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pequenos passos

Definitivamente, uma das piores sensações que podemos sentir é a estagnação. É muito difícil perceber-se travado. Difícil e, ao mesmo tempo, doloroso. É nesse momento que a gente fica cara a cara com nossas sombras. Sentir-se parado na vida nos revela muitas ansiedades: a gente nunca tá satisfeito e a gente sucumbe facilmente às pressões externas e às ambições internas.

Eu sempre quis abraçar o mundo. Quero tudo e quero ao mesmo tempo. Quero estudar tudo, quero aprender tudo, quero guardar dinheiro, quero gastar, quero ler mil livros. Resultado? Não faço nada (ou faço pela metade). Enquanto nos preocuparmos mais com grandes passos, mais esqueceremos da importância dos pequenos — são eles que nos levam para longe. E sim, ter consciência disso não é nada fácil.

E eu penso muito nisso: pequenos passos. Por que eles me assustam tanto? Por que quero passar por cima deles? Por que quero logo me arriscar no grande? E, lá no fundo de tudo, deparo-me com meu ego. Sim. Meu ego quer ter tudo pra já. Caso contrário ele se sente derrotado e fracassado. Ilusão das ilusões.

Pega leve — digo a mim mesma. Faça poucas coisas, mas as faça bem. E me lembro que é preciso calma e tranquilidade. Nada com pressa. Mudanças efetivas levam tempo. E respeitar esse tempo é respeitar as fases da vida, também. Quem muito fala pouco faz. Quem muito quer pouco tem. Quem só se preocupa com os grandes passos jamais conseguirá dar os primeiros. E é preciso ver em quais aspectos da vida somos nós os faladores. E nossa tendência é negar, mesmo. É bem mais fácil. A vida acontece fora da zona de conforto — e lutar contra si mesma e sair da zona de conforto também é um belo ato de autocuidado. Fazer renúncias a si mesma, ouvir o seu coração, ter paciência, agradecer o que já se tem e entender que você está onde precisa é um treino diário. Todos os dias a gente precisa se lembrar que a vida nos traz os mestres que a alma precisa nesse exato momento. Então vive o que tá aí na sua frente. As coisas vão andar, você vai chegar onde precisa chegar. Tenha calma.

art, drawing, and draw image

O mais bonito e difícil disso tudo é aceitar que cada um tem uma vida, uma dor, um amor. Eu posso estar lutando contra isso e você não e, mesmo assim, isso não me diminui diante de você. Você pode enfrentar tormentas que eu não enfrento, e isso não me engrandece. E por que será que é tão fácil nos esquecermos disso? Nós não ficamos pra trás, mas nos sentimos perdendo a corrida. Mas qual corrida? Quem fez as regras e por que é tão difícil quebrá-las?

Essa semana eu li algo muito bonito e era mais ou menos assim: o ponto da vida não é tentar apenas amenizar nossos sofrimentos, mas, ao invés disso, procurar mais alegria. Mudar o foco, a perspectiva. Ao invés de olharmos para o que sangra, vamos encarar o que cicatriza. Talvez a gente perca muito tempo querendo mudar e esquecemo-nos de aproveitar as pequenices da vida que nos inundam a alma. A questão não é e nunca foi ter tudo.

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autocuidado.

estar vulnerável é assustador, mas tudo bem — esteja mesmo assim.

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Nada jamais acontecerá no futuro: 7 dicas para ansiosos.

E de repente a gente cresce e percebe que o tempo passa rápido demais. Nos damos conta de que somos responsáveis por quase tudo que acontece em nossas vidas – quase tudo mesmo. Percebemos que se não buscarmos o que queremos, não teremos. As preocupações só crescem. Nos sentimos pressionados, culpados e ultrapassados. O futuro é um grande labirinto que parece nos engolir vivos.

Crianças do desenho snoopy conversando sobre ansiedade.
Minhas ansiedades têm ansiedades.

O medo é tanto que travamos diante de inúmeras situações que podem (ou não) surgir. É assustador não ter controle do que ainda não aconteceu, e mais assustador ainda é não saber o que acontecerá – e mais: além de não saber o que acontecerá, sempre corremos o risco de ter nossos planos virados de cabeça pra baixo. Mas calma, a maioria das pessoas passa por isso e algumas dicas podem te ajudar a esfriar a cabeça e viver sem excesso de futuro.

Ah, aproveita pra ler esse texto sobre imediatismo, impaciência e preocupações.

1. Nada jamais acontecerá no futuro.

O futuro está presente. Nós nunca alcançaremos o futuro porque ele é apenas uma projeção, uma referência temporal que construímos para nos localizar no tempo. Não passa de uma invenção de nossas mentes. Nós nunca o alcançaremos porque ele simplesmente não existe, de fato. Consegue entender isso? Quando damos trela aos “e se…” que a vida nos questiona, significa que estamos nos identificando com a mente e criando o medo de um futuro imaginário.

Calma. Faça hoje o que você quer colher amanhã – você sempre colherá o que plantar; mas saiba que a vida pode sim inverter as coisas. A chave para não sofrer com isso é viver aqui, agora. Apenas isso pode te livrar do medo do amanhã.

Tomorrow definition.
Amanhã: uma terra mística onde 99% de toda produtividade humana, motivação e realização está armazenada.

2. O que está guiando sua vida?

Não sei se você já sabe disso, mas nós não somos nossas mentes e também não somos nossas emoções. Pensa: se deixarmos nossos pensamentos e nossos sentimentos nos guiarem, o que acontecerá?

Muito provavelmente, iremos nos perder nos medos e nas invenções que criamos o tempo todo. “O pensamento alimenta a emoção e a emoção alimenta o pensamento”. Mas o que fazer, então? Tenha atenção plena no agora. Isso bastará para você perceber que o importante não está lá, está aqui.

3. A consciência é sua melhor aliada.

Quanto mais vivemos no presente, mais expandimos nossa consciência. O nosso grau de presença determina a qualidade de nossa consciência, e vice-versa. Quando paramos de deixar a mente e as emoções nos controlarem começamos a ver o que realmente importa.

Faça o teste. Eu tenho certeza que você irá se dar conta de que não vale a pena viver com medo do que virá. E não adianta fazer isso uma vez só – todos os dias você precisa treinar sua consciência: não é fácil, mas é a libertador. Consciência é liberdade.

4. Você só pode agir no agora.

Quanto mais consciência temos, mais enxergamos a importância que o agora tem. O agora é tudo que temos. E sim, demora muito pra nos desapegarmos no futuro (eu, por exemplo, preciso me lembrar todo santo dia que eu estou aqui, agora – não estou lá atrás e nem lá na frente). 

Nós fomos criados em uma competição frenética e não é do dia pra noite que iremos perceber que não há ganhadores e nem perdedores. Isso demanda tempo, esforço e energia concentrada no agora. Quando você perceber que o sono perdido por causa do medo do futuro não tem fundamento, viverá muito mais plenamente – sem ansiedade, sem medo e sem preocupações levianas.

5. O que o medo excessivo significa?

Medo em excesso significa passado ou futuro em excesso. O passado é ilusão; o futuro é ilusão. Mas isso significa que não devemos nos planejar? Não. Você pode sim se planejar, mas você não pode deixar que o futuro seja o pilar da sua felicidade. Percebe que, se colocar toda sua esperança de uma vida incrível no depois, jamais viverá em paz?

Apenas seja. Aqui, agora. Aprecie o ato de ser. Conecte-se com o agora: ele é tudo que temos. Nã

6. Seja por inteiro.

Se você é por inteiro, a todo instante, não sobra espaço pra ansiedade e pra medos. Quando somos pela metade, o vazio dentro da gente é gritante: reclamamos demais, tememos demais, sofremos demais e ficamos vulneráveis demais. Todo sofrer, todo temor e toda reclamação indicam não aceitação. Se você não aceita, você não consegue ser inteiro.

Braços estendidos com flores saindo.

Não confunda isso com ser acomodado, tá? Você deve lutar pelo seu futuro e pelo seus sonhos, mas, novamente digo, não aposte todas suas fichas em algo imaginário – construa sua vida, mas não espere pra curtir quando o edifício estiver finalizado: curta cada etapa da construção como se você só tivesse isso (e na verdade, você sabe que só tem isso, mesmo).

Não prorrogue sua felicidade e sua paz e nem lamente o bom que passou pela sua vida. Morra para o seu passado e livre-se do excesso de futuro. Tudo que você precisa está à sua disposição agora.

7. O futuro é a fonte das inquietações, então…

…pare de viver nele! Ele é sufocante, mesmo. Tememos a falta de dinheiro, tememos perder alguém, tememos não realizar nossos sonhos, tememos o abandono de um amor. Tememos, tememos, tememos. Se ele é assim maligno, por que deixar ele tomar posse de seus pensamentos e sentimentos? Pouco a pouco, treine-se para deixá-lo de lado. Não há nada que possa ser feito e não há garantia alguma. Poupe-se. Seja inteiro aqui e agora. Aceite isso e vá se transformado, ainda que devagarinho.

E aí, consegui ajudar um pouco? Espero que sim 🙂

Tem um livro muito bom que pode te ajudar nessa busca pela aquietação dos medos: “O poder do agora”. Já ouviu falar? É ótimo! Você pode comprar clicando no link abaixo:

 

 

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Crônicas do Cotidiano

Sobre ser adulto e se perder em excessos.

“É que, além de aflitos e desorientados pelo excesso de informação inútil, somos muito superficiais. Falta-nos o hábito de observar e refletir. Assustados com responsabilidade, escolha e decisão, despreparados como adolescentes, nos desviamos do espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde ou mal. Somos crianças tendo crianças.”
– Lya Luft

Quando estamos perdidos nos encontramos.
Perca-se. Encontre-se.

O excesso é uma delícia.
O excesso nos deixa vivos e alertas o tempo todo. O alerta não nos permite desperdiçar um instante sequer, uma mera oportunidade. Ele nos conduz à rotas cheia de novidades e de intensidade e de prazeres. Porém, o que ninguém diz é que os extremos se chocam: a vida pede, muitas vezes, moderação.

Você pode aprender isso de maneira simples ou complicada, depende do seu comportamento diante do mundo. À medida em que envelhecemos, somos forçados a encarar novas responsabilidades que exigem equilíbrio, compromisso e enraizamento. Enraizar: palavra que causa tremores em muitos corações aventureiros. Eu tenho pavor de criar raízes, de ser moderada e de viver em doses, mas eu aprendi que encarar a realidade é, em partes, encarar que ter moderação é uma escolha válida. Não, não vou abrir mão dos meus sonhos e nem parar com meus devaneios bobos e estúpidos antes de dormir; não vou viver acomodada e nem muito menos aceitarei tudo o que me é imposto; porém, ser moderada é, em primeiro lugar, respeitar o tempo e deixá-lo agir, subindo degrau por degrau, sem pressa e sem atropelar etapas.

Vivemos em uma sociedade que sofre – mais do que nunca – com os efeitos da ansiedade. Nossa sociedade cria frustrados: nossos jovens vivem desiludidos em matéria de amor e de carreira; não temos foco e achamos que, ao sair de uma universidade ou de um curso preparatório, teremos a nosso alcance um super emprego (e também achamos, muitas vezes, que vamos encontrar o amor de nossas vidas nesse meio tempo).

O que ninguém fala é que as coisas não acontecem nessa ordem: estudamos e temos que começar a traçar carreira de baixo, aceitando pouco e perdendo muito tempo de vida; somos explorados e não aceitamos que é preciso se sujeitar a muita coisa até chegar e um patamar, digamos, mais plausível. Nossa vida é pautada basicamente em construções, e não em acasos ou sorte.

Olhamos tanto para a frente que tentamos dar passos maiores que nossas pernas, pulando degraus, esquecendo que um dia já desejamos estar onde estamos. Somos ingratos com a história que nos carregou até aqui e com as escolhas que decidimos traçar no passado.

Essa onda de ansiedade nos tira totalmente o foco do dia a dia, e eis que acontece um grande paradoxo: queremos tanto aproveitar nossos dias como se fossem os últimos que acabamos por desperdiçá-los com reclamações e uma inconformidade que nos devora. Não: não seja um conformado, mas saiba que o caminho se faz caminhando – as coisas não vão cair no seu colo. Esse choque de realidade é comum na transição para a vida adulta: nos topamos com diversidades e com a eterna incoerência que se cria entre fazer a vida profissional e gozar dos prazeres da juventude. É muito difícil, todos – ou quase todos – sofrem com o tal dilema.

E como dizia antes, o excesso é uma delícia, enquanto que nos parece moderação fatal. Mas as fatalidades dessa vida, a meu ver, nos dão uma dose de ânimo. Para colher é necessário semear. E correndo o risco de ser contraditória, acredito que para viver em excesso é preciso saber moderar. Para se achar é preciso se perder. Mas talvez viver perdido seja necessário; talvez essa seja a condição que nos sustenta e que nos manda pra frente.

 

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Crônicas do Cotidiano

Risque sua vida, mas não tenha medo de rabiscá-la.

Você pode ler esse texto ao som de “Mexeu Comigo – Tiê”.

Se você nunca mudar o caminho, vai acabar exatamente onde parou.

Desde que nascemos, criamos planos, idealizamos uma vida inteira e nos iludimos facilmente com promessas alheias; amamos muito, choramos, sorrimos, brigamos. E todos os eventos vivenciados nos levam até uma coisa: nossa própria identidade. Porém, algumas pessoas são extremamente apegadas às vivências, às pessoas, aos bens: elas bolam toda uma trajetória contando que tudo será exatamente igual daqui alguns anos, que as pessoas serão as mesmas, que ela será a mesma. Mas o que ninguém quer encarar é o fato de que nós mudamos: mudamos de roupa, de cabelo, de pensamento, de opinião e até mesmo de sentimentos; podemos mudar de religião, podemos mudar de carreira. Nós nunca somos, de fato; nós sempre estamos. Não adianta pensar que a vida está terminada, que tudo já foi feito e conquistado, pois SEMPRE haverá caminhos que não foram caminhados e gostos que não foram provados.

Sim, é fato que planejamos demais, que riscamos nossa vida linearmente, com todos as vírgulas, pontos finais e reticências; esquecemos, entretanto, que todos ao nosso redor possuem uma caneta e também uma borracha, e a partir do momento em que somos seres sociais, rabiscamos as linhas dos outros e os outros rabiscam as nossas páginas também. Nem sempre tudo sairá como planejado. Cada ser humano é um universo, é inteiro, é livre. Como podemos ousar tanto a ponto de sonhar que aquela pessoa será sempre a mesma? Terá as mesmas ambições e as mesmas malícias? Isso seria uma baita ingenuidade.

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Medo, há um tempo, deixou de fazer parte do meu vocabulário. Eu risco, mas também rabisco. Se algo não saiu como planejado, qual a razão para teimar? Claro que devemos tentar se acreditamos em algo, mas não podemos viver presos ao duvidoso “e se?”. Se não foi de um jeito, amigo, vai ser de outro. Acredite: a vida tem uma maneira muito doida de alinhar as coisas, e com certeza você sabe do que eu tô falando. Quantas vezes você não foi prova disso? Você tem algo hoje que, ao olhar para trás, explica o motivo pelo qual outra coisa não funcionou? Claro que isso nos traz dor, angústia. Mas passa. Acho que recebemos tudo aquilo que mandamos ao universo, sem balela. Defendo isso com garra porque sou prova viva dessa grande encrenca que é viver – sou prova de que as coisas são como são. Que temos que riscar, traçar, mas não tema em rabiscar tudo, fazer uma confusão, perder-se, levantar a cabeça e seguir em frente. Não estamos no mundo para vencer todas as batalhas, perder faz parte – e quão vitorioso é saber perder!

O que eu te digo, então, é: rabisque mesmo. Trace linhas tortas, lineares, mas trace. Se uma estrada acabou em desilusão, pegue a próxima. Mas, por favor, não fique parado. Não aceite ficar sem chão simplesmente porque caiu de um degrau: é apenas um degrau, e não o firmamento todo. “Dói. Dói e não é pouco, mas faz um bem danado depois que passa”. Afinal, qual a graça de viver sem se reinventar? Mude de nota, quem sabe você não estará acertando o tom; quem sabe você não encontre a melhor linha no meio de tanto rabisco?

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Crônicas do Cotidiano

Quando você perde as rédeas da sua vida.

É  falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.

É corriqueiro perdermos a cabeça frente às frustrações, medos e anseios – afinal, somos humanos e não recebemos um manual quando chegamos a esse mundo, um que nos contasse qual a melhor reação e qual a melhor postura diante dos acontecimentos da vida. Muito pelo contrário, só aprendemos quando erramos, e nem isso pode ser suficiente em todas as ocasiões. Haverá vezes em que agiremos como crianças carentes, outras em que nos pareceremos com um psicopata, outra em que fingiremos ser o que não somos. Isso é normal, estamos aqui para aprender. Porém, há algo de preocupante quando você perde o controle de si mesmo: outros vão te controlar – não tenha dúvida disso. O ser humano gosta de ter alguém que o oriente e que aponte o melhor caminho. Ou seja, alguém que tome decisões e controle – ainda que subjetivamente – seu comportamento.

Muitas vezes, tardamos para ver quão maléfico isso é para nossa mente e corpo e passamos as rédeas para quem nos cerca: mãe, pai, amigo, namorado…e assim seguimos: acatando e atacando. Atacando porque quando você não tem controle sobre si mesmo algo te alerta que algo não vai bem: no fundo todos somos cientes, apenas relutamos por não saber como agir; e quando não se sabe como agir, você entra em estado de desespero, de desequilíbrio, pois você sabe que precisa de um impulso, mas se sente incapaz de auto gerar esse impulso; e consequente a isso, quando você enxerga pessoas que estão resolvidas e protagonizam suas respectivas vidas você se sente impotente: “o que eu tenho de errado? Parece que todos sabem guiar a vida, e eu aqui, totalmente sem noção”. Você derrota sua confiança, sua autoestima e sua capacidade de ver as coisas positivas. Em suma, você perde seu equilíbrio. E você atua de maneira irracional, faz coisas sem pensar e inimagináveis. O pior de perder suas rédeas está na parte em que a pessoa para de se admirar, uma vez que não vê utilidade em si mesmo… Vai afundando, afundando […] Mas a vida é sábia, minha gente. Primeiramente, o reconhecimento. Em segundo, a mudança de atitude.

Valorize-se, ame-se, coloque-se em primeiro lugar: você não pode fazer alguém feliz se você está infeliz; não pode admirar a beleza do céu, das estrelas, se você está apagado. Há que se olhar pra cima. O resto é consequência. Pode parecer egoísmo, mas na verdade é mais que isso: quando você tem as rédeas na sua mão, você está mais propenso a fazer e a desejar o bem. Ser uma pessoa bem resolvida é fruto de muito esforço, e está cheio de ladeiras e descidas. É preciso ter muita força interna, jamais arredar. Estar bem consigo mesmo é sinônimo de estar em paz perante o universo.

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Crônicas do Cotidiano

Tá tudo bem.

Você pode ouvir esse texto ao som de “No Doubt – Settle Down”.

Mas veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão.

– Guimarães Rosa

As coisas não vão sair sempre do jeito que queremos. As pessoas vão nos decepcionar. As coisas podem ficar complicadas de uma hora pra outra. Talvez os motivos que nos levam a algo sejam perdidos. A gente vai ficar encurralado. Vamos esperar de alguém algo que não convém. Vamos falar coisas erradas; vamos desapontar pessoas que amamos e vamos gastar energia com pensamentos que não edificam. A gente vai falar muita bosta. E fazer também. E receber. A gente vai ter que tomar decisões que queríamos que já estivessem sido tomadas – ou que alguém tomasse no nosso lugar. A gente vai. Vai mesmo.

E tá tudo bem. Basta entender que nosso contexto todinho serve pra levar a gente pra outro lugar. Nova consciência, nova perspectiva. Se passássemos sempre por coisas boas, será que nossa evolução seria a mesma? A questão não é apenas sobreviver a essas situações. A questão é enfrentar e se apropriar delas. Tentar entender, sabe? Tirar proveito, talvez. Fato inegável é passar por baixos nessa vida. Rejeições, decepções, incompreensões. E tá tudo bem, mesmo. Sua vida precisa continuar do mesmo jeito, mas com novas visões. Ao invés de passar uma vida tentando evitar problemas e morrendo por dentro cada vez que você se anula pra deixar algo enterrado, entenda que é inevitável – por mais que você camufle e finja que nada está acontecendo, as coisas estão acontecendo o tempo todo, coisas boas e coisas ruins.

O que é bom passa. O que não é tão bom assim também. E tá tudo bem. A vida é assim mesmo. Ninguém está aqui pra suprir nossas necessidades e nós tampouco estamos aqui pra viver uma vida que não é nossa. A vida é assim mesmo: ora quente, ora fria; ora cheia, ora vazia. Mas nunca – nunca – insignificante.

Ah, e tudo bem também em sentir coisas ruins. A gente cresce ouvindo que é feio sentir raiva, que é fraqueza sentir insegurança e blá-blá-blá. Feio é sentir e não fazer nada a respeito. Você vai sentir raiva, medo, inveja, ciúme, insegurança, ou seja lá o que for. Não se culpe por isso. Sentimento também passa. E tá tudo bem. Mesmo.

E tudo bem não estar bem, também.

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Entretenimento Para ler

Livros para desfuder seu emocional (ou, pelo menos, ajudar).

Eu sou LOUCA por livros. Leio vários ao mesmo tempo e tenho uma grande queda por aqueles que me ajudam a evoluir espiritualmente e pessoalmente. Hoje trouxe quatro livros que me ajudam muito no processo de autoconhecimento e no trato com as situações e comigo mesma.

Obviamente não adianta apenas ler. Precisamos refletir em cima de alguns pontos e tentar mudar alguns hábitos (êta coisa difícil), mas essas leituras nos estimulam e nos alimentam e são um GRANDE passo para melhorar, nem que seja só um pouco.

  • “A sutil arte de ligar o foda-se”, de Mark Manson. Clique aqui para adquirir o seu.

Esse livro é muito simples. Ele dá uns tapas na cara e nos mostra como a gente se importa com coisas minúsculas. Não somos tão especiais assim, vamos morrer um dia e somos responsáveis pelas nossas ações são alguns temas que nos ajudam a colocar o pé no chão e viver com mais sensatez.

  • “A arte francesa de mandar tudo à merda – chega de bobagens e viva a sua vida”, de Fabrice Midal. Clique aqui para adquirir o seu.

Ai, como é bom mandar tudo à merda – pena que nem sempre é possível. Mas é SEMPRE possível fazer escolhas. Este livro nos mostra que perdemos tempo d-e-m-a-i-s tentando cumprir tarefas e sempre ficamos com aquela sensação de que ainda estamos devendo alguma coisa (o quê? pra quem? pra quê?). A utopia da perfeição nos abraça de modo grotesco atualmente e não é fácil escapar da culpa, mas com algumas mudanças de pensamento e atitude, a vida pode ser mais leve. E vida a paz de espírito! (não se desespere, a gente chega lá).

  • “Zen para distraídos”, de Monja Coen e Nilo Cruz. Clique aqui para adquirir o seu.

Esse mundo é uma loucura. Temos tantas informações e mesmo assim somos mega perdidos (nem todos, vai). A Monja Coen (uma fofa) e seu genro, Nilo, nos presentearam com um livro muito pertinente. Questões do cotidiano moderno estão em pauta aqui, com princípios budistas que podem iluminar nossa inteligência e nossas ações. Se joga. Vale a pena.

  • “O poder do agora”, de Eckhart Tolle. Clique aqui para adquirir o seu.

Que livro, meus amigos, que livro. Os ansiosos precisam pôr em prática as lições que esse tio nos passa. Quanto mais a gente se espiritualiza, mais percebe a importância que a consciência tem na nossa vida, e esse livro aborda justamente isso: ser consciente é viver no agora – fora dele não há felicidade (e a gente vai percebendo que é bem isso mesmo, viu). Repito: se joga.

E aí, deu pra desfuder um pouco? Espero que sim. A vida é assim mesmo povo, uma montanha russa; mas quando a gente busca por autoconhecimento, as coisas vão se iluminando à nossa frente (nem sempre, mas as vezes dá certo). Porém, só sabemos que nada sabemos e morreremos sem saber nem metade do que nós achamos que sabemos. Cruel, mas verdadeiro. Me conta aí embaixo suas impressões.