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Autodesenvolvimento

respirar no desconforto.

A vida sempre se transmuta e se transforma, e isso é inevitável. Mudanças, muitas vezes, são desconfortáveis; algumas ferem e doem, outras assustam, e outras, ainda, nos encorajam. Seja como for, precisamos acolher o novo e deixar o velho pra trás. Olhar pro que já foi bom um dia e ver que está tudo tão diferente dói muito — muito, muito, muito — mas se escolhermos comparar, deixaremos de viver e de colher o que temos disponível aqui e agora.

Respirar no desconforto. Dar um passo de cada vez. Inspirar e soltar, inspirar e soltar. Vá caminhando, pouco a pouco: o primeiro passo sempre te prepara para o próximo. O desconhecido assusta, mas o temor por não saber o que virá é um dos piores e mais agonizantes, porque, na real, não dá pra saber o que virá a seguir. Nós temos projeções e sabemos bem nos basear no que já foi para esperar o que virá depois, mas, de repente, tudo pode se transformar. E precisamos continuar respirando, apesar de tudo isso; apesar do medo e da dor, precisamos inspirar e soltar.

Nós gostamos de ter o controle das coisas — fomos e somos programados para isso. Mas, a real, é que poucas coisas são controláveis. Pouquíssimas. E tudo o que pode ser controlado está na gente, nunca fora. Os acontecimentos do mundo, os sentimentos das pessoas, os pensamentos dos outros… Não temos poder sobre o que vem de fora, só temos poder sobre como reagimos e como escolhemos lidar com as coisas.

O nosso desejo pela perfeição também tem grande peso em nosso desconforto. Quando nos descobrimos imperfeitos em algum aspecto, podemos ficar bastante incomodados, e isso assusta e desespera. A gente se cobra e se culpa por errar em coisas que, em nosso ideal de vida, não poderíamos errar nunca. Mas nós vamos errar e continuaremos errando e precisamos aprender a respirar mesmo assim. Inspirando e soltando. Acolhendo os nossos erros como mestre e prontos para errar mais uma vez e repetir todo o ciclo. Os aprendizados, nessa vida, são infinitos. E temos que nos permitir vivência-los, com desconforto ou não.

Nosso primeiro instinto, quando algo dói, é tentar impedir que isso nos atinja e nos blindarmos, negando ou empurrando isso pra longe de nós com as próprias barreiras que construímos para nossa proteção. Nos acovardamos e finjimos ter uma força (que de força não tem nada) que não nos pertence. Porém, nesses momentos precisamos respirar com mais calma ainda e respeitar o processo de mudança, de vida-morte-vida, de dor e renascimento, de morte e reflorescimento. E esse respirar inclui perder o ar, se descabelar, entrar em desespero, perder o sono, acreditar piamente que não há mais nada a ser feito. Respirar no desconforto é continuar vivendo apesar de.

Continue refletindo:

Inspira e solta.