Categorias
Autodesenvolvimento

Inspira e solta.

Amadurecer é um processo muito louco. Você acaba lidando com partes de você que achava que estavam bem enterradas e acaba descobrindo que o que estava escondido é, na verdade, essencial pra sua sobrevivência. Amadurecer é jogar luz sobre as sombras e querer enfiar a cabeça debaixo da terra porque — caraca, vai dar trabalho demais lidar com isso — e mesmo assim continuar.

Acho mesmo que o amadurecimento é tipo uma volta pra casa, uma volta pra si mesma. É quando você aprende a se carregar no colo e a se cuidar amorosamente. É quando você segue seu instinto mais selvagem, ainda que isso venha a custar muito. É uma escolha que precisa ser feita diariamente. Crescer é limpar a sua própria casa interior e enfeitá-la como bem entender. Só que, para que a limpeza possa ser feita, o contato consigo mesma é essencial. O contato consigo mesma cura e dá um baita suporte para sobreviver no mundo. Contemplar, criar, meditar, rezar, ler, escrever, silenciar. Qualquer coisa é válida para se conectar a si própria.

Quando a gente cresce a inconstância da vida é gritante. A gente se dá conta de que as coisas vão fugir do controle, de que as coisas não saem sempre como esperamos, que as pessoas não estão aqui pra nos agradar, que se privar do seu instinto é besteira e tantas outras coisas. É subir e descer sem parar. E ficar bem com isso é entender que precisamos nos manter firmes assim mesmo. Não existe outra opção. Inspira, solta e segue. Afinal de contas, a vida-morte-vida é nosso ciclo natural.

Perguntar-se e sondar-se acerca seus reais desejos da alma também faz parte da evolução de cada um. Quando estamos em contato contínuo com a nossa essência a gente aprende a esperar por aquilo que realmente desperta nossa alma e a toca lá no fundo. Muitas vezes a espera significa um grande respeito por si mesma. Porque você se conhece, você sabe o que quer e o que não quer; porque mantém contato com sua essência, escolhe com mais prudência suas atitudes e companhias. Gente enfadonha e situações idem não merecem nossa fixação e atenção. É muito difícil desprender-se disso e, portanto, é um processo. Como tudo na vida — absolutamente TUDO — pr que algo possa nascer, algo precisa morrer. Assim, respira e solta. Guarde o que é bom, solte o que for ruim. É só por meio desse ciclo que as coisas começam a se encaixar e sua resiliência, a se fortalecer.

Floresça e dê à luz sempre que tiver vontade. Como adultas, precisamos muito pouco de licença, mas, sim, de maior criação, de maior estímulo dos ciclos selvagens. O que deve morrer morre. Todas nós sabemos no fundo de los ovarios quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.

— clarissa pinkola estés

Pra mim, o mais difícil de encarar na fase adulta é exatamente a impermanência e a inconstância de tudo. Da vida, do humor, do amor, da mente, do medo, do sonho, da dualidade. As coisas morrem. As coisas mudam. As coisas complicam. E a inconstância é sempre uma constante. Ela tá sempre presente nas nossas vidas. O ar entra e logo ele sai. As flores nascem e logo caem. A gente nasce e depois morre. A gente sonha e depois acorda. A gente tem medo e logo encara. É tudo assim. Tudo meio dual, meio louco, meio fora de controle. E é somente aceitando essa dualidade que encontraremos, dentro da gente, o fio condutor de tudo isso, a união do que está separado.

O poder de ser dois é muito forte, e nenhum dos dois lados deve ser negligenciado. Eles precisam ser alimentados da mesma forma, pois juntos proporcionam ao indivíduo poder excepcional.

O poder da dualidade está em agir como uma entidade única. É entender que toda essa bagunça faz parte da mesma coisa e pode nos levar ao mesmo lugar. Equilibrar. Equilíbrio. Saber dosar, saber unir. Unir e manter. Manter e soltar. Soltar e pegar. Pegar e unir. Unir e desunir. Desunir e manter.

Que saibamos perder o controle e soltar. Que saibamos ter controle também. Que entendamos que pra nascer, tem que morrer. Pra inspirar, tem que soltar. São tantos os ciclos… A única certeza é a de que precisamos encerrá-los antes de abrir novos. Fecha o antigo primeiro pra depois abrir o novo. Que não atropelemos os tantos processos pelos quais passamos. Que sejamos pacientes, mas também ousados.

Que sigamos nossa intuição.

Sempre. Sempre. Sempre.

Categorias
Crônicas do Cotidiano

Toda vez que falta luz o invisível salta aos olhos.

 Toda vez que falta luz o invisível salta aos olhos.

Quando enfrentamos uma fase de escuridão podemos sofrer com a falta de luz por alguns momentos, mas logo depois começamos a enxergar com mais clareza o que antes não conseguíamos ver e estava bem na nossa frente.

A vida tem disso, sabe? Virar tudo de ponta cabeça só pra ver se somos capazes de nos reinventar. O tempo passa e as coisas mudam. Seria bobagem achar que pessoas não mudam. Você é o mesmo de antes? Muito provavelmente não. Mas nós só conseguimos seguir em frente quando encerramos ciclos com sabedoria e consciência. Mas encerrar um ciclo é o mesmo que apagar as luzes, nem que seja por um breve instante. É difícil pra caramba encarar uma nova realidade e no começo a gente pena mesmo. Mas depois as coisas vão ficando mais claras e concretas.

Nossa capacidade de transformação e adaptação é realmente incrível – basta sermos senhores de nós mesmos e deixar as mudanças ocorrerem de modo natural. É fundamental encerrar ciclos com sabedoria, mas isso só ocorre se conseguirmos dar significado à fase sombria. Tem gente que finge que não tem nada acontecendo e vive fugindo da dor. Porém, não é assim que funciona: temos que aceita-la. Sofrer faz parte do processo e é uma super aliada do amadurecimento.

Outra coisa: boa parte do que somos hoje diz respeito às escolhas que fizemos no passado. Não o menospreze. Seguir em frente com prudência requer de nós uma perspectiva correta do que ficou pra trás. Jamais se esqueça do que te trouxe até aqui e do que te impulsionou a ser o que é hoje. É meio automático querer ignorar o lado negativo de algumas situações, mas se olharmos bem, veremos que elas nos ensinaram muito – e aprender é sempre válido quando falamos de experiências.

Portanto, quando se ver em um momento de dificuldade, não se desespere em busca de uma nova luz que vem de fora. Você tem luz o suficiente dentro de você. Se acalma. O invisível aparecerá e serás capaz e enxergar o que antes parecia não estar lá.

Você tem tudo dentro de você. Acredita.