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pequenos passos

Definitivamente, uma das piores sensações que podemos sentir é a estagnação. É muito difícil perceber-se travado. Difícil e, ao mesmo tempo, doloroso. É nesse momento que a gente fica cara a cara com nossas sombras. Sentir-se parado na vida nos revela muitas ansiedades: a gente nunca tá satisfeito e a gente sucumbe facilmente às pressões externas e às ambições internas.

Eu sempre quis abraçar o mundo. Quero tudo e quero ao mesmo tempo. Quero estudar tudo, quero aprender tudo, quero guardar dinheiro, quero gastar, quero ler mil livros. Resultado? Não faço nada (ou faço pela metade). Enquanto nos preocuparmos mais com grandes passos, mais esqueceremos da importância dos pequenos — são eles que nos levam para longe. E sim, ter consciência disso não é nada fácil.

E eu penso muito nisso: pequenos passos. Por que eles me assustam tanto? Por que quero passar por cima deles? Por que quero logo me arriscar no grande? E, lá no fundo de tudo, deparo-me com meu ego. Sim. Meu ego quer ter tudo pra já. Caso contrário ele se sente derrotado e fracassado. Ilusão das ilusões.

Pega leve — digo a mim mesma. Faça poucas coisas, mas as faça bem. E me lembro que é preciso calma e tranquilidade. Nada com pressa. Mudanças efetivas levam tempo. E respeitar esse tempo é respeitar as fases da vida, também. Quem muito fala pouco faz. Quem muito quer pouco tem. Quem só se preocupa com os grandes passos jamais conseguirá dar os primeiros. E é preciso ver em quais aspectos da vida somos nós os faladores. E nossa tendência é negar, mesmo. É bem mais fácil. A vida acontece fora da zona de conforto — e lutar contra si mesma e sair da zona de conforto também é um belo ato de autocuidado. Fazer renúncias a si mesma, ouvir o seu coração, ter paciência, agradecer o que já se tem e entender que você está onde precisa é um treino diário. Todos os dias a gente precisa se lembrar que a vida nos traz os mestres que a alma precisa nesse exato momento. Então vive o que tá aí na sua frente. As coisas vão andar, você vai chegar onde precisa chegar. Tenha calma.

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O mais bonito e difícil disso tudo é aceitar que cada um tem uma vida, uma dor, um amor. Eu posso estar lutando contra isso e você não e, mesmo assim, isso não me diminui diante de você. Você pode enfrentar tormentas que eu não enfrento, e isso não me engrandece. E por que será que é tão fácil nos esquecermos disso? Nós não ficamos pra trás, mas nos sentimos perdendo a corrida. Mas qual corrida? Quem fez as regras e por que é tão difícil quebrá-las?

Essa semana eu li algo muito bonito e era mais ou menos assim: o ponto da vida não é tentar apenas amenizar nossos sofrimentos, mas, ao invés disso, procurar mais alegria. Mudar o foco, a perspectiva. Ao invés de olharmos para o que sangra, vamos encarar o que cicatriza. Talvez a gente perca muito tempo querendo mudar e esquecemo-nos de aproveitar as pequenices da vida que nos inundam a alma. A questão não é e nunca foi ter tudo.

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autocuidado.

estar vulnerável é assustador, mas tudo bem — esteja mesmo assim.

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sobre aceitar.

A vida é cheia de altos e baixos. Muita coisa pode acontecer em um curto espaço de tempo e é muita bobagem nossa querer manter o controle das situações e das pessoas. Tudo acontece por algum motivo. Tudo pode nos edificar, mesmo que doa; e tudo pode ser motivo para te levar pra baixo, se assim preferir. Mas nós estamos aqui para lidar com todo esse turbilhão. E só nos resta aceitar: vamos perder e ganhar, gostando ou não.

Menina com vários olhos no rosto.

É realmente difícil lidar com tanta coisa nessa vida. Relacionar-se com pessoas nunca vai ser fácil. Relacionar-se com a dinâmica e impermanência da vida nunca vai ser fácil. A gente se apega muito; a gente se acostuma muito. Depositamos toda nossa vida nas mãos de pessoas e situações passageiras. E sim: dói aceitar, mas as coisas passam, as pessoas se vão, nós mudamos de emprego, de casa, de cidade… Nós somos feitos de mudança. De impermanência.

Mas eu te digo: o mais difícil é aceitar-se. Nosso maior desafio somos nós mesmos. Complicamos demais as coisas, né? Nós sabemos que dá pra ter mais leveza, mas somos facilmente influenciáveis… Nós usamos máscaras para trabalhar, para transar, para passear… Transformamos tudo em uma bela performance pois vivemos para fora. Nos preocupamos mais com a validação externa do que com a interna. E isso dificulta a aceitação pois, agindo desse jeito, precisamos e reforçamos o nosso desejo de ter a aprovação de todos. Impossível.

Então por que não começar por você mesmo? Aceitando suas máscaras, suas limitações, seus medos, suas batalhas. Não se cobre tanto. Não tente ser perfeito. Há muita beleza na imperfeição. Acolha o que te fere — só há cura com amor.

“Por que você se agarra a algo? Porque tem medo de perdê-lo. Talvez alguém possa roubá-lo. Seu medo é que não possa ter amanhã o que você tem hoje.”         — Osho.

Nós não vamos ter amanhã o que temos hoje. Ora, se até nós mudamos o tempo todo, como os outros não mudariam? Nada será igual, não adianta acreditar que será. Mas sempre será melhor. Sempre. Só o fato de sermos metamorfose já faz tudo se transformar.

A maior barreira da aceitação vem do ego. Ele se fere muito. Ele não aceita perder, ele bate o pé pras mudanças, ele quer conforto a qualquer custo. Quer certezas, quer aprovação, quer aceitação de todos, quer garantias. Eu sei como isso dói. Nós gostamos de palavras bonitas, de promessas, de ilusões… E tudo bem. É meio que natural hoje em dia. Até isso temos que aceitar. Mas aceitar não significa estagnar.

Muita gente acha que aceitação é passividade. Ledo engano. Aceitação é parar de aumentar o que é pequeno; ou, por outra ótica, é diminuir o que lhe parece gigante demais. Viver é mutação. Aceitar é acolher a mutação.

“Perfeição não é algo como uma disciplina, não é algo que você possa praticar, não é algo que você precise ensaiar. Mas é isso o que tem sido ensinado a todos, e o resultado é um mundo cheio de hipócritas, que sabem perfeitamente bem serem vazios e ocos, mas que insistem em simular todos os tipos de qualidade que nada mais são do que palavras vazias.”
— Osho

Quer continuar refletindo com a gente? 🙂

Clica aqui pra refletir sobre não fugir do que te dói.
Clica aqui pra ler sobre os desfechos imaginados que criamos nas nossas lindas (e malucas) cabeças.

 

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a ignorância é uma bênção.

Nós gostamos de saber tudo, de compreender tudo, de racionalizar tudo. Obviamente, precisamos da compreensão pra muita coisa nessa vida. Entretanto, acabamos por menosprezar demais a ignorância e esquecemo-nos do seu poder libertador.

Não tem como entender tudo da vida. E quanto mais queremos resolver as coisas, mais perdidos ficamos. Será que devo continuar fazendo isso? Será que está na hora de buscar outro emprego? Será que meu relacionamento está fluindo como deveria fluir?

Transformamos tudo em dúvida; precisamos de respostas concretas e odiamos ver a coluna ‘dos contras’ cheia. Mas vem cá, chega bem perto e presta atenção: A COLUNA DOS CONTRAS SEMPRE TERÁ ARGUMENTOS. Sempre. Isso é inegociável. Porém, o que precisamos fazer é concentrar nossa energia nos prós.

Em muitos momentos precisamos de mudança  —  e em vários outros é bastante óbvio que precisamos tomar atitudes quando ‘os contras’ nos consomem paz e ânimo. Mas precisamos aceitar que é impossível saber e conhecer tudo. E não há nada errado com isso.

Ao contrário do que nossa sociedade prega, quando aceitamos que somos ignorantes, abrimos espaço pra nossa intuição e criatividade ficam soltas, livres e despreocupadas.

Qual a razão de querer saber tudo? Controlar tudo? Racionalizar tudo? Não há razão alguma nisso, apenas ego. Relaxa. A ignorância não é nossa ruína — ela é nossa bênção.

Garota loira com margaridas no cabelo e pirulito na boca.

SEGUNDO AS LEIS DA AERODINâmica, o besouro não pode voar: a relação matemática entre sua cabeça, grande demais, e suas asas, pequenas demais, o impedem de sustentar seu corpo no ar. mas o besouro não sabe disso: por isso ele voa.

— igor sikorsky

Quantas coisas a gente deixa de fazer por pensar demais? Por tentar entender demais? Várias, aposto (eu, pelo menos, confesso que sim). É legal entender as coisas e encontrar razão naquilo que fazemos. Mas o simples fato de compreender não nos leva à mudanças: o conhecimento, por si só, não é suficiente para nos transformar. Ele é um grande aliado, mas não funciona sozinho.

Pense em algum problema que já lhe aconteceu ou em um que esteja acontecendo. Certamente, você já pensou muito sobre ele, certo? Já analisou sobre várias perspectivas e já o tornou consciente. Isso foi suficiente para transmutar a situação? Não, né? As coisas não são assim. Não basta conhecer, não basta entender.

O cerne da coisa toda é que fomos ensinados a descartar a ignorância e não a assumir (isso é fraqueza, onde já se viu) e acabamos carregando um peso durante a vida que não precisaria nos incomodar tanto.

Nos cobramos muito. Exigimos muito de nós e dos outros e nos incomodamos com o que não é tangível, compreensível. Deixe-se em paz. Deixe os outros em paz. Você e eu morreremos sem várias respostas e tudo bem. Aprenda a desenvolver as faculdades que te afastam dessa mania de controle — desapegue-se!

Quer ler mais sobre desapego? Clica aqui 🙂

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somos medrosos (e mimados) demais.

Até que ponto a frase “não sou obrigado a nada” é verdadeira na sua vida? De fato, ninguém é obrigado a nada; mas a linha entre não ser obrigado e ser covarde é bastante tênue. Uma coisa é você não querer fazer algo, e outra totalmente diferente é ficar com medo — ou sentir dor — e fugir na direção oposta.

A nuvem cobre a cabeça do moço.

 

Nos falta coragem.

Estamos muito intolerantes aos sentimentos dolorosos. Não sabemos lidar com as dores e com os problemas. Todos nós teremos até o último dia de nossas vidas, é inevitável. Nós precisamos começar e terminar — não dá pra desistir só pela dor que começou a apontar. Medo todos nós sentimos e sempre sentiremos, mas é necessário ficar (ou ir) mesmo que machuque um pouco.

Nos falta compromisso.

Essa covardia instaurada nos deixa com tanto medo que não sabemos mais assumir compromissos — amorosos, profissionais, amistosos, familiares. Por isso é tudo tão líquido: desistimos fácil do que nos assusta e do que começa a exigir um pouco mais de nós. As construções que precisamos fazer durante a vida exigem coragem e enfrentamento (principalmente o de si próprio) e ninguém disse que seria fácil. Mas não dá pra viver na superfície, no raso — precisamos aprender a mergulhar mesmo que isso seja desconfortável.

Nos falta fé.

O medo exacerbado só faz morada no coração daqueles que não têm fé. E fé não é sinônimo de religião, não. Você pode chamar do que quiser — deus, natureza, universo, mas nós só conseguimos dar passos e encontrar forças (mesmo que com muito, muito medo) com a fé; ela nos guia e nos impulsiona a melhorar, a evoluir, a crescer.

A fé nos ajuda a enxergar além do caos e a perceber que algumas situações da vida precisam ser encaradas de frente — em outras, desistir pode até ser a melhor opção, mas não dá pra deixar as coisas de lado só por estarem complicadas. Não dá pra desistir só pelo fato de algo ser difícil e doloroso e conflituoso. Nós precisamos encarar — mesmo que doa, mesmo que nos faça chorar, mesmo que nos faça querer sair correndo.

Nos falta segurança.

Esse medo que nos atormenta é fruto também da sociedade em que vivemos. Confiar nos outros anda sendo tarefa difícil. Mas você confia em si mesmo? Você se preocupa em se conhecer, em se lapidar e em evoluir? Nós estamos inseguros demais. Não sabemos lidar com rejeições, não sabemos ouvir “não” e já trememos quando alguém discorda da gente.

É muito chato viver desse jeito. Se temos confiança e fé em quem somos, no que fazemos e pra quê estamos aqui, essas coisas exteriores não nos abalariam tanto assim. Não cale sua voz, confie em você. Todos nós somos capazes e estamos equipados para superar as infelicidades que permeiam a vida. Se você sabe disso e confia em si mesmo, certamente não precisará correr ao menor sinal de desconforto.

Nos falta disciplina.

Temos a péssima tendência de achar que disciplina é reflexo de uma mente inflexível, quadrada, ultrapassada e várias coisas mais. Porém, o que acontece é o oposto: quando você tem disciplina, você venceu seu inimigo mais poderoso — você mesmo. Quanto mais você luta contra seus desejos imediatistas e carnais (procrastinação, autossabotagem, insegurança, etc.), mais livre você é. Leia mais sobre isso aqui.

Nos falta aceitação.

Onde está sua força? Onde está sua consciência? Onde está sua humanidade?
Essa liquidez que enfrentamos nos dias atuais é sinal de fraqueza, de covardia e é uma prova de que somos mimados e não aceitamos que as coisas sejam diferentes  daquilo que desejamos. Não tem problema ser rejeitado e não tem nada incomum em ouvir “não” por aí.

Essa necessidade em agradar e ter a aceitação de todos é a maior armadilha em que se pode entrar. Você precisa se aceitar e se agradar — isso bastaria pra você ter fé, coragem, compromisso e segurança com quem você é.

Quem é mimado demais vive com medo. Medo de não darem atenção, de não concordarem, de não ajudarem, de não aceitarei e não acolherem. A culpa não é só nossa — isso é consequência social; fomos moldados e criados desse jeito, em muitos casos. Mas isso não serve de justificativa pra você não fazer algo a respeito.

Se você gosta desse assunto e quer ler mais sobre, indico os seguintes posts:

  • Nesse aqui falo sobre mudanças e o motivo pelo qual é tão difícil sair do lugar;
  • Aqui falo sobre a importância dos sacrifícios;
  • Tudo serve de treino nessa vida, e neste post escrevi sobre o assunto;
  • E por último, precisamos entender que tudo tem sua hora: leia sobre isso aqui.

Tem um vídeo muito bom sobre insegurança que pode ser bastante útil pra você, vai conferir — clique aqui.

 

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Depois de um tempo…

Depois de um tempo você percebe que só quer realidade, mesmo.
Sem paixões forçadas, sem cobranças desnecessárias e sem ilusões pesadas.
Você compreende que é melhor encarar. Mesmo se doer, mesmo se machucar. Não adianta perder energia tentando controlar o que não tem controle. Adianta mais gastar forças tentando dar o seu melhor do que ficar lutando contra forças invencíveis que funcionam sem seu consentimento.

Depois de um tempo você percebe que a realidade é melhor que a ilusão.

Você quer paz. Você quer realidade.

A verdade é que a gente cai na real e se dá conta que não dá pra viver esperando, esperando, esperando, esperando. Tem gente que esquece que a vida é aqui, é agora e é efêmera demais pra tentar possuir qualquer coisa que seja. Nós não possuímos absolutamente nada. NADA. Nem nosso corpo é nosso. Você aprende a construir valores reais e profundos.

Você desiste de tentar seguras as coisas.

Você aprende que é melhor deixar as coisas livres. Deixar voar, deixar ir embora, deixar voltar, deixar ficar e deixar ir novamente. Não importa. Você começa a entender que tudo bem não ser do jeito que planejou e ilusionou. A realidade é bem mais gostosa do que qualquer invenção que possamos criar. Ainda que seja cruel.

Você finalmente entende que não dá pra segurar nada.

E não dá mesmo. Não tem como. Melhor enfrentar e soltar. Dá menos trabalho do que ficar se culpando e se cobrando por não ter o que não é seu. Aliás, você para de desejar o que não se encaixa na sua vida.

Você simplesmente aceita.

Aceita que o tempo passa, que as pessoas mudam, que não dá pra voltar atrás. Você, inclusive, faz o melhor que pode ser feito agora e se preocupa menos com a possibilidade de ser apenas mais um momento passageiro. Todos são, tudo vai embora, mais cedo ou mais tarde. E tudo bem,

Você prefere a verdade.

Nós sabemos que ela pode ser bem dolorida. Mas mesmo assim é melhor enfrentá-la. Ainda que o mundo vire de ponta cabeça. Só quem já se enganou sabe como é desesperador viver com quem não tem a verdade como princípio. Por mais que seja difícil dizer adeus pra alguém, você passa a selecionar com mais critério quem fica e quem vai. E não dá pra abrir espaço pra quem tem trato com a mentira. Sem contar que a gente aprende que não dá pra mentir pra si mesmo. Você se permite viver a verdade, a sua verdade. Você decide ser mais transparente e tanto faz se não gostarem.

Você não ultrapassa seus limites por qualquer um e nem por qualquer coisa.

Respeito por si próprio é algo que nós construímos. É depois de quebrar muito a cara, de se culpar muito e de viver sendo controlado por outras pessoas que aprendemos a dar valor pra quem somos. Não dá pra abrir mão de si mesmo só pra que outros se sintam confortáveis.

Você se prioriza.

Deixe que pensem o que quiserem. Julguem como bem entenderem. Você percebe que ligar e ouvir o que todos dizem pode ser um grande atraso. E não há tempo para voltar atrás.

 

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Viva conforme sua realidade.

Acredito que a maior parte de nossas frustrações ocorrem porque não sabemos aliar nossos desejos à realidade. Muitas vezes desejamos coisas absurdas pelo simples fato de que viver iludido é mais fácil do que encarar o que de fato é real. Sem dúvida podemos mudar nossa realidade; mas em todas precisaremos abraçar o que é nosso – e não o que desejaríamos que fosse.

 Todos somos diferentes e iguais ao mesmo tempo.

Tudo pode ser bom – depende só do ponto de vista!

Sabe aquele papo de que tudo possui pelo menos dois lados? Ele é muito real, mesmo. Nenhuma história possui apenas uma versão e o mesmo acontece com os baixos da vida. Quando não estamos em nossas melhores fases nos voltamos pra dentro e tentamos, de um jeito ou de outro, entender o que está se passando, e a partir do momento que nos entendemos, vamos tentando achar a cura. O processo da cura nem sempre é tranquilo e calmo – ele tende a ser turbulento. Mas, como dito, vai depender do seu ponto de vista, também. Você sempre tem duas opções: se achar um coitado, vítima da vida, ou tentar tirar proveito da ocasião. Mas proveito de que? Do que está acontecendo aí dentro, poxa vida. “Toda vez que falta luz, o invisível salta aos olhos”.

Não domine o caos, veja através dele.

Uau. A gente gasta uma energia desgraçada tentando dominar coisas. Pare pra observar. Nós sabemos ser bem ingratos com a vida, sempre desejando o que não temos, alegando que nada está bom. O mundo material é caos puro; são poucas as coisas que podemos controlar, e embora tenhamos vontade de fazê-lo com tudo e todos, só podemos, de fato, dominar o que está dentro da gente (fiz um post bem bacana falando sobre isso aqui). Que tal tentar gastar sua energia tentando treinar seu olhar e sua consciência para aceitar o fato de que somos responsáveis apenas pela forma que encaramos a vida? O que os outros pensam, sentem, desejam não diz respeito e não precisa fazer sentido pra gente. Pare de tentar dominar e até mesmo de impedir as bagunças da vida; aprenda a enxergar além de cada confusão em que se ver metido.

Tenha orgulho em ser você.

Podemos ter milhões de defeitos, isso é fato. Mas também temos singularidades e qualidades maravilhosas. Já parou pra pensar que, mesmo sendo super iguais, somos extremamente únicos? Sempre teremos algo que nos diferenciará de todos. Você faz algo excelente do seu jeitinho, e outra pessoa pode fazer algo excelente de outro modo. Isso é lindo. Não precisamos viver de competição; viver criticando os outros ou a nós mesmos e nem julgando ou culpando: todos temos qualidades impressionantes – trabalhe nelas! E os defeitos, como dizia Clarice, podem até ser feios, mas também podem ser a razão pra você sustentar esse corpão e essa alma toda. Esqueça aquele papo de ser único, de ser raro – todos somos raros e ao mesmo tempo ninguém é (até porque se todos são, automaticamente ninguém é). Contraditório e confuso, mas faz sentido.

Cuide do que é seu.

O que temos vai sendo transformado durante a vida. Algumas coisas perdem importância, outras ganham valor e assim seguimos a caminhada. A gente muda o tempo todo e a realidade vai sendo ajustada conforme nossos ideais interiores. Lembre-se de nunca podemos perder nada, nada do que realmente importa pode ser levado da gente. O ser humano é possessivo e gosta de ter, ter, ter, ter. Não estamos falando disso, ok? Me refiro mesmo ao que faz sentido pra sua alma. Seus dons, suas virtudes, sua identidade, sua essência, sua consciência. Cuida de tudo isso com afeto. Ninguém, além de você mesmo, pode acabar com isso.

Encontre pequenas realizações na rotina.

Rotina. Palavra que causa arrepio em muitos. Você não precisa necessariamente sair da rotina para sair dela, me entende? Não? Calma que eu explico. Mude as pequenas coisas – pequenas. Vamos supor que você assista tal programa de TV todo dia, comece assistindo outro. Você come ovos fritos todo dia? Faça um ovo cozido pra variar. Pequeninices, percebe? Vá se expandindo sempre que possível; faça pequenas coisas, mas tente fazê-las bem. E além de incluir pequenas modificações na sua rotina, tente encarar o velho como algo novo – sim, isso não é fácil porque exige muito treino, mas se você quiser mesmo, você consegue. Que sair da rotina seja sua nova rotina, se assim desejar.

E por fim… É tudo questão de aceitação.

E é mesmo. A gente economiza muita atividade cerebral quando decide se alinhar com o nosso verdadeiro ser e deixa de gastar pensamentos e sentimentos pensando no que poderia estar sendo, fazendo ou vivendo. Você tá aqui agora, ponto. Nenhuma conquista e nenhuma mudança ocorrem só com nosso desejo – temos que batalhar. Se você quer estar em outro lugar, lute por isso e tenha paciência. Não viva com a cabeça lá na frente, concentre-se no que passo que você pode caminhar hoje pra chegar lá amanhã.

Aceitar sua realidade de agora não significa que ela será pra sempre a mesma. Nós confundimos muito isso: negamos a aceitação com medo de que seja sempre igual e de que nos acomodemos, mas não é bem por aí. Aceitar é abrir portas para transformações (mais do que podemos imaginar). Aceita. Quando aceitamos, nos transformamos; quando nos transformamos, o mundo se transforma com a gente – mesmo que tudo continue igual.

 

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Lições que a morte nos ensina sobre a vida.

O medo da morte vem do medo da vida. Um homem que vive plenamente está preparado para morrer a qualquer momento”.

– Mark Twain

Seres humanos são os únicos animais capazes de pensar e imaginar a própria morte. Desse modo, acabamos transferindo esse medo pras nossas vidas – e muitas vezes esquecemos de viver, de fato.

A morte chega mas ela nos ensina.
A morte chega.

Muitas reflexões feitas nesse post são frutos das várias lições que aprendi com o livro “A sutil arte de ligar o foda-se” de Mark Manson (clique aqui pra comprar). Falei sobre ele nesse post aqui também, onde trago dicas de livros que podem te ajudar a desfoder seu emocional (a seleção de livros tá bem bacana).

Por que você se importa tanto com a morte se ainda tem tanto medo de viver?

MANO, VOCÊ VAI MORRER. Nada vai mudar isso. Então por que razão você sucumbe à vergonha? Ao medo? Às inseguranças? Aos outros? O que você tem a perder se tudo não passa de vários nadas? Vários nadas, tá entendendo? Muitas coisas que existem no mundo não passam de uma criação da imaginação coletiva. Você não precisa se desgastar tanto por causa de acontecimentos medíocres da sua vida. Para e pensa um pouquinho: seus problemas são realmente problemas?

Por que você ainda tem medo de viver? De ser você? Do que os outros vão pensar? Vá atrás dos teus sonhos, vá amar as pessoas, vá fazer o bem. Se a vida é tão curta, agarre essa oportunidade. Dance, cante, grite, cuide de você, ame, faça acontecer. Pare de enrolar e corra atrás dos seus sonhos. VOCÊ NÃO TEM NADA A PERDER. Quanto mais você adiar as dores e os desconfortos, mais perto da morte (mesmo que não física) você está. A gente vai sofrer, vai chorar, vai querer desistir, vai sentir raiva e mais uma caralhada de emoções negativas. Escolha viver mesmo assim.

Não viva achando que você é imortal.

Muita gente acha que não vai morrer mesmo sabendo que vai. Como? Elas sempre acham que outra oportunidade vai simplesmente cair no colinho delas. Eu vivi assim por muito tempo.
Quando comecei a me conhecer e a aceitar mais a vida como ela é, os outros como são e eu como sou, comecei a fazer as coisas acontecerem. Eu fui fazer as danças que eu queria; pedi demissão do emprego que eu achava que era a única coisa que eu sabia fazer; criei coragem para seguir minhas paixões; falei não pra muita gente que só sabia ouvir sim da minha boca e o mais importante: EU PERDI O MEDO DE ME ESCUTAR. Eu nunca acreditei muito em mim, mas eu fiquei cansada disso. Decidi dar uma chance pra única pessoa que pode mudar minha vida: eu.
Quando somos jovens corremos o risco maior de acreditar que a morte é uma coisa fora da realidade. Cuidado.

Bruxa tentando criar poção da imortalidade.
Não adianta insistir: a poção da imortalidade não surte efeito e é prejudicial à saúde.

A sua vida não é diferente da vida de ninguém ( ou vulgo: nem você e nem eu somos tão especiais assim).

A gente sempre acha que com a gente as coisas sempre serão diferentes. Mas não: ela é igual pra todo mundo. E na verdade isso não importa. A vida não precisa ser diferente pra ser maneira. A vida precisa ser vivida à sua maneira pra fazer sentido. E geralmente nos damos conta disso em fases de autoconhecimento e autoaceitação. Começamos a perceber que nada cai no colo; que alguns “nãos” que falamos são irreversíveis; que algumas oportunidades não voltam mais; que vamos ter que responder por todas as escolhas mais cedo ou mais tarde; que ninguém poderá decidir pela gente e mais uma porrada de coisa. E o mais interessante: a gente percebe que é assim com todo mundo e que ninguém é tão diferentão assim.

A morte nos ensina que somos todos iguais.
Essa mulher é tão comum quanto você.

Cuidado com o medo de ser igual a todos.

Não sei o motivo pelo qual temos grande ambições com o tal do reconhecimento. A gente fica idolatrando pessoas (algumas realmente merecem) e sonhando com coisas insignificantes. Pra quê? Quando a gente morrer iremos perder tudo. Tá, é legal viver uma vida confortável. Mas é um verdadeiro inferno quando isso passa a ser sua única meta na vida e se transforma em uma competição desenfreada pra chegar sei lá onde.
A verdade é que a gente quer ser diferente – todos nós queremos – e isso acaba nos deixando mais iguais ainda. Ninguém é tão especial assim. O motivo pra isso é simples: somos iguais, temos problemas parecidos e a maior parte da vida de todo mundo é meio medíocre e confusa.

Você não precisa ser extraordinário.

Extraordinário, de acordo com o dicionário, é aquilo que foge do usual ou do previsto; que não é ordinário; fora do comum. E nossa sociedade tem a crença enraizada de que precisamos sair do comum pra sermos felizes; que nós precisamos fazer coisas incríveis e viver uma vida memorável para sermos extraordinários. Escutamos isso (ainda que sublinearmente) o tempo todo de celebridades, por exemplo. E quando percebemos que vivemos uma vida corriqueira, o medo, o desespero e a frustração fazem morada no seu peito. ARRANCA ELES DAÍ AGORA! Você não precisa ser extraordinário pra viver uma vida incrível.

Olha a ironia: se todo mundo fosse extraordinário, na verdade, ninguém o seria.

Quanto mais extraordinário você se acha, mais acomodado você se torna. As pessoas com a consciência de que são comuns são as mais incríveis porque elas estão sempre buscando melhorias na vida pois, lá no fundo, já aceitaram a condição de que não dá pra saber tudo nessa vida. Elas sabem e aceitam que não sabem de nada.
(Você até pode saber de algumas coisas e ser muito bom em executá-las, mas o bom sábio aceita que sempre há muito chão pela frente).

Cuidado pra não se colocar acima dos outros.

Afinal de contas, somos iguais (todos iguais, todos iguais, uns mais iguais que os outros). A vida de todos tem o mesmo destino: a morte. Quando você acha que seus problemas são maiores que os dos outros, que sua dor é mais preocupante, que você é um coitado, ou que sua vida é maravilhosa porque tem determinado padrão, você cai na armadilha de se achar mais especial que os outros e está sendo narcisista.
Não somos mais e nem menos especiais que os outros. Temos vidas, pensamentos, crenças e aspirações diferentes, mas estamos no mesmo nível. Na verdade não existe nível. Na verdade a gente vai morrer mesmo e não vale a pena se classificar e se comparar. É PERDA DE TEMPO.
Seria muita arrogância acreditar que você é merecedor de grandezas e maravilhas e os outros não.
Você já é um ser fenomenal. Não porque você se formou na melhor universidade, ou tem o melhor cargo ou as melhores roupas ou tem muito sucesso. Isso não faz ninguém ser mais ou menos incrível. Todos nós somos incríveis e grandes pelos valores que construímos e pelas escolhas que fazemos dia após dia.

Menina brava com pessoas que ficam se achando.
Coloque-se no seu lugar, caramba.

O comum é comum por um motivo.

O comum faz sentido, meu povo. Ele não tá aí de bobeira, não. Nós que criamos rejeições pra cima do coitado. Ter uma vida comum é legal também. Se você não acredita nisso você está automaticamente afirmando (mesmo que inconscientemente) que sua vida é mais irada do que a vida das pessoas que optaram por uma vida comum. E novamente: nossas vidas não são assim tão especiais pra estarem acima da vida de outros.

A negação da morte.

Oprah chorando e negando.
Pode chorar mas eu não volto pra você. Assinado: vida.

Sabe por que nós queremos tanto imortalizar o que fazemos? Sabe o motivo pelo qual queremos tanto viver uma vida extraordinária e tememos tanto a morte?
Porque queremos deixar um legado. E queremos deixar um legado pra imortalizar quem somos. E queremos imortalizar quem somos porque negamos a morte. Negamos a morte porque temos medo. Temos medo porque parte de nós quer construir um “eu” que viva para sempre.

O mundo é um grande projeto de legados. Quem construiu cidades, instituições, empresas… fez isso com intuito de repassar seus valores através de obras “imortais”. Todos nós temos um desejo inato de nunca morrer. Queremos defender nossos valores a qualquer custo e quando vemos que outro grupo tem um projeto de imortalidade que colide com o nosso, surtamos (lutas, revoluções, matanças e guerras são frutos disso). Digo os valores porque são eles que sustentam nosso desejo de construir um legado: queremos repassar nossos valores e ideologias.
Pra fundamentar nossos valores de modo mais livre, precisamos aceitar que a morte é inevitável e que tudo bem levar uma vida comum.
O que você vai deixar pra trás?

O medo impulsiona as pessoas a se importarem demais, porque se importar com alguma coisa é a única forma de se distrair da realidade implacável da morte. E estar pouco se fodendo para tudo é alcançar um estado quase espiritual de aceitação da efemeridade da própria existência. Nessa condição é muito menos provável ser dominado por várias formas de arrogância.

– Mark Manson

 

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Crônicas do Cotidiano

A beleza que há em você.

Você pode ler esse texto ao som de “Colbie Caillat – Try”.

Se você vê beleza aqui
não significa
que há beleza em mim
significa que há beleza enraizada
tão fundo em você
que é impossível não ver
beleza em tudo.

– Rupi Kaur

a beleza que há em você.jpg

Beleza vem de dentro. O que você tem na alma se transborda e modifica a forma como você vê as coisas. Pode ser que nem tudo seja assim tão belo, mas a forma como você encara deixa tudo mais agradável. É de dentro pra fora. Quem você é modifica tudo o que te envolve, tudo que você sente. Você pode deixar as coisas lindas, mas primeiro você tem que cuidar de você. Não é de fora pra dentro. Repito: é de dentro pra fora. A contaminação vem do âmago da sua essência. Só há mudança com aceitação; e há muita harmonia na aceitação.

A gente relaciona o ato de cuidar com vaidade exterior. Mas como anda sua vaidade para cuidar dos assuntos de dentro? O que falta para você se livrar do que lhe foi forçosamente imposto e começar a criar sua própria canção e sua própria forma de ver e entender a vida? O que te impede de acreditar que nada disso aqui é uma competição – todos têm o mesmo fim – e que você nasceu com um encanto capaz de fazer estremecer esse mundão?

Pare de competir, seja sua própria referência. Não pegue tão pesado com seus erros. Mas pegue pesado sim com sua forma de ver a vida. Não aceite menos de você, não perca sua voz pelo medo de ser ouvida. Não tenha medo de mostrar sua beleza. Faça mais do que te deixa leve. Deixa esse absurdo pra lá. Seja gentil. Ou tente. Caia, levanta, aprenda. MUDE. Floresça.

O jeito com que você se ama e se aceita é o mesmo jeito que ensina aos outros como eles devem te amar e te aceitar. Não aceite pouco porque você não é pouco. Não ame pouco porque dentro de você existem vidas e essas vidas precisam de amor. Você é tão inteira. Inteira.

Você não cabe em nenhum padrão. Ninguém é padrão. Todos nós temos um universo inteiro dentro da gente. Qual a graça de tentar igualar a todos? Como seria possível evoluir sem diferenças? Olhos diferentes veem coisas diferentes. Mas nenhum deveria parar de encontrar formosura.

Não confunda e nem compare sua beleza. Todo mundo nasceu tão lindo – o que acontece é que nos ensinaram a comparar; a passar por cima da beleza dos outros e a julgar de acordo com o que convém. E acima de tudo, não pare nunca de ver a beleza nas suas mais variadas formas.

“A beleza está tão enraizada em você que é impossível não ver beleza em tudo”.

Comece por você.

 

 

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10 dicas para você parar de (se) julgar e viver mais leve.

O bom juiz condena o crime sem odiar o criminoso.

– Sêneca

Julgar-se (e julgar aos outros) é um verdadeiro veneno coletivo e individual. Nós estamos acostumados a julgar o tempo todinho aos outros e a nós mesmos e isso causa um puta de um estrago.

Que tal refletir sobre isso um pouco e ter mais consciência and domínio dos seus julgamentos?

Reuni nesse post algumas ideias que me ajudam muito a melhorar em relação aos julgamentos. Eu li o livro “Chega de (se) julgar”, de Olivier Clerc (compre aqui) e me inspirei nele pra trazer ideias que são extremamente convenientes nessa luta.

1. Tenha consciência dos seus julgamentos.

Mulher loira confusa com o dedo no queixo.

Sim, isso pode ser confuso. Tire o julgamento do modo automático. Cada vez que se pegar julgamento alguém — ou a si mesmo — preste atenção. O primeiro passo para mudar qualquer coisa nessa vida é perceber onde está a falha, e só somos capazes de percebê-las com consciência.
Como você se sente quando julga? Como seu interior fica depois de julgar?

2. Entenda de onde vem seu julgamento.

Isso pode ser estranho e bizarro e doloroso. Mas em muitos momentos somos maria-vai-com-as-outras e não julgamos por nós. Julgamos porque fomos e somos instigados a isso.

Homem no barco arregalando os grandes e esbugalahdos olhos.

Imagine-se no seguinte contexto: uma criança cresce ouvindo dos adultos ao seu redor frases do tipo “você não tem bons modos”, “você é muito estabanado”, “você é muito devagar” e blá-blá-blá.

Essa criança internalizou tudo isso e criou um juiz dentro dela que bate seu martelo toda vez que uma dessas ações ocorrem: “eu sou muito lerda”, “eu não tenho salvação”, “que idiota”. Resultado: crescemos e nos tornamos adultos impiedosos para conosco e para com os outros.

Ou simplesmente crescemos ouvindo que pessoas que se vestem de tal modo são bregas, ou que possuem certa característica são inferiores.

Perceba de onde vem seu julgamento (de seus pais, de amigos…) e faça uma autópsia nele até chegar a conclusão de que ele é irreal, não vale a pena ou que você não tem nada a ver com isso.

PS: Temos que ter um olhar muito aguçado para saber manter o equilíbrio em muitas situações. Não julgar não equivale a permanecer estagnado com seus defeitos. Todos nós temos pontos a melhorar e a percepção deles é o grande começo. O problema começa quando usamos esses julgamos para nos diminuir e nos comparar com outros.

3. Separe os atos da pessoa.

Você não é apenas o que você faz. Muita gente boa é capaz de fazer coisas horrendas e muita gente ruim pode fazer coisas maravilhosas. Todos nós carregamos luz e sombra dentro da gente. Ninguém é totalmente bom o tempo inteiro e ninguém é totalmente péssimo. Todos nós falhamos no decorrer da vida (aliás, se tudo e todos estivessem sempre corretos estaríamos na época das cavernas ainda – sem inexatidões não chegamos à exatidão – o ser humano nasceu para evoluir).

Então, você pode não concordar com alguma atitude, mas isso não significa que precise nutrir maus sentimentos da pessoa que o cometeu. E isso vale pra você também – você não é um fracassado só por ter cometido um erro (ou mais).

Moço agradecendo e dando joia.

3. Entenda que tudo é uma questão de perspectiva.

Já ouviu aquela frase que diz que quem julga está falando mais sobre si do que sobre quem / o quê está julgando? Os julgamentos que exprimimos são reflexos dos pontos de vistas que carregamos, do contexto em que nos encontramos e da forma como interpretamos as situações e as características das pessoas.

Então, atenção: você pode aprender muito sobre os outros de acordo com o julgamento por eles feito; e, portanto, pode aprender muito sobre você mesmo quando se pegar emitindo algum julgamento.

A questão é a seguinte: fica muito mais fácil lidar com o julgamento quando temos consciência de que eles são um espelho de quem o está fazendo, e isso amortece o impacto e o estrago que eles podem causar na gente.

4. Mude de ponto de vista.

Antes de julgar, tente trocar de óculos e interpretar a situação de um modo diferente daquilo que pensaria automaticamente. Vire seu julgamento de ponta cabeça. Questione-se, inverta os papeis, troque o contexto e se insira nele. Como você se sente? O que muda aí dentro?

Mulher e homem com as caras invertidas.

Lembre-se: sempre existem pelo menos dois modos de ver a mesma coisa.

5. Abençoe aqueles que cruzarem seu caminho.

Todos os dias somos obrigados a lidar com pessoas e com circunstâncias que não são agradáveis, e isso pode ser um motivo para emitir julgamentos ávidos ou uma chance de evolução pessoal. Não se pode abençoar e julgar ao mesmo tempo. Escolha abençoar e nutrir seus pensamentos com luz. Troque o julgamento automático pela bênção automática — e isso não precisa ser uma questão religiosa, viu? É apenas uma questão de paz interior mesmo, você pode nomear como bem entender.

Homem agradecendo.

Tem uma frase de “Comer, rezar, amar” que me marcou desde que a li: “aprenda a escolher seus pensamentos do mesmo modo como escolhe suas roupas”.
E esse pode ser um excelente primeiro passo – ao invés de julgar, bendiga, deseje coisas boas e, silenciosamente, abençoe as pessoas e os contextos no qual precisar se inserir.

Não é fácil e não se culpe (nem se julgue mais) caso não consiga fazer isso sempre – somos humanos e esse é um trabalho pra vida inteira.

6. Pare de criar exigências para tudo e todos.

As pessoas não estão aqui para nos agradar. Você não está aqui para agradar as pessoas. Simples, né?
Não.

Somos mimados e gostamos que as coisas saiam do jeitinho que as planejamos, mas a vida nunca será assim, o mundo não dá voltinhas em volta do nosso umbigo e quanto antes aceitarmos isso, mais fácil será pra diminuir as frustrações provocadas por esse hábito.

Mas por que é tão ruim criar exigências? Porque quando elas não são atendidas ficamos extremamente descontentes e raivosos.
Mas o que fazer então? Ao invés de exigir, passe a preferir.
Seja flexível. Abrace a realidade.

Bailaria super flexível.

7. Não leve as coisas para o lado pessoal.

Parece difícil. Mas pense o seguinte: se uma pessoa te chama de mentiroso, por exemplo, e você se ofende, é porque alguma parte de você se considera um mentiroso. Se alguém te chama de covarde ou de arrogante e você tem a certeza de que não é nada disso, essas palavras passarão despercebidas.

Uma pergunta que te faço: quão seguro de si você é? Você tem convicção de suas qualidades e defeitos ou vive esperando isso dos outros?

E saiba que é normal nos magoarmos quando ouvimos algo sobre nós — mesmo que seja falso — mas isso não pode te estragar a ponto de te tirar o chão.

E sempre tenha em mente: o que os outros dizem sobre a gente é reflexo do que eles são. Não somos capazes de dar o que não temos (e isso vale pra gente também — seja um observador de si mesmo e perceba os julgamentos que emite contra o outro).

Você pode tirar algo de bom disso tudo: cada vez que alguém o magoar, preste atenção no que isso lhe causa e use isso a seu favor: você pode ter acabado de perceber um ponto a ser melhorado. Trabalhe em cima disso com calma e paciência – sem imediatismo.

8. Não julgar é diferente de não ter opinião.

Você sempre pode dizer o que pensa e sempre poderá escutar o que os outros pensam. Não julgar é distinto de não emitir opinião, de ser sonso e de aceitar tudo o que acontece. Não. Discernir envolve todo um processo mental, enquanto o julgamento é manchado por suposições e intenções.

Não vá pensando que a vida é pura harmonia, pois não é. Há um baita de um abismo entre ter opinião e julgar os outros a torto e direito.
Encare a realidade, trabalhe com fatos reais, e não com invenções da sua mente; não levante pressupostos sem saber a raiz de algum acontecido.

9. Chega de falar mal.

Pode parecer inofensivo, mas não é. Falar mal dos outros é uma puta destruição para si mesmo e para os outros.

Para conseguir chegar ao estado de não julgamento, precisamos aprender a controlar nossa fala e também nosso diálogo interno. Sempre que sentir aquela vontade de fofocar e de criticar alguém, concentre-se e, com consciência, trabalhe em cima disso.

Se você fala mal dos outros, certamente viverá preocupado e desconfiado de que os outros façam o mesmo com você. “Que sua palavra seja impecável”, disse Miguel Ruiz. Escolha suas falas com cuidado e minuciosamente (tenha paciência, não é do dia pra noite que transformamos hábitos construídos por anos).

10. Ser livre é querer o outro livre. Aceitar-se é aceitar o outro.

Um homem quando está em paz não quer guerra com ninguém”.
Essa frase é totalmente autoexplicativa.
Quando nós nos aceitamos tal como somos, passamos a aceitar os outros como eles são.

Se você é impiedoso consigo, será também com os outros. São os nossos próprios julgamentos que nos deixam tão à mercê do julgamento alheio.

Se eu me julgo, logo julgarei o outro. Desse modo, o primeiro passo é trabalhar de dentro pra fora.

Não somos capazes de mudar aquilo que não aceitamos. Portanto, pra que qualquer mudança ocorra na sua vida, você precisa aceitar que precisa mudar e depois agir. Nós só mudamos verdadeiramente por nós mesmos, e não pelos outros. A partir do momento em que você se vê liberto dessas amarras, você não irá prender os outros.

Tanto faz o modo como eles querem viver, as roupas que eles querem usar, as músicas que querem ouvir ou a religião que escolheram seguir. Não importa. Simplesmente não tem nada a ver com sua vida – só somos capazes de libertar o outro quando vivemos na liberdade – liberdade de nós mesmos.

Homem correndo livremente.

E aí, muito difícil? É trabalho pra vida toda.

 

 

 

 

 

 

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O mundo é bão, Sebastião.

Já estava tarde quando ela pegou o ônibus pra casa. Assim que desceu na calçada de sua casa, foi caminhando e olhando para o céu. Lindo céu. Linda lua. Fez um pedido e piscou os olhos com força. Entrou em sua casa, ajeitou as coisas e, com os fones no ouvido tocando Raul, foi deitar. Pensou, pensou, pensou. Ficou feliz e confortável em perceber que o tempo havia passado, e estava exatamente no mesmo lugar que imaginou estar naquela época de sofrimento. As vezes a dor é tão grande que ficar desocupada é uma tortura e, convenhamos, a arte de não se fazer nada deve ser aclamada, e seus mais sinceros adeptos afirmam que o ato de não fazer nada é uma dádiva: só quem tem paz consegue. E é verdade: quando não se tem paz, não se fica bem sozinho, não se fica bem sem algo para ocupar a cabeça. E lá em sua cama, com o volume no máximo, aceitou o caminho pelo qual as coisas tomaram o rumo. Aceitou a vida do jeito que ela tem que ser, aceitou o fato de que as pessoas podem mudar de ideia, podem perder o interesse, e isso não faz com que alguém tenha mal caráter. Parte da vida consiste em aceitar a vida e as pessoas exatamente como elas são. Isso não significa que você estará isento de problemas, e tampouco significa que perderá a vontade de estrangular as pessoas nas horas de discordância. Mas eis a chave para isso: abrace o que te é dado. Aceite e entenda que o mundo gira, e que as coisas acontecem exatamente, minuciosamente, do jeito que deveriam acontecer. Claro que isso não extingue os babacas, mas esse consentimento pode extinguir sua insanidade de querer controlar tudo e todos. Se o cara não te ligou, foda-se. Se a mina não te dá a mínima, foda-se. A entrevista de emprego foi uma merda? Foda-se também. Alguém alguma vez disse que as coisas vêm facilmente? O que vem fácil, sempre vai fácil. Mas entenda que essa aceitação não significa que não se deve tentar, que não se deve dar sempre o seu melhor. Pelo contrário: faça o bem para colher o bem. Ame a vida, ame as pessoas, ame-se e confie. Confie que há um ser divino que conspira pro seu bem. E aceite que se o vento soprasse apenas para um lado, as árvores cresceriam inclinadas. 

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Tá tudo bem.

Você pode ouvir esse texto ao som de “No Doubt – Settle Down”.

Mas veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão.

– Guimarães Rosa

As coisas não vão sair sempre do jeito que queremos. As pessoas vão nos decepcionar. As coisas podem ficar complicadas de uma hora pra outra. Talvez os motivos que nos levam a algo sejam perdidos. A gente vai ficar encurralado. Vamos esperar de alguém algo que não convém. Vamos falar coisas erradas; vamos desapontar pessoas que amamos e vamos gastar energia com pensamentos que não edificam. A gente vai falar muita bosta. E fazer também. E receber. A gente vai ter que tomar decisões que queríamos que já estivessem sido tomadas – ou que alguém tomasse no nosso lugar. A gente vai. Vai mesmo.

E tá tudo bem. Basta entender que nosso contexto todinho serve pra levar a gente pra outro lugar. Nova consciência, nova perspectiva. Se passássemos sempre por coisas boas, será que nossa evolução seria a mesma? A questão não é apenas sobreviver a essas situações. A questão é enfrentar e se apropriar delas. Tentar entender, sabe? Tirar proveito, talvez. Fato inegável é passar por baixos nessa vida. Rejeições, decepções, incompreensões. E tá tudo bem, mesmo. Sua vida precisa continuar do mesmo jeito, mas com novas visões. Ao invés de passar uma vida tentando evitar problemas e morrendo por dentro cada vez que você se anula pra deixar algo enterrado, entenda que é inevitável – por mais que você camufle e finja que nada está acontecendo, as coisas estão acontecendo o tempo todo, coisas boas e coisas ruins.

O que é bom passa. O que não é tão bom assim também. E tá tudo bem. A vida é assim mesmo. Ninguém está aqui pra suprir nossas necessidades e nós tampouco estamos aqui pra viver uma vida que não é nossa. A vida é assim mesmo: ora quente, ora fria; ora cheia, ora vazia. Mas nunca – nunca – insignificante.

Ah, e tudo bem também em sentir coisas ruins. A gente cresce ouvindo que é feio sentir raiva, que é fraqueza sentir insegurança e blá-blá-blá. Feio é sentir e não fazer nada a respeito. Você vai sentir raiva, medo, inveja, ciúme, insegurança, ou seja lá o que for. Não se culpe por isso. Sentimento também passa. E tá tudo bem. Mesmo.

E tudo bem não estar bem, também.