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Autodesenvolvimento

Concentre-se no que importa.

Eu sempre disse que meu maior medo era chegar na velhice, olhar pra trás e perceber que não vivi de acordo com meus princípios. Desde muito nova eu convivo com essa agonia e eu sofro muito quando me dou conta de que tô precisando passar muita coisa na frente ao invés de estar fazendo o que quero. Sim, essa é a vida. Temos responsabilidades, quer queiramos ou não.  A sociedade pressiona e a gente acaba sucumbindo. O piloto automático é tão mais fácil. A anestesia é tão mais simples. Não dói. Não incomoda. E a gente vai ficando quietinha, encolhida em nosso próprio mundo, fugindo das dores, das pessoas, das responsabilidades, dos afetos, das intimidades.

Eu venho percebendo que, conforme os anos passam, eu fico mais bruta. Fico mais covarde, também. E muito, mas muito mais inflexível e seletiva. Isso tem um lado bom, não posso negar. Ficamos mais donas do próprio nariz com o amadurecimento. Mas isso também nos afasta de algo primordial: a gente corre o risco de ficar tão submersa no nosso oceano particular, com tanta preguiça e tanto vitimismo que esquecemos de amar. Fugimos da intimidade. E eu cheguei a conclusão de que eu, na minha vida, preciso ter mais intimidade. E também acho que o mundo tá carecendo disso: afeto, olho no olho, profundidade, conexão. E nós vivemos em uma estrutura social que nos afasta cada vez mais. A sociedade e suas criações nos afastam e nos fazem acreditar que melhores sozinhos. Mas nós NECESSITAMOS uns dos outros para viver bem — não no sentido tóxico, mas no sentido afetuoso da coisa toda. Somos completos? Sim, sem dúvidas. Mas qual a graça de viver somente para si? Olhando somente pro seu umbigo? E se você acredita nisso, eu espero que um dia você consiga enxergar isso de forma diferente. Pessoas não são (ou não deveriam) ser tidas como nossas inimigas. Mas é assim que a coisa tá engrenada: nós lutamos pra garantir sobrevivência, sendo que eliminamos qualquer possibilidade de (so)breviver quando o fazemos.

As situações limites sempre nos lembram do quanto precisamos ser íntimos uns dos outros. A doença, a separação, a morte. Nós nos chocamos. Nesses momentos nos damos conta de que algo precisa ser transformado. Na maioria das vezes traçamos um plano que dura um tempo e logo nos esquecemos. Até que outra coisa acontece e revisitamos essa angústia. Mas eu queria saber como faz pra quebrar esse ciclo. E a única coisa que me vem a cabeça é um verbo: agir. Sair dessa inércia e lutar contra ela dia após dia. Visitar a família, ligar pra amiga, ouvir os outros (ouvir mesmo), acolher as dores (as suas e a de quem mais doer), e tantas outras miudezas que podem aquecer nosso coração. De quantos “depois” sua vida é composta? O que você tá enrolando pra fazer? E eu quero propor algo pra gente: vamos. Só vamos. Um pouco por dia. Se não dá pra ver, liga. Mantém contato com as pessoas. Não se isola, não. Esquece isso de ajudar todo mundo: concentre-se no que importa, no que realmente importa. O mundo tá carente de afeto. O MUNDO TÁ CARENTE DE AFETO. Eu sei que somos orgulhosos, vaidosos, medrosos. Eu sou. Eu tenho vergonha de me aproximar das pessoas. Eu tenho vergonha de oferecer ajuda. Eu morro de medo de atrapalhar ou incomodar. Eu me sinto uma criança pequena diante de muitas coisas e eu esqueço da responsabilidade que carrego (que todos carregam) de fazer o bem. Mas quanta oportunidade de fazer o bem eu perco quando me deixo ser vencida por essas noias? Eu prefiro ser tida como boba do que perder uma oportunidade de dar afeto; mas não é assim que as coisas são: eu perco MUITA oportunidade de dar afeto porque eu não me concentro no que verdadeiramente importa.

Nós perdemos tempo com idiotices todos os dias. E lembrar da morte é útil pra abrir nossos olhos. A gente vive como se fosse imortal. E eu sei que é muito fácil falar e que o bicho pega mesmo na hora de agir. Mas a gente precisa agir. Nós não vamos curar o mundo com raiva. E talvez você nem queira curar o mundo; talvez você queira apenas curar uma relação que se desgastou. E, de novo, há que se ter amor. Não há cura sem amor. Não há cura sem amor. Não há cura sem amor. E curar significa recuperação. Recuperar seja lá o que. Não deixa pra depois. Eu não quero deixar pra depois. Sentir que é tarde demais é uma das piores sensações que podemos sentir. E sim, pode ser tarde demais. E daí alguém pode dizer “as coisas são como são, nada é tarde demais”, mas eu digo que é sim. Nada vai alterar o passado, mas ter consciência disso muda tudo; deitar no travesseiro e saber que sua ausência fez falta é horrível. A nossa ausência faz falta na vida dos outros. Nós precisamos de gente para sobreviver. Esse papo de que nascemos e morremos sozinhos não é bom e apenas propaga o individualismo cruel. Cruel. Se afastar das pessoas por pura preguiça é crueldade. Se ausentar porque não deu tempo é crueldade. Deixar pra depois é crueldade.

Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.

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Crônicas do Cotidiano

evaporar.

Casal se beijando dentro do carro.

De todos os clichês, você me confirmou que a forma como as pessoas saem de nossas vidas diz muito. Diz tudo. Você me disse, ao me deixar partir daquele jeito, quão pequena você me enxergava. O vazio que sempre senti ao seu lado ficou muito bem explicado. Você não tinha nada para oferecer. E eu tinha. Eu tinha muito. Mas meu tudo sempre se esbarrava em seu nada. Vazio. As pessoas não podem dar o que elas não têm. Mas, afinal de contas, quão vazia uma pessoa pode ser? Você me ensinou que muito. E com você eu aprendi que preciso me lembrar de ser corajosa. Sim. Eu sentia o vazio. Eu sentia a falta. Eu sentia o nada que vinha de você. Mas a gente finge que não é com a gente. A gente acha que a pessoa vai cair em si, que vai ver o tamanho de coisas lindas que você tem pra dar. Mas não. Quem não tem nada, não pode oferecer nada. Não se engane. Tenha coragem de ouvir sua intuição. Não fique onde não há entrega. E relaxa. Não é a pessoa que te faz amar ou te faz melhor ou qualquer baboseira do tipo. Ninguém faz ninguém ser nada. Você é o que é e ponto. Você ama porque o amor está em você. Você é capaz de amar o universo com tudo que carrega no peito. Então não venha me dizer que são os outros que lhe despertam amor. O amor está em você. Você é uma dádiva. Não se diminua pra caber no mundo de alguém. Se a pessoa não sabe te terr por lá, que assim o seja. Por amor ao seu amor, por amor ao que há de mais belo dentro de você, vá embora. O amor é um grande clichê. Ele sempre te eleva. Ele sempre te lembra que não há perdedores quando se sente. Não tem como perder quando se ama. Só quem não ama perde. Só quem não sabe receber e dar amor perde. E isso sempre será uma opção. A coragem que precisamos ter vai além dessa busca tola que travamos a vida toda ao acreditar que encontraremos a pessoa perfeita. Amor se constrói. Amor é tijolo por tijolo. É carinho por carinho. É afeto por afeto. Intimidade por intimidade. O amor demora. Amor não vem pronto, não. Será que você sabe disso? Será que você quer saber? Sabe aquele papo “não é nada com você, sou eu”? É a mais pura verdade. Sim, somos todos livres para ir e vir, ficar ou partir. Mas a covardia é o que mais me preocupa. A indecisão é o mais irritante. Pessoas mornas, fracas. Que lutam somente quando lhes convém; que querem somente quando vale a pena. E que sempre te deixam pra depois. E que sempre tentam te diminuir. E te cozinham lentamente. Elas gostam de te ter por perto mas não cuidam. Elas não sabem o que sentem. Elas nem se conhecem. Eu tenho verdadeira preguiça de gente que não se conhece e não se esforça pra isso. Acabou que, de todos os clichês, o mais latente é a preguiça que sinto de você.  Acredito em ações, não em palavras. Eu estaria morta de fome se não tivesse tido coragem o suficiente pra te deixar pra trás. E finalmente você está aí, bem atrás. E eu to curtindo meu próprio banquete.

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cada um é de si mesmo.

Menina ruiva com tricô e de olhos fechados.

Mania chata essa de controle que vamos adquirindo ao longo da vida, né? Queremos possuir tudo: pessoas, lugares, bens… A lista é longa! Gostamos de ter tudo debaixo de nosso nariz, controladinho… E ai se fugir de vista! A gente já perde as estribeiras.

Nos esquecemos muito facilmente que nessa vida ninguém é de ninguém. É difícil, eu sei. Mas olha pra tua história: você, alguma vez nessa vida, já conseguiu prender alguém? Seja ela quem fosse: amores, famílias, amigos… Não, né? Não dá pra saber do dia de amanhã. Pessoas e lugares e sentimentos e pensamentos mudam (o tempo todo).

Por isso, meu bem, não vale a pena viver na neura. Deixe as coisas irem e virem. Essa é a vida.

Mas, vem cá… Ninguém é tão sua quanto você mesma. Ninguém. Gravou bem isso? Não sei se você realmente entende a profundidade e o tamanho dessa constatação, mas, amiga, você só tem você. E isso é maravilhoso e grandioso e incrível.

Você só pode assinar contratos consigo mesma. Só pode fazer garantias pra você mesma — e o mais legal de tudo isso? Você pode mudar de ideia quando bem entender. Você não precisa ser sempre a mesma, desejar as mesmas coisas… Você é livre pra mudar de ideia, de cor de cabelo, de preferências musicais… Você é livre o suficiente pra isso? Você saberia ser livre o bastante pra se permitir viver a sua vida? E mais: você é livre o bastante pra deixar os outros serem deles mesmos?

(Duro, né? Eu sei. Dói mesmo.)

Parece fácil, né? Mas é bem difícil se desamarrar de tudo o que te amarrou até aqui. É um trabalho pra vida toda.

Quando você entende o tamanho da sua liberdade, você respeita a liberdade dos outros também. Essa é a maior prova de amor que podemos demonstrar para nós e para os outros: deixar com que cada um seja de si mesmo.

Não temos o direito de intervir no sonho de alguém, e ninguém tem o direito de intervir no nosso. O que acontece é que, algumas vezes, cedemos e deixamos com que nos invadam, e daí sentimo-nos no direito de fazer o mesmo com o outro. Cagada. Não troque sonhos por pessoas e não faça ninguém ter que escolher entre você e o sonho da vida dela. Isso é MUITO desumano. A gente tá aqui pra viver com pessoas que edifiquem nossos sonhos e nos ajudem a chegar lá. Você anda fazendo isso com o sonho dos que estão ao seu redor? Você ajuda ou você desestimula?

Pense nisso seriamente. Cada um é de si mesmo e ponto final. Deixe as pessoas viverem a liberdade delas e não se doa por isso: você tem a sua pra viver. Viva-a plenamente. <3

Vai ser fácil? Com certeza não. Nós não sabemos, de fato, o que é ser livre. E quando você começar a descobrir, um monte de neura e de gente chata vai aparecer e te apontar dedos — vão te chamar de maluca, de trouxa, de ridícula. Ignore. Ser livre é entender que cada um faz e fala o que quer, e que se você tem apenas a si mesma, por que diabos escutaria gente mal-intencionada?

Quer continuar refletindo?
Leia esse textinho aqui, ó: https://cabecadenuvem.com/a-gente-nunca-sabe-nada/
Quer mais ainda? Vai nesse, então: https://cabecadenuvem.com/desapego-fuga-equilibrio/

Ei, psiu, vem falar com a gente 🙂
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o oposto de amar é temer.

Não é ódio, não é indiferença — o oposto de amar é temer. Quem tem medo não se entrega, não se permite. Tudo fica travado quando sentimentos medo.

Menina negra com os cabelos atrás da orelha.

Vai dar medo? Vai.

E você precisa ir mesmo assim. Não dá pra viver escolhendo o caminho do medo. Mas como você lida com esse seu medo é que faz toda a diferença. Obviamente em alguns momentos o medo é nosso parceiro, mas na maioria das vezes ele é puro ego. Medo de perder, medo de sair por baixo medo de estar vulnerável, medo de dizer que ama, de assumir que não sabe, de pedir perdão… A lista é longa! Nosso ego gosta de nos confundir 🙂 Por isso, conheça-se, permita-se, respeite-se. <3

você precisa viver sem medo?

Não tem como viver sem medo! É impossível. A  vida é assustadora (nós somos assustadores, também). Não dá pra se blindar do medo, mana. E tudo bem. Mas o que você faz com ele é problema seu e sempre será. Você foge? Finge demência? Fica insensível? Usa máscaras? Qual é sua proteção contra o medo? Qual sua desculpa? Todos nós temos um abrigo pra nos escondermos quando sentimos medo: qual é o seu? E sim, esse abrigo é apenas uma máscara e uma impotência que carregamos. É proteção, bem sabemos — mas a linha entre proteger e te privar de viver experiências i-n-c-r-í-v-e-i-s é mega tênue. Ou vai ou fica. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. A vida é assim. Nós não sabemos quando vamos sorrir ou quando vamos chamar. E isso dá medo pra caramba, cara, mas isso é viver. Essa imprevisibilidade dá toda a graça e todo o medo. Se joga!

De quantas experiências você já se privou por medo?

Aposto que muitas. É inerente, mas sempre há tempo de mudar! Tudo (absolutamente tudo) nessa vida é imprevisível. Trocar de emprego, encontrar um amor, fazer amizades, arriscar uma nova área, uma viagem… Em tudo corremos risco. Viver é o maior deles. Nunca se sabe em qual esquina seu coração vai parar de bater. NUNCA SE SABE — você tem ideia do que isso significa? Mesmo?

Significa que a gente vai morrer. Pra valer. E só teme a morte quem tem medo da vida. E todos nós temos medo da vida, então vou esclarecer as coisas: só teme a morte aquele que escolhe agir pelo medo, aquele que deixa a insegurança liderar e comandar os rumos.

Ame. Pule. Grite. Desabafe. Mande a real. Mude de emprego. Se descabele. Viaje. Fale que ama. Abrace mais. Não esconda seus sentimentos. Bote tudo pra fora. Corte o cabelo. Mude a cor dele, também. Ou não faça nada disso.

Não deixe o medo mandar em você. Você pode se arrepender? Pode, mas mais vale a pena viver com arrependimentos do que não se arriscar por puro medo. Viva a história que deseja contar.

Gostou? Então vem ler esses aqui:

Sobre sentimentos.

Sobre a imprevisibilidade da vida.

Sobre estar vulnerável.

<3

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Crônicas do Cotidiano

carta ao amor.

Vou te acompanhar nas suas nuances, vou me interessar por seus novos gostos e por suas novas curiosidades. Vou dançar conforme a sua música e você também vai dançar conforme a minha. Vamos aprender juntos, vamos doer juntos, vamos querer juntos, vamos descobrir juntos.

Mas só me prometa: seja você.

Quero saber dos seus gostos favoritos, das suas comidas, das suas cores, dos seus sons, das suas dores.

Eu quero estar onde está seu coração. Eu quero verdades — não quero conforto. Eu quero aventura. Eu quero o pedaço inteiro, eu quero tudo o que há de mais belo e também o que há de mais feio.

E eu peço o mesmo: queira o meu tudo, assim como quero o seu. Não quero contratos, não quero desculpas, não quero obrigações. Quero, acima de tudo, a nossa liberdade.

W A O W

Quero que você voe. E eu vou voar também. Tão alto. Muito alto. Vamos nos encontrar lá em cima. E vamos cair, também. E eu vou te ajudar nas suas quedas.

Porém, acima de tudo, eu quero que você sinta suas verdades. Quero que você acredite nelas e que sempre — sempre — siga seu coração. Que sua essência seja impenetrável.

Eu não quero nada além de você. Só você. Tudinho. Sem máscaras, sem fingimentos, sem medos.

Não se preocupa, não: eu não preciso concordar com tudo. E você também não precisa concordar comigo sempre. Eu só quero o seu bem. Quero troca, quero naturalidade, quero verdade. Não vamos forçar a barra, tá? Não vamos exigir o impossível, não vamos agir por vaidade ou por egoísmo.

A vida é tão imensamente sábia, tão galantemente esperta. Vamos deixá-la agir. Não vai por impulso, não. Caso prefira, nem precisa ir. Fica. Escute-se. Respeite-se.

Meu único pedido: seja você mesmo.

Venha em tempestades, venha em marolas suaves. Venha quente ou venha me fazendo bater o queixo de frio. Ou não venha.

Só seja você.

Que eu não precise te modificar pra te amar. Que você seja inteiro longe e perto de mim. Que brilhe do meu lado ou ao lado de outros. Mas que brilhe, que seja inteiro, que seja incrível.

Você é incrível. E eu não desejo nada menor do que isso.

Sendo você, venha o que vier, custe o que custar.

Ninguém rouba nada de ninguém. Ninguém suga, ninguém sufoca. Eu só lhe peço: continue sendo você, haja o que houver.

Por você, para você, com você.

Livre pra ficar e livre pra voar; livre para amar e, igualmente, para não amar.

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desapego, fuga e equilíbrio em um mundo (bem) louco.

O desapego é sonho de consumo de várias pessoas. Ser desapegado e alegar isso faz a vida parecer mais irada, mais ousada. Porém, essa onda de “desapegar-se” pode estar causando mais problemas do que soluções. Já parou pra pensar nisso? Acredito realmente que estamos vivendo um significado errôneo do que é o desapego.

por que tá tudo tão confuso?

Não dá pra saber, na real. Mas fato inegável é que muita coisa tá invertida, principalmente no quesito compromisso. Mas não compromisso amoroso (o buraco aqui é mais embaixo); me refiro a compromisso com a vida.

Nós temos medo de muita coisa, e principalmente da responsabilidade. Por isso, o desapego acaba sendo uma das nossas fugas principais e o atalho mais acessado. E ele não deve ser usado como fuga.

E pra escapar desse medo basta ignorar tudo e fingir desapego. “Eu não tô nem aí pra isso”, dizemos. Ok, tem coisa que é melhor deixar pra lá, mas algumas situações precisam ser vividas e alguns sentimentos precisam ser sentidos.

Isso não desapego. Isso é fuga.

será questão de equilíbrio?

Particularmente, acredito que o equilíbrio é a chave pra várias de nossas aflições — e infelizmente, morremos sem saber dosar bem as coisas. O desapego também precisa de doses corretas para funcionar bem e trazer um efeito bacana pra nossa existência.

Segundo o dicionário, desapego significa desinteresse, desprendimento. Mas em relação a que? Aos outros? Aos bens passageiros? A vida? Ao sofrimento alheio? Aos sentimentos?

A tudo, obviamente. E nós realmente podemos aplicá-lo em tudo. Mas será que vale a pena? Será que viver uma vida totalmente sem desprendimentos é válido?

Alguns vão dizer que sim e outros,  certamente, dirão que não. Cabe a você decidir o ponto que traz paz e te deixa bem consigo mesmo.

(onde está seu coração está também o seu tesouro)

e o mundão, como faz?

Eu nunca fui uma pessoa super apegada. Tenho que fazer um esforço muito grande pra cuidar das minhas raízes, porque sou, naturalmente, mais despreocupada. Porém, venho aprendendo algo valioso quando me pego criando expectativas irreais em qualquer tipo de circunstância que possa a vir a acontecer:

Nós não possuímos absolutamente NADA. Pessoas não são nossas, lugares e bens materiais também não nos pertencem verdadeiramente. A única coisa que temos é a alma. E é dela que precisamos cuidar.

E é preciso ter apego à alma. Amá-la, cuidá-la, desejá-la. Somente desse modo poderemos aprender a amar. E acredite: amor não tem nada a ver com nenhum tipo de apego (nenhum mesmo) e isso nos dói e nos confunde. Por que? Porque não sabemos amar direito.

E como começar a cuidar da nossa alma? Sendo verdadeiro consigo mesmo. Não adianta fingir ser o que não se é e fingir sentir o que não se sente.

Muita gente fala que queria ser desapegado das pessoas (principalmente no quesito romântico), e isso só acontece porque, lá no fundo, não sabemos amar. Comece a cuidar da sua alma. Descubra que amor não é apego e depois disso mantenha-se nos trilhos que você mesmo se colocou ( e tudo bem se perder de vez em quando, ok? Não estaríamos aqui se soubéssemos tudo).

(Até o sentimento mais puro desse mundo está bagunçado e banalizado. Nós, seres humanos, realmente gostamos de deixar nossa existência mais complexa)

o apego seria uma armadilha do ego?

Sem dúvidas, eu diria. O que mais nos leva a acreditar que podemos ter coisas em um mundo tão (tão, tão, tão) cheio de ilusões? O nosso ego. Esse apego que criamos em cima de pessoas e de coisas e de situações é fruto das nossas expectativas.

É fácil esquecermos que pessoas e coisas e situações não estão aqui pra nos agradar. A gente realmente acredita que tem controle sobre pessoas e coisas e situações. Só que não: nós podemos controlar pouquíssimas coisas nessa vida — e em nenhuma delas esse combo está incluso.

Se controlar o que sentimos e pensamos é mega difícil, imagina controlar o que outros pensam e sentem? Não temos nada a ver com a vida alheia — nem com a dos seus pais e irmãos e amigos.

O apego faz com que nos sintamos donos do que não pode ser adquirido. E nossa sociedade é movida ao ego e desconstruir-se é trabalho árduo e demanda tempo e paciência e perseverança.

E na moral mesmo, quem somos nós pra achar que os outros precisam corresponder a todas as nossas expectativas?

Se você espera algo de alguém, provavelmente criou expectativas. Se quando essa expectativa não é atingida você sofre, você possivelmente se apegou a uma ideia ilusória e imaginária do que você gostaria que acontecesse para que o filme produzido na sua cabecinha fosse concretizado. E se você fica se doendo por conta disso e alimentando essa crença dentro de você, precisa aprender um pouco mais sobre o que é o amor.

Minha dica? Espiritualize-se. É a única jornada que não acaba em ego — mesmo se começada por ele.

Se quiser continuar nessa pegada de reflexão, você pode ler esse texto aqui, onde falei um pouquinho mais sobre amadurecimento e mudanças.

Neste outro falo sobre nossos medos e neste aqui falo um pouco sobre deixar pra trás o que precisa ficar no passado.

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Crônicas do Cotidiano

você já não cabe mais aqui.

E você sempre resolve voltar com as mãos cheias. Mas será que você ainda não percebeu que já perdeu a hora? Não considero nem atraso mais, porque eu já não vivo te esperando. Até o mais bobo sabe voltar pro seu lugar depois de algumas (ou várias) tentativas frustradas e quedas dolorosas.

Lembra quando eu fui embora de mãos vazias? Aposto que já esqueceu, né? Você fala como se ainda tivesse direitos sobre mim. Vai ver você tenha confundido respeito com interesse. Lembro como você sempre gostava de acreditar no que mais lhe convinha — mesmo sabendo que não era nada do que imaginava.

Quase todo mundo que sofre por amor deseja — ainda que inconscientemente — arrependimento por parte da pessoa que foi embora. E eu desejei isso; eu sabia que você ia cair em si — sabia. Pena que demorou tanto. Pena que tanto faz, tanto fez. Você já não cabe mais em mim.

Garota olhando a lua e o céu estrelhado.

Tem gente que esquece que pessoas mudam. E eu mudei. Lástima que você insiste em dizer que sou a mesma: eu não sou mais aquela que desejou você pra sempre. E veja bem, não leve a mal: desejo o seu melhor, desejo que seja feliz (de verdade, mesmo), desejo que se encontre cada vez mais.

Mas, por favor, pare de me tratar como se ainda tivesse espaço aqui e de alguma forma tivesse direitos sobre mim. Para de reclamar quando eu não retorno os seus elogios. Percebe que não dá pra acreditar neles? Você espera sempre uma resposta equivalente: não é de coração, não é legítimo. É sempre esperando recompensa. É sempre achando que tudo bem bem falar isso e aquilo. É sempre acreditando que você foi a pessoa mais incrível que passou pela minha vida. Mas deixa eu lhe dizer outra coisa: não foi.

É realmente decepcionante gostar de alguém e acreditar que encontrou alguém bacana e depositar várias esperanças na pessoa. É decepcionante, mas é melhor que seja assim. Ninguém pode ser nossa esperança; tem muita (muita não, vai, bem pouca, na verdade) gente bacana solta por aí que vale a pena. Mas nem as pessoas bacanas merecem ser nossa esperança. E nós não merecemos ser a esperança de ninguém. E muito menos o consolo de alguém que sofre e quer dividir suas dores e logo quando ficar tudo bem, some e desaparece e evapora.

Eu te entendo, mesmo. Eu não culpo quem vai embora — eu mesma vou bastante. Mas quem vai e acha que sempre pode voltar me irrita, confesso. E sei lá o motivo que te leva a crer que eu ainda tô aqui pra você. Eu queria estar, sabe? Queria mesmo conseguir acreditar e conseguir sentir. Mas o sentimento não cabe mais em mim, você não cabe mais em mim. E tudo bem. Para de reclamar, para de me chamar de insensível e de vingativa. Não é vingança, nunca foi: é sinceridade e lealdade para comigo mesmo.

Mas eu paro e penso e me pergunto: suas mãos estão cheias de quê, na verdade? Me parece que o que você anda carregando alimenta mais seu ego e sua preocupação em cuidar da casca que fica exposta ao mundo do que cuidar do tem dentro e do que exige cuidado e tempo e energia.

Outra coisa: eu também tô de mãos cheias. Eu tô toda cheia, na verdade. Às vezes derramo um pouco, confesso. Mas não tá faltando nada aqui, não. E embora as suas estejam cheias de algo, não parece que nada do que carrega veio de você: parece que você pegou do chão e ficou segurando só pra acharem que é seu. Mas, meu bem, não dá pra enganar quem não engana a si mesmo. E obrigada, muito do que aprendi veio de você. Valeu. Mesmo.

 

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Será que estamos prontos para amar?

Tem muita gente querendo alguém. A maioria das pessoas vive insatisfeita com sua situação afetiva: se estão solteiras, reclamam; se estão compromissadas, reclamam. Desse jeito não dá, gente – não dá mesmo! Nós erramos muito quando queremos ter o melhor dos dois mundos, mas a vida não funciona assim: ela pede entrega. Amar, como tudo na vida, é uma construção.

As pessoas são universos inteiros e se somam.

Você se ama?

Você provavelmente já ouviu isso. Todo mundo fala que pra amar alguém é preciso se amar primeiro – e é óbvio que isso precisa acontecer. Mas às vezes queremos amar depressa e então, pra acelerar as coisas, nos amamos de qualquer jeito. Eu não tô dizendo que você precisa estar solteiro pra encontrar o amor-próprio (não é nada disso), mas se você está, para de reclamar da sua condição e vá fazer algo que preste: navegue-se, descubra-se, conheça-se.

Você se conhece?

Se ainda não sabe bem quem é você, hoje é um belo dia para começar. A questão é que nós não iremos conseguir o que de fato queremos se não nos dedicarmos a nós mesmos em primeiro lugar. E não tenha pressa porque não é do dia pra noite. Você precisa se tornar seu maior observador para que conseguir saber, de fato, quem é. É uma delícia. Depois que sua mente se abre, ela nunca vai voltará ao tamanho original.

Você sabe bem o que quer?

Se você não sabe, hora de pensar bem nisso. Em uma relação, nós precisamos pensar em compatibilidade sim! O que é importante pra você? O que você valoriza no caráter? Não adianta você pensar que a pessoa mudará para te agradar – você não tem esse direito. O outro é inteiro, você é inteiro. Claro que podemos sempre melhorar e evoluir, mas não deposite esperanças em cima de alguém, pois ambos sairão feridos e ninguém (ninguém, ninguém, ninguém) merece conviver com uma pessoa que não a aceita.

Você repete padrões nos seus relacionamentos?

Você sente que suas relações sempre são desgastadas de modo parecido? Hora de refletir e procurar o quê precisa ser ser melhorado. Se tudo é sempre igual, alguma coisa precisa ser remexida – principalmente dentro de você. Por isso é tão fundamental se amar e se conhecer pois, caso não se ame o suficiente e não se conheça o suficiente, você insistirá em algo que te traz infelicidade. Não ignore os sinais, por favor. São poucos os que sabem valorizar, sabem amar e sabem somar. Busque ser um desses poucos. Conheça-se.

Será que estamos prontos para amar?

Você se escuta?

A vida sempre dá um jeitinho de tentar nos colocar no caminho certo. O que acontece é que tendemos a ignorar esses sinais por pura teimosia. Quantas vezes você entrou em uma relacionamento que sabia que não iria pra frente? Aposto que várias vezes – eu já fiz muito isso. Então, da próxima vez, tente ser menos teimoso e dê ouvidos ao universo.

Amar é profundidade. O amor nunca fica no raso – nunca. Então, para que uma relação funcione, os dois precisam entender que ninguém depende de ninguém pra ser feliz e que ambos são completos e inteiros.

Nossa cultura nos ensina a amar?

Não. Nossa cultura prega que amor é aquela pessoa que não desgruda, que pensa em você o tempo todo, que respira você, que faz de tudo por você e que não vive sem você. Hein? Você realmente acha que isso é amor? Claro que não! Isso é dependência afetiva pura e, geralmente, as pessoas dependentes buscam preencher o vazio que sentem com outras pessoas e isso acaba sugando e pesando demais no outro.

Isso não é amar. Nós temos uma ideia totalmente ilusória do que é amor. E ele não é sentimento, não. Ele é construção, edificação.

E essa insatisfação?

Quem tá solteiro, quer alguém; quem tem alguém, não quer ter ninguém. Queremos o que não temos. Pra quê? Por que? Porque nossa falta de energia está cavando um buraco tão grande, tão vazio, que nos desesperamos e achamos que os outros conseguirão nos dar a energia que falta. Por favor, pare de procurar fora o que está dentro de você. Aprenda a valorizar suas fases, suas etapas e suas transformações. Você está onde precisa estar. Pare de olhar ao redor e desejar o que não tem – olhe  e veja o que já tem. Viva no aqui, no agora.

Essa constante insatisfação demonstra que não estamos gratos com o que nos é dado e que não estamos entregues à vida. Pare e reflita: olhe para dentro e não esqueça de se escutar. Só você pode preencher seu vazio.

Estamos prontos?

Ao olhar de modo geral, parece que não, né? Nossa sociedade passa uma visão muito errada do que é amor e isso confunde muito nossa cabeça – muito, muito. Eu acredito, particularmente, que nós estamos vivendo muito para fora. Nos preocupamos mais com aparências e em satisfazer os desejos imediatos.

O ego continua a fazer muitas vítimas.

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Crônicas do Cotidiano

Sobre os desamores.

Você pode ler esse texto ao som de “The Smiths – Please, please, please”.

Com o tempo tudo se vai. E não, isso não deve ser um problema.

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Desamar é algo bastante cabeludo. Eu ainda não sei se é possível deixar de amar alguém, assim, de repente. Acredito que o amor seja uma edificação que se constrói diariamente com confiança, respeito, admiração e tantas outras artimanhas. Mas desamor, aqui, leia-se amores que não foram; amores que morreram antes mesmo de iniciar a construção, antes mesmo das bases e dos pilares – ou seja: amores meia boca, parciais (se é que podem ser chamados de amores). Os desamores, meu bem, machucam muito o sentir, maltratam a ilusão e a esperança de que um dia o amor chega. Ele chega mesmo? Será que o amor de nossas vidas está por aí? Amamos apenas uma vez?

É normal que depois de uma grande dor amorosa nos fechemos e afirmemos que é melhor estar só, que você se basta e toda a ladainha que conhecemos. Não, isso não é um problema – cada um é uma catedral, uma ilha – e todos os suplementos estão escondidos dentro de nós mesmos. Eu sempre achei linda a ideia do amor ideal, perfeito – problema de uma infância que prega que o “felizes para sempre” aparece – mas eu não quero esperar isso para escrever meu final feliz, não mais. Um dos problemas da atualidade é a parcialidade: as pessoas são rasas, são superficiais – amam até quinta feira a noite, amam enquanto você satisfaz o ego dela. Vivemos na era da conveniência: o que não me cabe eu simplesmente jogo fora. A linha é muito tênue: o que te faz mal deve ir pro lixo sim, mas o que não é lixo não deve ser tratado como tal, percebe? Usar pessoas, jogar com os sentimentos…

Nós não somos lixo, nossas ideologias não são lixo e o emaranhado que compõe toda nossa personalidade deve ser apreciado, mas como dizem por aí, não adianta: se uma pessoa é incapaz de te enxergar profundamente, se ela não for equivalente e prezar pelas mesmas coisas, ela poderá até te olhar, mas jamais compreenderá o que você guarda por baixo da sua pele. Dói aceitar que alguns amores simplesmente não podem ser, não podem existir; dói perceber que amamos sozinhos e destruímos nossas fibras por uma pessoa que não oferece reciprocidade. Dói e não dói pouco. Mas a dor nos faz enxergar uma outra face de tudo isso: os desencontros sempre nos levam a algum lugar.

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Você percebe que o final feliz não está nas mãos de outras pessoas, que sua história será demarcada por outros e o que você subtrai das suas cicatrizes é o que mais importa. Você aceita que ninguém é obrigado a estar do seu lado, portanto, dane-se que fulano ou ciclana não querem trilhar a mesma estrada que você – é um direito deles; afinal, nós também temos nossa peneira e filtramos quem vai e quem fica. Aceite isso. As pessoas chegam até nossas vidas e podem nos ensinar muito, ainda que não elas não permaneçam ali para sempre. O para sempre não existe, ele acaba, e isso só vai ser um estrondo se você permitir (você sempre irá aprender, constantemente, que os outros só fazem para nós aquilo que permitimos que façam). Se eu permiti uma vez que brincassem com o que sinto, tenha certeza que tirei flores em meio ao concreto: foi a primeira e última vez. Eu escolho não me sujeitar mais a isso. E em meio a tudo isso, estão as pessoas que fogem dos (des)amores.

Ah, se soubessem como é bom amar e ser amado! Não vai ser para sempre, não vai ser perfeito, mas vai fazer um bem danado. Permitir-se é uma atitude de garra. Permitir-se ser feliz em meio ao maremoto que é estar vivo é um ato de amor por si mesmo. O ser humano é um camaleão: temos uma capacidade incrível de adaptação. Podemos até sofrer quando algo supremo é retirado de nossa rotina, mas logo percebemos que, apesar de ninguém ser substituível, amadurecemos e percebemos que não podemos cobrar dos outros o que não podemos oferecer – o amanhã é incerto demais e juras de um amor eterno são tão infundadas quanto as histórias de princesas: lamento a decepção, mas sua abóbora não se transformará em uma carruagem, e um homem não vai sair por aí testando o sapatinho deixado em todos os pés até chegar ao teu – você tampouco faria isso, certo? Com toda a efemeridade que nos preenche, por que tanta insistência em querer que tudo seja sempre igual, sempre o mesmo? Basta olhar para o passado e ver como muito do que passamos não nos caberia mais hoje: aquela amizade, aquele primeiro namorado, aquela preocupação…

As prioridades mudam; você muda. Estamos em constante crescimento, mas esquecemos que os outros também estão. Idealizamos amores e brigamos por eles, ainda que irreais. Qual o fundamento eu não sei. Saber separar um ciclo do outro e superar tranquilamente a máxima de que ‘tudo está e nada é’ é sabedoria. Se aparecer um amor, ótimo – saiba aproveitá-lo sem exigências vulgares e sem depositar sua esperança de uma vida melhor nas mãos do outro (isso cheira à decepção), pode ser que dure, pode ser que não, mas vocês dois terão muito o que aprender juntos, isso eu garanto, seja um mês ou seja cinquenta anos.