mas você, vira e mexe, se pega fazendo coisas por puro impulso que não lhe cabem mais. E isso te confunde, cara. É um constante deixar de ser quem se era para e tornar quem se é. Os gostos mudam, as preferências se transformam. Somos metamorfose. E talvez eu me defina assim. Será que é suficiente? Será que é muito raso? 

Talvez isso tudo pareça dramático demais, mas não é. Esse processo não precisa ser triste, mas precisa ser encarado — e alguns momentos não podem ser considerados felizes, por assim dizer. Mas tá tudo bem. Isso faz parte — conhecer-se não é só gostosuras: também têm suas dores.

Eu já ouvi dizer que quem consegue responder quem se é não sabe nada, na verdade. Segundo a pessoa, somos infinito e estamos sempre mudando, então uma resposta definitiva seria impossível. Talvez eu concorde com isso. E talvez eu deva parar de encontrar essa resposta e começar a me sentir, a me observar, a me perceber. 

Saber quem se é talvez seja difícil mesmo. Mas acredito que nossas emoções nos mostram se estamos no caminho certo ou não. A intuição também é muito importante. Ah, e depois de um tempo dá preguiça tentar agradar a todos e a gente desiste naturalmente. Então, o que digo pra mim mesma é: paciência. E olha pra dentro sem medo, menina. 

 

Continua lendo, bonit@ 🙂

“Bota o dedo na ferida, sim”, clica aqui.
“A tal da validação externa”, clica aqui.
“Percepção”, clica aqui.

 

Deixe uma resposta