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o rumo que muda o mundo é eterno.

(Você pode ler esse texto ao som de “Nuvole bianche”, de Ludovico Einaudi)

É realmente assustador quando nos damos conta de que basta um segundo pra que nossa realidade se transforme: seja pra melhor, seja pra pior. Um segundo. Um piscar de olhos. Tudo o que nos deixa em pé pode desmonorar em uma minúscula partícula de tempo. O chão pode ser removido a qualquer hora. Qual o seu chão? Quem é seu chão?

O rumo que muda o mundo é eterno. É infinito. Existem tantas possibilidades nessa vida. Tantas, tantas, tantas. Eterno e infinito. Já parou pra pensar no que isso significa? Não sei. Ninguém sabe. É só incerteza. Nós não temos controle do que acontecerá. Nunca teremos. Nós achamos que temos e escolhemos acreditar que sim. Nós sempre vamos dormir tendo uma boa noção de como será nosso dia seguinte; mas, de repente, tudo pode mudar. E se mudar?

Essa incerteza é assustadora. Nós sempre achamos que nada vai acontecer e realmente acreditamos nisso. E tudo bem, nem sempre acontece mesmo. A vida nem sempre é feita de grandes marcos — sejam eles bons ou não. A vida, geralmente, é um acumulado de pequenos tesouros, de pequenas dores, pequenos medos. Dessa forma, custa acreditar que tudo pode virar de ponta cabeça assim, do nada. Mas pode sim. O rumo que muda o mundo é eterno e infinito e ele pode tomar outra direção a qualquer instante.

Se você perder o chão, em que vai se apoiar? Se tudo aquilo que você tinha como verdade desmoronar, em que você vai acreditar? O que realmente importa pra você? O que você prioriza?

A vida é um grande clichê, muitas vezes. E os clichês não existem à toa. Nós precisamos constantemente manter contato com nosso eu mais profundo pra realinhar, (mais uma vez) constantemente, o que precisa morrer dentro da gente e o que precisa continuar sendo regado para viver. A vida é tão frágil (mas tão, tão, tão, frágil) que a gente precisa se lembrar, a cada escolha que tomamos, o que, verdadeiramente, faz sentido pra gente. E por mais que saibamos disso muito bem, vamos continuar fazendo escolhas péssimas vez ou outra.

Escolher bem exige coragem. Escolher bem, muitas vezes, dói. Fazer renúncias pode ser muito chato. Os momentos de crise nos lembram que diante da fragilidade da vida, só nos resta tentar e acreditar. Os rumos podem ser bons, e isso consiste em manter a calma e viver de acordo com sua verdade. Saber que você vai errar, mesmo sabendo de tudo isso, também é importante para que você tenha coragem pra ver  e viver a vida do jeito que você sente que ela merece ser vivida: busque suas paixões, vá atrás do que te faz brilhar os olhos, crie seu próprio chão alternativo, alimente o amor das pessoas que te apoiam, agradeça o ar em seus pulmões.

E o mais bizarro de tudo é que nem sempre sabemos qual é a nossa verdade. Precisa-se cavocar bem fundo para conseguir captar seus gracejos, que nem sempre aparecem. Nós não temos como saber tudo nem da gente mesmo. E por mais que não ter controle seja algo tão massacrante, precisamos aprender a dançar conforme o caos — o de fora e o de dentro.

Não estamos aqui para zerar a vida — ela não é nenhum jogo. Estamos aqui para colecionar os miúdos tesouros tanto quanto possível. A vida, por si só, já é um milagre. Se você tem alguma dúvida quanto a isso, observe o mundo em que vivemos, o tamanho do caos instaurado. Você acha mesmo que viver é um privilégio de todos? Não. Viver é o maior dos milagres. E como sendo hospedeira desse milagre, honre-o. Honre sua vida vivendo-a bem. Cuidando dela como se fosse o maior dos tesouros. Dançando e espalhando graça, sentindo os cheiros que chegam até você, curtindo os sabores que te acompanham, abraçando e beijando quem tá aí do lado, agradecendo por estar viva nesse querido e velho mundo.

“existem aqueles dias em que a simples ação de respirar leva você à exaustão. parece mais fácil desistir desta vida. a ideia de desaparecer é capaz de trazer paz. passei tanto tempo sozinha num lugar em que não existia sol. em que não crescia flor. mas de vez em quando no meio da escuridão alguma coisa que eu amava surgia para me trazer de volta à vida. como testemunhar o céu estrelado. a leveza de dar risada com velhos amigos. uma leitora que me disse que os poemas salvaram sua vida. e ainda assim eu lutava para salvar a minha. meus queridos. viver é difícil. é difícil para todas as pessoas. e é bem nesse momento que a vida parece um eterno rastejar por um túnel minúsculo. que precisamos resistir com força às memórias negativas. nos recusar a aceitar os meses ruins ou anos ruins, porque nossos olhos querem engolir o mundo. ainda há tantos lugares com água turquesa para mergulhar. há a família. de sangue ou escolhida. a possibilidade de se apaixonar. pelas pessoas e lugares, colinas altas como a lua. vales que vão fundo em novos mundos. e viagens de carro. acho muito importante aceitar que nós não somos mestre deste lugar. e como visitantes devemos aproveitá-lo como um jardim. tratá-lo com gentileza. para que quem vier depois também aproveite. devemos encontrar nosso sol. cultivar nossas flores. o universo nos presenteou com toda a luz e as sementes. talvez às vezes a gente não ouça mas aqui sempre tem música. só precisa aumentar o volume ao máximo. enquanto houver ar em nossos pulmões – precisamos continuar dançando”.
— Rupi Kaur
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peça ajuda.

O mundo está cada vez mais individualista, né? Mas quem faz o mundo somos eu e você. Já parou pra pensar nisso? Talvez seja momento de sairmos um pouco de nossas bolhas e aceitarmos que precisamos um dos outros — e não, isso não é sinal de covardia.

Pedir ajuda pode até ser vulnerabilidade, mas há muita (MUITA) força na vulnerabilidade. E humildade também. Gente durona não pede ajuda e, quase sempre, quem é muito durão é, beeem lá no fundo, super mole. Irônico, né? 

Nós precisamos da nossa individualidade, certamente. Mas de onde vem esse receio em pedir ajuda? Tá, vamos combinar que existem pessoas que se sentem as bam-bam-bam quando pedem ajuda pra elas, né? E essas pessoas gostam de humilhar, de mostrar sua superioridade e por aí vai. Mas esse tipo de gente é melhor relevar. Eu tô falando mesmo em pedir ajuda pra quem quer nos ajudar — e tem muita gente disposta a isso.

Menina de olhos azuiz entre flores.

Um dos motivos, como já disse, é que a gente pode pegar um certo ranzo em pedir ajuda quando o fazemos a pessoas erradas. Fato. Mas muita gente se julga também quando pede ajuda. “ai, como sou fraca”. “por que eu nao consigo resolver isso sozinha? claro que eu consigo. eu sou forte e vou provar isso”. Não, não, não, não, não. Todo mundo precisa de ajuda e ninguém é fraco por isso.

Sabe, algumas coisas a gente não queria pra nossa vida. Cada um tem suas sombras e nós sabemos bem como é chato viver com elas. Mas elas são nossas. E quanto a gente entende que elas existem para nossa própria jornada ter mais sentido, a gente aceita; ainda que com dor, a gente aceita; na verdade, podemos muito bem escolher não aceitá-las, mas adianta? Uma hora elas voltam pra gente. O melhor é abraçá-las agorinha (ainda que rolem uns tapas pra lá e pra cá).

E nós não precisamos fazer isso sozinhas. Primeiro, temos nossa intuição como guia. Use-a. Investigue-a. Ela deve ser seu primeiro farol. Segundo, o mundo tá cheio de gente linda (e gente bem de buenas) para nos ajudar. Peça ajuda. Nós precisamos dos outros. Você não é menos quando pede ajuda. A outra pessoa não é mais quando ajuda. Isso é irmandade, é troca. Eu bem sei que é algo cultural essa questão de covardia VS coragem, mas o mundo gira e nós temos que desconstruir para conseguirmos ampliar nossa consciência.

Você conhece alguém que diz que terapia é só pra gente doida? Que reforço escolar é só pra burro? Que fé é só para os medrosos? Que nutricionista é só pra descontrolados? Acho que sim, né? E isso é só uma parte da grande lista de afirmações ignorantes que temos o desprezer de ouvir. Tem gente que quer se virar sozinha sempre e esquece que a dor pode ser diluída quando damos a mão pra alguém. O simples fato de falar sobre suas dores com alguém pode trazer imenso alívio. Não tenha medo — ainda existe gente linda no mundo.

E, obviamente, ajude. Ajude os outros e tente não esperar nada em troca — pode ser que haja reciprocidade, pode ser que não. Eu sei que quase todos nós, bem lá no fundo, espera o bem em troca quando fazemos o bem. Mas nem sempre isso ocorre e não dá pra se revoltar por isso. Muitas vezes coisas ruins acontecem com pessoas boas. Esse mundo não é justo. Ajude mesmo assim. Ame mesmo assim. Perdoe mesmo assim. Não é fácil ser um terráqueo mas é o que temos pra hoje.

Doeu? Peça ajuda. Alguém que você gosta (ou não, vai saber) tá numa bad violenta? Ajude com o que puder. A gente não precisa passar por tudo sozinho. Peça ajuda. Peça ajuda. Peça ajuda. E só pra deixar bem claro: ninguém é fraco ao pedi-la.

 

Vem refletir mais <3

“Autocuidado”, clica aqui.
“Será que estamos nos percebendo?”, clica aqui.

Tem alguma sugestão de reflexão? Escreve pra gente aqui nos coments 🙂

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você tem medo de quê?

Desde que iniciei minha jornada de autoconhecimento, nunca consegui olhar para o medo sem pensar na coragem, concomitantemente. Um está de mãos dadas para o outro e sempre caminham juntos. Afinal de contas, corajoso é aquele que faz mesmo com medo. Não há coragem sem medo — é semanticamente impossível.

Menina de mãos dadas com o medo.

Eu fico admirada e ao mesmo tempo mega confusa com a dualidade que existe em nós e como ela se completa por si só, mesmo que as vezes desejemos que ela não exista. É chato pra caramba ficar triste; é um porre sentir vergonha, indiferença, frustração, raiva, ansiedade… Mas esses sentimentos nos constituem como seres humanos e precisamos acolhê-los. Fácil nunca foi, não é e nem nunca será. Mas estamos nessa vida para isso, dentre tantas outras coisas que negligenciamos. Minha percepção de mundo se transformou muito quando aceitei que a dualidade faz parte de todos nós.

A criação é, ao mesmo tempo, luz e sombra. Sempre precisa existir uma alternância na supremacia entre o bem e o mal de maya. Se a alegria fosse ininterrupta aqui neste mundo, viria o homem a desejar um outro? Sem o sofrimento, ele dificilmente trata de recordar que abandonou seu lar eterno. A dor é aguilhoada para despertar a memória. A via de escape é a sabedoria.

— A voz divina para Paramahansa Yogananda, em Autobiografia de um Iogue.

Com o medo não é diferente. Nós precisamos dele para expressarmos coragem. Se você faz mesmo com medo, isso significa que você venceu sua própria sombra e se agarrou à luz. Nem sempre isso fica evidente instantaneamente — muitas vezes a convicção da coragem (e da vitória por meio dela) demora a chegar. E assim precisamos caminhar. Não devemos atacar e reprimir nossos medos; ao invés disso, precisamos aprender a como confrontá-los, a como deixarmos a coragem nos guiar diante disso tudo. Ninguém vem ao mundo sem medo de alguma coisa. 

As emoções que sentimos são compostas de uma infinitude de eventos que nos ocorreram; nem sempre o medo vai ser racional e geralmente ele vem cheio de cargas emocionais. Sem contar que esse sentimento sempre leva em consideração os desejos do ego, e por isso eles precisam ser trabalhados e analisados com cautela. Mas ele não é apenas um vilão: o medo pode nos livrar de grandes problemas, também.

O medo também pode ser ferramenta muito útil para nos autodescobrirmos. O que seu medo pode revelar sobre você? Pra onde ele te leva? Quais são seus medos mais profundos? Pergunte-se. Olhe pra dentro de si mesmo e tente trazer à tona os seus medos. Isso pode ser revelador (e um tanto quanto perturbador, mas é assim mesmo). 

Mas o que transforma tudo é a forma como lidamos com nosso medo. Ele pode ser seu inimigo, mas também pode ser um amigo (um desses nem sempre muito agradáveis, sabe?). Fingir que eles não existem pode revelar um outro medo, e aí é algo que só quem sente pode investigar. O que eu sei que ajuda? A fé que você carrega e preserva; a aceitação e o olhar afetivo para com seus medos; a meditação; a contemplação; o autoconhecimento. O que muda tudo é olhar pra dentro de si próprio (sem se esquecer de olhar pra fora, também, senão é como trocar seis por meia dúzia) e descobrir que nós somos os únicos capazes de fazer algo concreto por nossos medos. A palavra e a decisão final sempre serão nossas. As emoções têm o tamanho que damos a ela. Qual o tamanho dos seus medos? Você tem medo de quê?

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Crônicas do Cotidiano

evaporar.

Casal se beijando dentro do carro.

De todos os clichês, você me confirmou que a forma como as pessoas saem de nossas vidas diz muito. Diz tudo. Você me disse, ao me deixar partir daquele jeito, quão pequena você me enxergava. O vazio que sempre senti ao seu lado ficou muito bem explicado. Você não tinha nada para oferecer. E eu tinha. Eu tinha muito. Mas meu tudo sempre se esbarrava em seu nada. Vazio. As pessoas não podem dar o que elas não têm. Mas, afinal de contas, quão vazia uma pessoa pode ser? Você me ensinou que muito. E com você eu aprendi que preciso me lembrar de ser corajosa. Sim. Eu sentia o vazio. Eu sentia a falta. Eu sentia o nada que vinha de você. Mas a gente finge que não é com a gente. A gente acha que a pessoa vai cair em si, que vai ver o tamanho de coisas lindas que você tem pra dar. Mas não. Quem não tem nada, não pode oferecer nada. Não se engane. Tenha coragem de ouvir sua intuição. Não fique onde não há entrega. E relaxa. Não é a pessoa que te faz amar ou te faz melhor ou qualquer baboseira do tipo. Ninguém faz ninguém ser nada. Você é o que é e ponto. Você ama porque o amor está em você. Você é capaz de amar o universo com tudo que carrega no peito. Então não venha me dizer que são os outros que lhe despertam amor. O amor está em você. Você é uma dádiva. Não se diminua pra caber no mundo de alguém. Se a pessoa não sabe te terr por lá, que assim o seja. Por amor ao seu amor, por amor ao que há de mais belo dentro de você, vá embora. O amor é um grande clichê. Ele sempre te eleva. Ele sempre te lembra que não há perdedores quando se sente. Não tem como perder quando se ama. Só quem não ama perde. Só quem não sabe receber e dar amor perde. E isso sempre será uma opção. A coragem que precisamos ter vai além dessa busca tola que travamos a vida toda ao acreditar que encontraremos a pessoa perfeita. Amor se constrói. Amor é tijolo por tijolo. É carinho por carinho. É afeto por afeto. Intimidade por intimidade. O amor demora. Amor não vem pronto, não. Será que você sabe disso? Será que você quer saber? Sabe aquele papo “não é nada com você, sou eu”? É a mais pura verdade. Sim, somos todos livres para ir e vir, ficar ou partir. Mas a covardia é o que mais me preocupa. A indecisão é o mais irritante. Pessoas mornas, fracas. Que lutam somente quando lhes convém; que querem somente quando vale a pena. E que sempre te deixam pra depois. E que sempre tentam te diminuir. E te cozinham lentamente. Elas gostam de te ter por perto mas não cuidam. Elas não sabem o que sentem. Elas nem se conhecem. Eu tenho verdadeira preguiça de gente que não se conhece e não se esforça pra isso. Acabou que, de todos os clichês, o mais latente é a preguiça que sinto de você.  Acredito em ações, não em palavras. Eu estaria morta de fome se não tivesse tido coragem o suficiente pra te deixar pra trás. E finalmente você está aí, bem atrás. E eu to curtindo meu próprio banquete.

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desfechos imaginados

Tallulah Fontaine.

Digamos que criar expectativas é algo quase que inato na gente. Temos uma mente e ela gosta de projetar coisas. Ela cria as situações, os encontros ideais, os diálogos e os desfechos. Sim: ela tem um roteiro pronto pra cada situação da sua vida. E o que você faz? Você se apega a eles, óbvio.

A sociedade, no geral, e a nossa cultura universal romantizam demais os finais felizes. Você, desde pequena, jura que já sabe o que quer pra sua vida. Não tô dizendo que sonhar faz mal, mas o quanto de dano esses desfechos imaginados já te causaram? Nós temos que sonhar e esperar coisas da vida sim, mas o que nós realmente queremos? O que vem de dentro da gente e o que nos é imposto e nós acreditamos ser nosso?

Poucas coisas nos pertencem de fato. Na real a gente foi se acostumando com esse romance e já foi fazendo parte do elenco sem nem saber se tudo isso traz real significado pra gente. E quando descobrimos que talvez não nos sintamos contemplados por esse roteiro surgem os problemas, as inseguranças, os medos, as ansiedades.

O que será que tem de errado comigo? Será que nunca vou ter isso? Eu sempre sonhei com isso, por que nunca alcanço? Qual meu problema? Qual o problema com as pessoas?

São muitas condenações que dirigimos a nós mesmas. Mas o que eu tenho aprendido é que essa desconstrução é dolorosa, mas é ainda mais valiosa. É só passando por esse impasse que conseguimos descobrir o que realmente nos pertence e separar daquilo que pegamos emprestado do mundo e que não nos serve mais.

Talvez você encontre as afirmações necessárias para continuar buscando esse desfecho imaginado, talvez ele realmente faça sentido pra você. Talvez você descubra que quer algo diferente do que outrora queria, e que alguns ajustes serão necessários. E isso é muito difícil: deixar para trás toda a bagagem ilusória e tudo o que você achava que realmente formavam sua identidade e recomeçar.

Recomeçar sem saber onde tudo isso vai dar. É difícil viver na incerteza. A corda parece estar sempre bamba nessa jornada de volta pra dentro. É realmente complicado abrir mão dos desfechos imaginados. Talvez você não queira mais seguir a profissão que fazia seus olhos brilharem; talvez você não forme uma família — pelo menos não como imaginava; talvez você tenha que deixar algumas vontades lindas de lado para seguir outras mais importantes ou mais necessárias; talvez você precise dizer adeus para algumas pessoas para sempre; talvez você comece a duvidar de certezas que achava que tinha.

E cara, isso dói. Dói porque é desconhecido. Porque não se pode saber onde a estrada o levará. E dói porque você não sabe se o que estará te esperando à sua frente é aquilo que você deseja. E daí você precisará estar pronta para aceitar um final diferente daquilo que tinha programado nessa sua cabecinha linda. É realmente uma merda, ás vezes. Dá vontade de fingir demência e só obedecer o que te mandem fazer.

Mas nós temos que questionar. É preciso ter coragem de sobra e abrir mão dos desfechos que criamos ao longo da vida. Nem sempre as coisas vão acontecer como queremos, e isso é um saco. Mas ainda assim há beleza nisso tudo. Deixar a vida nos surpreender é deixar a vida no controle, é parar de querer controlar tudo e desapegar dessa mania de fazer as coisas acabarem como planejamos, mesmo que isso signifique viver de ilusões e mentiras. Que não nos falte coragem para deixar a vida agir.

Vem ler mais:
– Para refletir sobre a importância de encarar de frente o que quer que seja, clique aqui.
– Sobre se entregar pra vida, clique aqui.

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bota o dedo na ferida, sim.

É bastante comum corrermos do que nos faz mal. E mais comum ainda é não sermos tolerantes a nada que nos cause desconforto. Buscamos o mais fácil, o mais confortável — quanto menos trabalho, melhor. É claro que todos queremos isso. Mas para alcançarmos o verdadeiro conforto precisaremos colocar o dedo na ferida, vez ou outra. É só encarando o que nos incomoda que teremos o verdadeiro alento, que é aquele que vem de dentro e que permanece, apesar das circunstâncias.

Nossa geração é meio mimada e medrosa e imediatista, fatalmente (leia esse texto aqui). Não sabemos esperar e não temos paciência para plantar algo que talvez demoremos anos para colher. Queremos e queremos agora. E isso faz com que fujamos muito rapidamente de tudo aquilo que não nos parece ideal. Mas o que é ideal, nessa vida? Será que viveremos sempre fugindo da realidade? Buscando sempre o caminho mais fácil, mais rápido, menos doloroso? Talvez sejamos mais idealistas do que realistas. Será que, no fundo, vivemos a espera de situações e pessoas perfeitas (do tipo salvadoras), embora neguemos isso veementemente?

Não dá pra curar nossas feridas sem lidarmos com ela. E muitos vivem doentes a vida inteira por deixar o medo falar mais alto. A cura nem sempre é mansa, sabemos bem disso. E por isso vamos fugindo, fugindo, fugindo… Até que vem a vida, nos passa uma rasteira e berra aos nossos ouvidos: VOCÊ VAI SIM LIDAR COM ISSO, BENZINHO! NÃO ADIANTA CORRER.


Não importa do que esteja fugindo, você só se liberta quando pode olhar de frente; você só se livra dos seus fantasmas internos se puder encará-los, porque quanto mais você corre, mais eles correm atrás de você — e eles começam a aparecer onde você menos espera. (Sri Prem Baba)

Todas as situações da vida acontecem por um motivo. Tudo nos engrandece se estivermos abertos a isso. Não estamos aqui para sofrer, muito pelo contrário: estamos aqui para aprendermos a lidar com o sofrimento (e não a fugir dele) para podermos viver integralmente. Porém, nós fugimos do sofrer. Nós o negamos e o deixamos para depois. E o depois sempre chega. Chega porque o universo quer nos ver curados, quer nos expandir e quer que vençamos os desafios que surgem dia após dia. E ele sabe muito bem das situações que precisamos vivenciar para curar e ressignificar nossas feridas internas. Tudo nos é dado, mas nos falta fé.

Você se lembra bem das coisas que deseja? Nós desejamos amor, desejamos paz, sucesso e uma porrada de outras coisas. E quase sempre, quando conseguimos realizar esses desejos, não sabemos lidar e acabamos “perdendo” tudo o que nos foi “dado”. Colocamos tanta energia no produto final que nos esquecemos do meio do caminho.

Será que sabemos lidar com o amor? Aliás, será que sabemos MESMO o que é o amor? Sabemos nos relacionar com os outros? Sabemos o que é liberdade? O que é sucesso? O que é paz?

Até que ponto somos o que somos por mero condicionamento? O que construímos verdadeiramente e o que nos foi dado? Nos questionamos muito pouco. O padrão nos consome e nós nos deixamos consumir por ele. Afinal, é muito mais fácil seguir o que é imposto, né? E não que seja tudo errado: pelo contrário, para muitos o que é padrão é verdadeiramente a melhor opção. Mas precisamos questionar. precisamos encarar de frente o que nos falam que é certo. Você precisa sentir que aquilo é verdadeiramente seu.

Viver no automático e viver fugindo é tranquilíssimo. Mas até quando? A vida pode cobrar mais caro depois. Então, deixa doer agora. Encare o que precisa ser encarado. Viva o que precisa ser vivido. Não tenha medo de desconstruir (e cá entre nós: o medo vai estar sempre ali, então é mais oportuno dizer “aprenda a viver com o medo” do que “não tenha medo”).

Bota o dedo na ferida. Deixa sangrar. O momento mais escuro da noite é aquele que antecede a chegada do sol. A cura sempre chega, e com ela novos desafios irão aflorar. Não gosto de dizer que viver é lutar, mas sim que viver é aprender a lidar com a dor e a encontrar paz mesmo estando em meio a tanta bagunça. E o caminho para isso é se conhecer. É investir pra valer em si mesmo. É lutar por você e para sua expansão. É ter compaixão e bondade para consigo mesmo, é se amar, é se aceitar, é se desconstruir, é ouvir seu coração e é aprender a calar o ego que quer te ver no superficial, fazendo o que dizem ser o certo, mas nunca te mandando fazer o que você SENTE ser o certo.

 

Que tal ler mais textos com essa pegada? Só clicar <3

“Não dá pra fugir” — leia aqui.
“A gente sempre dá conta” — leia aqui.

 

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demonstra interesse, sim!

Eu, honestamente, não consigo entender essa gente que gosta de perder tempo e vive jogando com a vida e com os outros. Não consigo entender quem vive competindo com qualquer um pra sair por cima e mostrar maior resistência, como se o desinteresse fosse um troféu e o perdedor é sempre aquele que está mais disponível, mais aberto.

Os papeis estão invertidos. Trouxa é aquele que demonstra interesse, é quem fala o que sente, é quem coloca pra fora o que tá dentro. O vitorioso? Bom, o vitorioso é aquele que vive de joguinhos, que traça planos pra mostrar sua resistência, seu desapego e sua falta de interesse. Sensato, né? Me parece muito justo (contém ironia).

O resultado de tudo isso? Viver em uma sociedade enlouquecida. Sentir se transformou em fraqueza, em coisa de gente besta. Não pode demonstrar sentimento, não. Onde já se viu? Se expor e correr o risco de ser vulnerável? Jamais. (contém ironia outra vez)

100 DAYS OF HAIR BY MAGGIE COLE

E a idolatria pela falta de sentimento só cresce. Nunca tivemos indivíduos tão medrosos, tão sufocados com os próprios sentimentos. As pessoas não sabem lidar mais com isso e empurram, pra debaixo do tapete, tudo que ameace o ego, a imagem e a aparência tão sabiamente edificadas ao longo da vida; afinal, gente forte não sente.

Mas escuta aqui: as pessoas fortes são as que mais sentem; são as que mais se permitem correr riscos; são as que chegam à beira da vulnerabilidade e encaram da melhor maneira possível as emoções. Elas erram, também (obviamente). Lidar com sentimentos nunca é fácil e por isso demanda tanta força e treino (é muito mais fácil fingir demência e pegar atalhos sempre é mais atrativo). Fraco é quem finge não sentir (sim, não passa de fingimento e/ou negação: a não ser que você seja um sociopata, você sente).

Só que gente que não tem tempo pra forjar falta de interesse vive a vida com maior abertura e entrega (e acreditem: nada supera isso). Ás vezes (quase sempre, na real), pessoas que se aceitam vulneráveis e se permitem (e encaram suas emoções de frente) assustam aqueles que tanto fogem do sentir. É um preço a se pagar, mas ainda assim vale mais a pena do que mostrar desinteresse. E, na moral mesmo, deixe que pensem… No fim das contas cada um lida e colhe o que plantou. Quem planta o forçar de um desinteresse vai colher exatamente isso. Faça sua parte e semeie HONESTAMENTE. Sem fingir, sem forjar, sem fabricar. Permita-se. Sinta. DEMONSTRA INTERESSE SIM!

Não tá mais afim de alguma parada? Abre o jogo. É empático e humano ser sincero e respeitar o sentimento dos outros. mas, por favor, para de fazer joguinho.

Fonte: @vibesdejah Me acompanhe pelo instagram @dourivaltavares

Demonstra interesse. Fala que tá com saudade. Coloca seu afeto pra fora. Fala o que tá sentindo. Seja verdadeiro e dê seu melhor. O pior que pode acontecer é PARECER bobo e frágil, mas daí é só lembrar que quem perde é quem vive jogando e fugindo e adiando e negando o que sente por causa de EGO, por causa de uma competição que só existe na cabeça do outro ser humano.

Um clichê que se faz necessário nessa reflexão: não perde quem dá amor, perde quem não sabe recebê-lo e vivê-lo.

Pra não correr riscos: se joga e SEMPRE faça questão de dar seu melhor. Foda-se que zombem da sua fragilidade, foda-se que te chamem do que quer que seja, contanto que haja verdade em suas ações.

 

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o oposto de amar é temer.

Não é ódio, não é indiferença — o oposto de amar é temer. Quem tem medo não se entrega, não se permite. Tudo fica travado quando sentimentos medo.

Menina negra com os cabelos atrás da orelha.

Vai dar medo? Vai.

E você precisa ir mesmo assim. Não dá pra viver escolhendo o caminho do medo. Mas como você lida com esse seu medo é que faz toda a diferença. Obviamente em alguns momentos o medo é nosso parceiro, mas na maioria das vezes ele é puro ego. Medo de perder, medo de sair por baixo medo de estar vulnerável, medo de dizer que ama, de assumir que não sabe, de pedir perdão… A lista é longa! Nosso ego gosta de nos confundir 🙂 Por isso, conheça-se, permita-se, respeite-se. <3

você precisa viver sem medo?

Não tem como viver sem medo! É impossível. A  vida é assustadora (nós somos assustadores, também). Não dá pra se blindar do medo, mana. E tudo bem. Mas o que você faz com ele é problema seu e sempre será. Você foge? Finge demência? Fica insensível? Usa máscaras? Qual é sua proteção contra o medo? Qual sua desculpa? Todos nós temos um abrigo pra nos escondermos quando sentimos medo: qual é o seu? E sim, esse abrigo é apenas uma máscara e uma impotência que carregamos. É proteção, bem sabemos — mas a linha entre proteger e te privar de viver experiências i-n-c-r-í-v-e-i-s é mega tênue. Ou vai ou fica. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. A vida é assim. Nós não sabemos quando vamos sorrir ou quando vamos chamar. E isso dá medo pra caramba, cara, mas isso é viver. Essa imprevisibilidade dá toda a graça e todo o medo. Se joga!

De quantas experiências você já se privou por medo?

Aposto que muitas. É inerente, mas sempre há tempo de mudar! Tudo (absolutamente tudo) nessa vida é imprevisível. Trocar de emprego, encontrar um amor, fazer amizades, arriscar uma nova área, uma viagem… Em tudo corremos risco. Viver é o maior deles. Nunca se sabe em qual esquina seu coração vai parar de bater. NUNCA SE SABE — você tem ideia do que isso significa? Mesmo?

Significa que a gente vai morrer. Pra valer. E só teme a morte quem tem medo da vida. E todos nós temos medo da vida, então vou esclarecer as coisas: só teme a morte aquele que escolhe agir pelo medo, aquele que deixa a insegurança liderar e comandar os rumos.

Ame. Pule. Grite. Desabafe. Mande a real. Mude de emprego. Se descabele. Viaje. Fale que ama. Abrace mais. Não esconda seus sentimentos. Bote tudo pra fora. Corte o cabelo. Mude a cor dele, também. Ou não faça nada disso.

Não deixe o medo mandar em você. Você pode se arrepender? Pode, mas mais vale a pena viver com arrependimentos do que não se arriscar por puro medo. Viva a história que deseja contar.

Gostou? Então vem ler esses aqui:

Sobre sentimentos.

Sobre a imprevisibilidade da vida.

Sobre estar vulnerável.

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somos medrosos (e mimados) demais.

Até que ponto a frase “não sou obrigado a nada” é verdadeira na sua vida? De fato, ninguém é obrigado a nada; mas a linha entre não ser obrigado e ser covarde é bastante tênue. Uma coisa é você não querer fazer algo, e outra totalmente diferente é ficar com medo — ou sentir dor — e fugir na direção oposta.

A nuvem cobre a cabeça do moço.

 

Nos falta coragem.

Estamos muito intolerantes aos sentimentos dolorosos. Não sabemos lidar com as dores e com os problemas. Todos nós teremos até o último dia de nossas vidas, é inevitável. Nós precisamos começar e terminar — não dá pra desistir só pela dor que começou a apontar. Medo todos nós sentimos e sempre sentiremos, mas é necessário ficar (ou ir) mesmo que machuque um pouco.

Nos falta compromisso.

Essa covardia instaurada nos deixa com tanto medo que não sabemos mais assumir compromissos — amorosos, profissionais, amistosos, familiares. Por isso é tudo tão líquido: desistimos fácil do que nos assusta e do que começa a exigir um pouco mais de nós. As construções que precisamos fazer durante a vida exigem coragem e enfrentamento (principalmente o de si próprio) e ninguém disse que seria fácil. Mas não dá pra viver na superfície, no raso — precisamos aprender a mergulhar mesmo que isso seja desconfortável.

Nos falta fé.

O medo exacerbado só faz morada no coração daqueles que não têm fé. E fé não é sinônimo de religião, não. Você pode chamar do que quiser — deus, natureza, universo, mas nós só conseguimos dar passos e encontrar forças (mesmo que com muito, muito medo) com a fé; ela nos guia e nos impulsiona a melhorar, a evoluir, a crescer.

A fé nos ajuda a enxergar além do caos e a perceber que algumas situações da vida precisam ser encaradas de frente — em outras, desistir pode até ser a melhor opção, mas não dá pra deixar as coisas de lado só por estarem complicadas. Não dá pra desistir só pelo fato de algo ser difícil e doloroso e conflituoso. Nós precisamos encarar — mesmo que doa, mesmo que nos faça chorar, mesmo que nos faça querer sair correndo.

Nos falta segurança.

Esse medo que nos atormenta é fruto também da sociedade em que vivemos. Confiar nos outros anda sendo tarefa difícil. Mas você confia em si mesmo? Você se preocupa em se conhecer, em se lapidar e em evoluir? Nós estamos inseguros demais. Não sabemos lidar com rejeições, não sabemos ouvir “não” e já trememos quando alguém discorda da gente.

É muito chato viver desse jeito. Se temos confiança e fé em quem somos, no que fazemos e pra quê estamos aqui, essas coisas exteriores não nos abalariam tanto assim. Não cale sua voz, confie em você. Todos nós somos capazes e estamos equipados para superar as infelicidades que permeiam a vida. Se você sabe disso e confia em si mesmo, certamente não precisará correr ao menor sinal de desconforto.

Nos falta disciplina.

Temos a péssima tendência de achar que disciplina é reflexo de uma mente inflexível, quadrada, ultrapassada e várias coisas mais. Porém, o que acontece é o oposto: quando você tem disciplina, você venceu seu inimigo mais poderoso — você mesmo. Quanto mais você luta contra seus desejos imediatistas e carnais (procrastinação, autossabotagem, insegurança, etc.), mais livre você é. Leia mais sobre isso aqui.

Nos falta aceitação.

Onde está sua força? Onde está sua consciência? Onde está sua humanidade?
Essa liquidez que enfrentamos nos dias atuais é sinal de fraqueza, de covardia e é uma prova de que somos mimados e não aceitamos que as coisas sejam diferentes  daquilo que desejamos. Não tem problema ser rejeitado e não tem nada incomum em ouvir “não” por aí.

Essa necessidade em agradar e ter a aceitação de todos é a maior armadilha em que se pode entrar. Você precisa se aceitar e se agradar — isso bastaria pra você ter fé, coragem, compromisso e segurança com quem você é.

Quem é mimado demais vive com medo. Medo de não darem atenção, de não concordarem, de não ajudarem, de não aceitarei e não acolherem. A culpa não é só nossa — isso é consequência social; fomos moldados e criados desse jeito, em muitos casos. Mas isso não serve de justificativa pra você não fazer algo a respeito.

Se você gosta desse assunto e quer ler mais sobre, indico os seguintes posts:

  • Nesse aqui falo sobre mudanças e o motivo pelo qual é tão difícil sair do lugar;
  • Aqui falo sobre a importância dos sacrifícios;
  • Tudo serve de treino nessa vida, e neste post escrevi sobre o assunto;
  • E por último, precisamos entender que tudo tem sua hora: leia sobre isso aqui.

Tem um vídeo muito bom sobre insegurança que pode ser bastante útil pra você, vai conferir — clique aqui.

 

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Autodesenvolvimento

Você acredita em destino?

Tem gente que acredita que todos temos um destino traçado e que nascemos com  os eventos da vida formulados e moldados. É como se fôssemos passar por algumas situações independente de qualquer coisa – não teríamos escolha, caberia apenas esperar e viver o que temos que viver. Não acredito em destino. Acredito em escolhas. Afinal, você prefere dar sentido à sua vida ou esperar que ela lhe traga algum significado?

Você carrega o destino ou o destino te carrega?
Você carrega o destino ou o destino te carrega?

Quem está no controle?

Imagina só se tudo estivesse escrito nas estrelas: você certamente não teria crises internas do tipo quem sou eu, qual minha missão, pra onde devo ir e blá-blá-blá e nem teria dificuldades para tomar decisões – ou melhor, você não precisaria decidir as coisas – elas já viriam prontinhas! Você não precisaria batalhar para ter o emprego dos sonhos, ele estaria te esperando; você não precisaria ter responsabilidade afetiva e nem se preocupar caso a pessoa amada fosse embora pois o destino os uniria outra vez. Engraçado, né? E tem gente pensando que a vida é uma grande loteria… Não, não é.

Uma pessoa que não toma decisões é uma pessoa sem controle da própria vida. Suas decisões formam seu caráter e seu futuro (vulgo, formam você). Leia mais sobre isso aqui, ó.

Nós somos feitos de opções.

Como seria possível existir destino com o tanto de opções que temos? Sim, há coisas que acontecem sim sem nossa permissão – ninguém escolhe ser assaltado, ninguém escolhe ter uma doença chata, ninguém traz sol ou chuva e várias outras coisas fogem ao nosso controle. Mas a maior parte da nossa vida é construída de acordo com as escolhas que fazemos. Leia com atenção: construída. Nós moldamos nossa vida todos os dias, todos os instantes. Pare para observar e você verá como todo o poder está em você, e não no acaso. Se o destino existisse, seria uma puta sacanagem com a nossa cara: não passaríamos de meros marionetes que acreditam ter controle quando, na verdade, alguém está conduzindo o baile todo.

Cuidado com o entreguismo.

“Deixa a vida me levar, vida leva eu”. E tem gente cantando isso com orgulho. Deixar a vida ditar o caminho é para fracos e medrosos e indecisos e acomodados. Você pode até achar que está construindo uma bela vida quando aposta no entreguismo, mas uma hora você vai se perder. Entregar-se ao poder do acaso é fatal – o destino é cego. Eu digo isso por experiência: eu acreditava que a vida tomaria todas as decisões por mim e eu me calava diante de tudo; eu criei uma armadura e me chamei de corajosa, mas foi a época mais covarde que eu desbravei. Sim, não raro a covardia vem camuflada de coragem.

Eu acredito sim que a vida nos guia e nos envia sinais, mas escutá-la é uma opção, visto que na maioria das vezes requer coragem. E outra: só quem tem as rédeas na mão é capaz de se indagar se está no caminho correto. Quem deixa a vida rolar e não se compromete nem se preocupa em questionar-se acaba por transformar-se em um fantoche das circunstâncias.

Está em suas mãos.

O sentido que você vai dar à sua vida só depende de você. Suas conquistas só dependem de você. Seria mole demais deixar o destino se encarregar disso, né? É que temos medo da responsabilidade e preferimos alegar que “a vida quis assim”. É muita reclamação, muita ingratidão. Falta-nos responsabilidade. Caso ninguém tenha te falado isso hoje, lá vai: as coisas não vão cair no seu colo, faça alguma coisa pelo que deseja. Isso pode ser desesperador ou inspirador: caso você não confie o suficiente no seu potencial e se renda ao entreguismo, irá ficar louco ao descobrir que o destino não vai te ajudar a perseguir seus sonhos. Caso assuma o controle das suas decisões, ficará inspirado ao dar-se conta da infinidade de caminhos que poderão te realizar e te despertar.

Mulher com escritos no lugar do rosto.
Você cria sua história. Você escreve seu destino.

E aí, já escolheu?

Vai retomar as rédeas da vida ou vai se entregar à crença de que o destino já está traçado e de que tudo irá acontecer independentemente de suas decisões? Vai aceitar ser um marionete ou vai criar a própria história?

 

 

 

 

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Crônicas do Cotidiano

Eu precisava ir embora.

E assim como ocorre em todos os ciclos, alguém foi embora. E eu quis muito ir embora. Eu precisava ir. Não consigo me demorar onde não me sinto pertencida. Até pensei que talvez eu devesse insistir um pouco mais. Porém, quando me dei conta de que tenho o rumo da vida em minhas mãos, não consegui mais ficar. Sei lá, morro de medo de perder tempo. E eu tava perdendo tempo com você. Não me leve a mal – não era só meu tempo que estava em jogo – o seu também estava. Nunca ninguém perde tempo sozinho: quando agimos por egoísmo somos responsáveis pelo tempo do outro.

E talvez eu tenha sido egoísta. Mas talvez eu tenha sido corajosa. É complicado saber quanto de egoísmo tem em atos corajosos. A questão é que temos que pensar na gente também. Ninguém, exceto eu mesma, é responsável pela minha vida. E eu não conseguia me ver na sua vida. Algo precisa ser feito.

Então eu fui embora. Eu precisa ir. Costumo ir com tudo quando decido deixar algo pra trás. É a bendita e a maldita intensidade. Ou é ou não é. E eu sei que meios termos, vez ou outra, podem cair bem. Mas nesse caso não. Do mesmo modo que preciso cuidar da minha vida, preciso garantir que a sua seja bem cuidada enquanto nossas histórias se cruzam. E eu não tava fazendo isso bem, não. Um dia você vai agradecer e entender. Deixa essa nebulosidade passar e eu te prometo que vai ficar tudo bem.

Mulher com cabelos ao vento observando a paisagem a sua frente.

E não, não sou uma pessoa má simplesmente por ter ido embora. Imagina se todas as pessoas que conhecemos ao longo da vida permanecessem. Não tem como. A vida faz uso de peneiras pra saber quem vai e quem fica. E eu fui embora. E tudo bem ir embora. Você também já foi embora de lugares e também de pessoas. Não dá pra ficar sempre em todos os lugares.

Mas ei, por favor. Lembre-se bem disso antes de me culpar por suas possíveis dores: você também já precisou ir embora. E acho que isso é bem mais corajoso do que egoísta. Eu ainda tenho essa mania boba de achar que o universo é poderoso e que, com certeza, achará um jeitinho de nos colocar na rota que precisamos trilhar – temos que permanecer receptivos e atentos. Não dá pra viver ignorando a bagunça e a confusão que estão dentro da gente. Eu tava bem bagunçada. Eu precisava me ouvir. Atrás de toda confusão tem uma mensagem precisando chegar até nós. Tente ouvi-la. Dá medo, eu sei.

Ir embora é também um ato de valentia.

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Autodesenvolvimento

Desistir ou insistir?

Esse assunto é mega delicado. Muitos nos dizem para tentar de novo, de novo e de novo; outros falam que não adianta perder tempo e energia com o que não te faz bem. Como saber quando insistir e quanto desistir?

As indecisões nos confudem.
Pintura de KwangHo Shin.

Por favor, se escute!

Alguns chamam de intuição, outros de sexto sentido. Não importa como você denomine essa sensação, mas você precisa segui-la. Se nós estivermos abertos e receptivos aos sinais que a vida nos dá, logo perceberemos o caminho que faça mais sentido – mesmo que seja imperfeito. Temos uma insegurança tão grande que esquecemos de nos ouvir. Se escuta! E não se esqueça: nenhum caminho será perfeito.

Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta. Se escuta.

Quanto mais você se conhece, mais fácil.

O autoconhecimento é uma ferramenta fantástica! É o melhor investimento que você faz por você, mesmo sabendo que é trabalho pra vida toda. Se você tem consciência de seus valores e virtudes, tomar decisões será tarefa branda. Seu jeito de viver a vida automaticamente já te fará decidir entre ir ou ficar. Cada um tem um jeito: outros toleram mais, outros menos; outros tendem a fugir quando a coisa aperta, outros gostam do desafio. Muita gente não liga em insistir e insistir e insistir porque elas lidam muito bem com as possíveis rejeições que podem ou não entrar no caminho; outros já se desmontam por inteiro frente às adversidades e sabem que, pro seu próprio bem, é melhor recuar. É questão de autoconhecimento, aceitação e amor próprio. Sempre temos que buscar crescer, mas não adianta ficar se machucando só pra provar algo pra si mesmo (se você sabe que é do tipo de pessoa que não lida bem com um fora, por exemplo, pra quê ficar se ferindo? Só pra provar que é capaz? Calma, tudo tem seu tempo; talvez mais pra frente seja mais fácil lidar com isso. Aprenda a se respeitar e a respeitar seu ritmo.).

Compreenda e aceite que sempre que optar por um caminho, estará automaticamente renunciando outro.

Como é difícil abrir mão das coisas! Muita gente vive em cima do muro e quer tirar proveito de todas as situações superficialmente, sem se aprofundar e sem escolher um caminho (vulgo ter o melhor dos dois mundos). É muito mais cômodo manter um pé aqui e outro pé lá, mas não é nada saudável. Isso nos atrapalha (e muito) na hora de escolher entre ir ou ficar. Pare de querer abraçar o mundo e escolha se abraçar – você provavelmente está precisando disso.

Pé no freio.

Fácil falar, difícil fazer. Tendemos a agir com impulsividade diante de muitas situações complicadas que nos encurralam. Não tenha pressa, tome o tempo que for necessário para se decidir. Comece observando seu comportamento: o que ele está lhe dizendo? Não tenha medo de se escutar; a gente se faz de surdo e cria uma fuga perfeita, mesmo sabendo que não adianta. É incrível como, na maioria das vezes, temos a resposta dentro da gente e optamos por fingir demência, acreditando que as coisas se decidem sozinhas. Você tem essa mania? Se sim, bote mais confiança em si mesmo e vai – mesmo com insegurança. Caso você esteja sendo pressionado pra dar uma resposta, faça um balanço e vai na fé (haha), mesmo que o risco de se arrepender seja maior.

Tudo bem se arrepender.

Arrependimento é sinal de crescimento. Se o arrependimento não existisse, não haveria evolução. Não tenha medo e não se sinta um fracasso apenas porque sente que deveria ter tomado o outro caminho – você provavelmente fez (ou tentou) fazer tudo o que estava a seu alcance quando tomou a decisão. Você sempre pode olhar pra trás e tentar reverter o jogo; caso não seja possível, aprendizado, ué! Deixa pra próxima.

Se te faz bem, provavelmente você está no caminho certo.

O que eu mais faço quando estou com dúvidas entre ir ou ficar é analisar como estou me sentindo. Tem coisa na vida que exige muito da gente, que nos desgasta sem nos trazer benefício algum e, quase sempre, essas são as coisas que precisam ficar pra trás. Mesmo que doa (a renúncia dói) essas escolhas precisam ser tomadas. Quando as coisas começam a fluir naturalmente, é sinal de que você está escolhendo bem. Porém, é inevitável que apareçam pedras no caminho. Algumas você chuta, outras você contorna. Mas aí entra a verdadeira dificuldade: quais devemos chutar? Não sei. Só você sabe, na verdade. Se tá te sugando, foge; se tá te impulsionando, fica.

Nós somos covardes demais.

Covardia é não se escutar; covardia é seguir o caminho que outros percorreram só por achar que é mais fácil; covardia é achar que a vida decide pela gente; covardia é fugir das responsabilidades que qualquer decisão traz consigo. Sabe o que torna tão difícil optar por tentar mais uma vez e deixar pra lá? O medo do que virá depois. Penamos muito para aceitar que temos que deixar algo pra trás e, a partir do momento que abraçarmos nossas decisões, não ficaremos tão amargurados – mesmo que optemos pelo caminho supostamente errado. Tente se desafiar vez ou outra, ainda que dentro dos seus limites.

Não existe errado; não existe certo: existe o melhor pra você.

Se é teu sonho, luta; se é teu ego falando, corre. Se é por medo, luta; se é por desgaste, corre. Se te faz bem, luta; se te faz em migalhas, corre. Ou faça tudo ao contrário, não importa. Não há uma receita pronta. As vezes a batalha por um sonho é árdua, e mesmo assim deverá ser enfrentada. Complicado, né? Conforme vamos amadurecendo, vamos aprendendo a lidar com eventos que antes nos eram traumáticos de forma natural – por isso, nem sempre é vantajoso pular degraus e interpretar um papel que não é o seu – seja você mesmo e evolua à sua maneira. Como eu disse antes, tudo bem se arrepender – que sirva de lição pra próxima empreitada.

Tentar mais uma vez é um ato de coragem; desistir também é um ato de coragem.

A linha entre a coragem e a fuga ocasionada pelo medo é extremamente tênue. O medo pode vir camuflado de coragem. E você sabe do que eu tô falando, com certeza. Determinadas situações da vida são complicadas e nós temos sim que tentar e tentar e tentar – tentar até esgotarmos as possibilidades. Porém, podemos nos meter em situações que não são feitas pra gente – e não há problema algum em recolher suas coisas e partir. Novamente, autoconhecimento. Só você sabe seu limite e o quanto aguenta lutar.

Tentar é um ato lindo: você encerra ciclos sabendo que fez tudo o que podia.
Desistir também é um ato lindo: você se respeita e se conhece tanto que é capaz de impor seus próprios limites.

Ninguém disse que seria fácil 🙂