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Inspira e solta.

Amadurecer é um processo muito louco. Você acaba lidando com partes de você que achava que estavam bem enterradas e acaba descobrindo que o que estava escondido é, na verdade, essencial pra sua sobrevivência. Amadurecer é jogar luz sobre as sombras e querer enfiar a cabeça debaixo da terra porque — caraca, vai dar trabalho demais lidar com isso — e mesmo assim continuar.

Acho mesmo que o amadurecimento é tipo uma volta pra casa, uma volta pra si mesma. É quando você aprende a se carregar no colo e a se cuidar amorosamente. É quando você segue seu instinto mais selvagem, ainda que isso venha a custar muito. É uma escolha que precisa ser feita diariamente. Crescer é limpar a sua própria casa interior e enfeitá-la como bem entender. Só que, para que a limpeza possa ser feita, o contato consigo mesma é essencial. O contato consigo mesma cura e dá um baita suporte para sobreviver no mundo. Contemplar, criar, meditar, rezar, ler, escrever, silenciar. Qualquer coisa é válida para se conectar a si própria.

Quando a gente cresce a inconstância da vida é gritante. A gente se dá conta de que as coisas vão fugir do controle, de que as coisas não saem sempre como esperamos, que as pessoas não estão aqui pra nos agradar, que se privar do seu instinto é besteira e tantas outras coisas. É subir e descer sem parar. E ficar bem com isso é entender que precisamos nos manter firmes assim mesmo. Não existe outra opção. Inspira, solta e segue. Afinal de contas, a vida-morte-vida é nosso ciclo natural.

Perguntar-se e sondar-se acerca seus reais desejos da alma também faz parte da evolução de cada um. Quando estamos em contato contínuo com a nossa essência a gente aprende a esperar por aquilo que realmente desperta nossa alma e a toca lá no fundo. Muitas vezes a espera significa um grande respeito por si mesma. Porque você se conhece, você sabe o que quer e o que não quer; porque mantém contato com sua essência, escolhe com mais prudência suas atitudes e companhias. Gente enfadonha e situações idem não merecem nossa fixação e atenção. É muito difícil desprender-se disso e, portanto, é um processo. Como tudo na vida — absolutamente TUDO — pr que algo possa nascer, algo precisa morrer. Assim, respira e solta. Guarde o que é bom, solte o que for ruim. É só por meio desse ciclo que as coisas começam a se encaixar e sua resiliência, a se fortalecer.

Floresça e dê à luz sempre que tiver vontade. Como adultas, precisamos muito pouco de licença, mas, sim, de maior criação, de maior estímulo dos ciclos selvagens. O que deve morrer morre. Todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.

— clarissa pinkola estés

Pra mim, o mais difícil de encarar na fase adulta é exatamente a impermanência e a inconstância de tudo. Da vida, do humor, do amor, da mente, do medo, do sonho, da dualidade. As coisas morrem. As coisas mudam. As coisas complicam. E a inconstância é sempre uma constante. Ela tá sempre presente nas nossas vidas. O ar entra e logo ele sai. As flores nascem e logo caem. A gente nasce e depois morre. A gente sonha e depois acorda. A gente tem medo e logo encara. É tudo assim. Tudo meio dual, meio louco, meio fora de controle. E é somente aceitando essa dualidade que encontraremos, dentro da gente, o fio condutor de tudo isso, a união do que está separado.

O poder de ser dois é muito forte, e nenhum dos dois lados deve ser negligenciado. Eles precisam ser alimentados da mesma forma, pois juntos proporcionam ao indivíduo poder excepcional.

O poder da dualidade está em agir como uma entidade única. É entender que toda essa bagunça faz parte da mesma coisa e pode nos levar ao mesmo lugar. Equilibrar. Equilíbrio. Saber dosar, saber unir. Unir e manter. Manter e soltar. Soltar e pegar. Pegar e unir. Unir e desunir. Desunir e manter.

Que saibamos perder o controle e soltar. Que saibamos ter controle também. Que entendamos que pra nascer, tem que morrer. Pra inspirar, tem que soltar. São tantos os ciclos… A única certeza é a de que precisamos encerrá-los antes de abrir novos. Fecha o antigo primeiro pra depois abrir o novo. Que não atropelemos os tantos processos pelos quais passamos. Que sejamos pacientes, mas também ousados.

Que sigamos nossa intuição.

Sempre. Sempre. Sempre.

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O que teu barulho cala?

Os ruídos da vida são altos demais, convenhamos. É gritaria pra tudo que é lado. Mas e aí dentro, como andam as coisas? Você está se ouvindo? Se amando? Se conhecendo? Ou você tá correndo dessa confusão toda aí de dentro usando o barulho como válvula de escape? Pois é, isso acontece muito. Mas poderia — e pode — ser diferente.

Nós estamos realmente acostumados com o barulho. Prova disso é o espanto que o silêncio nos causa. Já percebeu isso? Puxamos qualquer assunto com qualquer pessoa, mas o silêncio precisa ser evitado. Ele incomoda e parece que aumenta o volume de tudo. Então nós damos piruetas para evitá-lo. E sozinhos? Bem, sozinhos fazemos o mesmo. Para não vivê-lo, colocamos sons mais altos ainda ao redor da gente.

Celular. Internet. Músicas. Vídeos. A gente não para quieto! É toda hora algo diferente, um barulho a mais. A busca por mais informação, conhecimento ou seja lá o quê for. Tudo continua igual: continuamos a buscar fora. Sempre fora. Opiniões. Aprendizados. Qualquer coisa. Mas e o que você pensa? Qual sua opinião? O que você já sabe? Como tem se sentido? Presta atenção em você, por favor! Precisamos disso. O mundo precisa disso. Não, você não precisa ser individualista e nem se isolar do resto do mundo, mas tenta dar uma equilibrada nisso tudo.

Eu ando meio saturada de informação. Eu sempre chegava do trabalho e colocava um vídeo enquanto tomava banho; eu sempre ouvia uma música enquanto colocava roupa. Sempre assistia um filme quando estava sem nada pra fazer. Mas eu me sentia distante de mim mesma quando essa rotina ficava excessiva. Claro que essa é minha perspectiva da coisa, mas é algo que observo em muitos lugares: as pessoas podem estar sentadas almoçando juntas, mas sempre tem alguém que não sai do celular — nem mesmo pra comer. E vejo pais fazendo isso com os filhos para que fiquem quietos. Céus. Isso me assusta muito. Claro que há exceções; o problema é quando isso se torna regra. Será que estamos vivendo o aqui e o agora? Será que entendemos a dimensão do presente? Será que sabemos ter presença? Por que é que fugimos tanto do silêncio? Por que ficar parados quietos nos atormenta tanto?

O silêncio é nosso amigo. Ele fala o que precisamos ouvir. Através dele é que podemos intuir nossos caminhos e compreender as coisas que estão acontecendo. É no silêncio que as coisas voltam pro lugar onde deveriam estar. É lá que está a resposta pra quase tudo que queremos saber. E isso é tão mais fácil do que ficar buscando aí fora. Mas nós somos mesmo teimosos, né? Complicar coisas é nossa especialidade (hahaha).

Então fica o convite: que saibamos silenciar mais. Ouvir o que está acontecendo dentro da gente. Claro, uma musiquinha é sempre bem-vinda. A diferença é na vida que damos aos momentos presentes: estamos vivendo aquilo ou apenas nos deixando levar? O silêncio nos ajuda a dar vida às coisas. Inclusive mais vida à nossas vidas. Mais presença. Mais vigor. Maior entrega.

Demore-se. Não tenha medo do barulho que o teu silêncio faz — encarar as nossas próprias sombras nunca será tarefa fácil, mas totalmente necessária pro amadurecimento da gente. Entenda o motivo das suas fugas. Quais são os gatilhos? Por que será que a tendência da gente é sempre tentar abafar o que dói ao invés de encarar? Silencia o mundo de fora pra ficar pertinho do seu próprio mundo. Tá tudo aí dentro, e não do lado de fora.

Se não puder melhorar o silêncio, cale-se.

vai ver, você sabe muito pouco sobre você…

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a flor cai quando o fruto aparece.

Toda pessoa que busca evolução e amadurecimento passa por fases de interiorização e reflexão; são períodos nos quais a atenção fica mais voltada para dentro de si mesmo e a introspecção se torna aliada.

Essa evolução, esse processo de amadurecer, nos fomenta e nos leva até os frutos da vida. O que nós realizamos hoje nem sempre tem consequência imediata: às vezes precisamos esperar muito tempo para colher o que foi semeado.

Crescer não é fácil. Meu pai sempre dizia que se tá fácil demais, é sinal de que estamos aprendendo de menos. E é verdade — embora eu também ache que podemos aprender com coisas alegres e divertidas, desde que estejamos abertos à isso — a dor pode nos levar longe: pro bem ou pro mal, nós que escolhemos o que tirar dela.

A flor cai quando o fruto aparece.

Sempre que o fruto aparece, as flores caem. Sempre que evoluímos e optamos por outro modo de ver e viver a vida, precisamos deixar coisas para trás: amigos, amores, hábitos, sonhos, e até mesmo família, a depender do caso.

Nós não podemos carregar sempre as mesmas flores. Crescer é um eterno desprender-se. Deixar pessoas e coisas e hábitos para trás é a primeira regra pra quem deseja mudar, crescer, evoluir. Mesmo que essa coisa seja nossa flor; mesmo que essa pessoa seja nossa flor: é preciso abrir mão do que não nos acrescenta (mesmo quando acreditamos no oposto) para colher os frutos que desejamos.

Encerrar um ciclo é ter que deixar alguma flor pra trás.

Será que sabemos encerrar ciclos com sabedoria? Às vezes sim, às vezes não. Não dá pra tomar decisões e voltar atrás sempre que o sufoco aparece. Não é nada fácil seguir em frente, não mesmo: exige muita atenção, dedicação, força e fé. Nunca é delicioso deixar uma flor pra trás — ainda mais quando a regamos tão bem. Mas é preciso: é só quando a flor cai que podemos saborear o fruto.

Nos encantamos tanto com a beleza da flor que nos esquecemos do sabor do fruto.

Flores são lindas. E cheirosas. Admirá-las é fácil, não dá trabalho nenhum. Quanta beleza, né? Mas a vida não pode ser baseada na beleza — além de ser efêmera, é passageira e relativa. E é fácil nos atermos ao belo. Tão fácil que nos esquecemos do que ela proporciona: o fruto. Mas não se pode ter os dois sempre. Temos que renunciar ou a flor, ou o fruto.

Viver na era das aparências (esse textinho aqui pode te fazer refletir também, dá uma olhada) complica e afeta direta e indiretamente nas nossas escolhas. Bate uma dúvida cruel em vários momentos. Será que vale a pena mesmo deixar aquela flor pra trás? E o mais difícil: nem sempre vemos o fruto. E é aí que entra fé e confiança. Onde você deposita a sua?

Saiba apreciar o fruto.

Nem sempre o fruto é tão belo quanto a flor, e por isso, muitas vezes, o ignoramos. Mas o fruto é muito saboroso; ele nos preenche e nos mostra que quando estamos dispostos a fazer renúncias e a abandonar velhos vícios, teremos nossa recompensa (ainda que demore e que não seja tão belo assim, viu?).

Pra colhermos o fruto precisamos de muita disciplina, pois sacrifícios podem ser necessários. E é muito mais fácil passar a vida apreciando a beleza das flores — não incomoda e não requer esforços. E esperar pelo fruto, entretanto, pode ser árduo. A decisão sempre foi e sempre será apenas nossa. Flor ou fruto?

Essa frase que intitula esse texto foi encontrada no livro “Autobiografia de um Iogue”, de Paramahansa Yogananda. Esse livro tá carregado de gatilhos para refletirmos <3
Adquira o seu por aqui:

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Ei, tudo bem se arrepender.

Tem gente que ainda vive a vida com a meta de nunca se arrepender do que faz. Qual o sentido disso? É impossível acertar todas as direções – impossível. Essa crença de que temos que nos orgulhar de todas nossas decisões e jamais nos arrependermos gera ansiedade e frustração. Mas deixa eu te falar: você vai fazer algumas escolhas erradas. Todo mundo faz. É normal. Só assim podemos amadurecer. E tá tudo bem.

De vez em quando – ou até mesmo frequentemente (vai saber) – temos dificuldade em discernir qual a melhor opção; e em outras vezes somos quase que obrigamos a tomar rápidas decisões. E aí? Você realmente acha que seu amadurecimento será feito só de boas escolhas? Que sua vida vai ser um caminho sem pedras, sem arbustos e sem terremotos? Claro que não. Isso é ilusão. Você vai fazer cagadas, vai fazer péssimas escolhas e vai quebrar a cara. E digo mais: você vai sobreviver e vai aprender a não dar tanta importância assim (lembre-se: as coisas têm o valor que lhes damos).

Vida que segue. Não nascemos prontos. E fazer cagadas pode ser realmente doloroso, mas é também delicioso acompanhar nossa evolução. E aí é que está: aprenda com as más decisões. Não adianta nada fazê-las, arrepender-se e continuar repetindo. Não! Temos que crescer com nossos arrependimentos. Portanto, arrependa-se sim! Não sinta remorso quando se der conta de que errou o caminho. Todo mundo erra – mas há aqueles que vivem na negação e jamais assumem que erraram. Não seja uma dessas pessoas que vive negando e que se recusa a admitir que erra – esses cidadãos geralmente vivem estagnados, não regridem e não avançam.

Pintura de uma garota de cabelo vermelho com a mão na cabeça e olhos fechados.
Desenho de Harumi Hironaka.

Dia desses eu tomei uma decisão terrível. Pior que eu sabia que iria me arrepender antes mesmo de ter optado por realmente fazê-la. Mas era necessário. E eu quis tentar. Eu precisava dar uma chance pra essa minha ideia. Eu me arrependi? Sim. Aprendi? Sim também. Aprendi que preciso parar de ser impulsiva. Vou parar assim, de imediato? Óbvio que não. Provavelmente isso ainda vai me custar uma coleção de erros. E eu tô disposta a isso. Sei que ainda vou errar muito, assim como sei que vou aprender muito.

Eu nunca fui apegada com a ideia de ter uma imagem perfeita de quem não erra e tem tudo sob controle (descontrole, a gente vê por aqui). Claro, nem sempre é prazeroso admitir que cometi um erro. Mas eu tento levar na boa, tento dar o meu melhor pra isso. E acho que a gente deveria tentar levar mais na boa os nossos erros. Eu sei que muita gente vive de ilusão (e nós também temos nossas ilusões), mas ser real é tão transformador. Aceitar é tão mais renovador que viver na penumbra que a negação gera.

Então sim, arrependa-se sim! Tire da sua cabeça essas frases que enchem nossos ouvidos desde que somos pequenos: “viva sem arrependimentos”, “arrependa-se apenas do que não fez” e blá-blá-blá. Arrependa-se do que não fez, mas arrependa-se também do que fez. E tente fazer melhor numa próxima. Viva com arrependimentos sim – não seja arrogante a ponto de achar que só toma as melhores decisões. Ninguém está com essa moral toda. Acho que essa onda de viver sem arrependimentos está mais atrelada ao fato de que devemos acolher mais nossos erros do que ficar se corroendo por termos feito algo péssimo.

Arrependa-se. Mas tente mudar sempre que possível.

Ah, em um outro post eu falei sobre o medo que temos em cometer decisões erradas. Clica aqui pra ler. É ótimo (que modéstia).

 

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Crônicas do Cotidiano

Toda vez que falta luz o invisível salta aos olhos.

 Toda vez que falta luz o invisível salta aos olhos.

Quando enfrentamos uma fase de escuridão podemos sofrer com a falta de luz por alguns momentos, mas logo depois começamos a enxergar com mais clareza o que antes não conseguíamos ver e estava bem na nossa frente.

A vida tem disso, sabe? Virar tudo de ponta cabeça só pra ver se somos capazes de nos reinventar. O tempo passa e as coisas mudam. Seria bobagem achar que pessoas não mudam. Você é o mesmo de antes? Muito provavelmente não. Mas nós só conseguimos seguir em frente quando encerramos ciclos com sabedoria e consciência. Mas encerrar um ciclo é o mesmo que apagar as luzes, nem que seja por um breve instante. É difícil pra caramba encarar uma nova realidade e no começo a gente pena mesmo. Mas depois as coisas vão ficando mais claras e concretas.

Nossa capacidade de transformação e adaptação é realmente incrível – basta sermos senhores de nós mesmos e deixar as mudanças ocorrerem de modo natural. É fundamental encerrar ciclos com sabedoria, mas isso só ocorre se conseguirmos dar significado à fase sombria. Tem gente que finge que não tem nada acontecendo e vive fugindo da dor. Porém, não é assim que funciona: temos que aceita-la. Sofrer faz parte do processo e é uma super aliada do amadurecimento.

Outra coisa: boa parte do que somos hoje diz respeito às escolhas que fizemos no passado. Não o menospreze. Seguir em frente com prudência requer de nós uma perspectiva correta do que ficou pra trás. Jamais se esqueça do que te trouxe até aqui e do que te impulsionou a ser o que é hoje. É meio automático querer ignorar o lado negativo de algumas situações, mas se olharmos bem, veremos que elas nos ensinaram muito – e aprender é sempre válido quando falamos de experiências.

Portanto, quando se ver em um momento de dificuldade, não se desespere em busca de uma nova luz que vem de fora. Você tem luz o suficiente dentro de você. Se acalma. O invisível aparecerá e serás capaz e enxergar o que antes parecia não estar lá.

Você tem tudo dentro de você. Acredita.

 

 

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Desistir ou insistir?

Esse assunto é mega delicado. Muitos nos dizem para tentar de novo, de novo e de novo; outros falam que não adianta perder tempo e energia com o que não te faz bem. Como saber quando insistir e quanto desistir?

As indecisões nos confudem.
Pintura de KwangHo Shin.

Por favor, se escute!

Alguns chamam de intuição, outros de sexto sentido. Não importa como você denomine essa sensação, mas você precisa segui-la. Se nós estivermos abertos e receptivos aos sinais que a vida nos dá, logo perceberemos o caminho que faça mais sentido – mesmo que seja imperfeito. Temos uma insegurança tão grande que esquecemos de nos ouvir. Se escuta! E não se esqueça: nenhum caminho será perfeito.

Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta.

Quanto mais você se conhece, mais fácil.

O autoconhecimento é uma ferramenta fantástica! É o melhor investimento que você faz por você, mesmo sabendo que é trabalho pra vida toda. Se você tem consciência de seus valores e virtudes, tomar decisões será tarefa branda. Seu jeito de viver a vida automaticamente já te fará decidir entre ir ou ficar. Cada um tem um jeito: outros toleram mais, outros menos; outros tendem a fugir quando a coisa aperta, outros gostam do desafio. Muita gente não liga em insistir e insistir e insistir porque elas lidam muito bem com as possíveis rejeições que podem ou não entrar no caminho; outros já se desmontam por inteiro frente às adversidades e sabem que, pro seu próprio bem, é melhor recuar. É questão de autoconhecimento, aceitação e amor próprio. Sempre temos que buscar crescer, mas não adianta ficar se machucando só pra provar algo pra si mesmo (se você sabe que é do tipo de pessoa que não lida bem com um fora, por exemplo, pra quê ficar se ferindo? Só pra provar que é capaz? Calma, tudo tem seu tempo; talvez mais pra frente seja mais fácil lidar com isso. Aprenda a se respeitar e a respeitar seu ritmo.).

Compreenda e aceite que sempre que optar por um caminho, estará automaticamente renunciando outro.

Como é difícil abrir mão das coisas! Muita gente vive em cima do muro e quer tirar proveito de todas as situações superficialmente, sem se aprofundar e sem escolher um caminho (vulgo ter o melhor dos dois mundos). É muito mais cômodo manter um pé aqui e outro pé lá, mas não é nada saudável. Isso nos atrapalha (e muito) na hora de escolher entre ir ou ficar. Pare de querer abraçar o mundo e escolha se abraçar – você provavelmente está precisando disso.

Pé no freio.

Fácil falar, difícil fazer. Tendemos a agir com impulsividade diante de muitas situações complicadas que nos encurralam. Não tenha pressa, tome o tempo que for necessário para se decidir. Comece observando seu comportamento: o que ele está lhe dizendo? Não tenha medo de se escutar; a gente se faz de surdo e cria uma fuga perfeita, mesmo sabendo que não adianta. É incrível como, na maioria das vezes, temos a resposta dentro da gente e optamos por fingir demência, acreditando que as coisas se decidem sozinhas. Você tem essa mania? Se sim, bote mais confiança em si mesmo e vai – mesmo com insegurança. Caso você esteja sendo pressionado pra dar uma resposta, faça um balanço e vai na fé (haha), mesmo que o risco de se arrepender seja maior.

Tudo bem se arrepender.

Arrependimento é sinal de crescimento. Se o arrependimento não existisse, não haveria evolução. Não tenha medo e não se sinta um fracasso apenas porque sente que deveria ter tomado o outro caminho – você provavelmente fez (ou tentou) fazer tudo o que estava a seu alcance quando tomou a decisão. Você sempre pode olhar pra trás e tentar reverter o jogo; caso não seja possível, aprendizado, ué! Deixa pra próxima.

Se te faz bem, provavelmente você está no caminho certo.

O que eu mais faço quando estou com dúvidas entre ir ou ficar é analisar como estou me sentindo. Tem coisa na vida que exige muito da gente, que nos desgasta sem nos trazer benefício algum e, quase sempre, essas são as coisas que precisam ficar pra trás. Mesmo que doa (a renúncia dói) essas escolhas precisam ser tomadas. Quando as coisas começam a fluir naturalmente, é sinal de que você está escolhendo bem. Porém, é inevitável que apareçam pedras no caminho. Algumas você chuta, outras você contorna. Mas aí entra a verdadeira dificuldade: quais devemos chutar? Não sei. Só você sabe, na verdade. Se tá te sugando, foge; se tá te impulsionando, fica.

Nós somos covardes demais.

Covardia é não se escutar; covardia é seguir o caminho que outros percorreram só por achar que é mais fácil; covardia é achar que a vida decide pela gente; covardia é fugir das responsabilidades que qualquer decisão traz consigo. Sabe o que torna tão difícil optar por tentar mais uma vez e deixar pra lá? O medo do que virá depois. Penamos muito para aceitar que temos que deixar algo pra trás e, a partir do momento que abraçarmos nossas decisões, não ficaremos tão amargurados – mesmo que optemos pelo caminho supostamente errado. Tente se desafiar vez ou outra, ainda que dentro dos seus limites.

Não existe errado; não existe certo: existe o melhor pra você.

Se é teu sonho, luta; se é teu ego falando, corre. Se é por medo, luta; se é por desgaste, corre. Se te faz bem, luta; se te faz em migalhas, corre. Ou faça tudo ao contrário, não importa. Não há uma receita pronta. As vezes a batalha por um sonho é árdua, e mesmo assim deverá ser enfrentada. Complicado, né? Conforme vamos amadurecendo, vamos aprendendo a lidar com eventos que antes nos eram traumáticos de forma natural – por isso, nem sempre é vantajoso pular degraus e interpretar um papel que não é o seu – seja você mesmo e evolua à sua maneira. Como eu disse antes, tudo bem se arrepender – que sirva de lição pra próxima empreitada.

Tentar mais uma vez é um ato de coragem; desistir também é um ato de coragem.

A linha entre a coragem e a fuga ocasionada pelo medo é extremamente tênue. O medo pode vir camuflado de coragem. E você sabe do que eu tô falando, com certeza. Determinadas situações da vida são complicadas e nós temos sim que tentar e tentar e tentar – tentar até esgotarmos as possibilidades. Porém, podemos nos meter em situações que não são feitas pra gente – e não há problema algum em recolher suas coisas e partir. Novamente, autoconhecimento. Só você sabe seu limite e o quanto aguenta lutar.

Tentar é um ato lindo: você encerra ciclos sabendo que fez tudo o que podia.
Desistir também é um ato lindo: você se respeita e se conhece tanto que é capaz de impor seus próprios limites.

Ninguém disse que seria fácil 🙂

 

 

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10 dicas para você parar de (se) julgar e viver mais leve.

O bom juiz condena o crime sem odiar o criminoso.

– Sêneca

Julgar-se (e julgar aos outros) é um verdadeiro veneno coletivo e individual. Nós estamos acostumados a julgar o tempo todinho aos outros e a nós mesmos e isso causa um puta de um estrago.

Que tal refletir sobre isso um pouco e ter mais consciência and domínio dos seus julgamentos?

Reuni nesse post algumas ideias que me ajudam muito a melhorar em relação aos julgamentos. Eu li o livro “Chega de (se) julgar”, de Olivier Clerc (compre aqui) e me inspirei nele pra trazer ideias que são extremamente convenientes nessa luta.

1. Tenha consciência dos seus julgamentos.

Mulher loira confusa com o dedo no queixo.

Sim, isso pode ser confuso. Tire o julgamento do modo automático. Cada vez que se pegar julgamento alguém — ou a si mesmo — preste atenção. O primeiro passo para mudar qualquer coisa nessa vida é perceber onde está a falha, e só somos capazes de percebê-las com consciência.
Como você se sente quando julga? Como seu interior fica depois de julgar?

2. Entenda de onde vem seu julgamento.

Isso pode ser estranho e bizarro e doloroso. Mas em muitos momentos somos maria-vai-com-as-outras e não julgamos por nós. Julgamos porque fomos e somos instigados a isso.

Homem no barco arregalando os grandes e esbugalahdos olhos.

Imagine-se no seguinte contexto: uma criança cresce ouvindo dos adultos ao seu redor frases do tipo “você não tem bons modos”, “você é muito estabanado”, “você é muito devagar” e blá-blá-blá.

Essa criança internalizou tudo isso e criou um juiz dentro dela que bate seu martelo toda vez que uma dessas ações ocorrem: “eu sou muito lerda”, “eu não tenho salvação”, “que idiota”. Resultado: crescemos e nos tornamos adultos impiedosos para conosco e para com os outros.

Ou simplesmente crescemos ouvindo que pessoas que se vestem de tal modo são bregas, ou que possuem certa característica são inferiores.

Perceba de onde vem seu julgamento (de seus pais, de amigos…) e faça uma autópsia nele até chegar a conclusão de que ele é irreal, não vale a pena ou que você não tem nada a ver com isso.

PS: Temos que ter um olhar muito aguçado para saber manter o equilíbrio em muitas situações. Não julgar não equivale a permanecer estagnado com seus defeitos. Todos nós temos pontos a melhorar e a percepção deles é o grande começo. O problema começa quando usamos esses julgamos para nos diminuir e nos comparar com outros.

3. Separe os atos da pessoa.

Você não é apenas o que você faz. Muita gente boa é capaz de fazer coisas horrendas e muita gente ruim pode fazer coisas maravilhosas. Todos nós carregamos luz e sombra dentro da gente. Ninguém é totalmente bom o tempo inteiro e ninguém é totalmente péssimo. Todos nós falhamos no decorrer da vida (aliás, se tudo e todos estivessem sempre corretos estaríamos na época das cavernas ainda – sem inexatidões não chegamos à exatidão – o ser humano nasceu para evoluir).

Então, você pode não concordar com alguma atitude, mas isso não significa que precise nutrir maus sentimentos da pessoa que o cometeu. E isso vale pra você também – você não é um fracassado só por ter cometido um erro (ou mais).

Moço agradecendo e dando joia.

3. Entenda que tudo é uma questão de perspectiva.

Já ouviu aquela frase que diz que quem julga está falando mais sobre si do que sobre quem / o quê está julgando? Os julgamentos que exprimimos são reflexos dos pontos de vistas que carregamos, do contexto em que nos encontramos e da forma como interpretamos as situações e as características das pessoas.

Então, atenção: você pode aprender muito sobre os outros de acordo com o julgamento por eles feito; e, portanto, pode aprender muito sobre você mesmo quando se pegar emitindo algum julgamento.

A questão é a seguinte: fica muito mais fácil lidar com o julgamento quando temos consciência de que eles são um espelho de quem o está fazendo, e isso amortece o impacto e o estrago que eles podem causar na gente.

4. Mude de ponto de vista.

Antes de julgar, tente trocar de óculos e interpretar a situação de um modo diferente daquilo que pensaria automaticamente. Vire seu julgamento de ponta cabeça. Questione-se, inverta os papeis, troque o contexto e se insira nele. Como você se sente? O que muda aí dentro?

Mulher e homem com as caras invertidas.

Lembre-se: sempre existem pelo menos dois modos de ver a mesma coisa.

5. Abençoe aqueles que cruzarem seu caminho.

Todos os dias somos obrigados a lidar com pessoas e com circunstâncias que não são agradáveis, e isso pode ser um motivo para emitir julgamentos ávidos ou uma chance de evolução pessoal. Não se pode abençoar e julgar ao mesmo tempo. Escolha abençoar e nutrir seus pensamentos com luz. Troque o julgamento automático pela bênção automática — e isso não precisa ser uma questão religiosa, viu? É apenas uma questão de paz interior mesmo, você pode nomear como bem entender.

Homem agradecendo.

Tem uma frase de “Comer, rezar, amar” que me marcou desde que a li: “aprenda a escolher seus pensamentos do mesmo modo como escolhe suas roupas”.
E esse pode ser um excelente primeiro passo – ao invés de julgar, bendiga, deseje coisas boas e, silenciosamente, abençoe as pessoas e os contextos no qual precisar se inserir.

Não é fácil e não se culpe (nem se julgue mais) caso não consiga fazer isso sempre – somos humanos e esse é um trabalho pra vida inteira.

6. Pare de criar exigências para tudo e todos.

As pessoas não estão aqui para nos agradar. Você não está aqui para agradar as pessoas. Simples, né?
Não.

Somos mimados e gostamos que as coisas saiam do jeitinho que as planejamos, mas a vida nunca será assim, o mundo não dá voltinhas em volta do nosso umbigo e quanto antes aceitarmos isso, mais fácil será pra diminuir as frustrações provocadas por esse hábito.

Mas por que é tão ruim criar exigências? Porque quando elas não são atendidas ficamos extremamente descontentes e raivosos.
Mas o que fazer então? Ao invés de exigir, passe a preferir.
Seja flexível. Abrace a realidade.

Bailaria super flexível.

7. Não leve as coisas para o lado pessoal.

Parece difícil. Mas pense o seguinte: se uma pessoa te chama de mentiroso, por exemplo, e você se ofende, é porque alguma parte de você se considera um mentiroso. Se alguém te chama de covarde ou de arrogante e você tem a certeza de que não é nada disso, essas palavras passarão despercebidas.

Uma pergunta que te faço: quão seguro de si você é? Você tem convicção de suas qualidades e defeitos ou vive esperando isso dos outros?

E saiba que é normal nos magoarmos quando ouvimos algo sobre nós — mesmo que seja falso — mas isso não pode te estragar a ponto de te tirar o chão.

E sempre tenha em mente: o que os outros dizem sobre a gente é reflexo do que eles são. Não somos capazes de dar o que não temos (e isso vale pra gente também — seja um observador de si mesmo e perceba os julgamentos que emite contra o outro).

Você pode tirar algo de bom disso tudo: cada vez que alguém o magoar, preste atenção no que isso lhe causa e use isso a seu favor: você pode ter acabado de perceber um ponto a ser melhorado. Trabalhe em cima disso com calma e paciência – sem imediatismo.

8. Não julgar é diferente de não ter opinião.

Você sempre pode dizer o que pensa e sempre poderá escutar o que os outros pensam. Não julgar é distinto de não emitir opinião, de ser sonso e de aceitar tudo o que acontece. Não. Discernir envolve todo um processo mental, enquanto o julgamento é manchado por suposições e intenções.

Não vá pensando que a vida é pura harmonia, pois não é. Há um baita de um abismo entre ter opinião e julgar os outros a torto e direito.
Encare a realidade, trabalhe com fatos reais, e não com invenções da sua mente; não levante pressupostos sem saber a raiz de algum acontecido.

9. Chega de falar mal.

Pode parecer inofensivo, mas não é. Falar mal dos outros é uma puta destruição para si mesmo e para os outros.

Para conseguir chegar ao estado de não julgamento, precisamos aprender a controlar nossa fala e também nosso diálogo interno. Sempre que sentir aquela vontade de fofocar e de criticar alguém, concentre-se e, com consciência, trabalhe em cima disso.

Se você fala mal dos outros, certamente viverá preocupado e desconfiado de que os outros façam o mesmo com você. “Que sua palavra seja impecável”, disse Miguel Ruiz. Escolha suas falas com cuidado e minuciosamente (tenha paciência, não é do dia pra noite que transformamos hábitos construídos por anos).

10. Ser livre é querer o outro livre. Aceitar-se é aceitar o outro.

Um homem quando está em paz não quer guerra com ninguém”.
Essa frase é totalmente autoexplicativa.
Quando nós nos aceitamos tal como somos, passamos a aceitar os outros como eles são.

Se você é impiedoso consigo, será também com os outros. São os nossos próprios julgamentos que nos deixam tão à mercê do julgamento alheio.

Se eu me julgo, logo julgarei o outro. Desse modo, o primeiro passo é trabalhar de dentro pra fora.

Não somos capazes de mudar aquilo que não aceitamos. Portanto, pra que qualquer mudança ocorra na sua vida, você precisa aceitar que precisa mudar e depois agir. Nós só mudamos verdadeiramente por nós mesmos, e não pelos outros. A partir do momento em que você se vê liberto dessas amarras, você não irá prender os outros.

Tanto faz o modo como eles querem viver, as roupas que eles querem usar, as músicas que querem ouvir ou a religião que escolheram seguir. Não importa. Simplesmente não tem nada a ver com sua vida – só somos capazes de libertar o outro quando vivemos na liberdade – liberdade de nós mesmos.

Homem correndo livremente.

E aí, muito difícil? É trabalho pra vida toda.