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o rumo que muda o mundo é eterno.

(Você pode ler esse texto ao som de “Nuvole bianche”, de Ludovico Einaudi)

É realmente assustador quando nos damos conta de que basta um segundo pra que nossa realidade se transforme: seja pra melhor, seja pra pior. Um segundo. Um piscar de olhos. Tudo o que nos deixa em pé pode desmonorar em uma minúscula partícula de tempo. O chão pode ser removido a qualquer hora. Qual o seu chão? Quem é seu chão?

O rumo que muda o mundo é eterno. É infinito. Existem tantas possibilidades nessa vida. Tantas, tantas, tantas. Eterno e infinito. Já parou pra pensar no que isso significa? Não sei. Ninguém sabe. É só incerteza. Nós não temos controle do que acontecerá. Nunca teremos. Nós achamos que temos e escolhemos acreditar que sim. Nós sempre vamos dormir tendo uma boa noção de como será nosso dia seguinte; mas, de repente, tudo pode mudar. E se mudar?

Essa incerteza é assustadora. Nós sempre achamos que nada vai acontecer e realmente acreditamos nisso. E tudo bem, nem sempre acontece mesmo. A vida nem sempre é feita de grandes marcos — sejam eles bons ou não. A vida, geralmente, é um acumulado de pequenos tesouros, de pequenas dores, pequenos medos. Dessa forma, custa acreditar que tudo pode virar de ponta cabeça assim, do nada. Mas pode sim. O rumo que muda o mundo é eterno e infinito e ele pode tomar outra direção a qualquer instante.

Se você perder o chão, em que vai se apoiar? Se tudo aquilo que você tinha como verdade desmoronar, em que você vai acreditar? O que realmente importa pra você? O que você prioriza?

A vida é um grande clichê, muitas vezes. E os clichês não existem à toa. Nós precisamos constantemente manter contato com nosso eu mais profundo pra realinhar, (mais uma vez) constantemente, o que precisa morrer dentro da gente e o que precisa continuar sendo regado para viver. A vida é tão frágil (mas tão, tão, tão, frágil) que a gente precisa se lembrar, a cada escolha que tomamos, o que, verdadeiramente, faz sentido pra gente. E por mais que saibamos disso muito bem, vamos continuar fazendo escolhas péssimas vez ou outra.

Escolher bem exige coragem. Escolher bem, muitas vezes, dói. Fazer renúncias pode ser muito chato. Os momentos de crise nos lembram que diante da fragilidade da vida, só nos resta tentar e acreditar. Os rumos podem ser bons, e isso consiste em manter a calma e viver de acordo com sua verdade. Saber que você vai errar, mesmo sabendo de tudo isso, também é importante para que você tenha coragem pra ver  e viver a vida do jeito que você sente que ela merece ser vivida: busque suas paixões, vá atrás do que te faz brilhar os olhos, crie seu próprio chão alternativo, alimente o amor das pessoas que te apoiam, agradeça o ar em seus pulmões.

E o mais bizarro de tudo é que nem sempre sabemos qual é a nossa verdade. Precisa-se cavocar bem fundo para conseguir captar seus gracejos, que nem sempre aparecem. Nós não temos como saber tudo nem da gente mesmo. E por mais que não ter controle seja algo tão massacrante, precisamos aprender a dançar conforme o caos — o de fora e o de dentro.

Não estamos aqui para zerar a vida — ela não é nenhum jogo. Estamos aqui para colecionar os miúdos tesouros tanto quanto possível. A vida, por si só, já é um milagre. Se você tem alguma dúvida quanto a isso, observe o mundo em que vivemos, o tamanho do caos instaurado. Você acha mesmo que viver é um privilégio de todos? Não. Viver é o maior dos milagres. E como sendo hospedeira desse milagre, honre-o. Honre sua vida vivendo-a bem. Cuidando dela como se fosse o maior dos tesouros. Dançando e espalhando graça, sentindo os cheiros que chegam até você, curtindo os sabores que te acompanham, abraçando e beijando quem tá aí do lado, agradecendo por estar viva nesse querido e velho mundo.

“existem aqueles dias em que a simples ação de respirar leva você à exaustão. parece mais fácil desistir desta vida. a ideia de desaparecer é capaz de trazer paz. passei tanto tempo sozinha num lugar em que não existia sol. em que não crescia flor. mas de vez em quando no meio da escuridão alguma coisa que eu amava surgia para me trazer de volta à vida. como testemunhar o céu estrelado. a leveza de dar risada com velhos amigos. uma leitora que me disse que os poemas salvaram sua vida. e ainda assim eu lutava para salvar a minha. meus queridos. viver é difícil. é difícil para todas as pessoas. e é bem nesse momento que a vida parece um eterno rastejar por um túnel minúsculo. que precisamos resistir com força às memórias negativas. nos recusar a aceitar os meses ruins ou anos ruins, porque nossos olhos querem engolir o mundo. ainda há tantos lugares com água turquesa para mergulhar. há a família. de sangue ou escolhida. a possibilidade de se apaixonar. pelas pessoas e lugares, colinas altas como a lua. vales que vão fundo em novos mundos. e viagens de carro. acho muito importante aceitar que nós não somos mestre deste lugar. e como visitantes devemos aproveitá-lo como um jardim. tratá-lo com gentileza. para que quem vier depois também aproveite. devemos encontrar nosso sol. cultivar nossas flores. o universo nos presenteou com toda a luz e as sementes. talvez às vezes a gente não ouça mas aqui sempre tem música. só precisa aumentar o volume ao máximo. enquanto houver ar em nossos pulmões – precisamos continuar dançando”.
— Rupi Kaur
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Você não precisa saber onde quer estar em dez anos.

Loucura? Não, não. De fato, você não precisa saber exatamente onde quer estar daqui a algum tempo: dez, cinco, três ou um ano. A vida não funciona desse jeito. Não dá pra bolarmos um script e seguí-lo do começo ao fim sem nenhuma mudança. Isso é insano. Isso engessa demais e exclui muitas possibilidades.

Nós tendemos a planejar as coisas e projetar tudo nesse caminho idealizado, como se o controle fosse estar o tempo todo em nossas mãos e como se nada ruim pudesse sequer interferir. Por exemplo, você já fez alguma dieta na vida? Provavelmente, sim. E muito provavelmente, também, no dia em que você optou por fazê-la, você visualizou esse processo mais ou menos assim: “nossa, eu vou ser tão fitness, mas tão fitness que eu vou resistir a tudo e as pessoas vão ficar muito chocadas com tamanha força de vontade”, ou, então “nossa, eu vou malhar todos os dias, não importa o clima e nem meus compromissos; eu vou acordar muito cedo e com todo ânimo do mundo — NADA vai me deter”; ou, ainda “putz, quando eu tiver esse emprego eu vou ser tão feliz que eu vou acordar sozinha sem despertador e eu não vou querer faltar nunca porque ele vai ser a coisa mais foda de todas”. Qualquer exagero e idealização cabem aqui. Sinta-se a vontade para criar seu exemplo.

E, cá entre nós, não é assim que a vida funciona. Você pode sim priorizar algum aspecto na sua vida e deixar pra lá outras coisas enquanto persegue aquele objetivo. Mas não vai ser perfeito. O caminho não é perfeito e nem precisa sê-lo. A graça do processo é aprender a cair e a levantar logo em seguida. E não evitar quedas a todo custo.

Ao invés de evitar a queda, aprenda a cair direito: ou seja, levantando em seguida.

Nós cobramos muito dos outros e da gente também. Falta compaixão e benevolência. A gente projeta muita coisa nas pessoas e nos sonhos e em como os realizaremos. Pode ser que seja realmente fácil, mas pode ser que seja difícil e que seja um processo diário de tomada de consciência para processar seus atos, um após o outro, e talvez você precise se lembrar momentaneamente do motivo de estar fazendo tal coisa. Nós somos humanos, e isso significa que nos iludimos aqui e ali. Sabe aquele emprego dos sonhos? Você não vai conquistá-lo e automaticamente todos os seus problemas acabarão. Sabe aquele amor que você tanto deseja? Ele também não vai te iluminar e deixar a vida mega doce e perfeita do tipo meu-deus-por-que-eu-recamava-da-vida-estou-no-paraíso. Não, não, não. Não é assim que a vida é.

Portanto, onde você quer estar daqui a dez anos talvez não importe tanto assim. Claro que devemos buscar nos conhecer para saber o que nos deixa felizes e bolar planos é realmente importante; as metas e os objetivos nos lembram do que queremos e nos disciplinam, mas eu realmente acho absurda essa cobrança por controlar todos os passos do futuro e ainda mais a cobrança em se saber onde se deseja estar daqui a algum tempo. No fundo, nós sabemos (principalmente) onde não queremos estar, certo? E a gente faz sim ideia do que queremos estar fazendo. Mas façamos juntos um exercício aqui e agora: olhemos para trás. Dez anos atrás. Quais eram seus sonhos? Onde você imaginou que estaria agora? Você consquistou tudo o que quis? Você ainda quer o que outrora desejou? Quantos imprevistos aconteceram? Quantos atalhos você pegou? Quantas vezes mudou de direção?

Bom, eu sei que praticamente nem lembro tanto assim do que eu queria dez anos atrás — lembro de pouca coisa. Conquistei algumas, mas outras ambições nem me servem mais. Eu precisei deixá-las para trás e isso foi um ato de amor por mim mesma. Desapegar de sonhos pode ser frustrante? Sim, e muito, mas é uma eterna redescoberta, sabe? Nós falamos tanto em mudanças,  em metamorfoses… Então como que podemos apoiar as mesmas coisas de sempre? Nós mudamos o tempo todo. O tempo todo nós mudamos.

Eu sempre fiquei meio blé quando alguém me perguntava isso e eu não sabia responder. Me sentia irresponsável, meio que sem metas e indisciplinada. Daí automaticamente eu pensava que “meu deus, eu não sei qual estrada quero trilhar, então eu vou acabar tomando qualquer uma e ser uma fracassada”. Puta que pariu. Que cobrança é essa? Eu não sei mesmo onde quero estar daqui a dez anos, mas eu garanto que vou ser muito fiel a mim mesma nesse meio tempo (não perfeitamente, óbvio, mas o melhor possível). Entende? Só o fato de eu me respeitar, em acolher e me amar meio que garante que eu não vou andar em qualquer estrada. Então talvez eu não precise de grandes planos e nem de ambições gigantes. Basta colocar meu coração e inteligência em minhas escolhas que as farei bem — sejam elas grandes ou pequenas. 

Pode ser que você realize os sonhos que carrega consigo agora, mas pode ser que daqui a dois meses eles não lhe façam mais sentido. E aí? Você vai se martirizar por isso ou vai aceitar sua transmutação? É foda, né? Não é fácil. Nós nos apegamos até nos nossos desejos. Mas eles também vão e vêm. Não há nada errado nisso. Você tem o direito de mudar. Trace planos, mas não se apegue tanto assim a eles. Não deposite esperanças de dias melhores em cima de objetivos futuros. Não projete o melhor que você pode ser em coisas que ainda nem aconteceram. Seja feliz com o que você tem e é agora. E saiba que esse “seja feliz” inclui dias péssimos e totalmente cagados e complicados. É assim mesmo. Ser feliz não é um ato constante. Aquele papo de que para ser corajoso é preciso estar com medo é quase a mesma coisa: para ser feliz você precisa saber o que é tristeza. Para caminhar você precisa se perder. Para saber o que se quer é preciso deixar pra trás o que se queria.

Continue refletindo comigo 🙂

a gente nunca sabe nada.

Dadme la muerte que me falta.

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você respeita suas más escolhas?

Viver é tomar decisões. Estamos o tempo todo escolhendo caminhos e fazendo renúncias. Conforme vamos nos conhecendo, escolhemos com mais sabedoria e consciência; mas a grande questão é: nós estamos SEMPRE em formação — nunca, olhando de uma perspectiva global, nos conheceremos na totalidade. Logo, partindo do pressuposto de que o presente é nosso auge, estamos o tempo todo lidando da melhor maneira possível com as coisas. Ou seja: sempre tomamos a decisão com base naquilo que somos e sabemos hoje. E sim, nós vamos, eventualmente, desejar ter seguido pelo caminho oposto ao que trilhamos.

Nós mudamos de ideia. Nós nos transformamos ao longo da vida e não há nada mais normal que isso. E, justamente por passarmos por tantas tantas tantas transformações, mudamos de opinião e desejamos escolher coisas diferentes das quais um dia escolhemos.

O problema é que dói muito mudar de trilha. E dói mais ainda admitir que o outro caminho era melhor. Dói. Mas o verdadeiro problema é se apegar à dor e ficar lamentando a escolha outrora feita. O poder de escolha está em nossas mãos o tempo todo, ele não desgruda da gente. Mas não dá pra ficar lamentando e se martirizando e se corroendo por não ter optado por aquela outra coisa antes. Há tempo pra todo propósito debaixo do sol. Tenha calma e não se afobe não (que nada é pra já). <3

Você confia no que escolhe?

Nós lidamos da melhor maneira possível com as situações, certo? Nós escolhemos com base no que sabemos hoje. Estranho seria não fazer cagadas, né? Mas o que realmente importa é confiar no que você escolhe. Suas decisões precisam fazer sentindo pra você e mais ninguém. Acreditar nas suas escolhas é respeitar a si mesmo. É se tratar com amor. Tem gente que não vai te ouvir, tem gente que vai julgar e agir de má fé, e tem gente que vai tentar te convencer da sua estupidez.

Primeiramente, mantenha distância de gente assim. E em segundo lugar, escute-se; sinta-se. Suas decisões importam, antes de mais nada, a você. E confiar nas suas escolhas é confiar em si mesma.

só a gente sabe o que sente.

Nós crescemos acostumados com a invasão do outro — e se não estamos acostumados com esse intrometimento, muito provavelmente corremos o risco de estarmos frequentemente habitando a pele do invasor. É muita gente palpitando, dando ordens sem sequer ouvir o lado do outro, impondo atitudes e priorizando unicamente o que lhes faz bem. Mas a gente sabe que não é bem assim que a vida funciona, né?

Indivíduos precisam ser respeitados como indivíduos. Não podemos tirar o poder de escolha do outro e não podemos deixar que tirem isso da gente. Só que de tão habituados a termos alguém falando o que fazer, vamos sufocando, cada vez mais, a voz que nos fala o melhor caminho pra gente naquele momento.

Isso afasta a gente da gente mesmo. Isso faz a gente ter medo de escolher. Isso nos provoca o medo do arrependimento. A falta de confiança nos deixa longe, muito longe, de nós mesmos. Mas até mesmo as ‘más’ escolhas merecem respeito. Elas podem até cobrar caro, mas elas nos ensinam muito. Você pode se arrepender, mas não precisa ficar remoendo e se julgando e se culpando. Aprenda com cada escolha. E nunca se esqueça que você tem opções — e você precisa vivê-las.

É permitido se arrepender, é permitido errar.

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a flor cai quando o fruto aparece.

Toda pessoa que busca evolução e amadurecimento passa por fases de interiorização e reflexão; são períodos nos quais a atenção fica mais voltada para dentro de si mesmo e a introspecção se torna aliada.

Essa evolução, esse processo de amadurecer, nos fomenta e nos leva até os frutos da vida. O que nós realizamos hoje nem sempre tem consequência imediata: às vezes precisamos esperar muito tempo para colher o que foi semeado.

Crescer não é fácil. Meu pai sempre dizia que se tá fácil demais, é sinal de que estamos aprendendo de menos. E é verdade — embora eu também ache que podemos aprender com coisas alegres e divertidas, desde que estejamos abertos à isso — a dor pode nos levar longe: pro bem ou pro mal, nós que escolhemos o que tirar dela.

A flor cai quando o fruto aparece.

Sempre que o fruto aparece, as flores caem. Sempre que evoluímos e optamos por outro modo de ver e viver a vida, precisamos deixar coisas para trás: amigos, amores, hábitos, sonhos, e até mesmo família, a depender do caso.

Nós não podemos carregar sempre as mesmas flores. Crescer é um eterno desprender-se. Deixar pessoas e coisas e hábitos para trás é a primeira regra pra quem deseja mudar, crescer, evoluir. Mesmo que essa coisa seja nossa flor; mesmo que essa pessoa seja nossa flor: é preciso abrir mão do que não nos acrescenta (mesmo quando acreditamos no oposto) para colher os frutos que desejamos.

Encerrar um ciclo é ter que deixar alguma flor pra trás.

Será que sabemos encerrar ciclos com sabedoria? Às vezes sim, às vezes não. Não dá pra tomar decisões e voltar atrás sempre que o sufoco aparece. Não é nada fácil seguir em frente, não mesmo: exige muita atenção, dedicação, força e fé. Nunca é delicioso deixar uma flor pra trás — ainda mais quando a regamos tão bem. Mas é preciso: é só quando a flor cai que podemos saborear o fruto.

Nos encantamos tanto com a beleza da flor que nos esquecemos do sabor do fruto.

Flores são lindas. E cheirosas. Admirá-las é fácil, não dá trabalho nenhum. Quanta beleza, né? Mas a vida não pode ser baseada na beleza — além de ser efêmera, é passageira e relativa. E é fácil nos atermos ao belo. Tão fácil que nos esquecemos do que ela proporciona: o fruto. Mas não se pode ter os dois sempre. Temos que renunciar ou a flor, ou o fruto.

Viver na era das aparências (esse textinho aqui pode te fazer refletir também, dá uma olhada) complica e afeta direta e indiretamente nas nossas escolhas. Bate uma dúvida cruel em vários momentos. Será que vale a pena mesmo deixar aquela flor pra trás? E o mais difícil: nem sempre vemos o fruto. E é aí que entra fé e confiança. Onde você deposita a sua?

Saiba apreciar o fruto.

Nem sempre o fruto é tão belo quanto a flor, e por isso, muitas vezes, o ignoramos. Mas o fruto é muito saboroso; ele nos preenche e nos mostra que quando estamos dispostos a fazer renúncias e a abandonar velhos vícios, teremos nossa recompensa (ainda que demore e que não seja tão belo assim, viu?).

Pra colhermos o fruto precisamos de muita disciplina, pois sacrifícios podem ser necessários. E é muito mais fácil passar a vida apreciando a beleza das flores — não incomoda e não requer esforços. E esperar pelo fruto, entretanto, pode ser árduo. A decisão sempre foi e sempre será apenas nossa. Flor ou fruto?

Essa frase que intitula esse texto foi encontrada no livro “Autobiografia de um Iogue”, de Paramahansa Yogananda. Esse livro tá carregado de gatilhos para refletirmos <3
Adquira o seu por aqui:

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Qual a importância dos sacrifícios?

A partir do momento em você opta por fazer sacrifícios, você automaticamente faz renúncias. A cada escolha, vários caminhos precisam ficar pra trás. Se você foge da luta, provavelmente acabará em um caminho medíocre, sem sentido e sem significados. Quando você está disposto a sacrificar-se e acolher suas escolhas, você assume o controle da sua vida.

Estrada com árvores fechadas preta e branca.
Toda escolha feita implica um sacrifício, uma renúncia.

Sacrificar-se é escolher.

Opções não nos faltam. Para cada possível desejo, temos uma infinidade de escolhas a fazer. E sim, isso nos confunde demais. É assustador precisar escolher um só caminho e renunciar tantos outros; dá vontade de abraçar todos e viver superficialmente cada um deles. E se errarmos? E se não pudermos olhar pra trás?

Eu te digo uma coisa: melhor escolher e correr o risco de errar do que ficar deixando a vida decidir no seu lugar – caso contrário, não há progresso, viveremos estacionados. E cuidado para não ficar trocando constantemente de caminho: é como dar um passo pra frente e dois pra trás.

Sacrificar-se é superar.

Eu não entendia o motivo da disciplina – não mesmo. Achava uma coisa idiota. Mas não é; nós precisamos ser disciplinados para alcançarmos metas e sonhos (nesse texto aqui falo mais sobre isso) e, principalmente, para dominarmos.

Nós somos seres carnais, imediatistas e egocêntricos. A carne, o momento e o ego nos enganam fácil, fácil. Só há um jeito de dominá-los: dominando a si mesmo. Enquanto você permitir que sua vida seja regida por coisas vazias e superficiais, seus resultados serão reflexo disso; porém, quando há disciplina, sacrifícios e superação, você vence sua maior inimiga: sua mente.

Sacrificar-se é libertar-se.

Caso você não ainda não tenha se convencido da importância dos sacrifícios, faça um teste: observe se tem conseguido realizar seus planos com afinco – mas realizar mesmo. Pense nas coisas que sempre quis fazer e nunca conseguiu. Consegue identificar a causa?

Muito provavelmente é uma falta de comprometimento e de disciplina consigo mesmo, uma autossabotagem, por assim dizer. Algo na sua mente te puxa pra baixo e te derrota; algo que você sabe que precisa fazer mas deixa pra amanhã, joga pra depois e o depois nunca chega. São os pequenos sacrifícios que você não se dispõe a vencer que te afastam dos seus propósitos.

Sacrificar é renunciar.

Nesse outro post eu falei sobre isso, também. Nós somos as renúncias que fazemos. Não é a coisa mais gostosa do mundo deixar caminhos pra trás, mas nós precisamos aprender a seguir em frente mesmo sabendo que renunciamos algo. A vida precisa ser vivida sem a sombra do “e se”. Não dá pra viver insatisfeito, mana. E as pessoas vivem muito insatisfeitas porque não pensam e não valorizam seus sacrifícios. Elas querem abraçar o mundo (e mal sabem que correm grandes risco de acabar sem n-a-d-a).

Tudo bem errar o caminho, sabe? Tudo bem mesmo. Mas não dá pra viver sem escolher, sem arriscar e sem fazer escolhas. O tempo todo precisamos escolher, e sempre coisas incríveis podem ficar de lado – acontece. Mas meu, aproveita o que você escolheu, viva intensamente com sua escolha. Curta a sua renúncia. Confie em você e se entregue. Viva aqui, agora. O que não tá aqui e agora não merece tua atenção.

A grama do outro só vai ser mais verde que a sua se você não valorizar seus sacrifícios e acolhê-los.

Sacrificar-se é ponderar.

Todos nós vivemos em busca de equilíbrio. É ele quem normaliza e nos protege dos perigos carregados pelos extremos. Embora não seja assim tão fácil atingi-lo, não é um bicho de sete cabeças. E o primeiro passo é o sacrifício de si mesmo: cuidar-se para não cair na tentação de abraçar todas as opções; cuidar-se para não deixar o medo de escolher nos aprisionar na indecisão.

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Você acredita em destino?

Tem gente que acredita que todos temos um destino traçado e que nascemos com  os eventos da vida formulados e moldados. É como se fôssemos passar por algumas situações independente de qualquer coisa – não teríamos escolha, caberia apenas esperar e viver o que temos que viver. Não acredito em destino. Acredito em escolhas. Afinal, você prefere dar sentido à sua vida ou esperar que ela lhe traga algum significado?

Você carrega o destino ou o destino te carrega?
Você carrega o destino ou o destino te carrega?

Quem está no controle?

Imagina só se tudo estivesse escrito nas estrelas: você certamente não teria crises internas do tipo quem sou eu, qual minha missão, pra onde devo ir e blá-blá-blá e nem teria dificuldades para tomar decisões – ou melhor, você não precisaria decidir as coisas – elas já viriam prontinhas! Você não precisaria batalhar para ter o emprego dos sonhos, ele estaria te esperando; você não precisaria ter responsabilidade afetiva e nem se preocupar caso a pessoa amada fosse embora pois o destino os uniria outra vez. Engraçado, né? E tem gente pensando que a vida é uma grande loteria… Não, não é.

Uma pessoa que não toma decisões é uma pessoa sem controle da própria vida. Suas decisões formam seu caráter e seu futuro (vulgo, formam você). Leia mais sobre isso aqui, ó.

Nós somos feitos de opções.

Como seria possível existir destino com o tanto de opções que temos? Sim, há coisas que acontecem sim sem nossa permissão – ninguém escolhe ser assaltado, ninguém escolhe ter uma doença chata, ninguém traz sol ou chuva e várias outras coisas fogem ao nosso controle. Mas a maior parte da nossa vida é construída de acordo com as escolhas que fazemos. Leia com atenção: construída. Nós moldamos nossa vida todos os dias, todos os instantes. Pare para observar e você verá como todo o poder está em você, e não no acaso. Se o destino existisse, seria uma puta sacanagem com a nossa cara: não passaríamos de meros marionetes que acreditam ter controle quando, na verdade, alguém está conduzindo o baile todo.

Cuidado com o entreguismo.

“Deixa a vida me levar, vida leva eu”. E tem gente cantando isso com orgulho. Deixar a vida ditar o caminho é para fracos e medrosos e indecisos e acomodados. Você pode até achar que está construindo uma bela vida quando aposta no entreguismo, mas uma hora você vai se perder. Entregar-se ao poder do acaso é fatal – o destino é cego. Eu digo isso por experiência: eu acreditava que a vida tomaria todas as decisões por mim e eu me calava diante de tudo; eu criei uma armadura e me chamei de corajosa, mas foi a época mais covarde que eu desbravei. Sim, não raro a covardia vem camuflada de coragem.

Eu acredito sim que a vida nos guia e nos envia sinais, mas escutá-la é uma opção, visto que na maioria das vezes requer coragem. E outra: só quem tem as rédeas na mão é capaz de se indagar se está no caminho correto. Quem deixa a vida rolar e não se compromete nem se preocupa em questionar-se acaba por transformar-se em um fantoche das circunstâncias.

Está em suas mãos.

O sentido que você vai dar à sua vida só depende de você. Suas conquistas só dependem de você. Seria mole demais deixar o destino se encarregar disso, né? É que temos medo da responsabilidade e preferimos alegar que “a vida quis assim”. É muita reclamação, muita ingratidão. Falta-nos responsabilidade. Caso ninguém tenha te falado isso hoje, lá vai: as coisas não vão cair no seu colo, faça alguma coisa pelo que deseja. Isso pode ser desesperador ou inspirador: caso você não confie o suficiente no seu potencial e se renda ao entreguismo, irá ficar louco ao descobrir que o destino não vai te ajudar a perseguir seus sonhos. Caso assuma o controle das suas decisões, ficará inspirado ao dar-se conta da infinidade de caminhos que poderão te realizar e te despertar.

Mulher com escritos no lugar do rosto.
Você cria sua história. Você escreve seu destino.

E aí, já escolheu?

Vai retomar as rédeas da vida ou vai se entregar à crença de que o destino já está traçado e de que tudo irá acontecer independentemente de suas decisões? Vai aceitar ser um marionete ou vai criar a própria história?

 

 

 

 

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Ei, tudo bem se arrepender.

Tem gente que ainda vive a vida com a meta de nunca se arrepender do que faz. Qual o sentido disso? É impossível acertar todas as direções – impossível. Essa crença de que temos que nos orgulhar de todas nossas decisões e jamais nos arrependermos gera ansiedade e frustração. Mas deixa eu te falar: você vai fazer algumas escolhas erradas. Todo mundo faz. É normal. Só assim podemos amadurecer. E tá tudo bem.

De vez em quando – ou até mesmo frequentemente (vai saber) – temos dificuldade em discernir qual a melhor opção; e em outras vezes somos quase que obrigamos a tomar rápidas decisões. E aí? Você realmente acha que seu amadurecimento será feito só de boas escolhas? Que sua vida vai ser um caminho sem pedras, sem arbustos e sem terremotos? Claro que não. Isso é ilusão. Você vai fazer cagadas, vai fazer péssimas escolhas e vai quebrar a cara. E digo mais: você vai sobreviver e vai aprender a não dar tanta importância assim (lembre-se: as coisas têm o valor que lhes damos).

Vida que segue. Não nascemos prontos. E fazer cagadas pode ser realmente doloroso, mas é também delicioso acompanhar nossa evolução. E aí é que está: aprenda com as más decisões. Não adianta nada fazê-las, arrepender-se e continuar repetindo. Não! Temos que crescer com nossos arrependimentos. Portanto, arrependa-se sim! Não sinta remorso quando se der conta de que errou o caminho. Todo mundo erra – mas há aqueles que vivem na negação e jamais assumem que erraram. Não seja uma dessas pessoas que vive negando e que se recusa a admitir que erra – esses cidadãos geralmente vivem estagnados, não regridem e não avançam.

Pintura de uma garota de cabelo vermelho com a mão na cabeça e olhos fechados.
Desenho de Harumi Hironaka.

Dia desses eu tomei uma decisão terrível. Pior que eu sabia que iria me arrepender antes mesmo de ter optado por realmente fazê-la. Mas era necessário. E eu quis tentar. Eu precisava dar uma chance pra essa minha ideia. Eu me arrependi? Sim. Aprendi? Sim também. Aprendi que preciso parar de ser impulsiva. Vou parar assim, de imediato? Óbvio que não. Provavelmente isso ainda vai me custar uma coleção de erros. E eu tô disposta a isso. Sei que ainda vou errar muito, assim como sei que vou aprender muito.

Eu nunca fui apegada com a ideia de ter uma imagem perfeita de quem não erra e tem tudo sob controle (descontrole, a gente vê por aqui). Claro, nem sempre é prazeroso admitir que cometi um erro. Mas eu tento levar na boa, tento dar o meu melhor pra isso. E acho que a gente deveria tentar levar mais na boa os nossos erros. Eu sei que muita gente vive de ilusão (e nós também temos nossas ilusões), mas ser real é tão transformador. Aceitar é tão mais renovador que viver na penumbra que a negação gera.

Então sim, arrependa-se sim! Tire da sua cabeça essas frases que enchem nossos ouvidos desde que somos pequenos: “viva sem arrependimentos”, “arrependa-se apenas do que não fez” e blá-blá-blá. Arrependa-se do que não fez, mas arrependa-se também do que fez. E tente fazer melhor numa próxima. Viva com arrependimentos sim – não seja arrogante a ponto de achar que só toma as melhores decisões. Ninguém está com essa moral toda. Acho que essa onda de viver sem arrependimentos está mais atrelada ao fato de que devemos acolher mais nossos erros do que ficar se corroendo por termos feito algo péssimo.

Arrependa-se. Mas tente mudar sempre que possível.

Ah, em um outro post eu falei sobre o medo que temos em cometer decisões erradas. Clica aqui pra ler. É ótimo (que modéstia).

 

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Pega leve com você.

Você pode ler esse texto ao som de “Mika – Relax, Take it Easy”.

Esses dias comecei a reparar no diálogo interno que travo comigo mesma e eu fiquei assustada com a ferocidade com a qual me atacava – e isso tudo no automático. Demorou pra eu tomar consciência e entender o absurdo que eu estava fazendo.

Eu gosto muito de uma frase que vi no filme “Comer, rezar, amar”: escolha seus pensamentos com o mesmo cuidado que escolhe suas roupas. Fácil falar, difícil fazer. Mas realmente precisamos nos tratar melhor. É infernal conviver com um juiz interno que fica condenando cada atitude e cada pensamento seu. É um ciclo: você acha que tá pensando merda e daí você se acusa por ter feito isso e daí se acusa por estar se acusando e assim a coisa segue. Não tem fim se você não intervir.

É treino.

Praticar essa intervenção requer muito autoconhecimento e muita consciência – que a gente vai adquirido conforme se abre para perceber coisas que antes não percebíamos, seja dentro ou fora de nós. É interessante. Você vai descobrindo seus pontos fracos, seus pontos fortes, seus medos, suas fortalezas… É uma delícia. Mas precisamos ponderar: em alguns momentos pegamos pesado demais (demais, demais, demais, demais) a ponto de achar que não temos solução, que somos perdidos, que somos aberrações. Mas isso é narcisismo puro camuflado de vitimismo.

Observando as estrelas e fumando um cigarro para relaxar.

Nossas dores não são maiores que as de ninguém, nossos defeitos podem sim ser trabalhados e nós não somos tão exclusivos assim para receber em doses altas de concentração várias mazelas de uma vez só. Não há nada tão novo assim abaixo do sol. Não menosprezando ou diminuindo nossas dores, mas só enfatizando mesmo que não dá pra viver com coitadismo. É egoísmo sim achar que somos os únicos passando por algo complicado. Somos mimados, muito mimados. Acho que não preciso explicar que cada um possui qualidades complementares – e por isso precisamos nos unir – e que somos todos especiais de jeitos diferentes, mas quando nos culpamos tanto por algo, acabamos num certo tipo de contradição. Perceba que muitas vezes somos muito bons ao dar conselhos aos outros, mas acabamos não os praticando. Faz sentido? Não, não faz. Somos uma contradição e vida que segue.

Treino.

Eu fico pensando qual o motivo para que nos torturemos assim quando pisamos na bola (ou quando achamos que pisamos, o que é bem diferente). Pensa comigo: somos humanos, somos mortais, somos complexos, estamos em constante evolução (as vezes em regressão, mas ok), vivemos em um universo gigante, cheio de pessoas que provavelmente sentem coisas parecidas, que se fazem as mesmas perguntas, que sentem os mesmos medos… Por que só você é tão ruim assim? Por que achar que todas suas dúvidas e seus medos te reduzem a nada? Pra quê se diminuir desse jeito?

Pega leve. Somos aprendizes eternos por aqui e não tem problema falhar (fácil falar, difícil dizer). Mas tenta. Tenta de verdade, com consciência, deixar de lado a ideia de que tem algo errado com você, de que você não merece as coisas e que tudo conspira contra sua vida. É sua mente te enganando – e você não é sua mente. Cuida de você com muito cuidado, porque se aí dentro as coisas estiverem meio desandadas, você se perderá nos seus passos. E sempre que você se pegar sendo rude e intolerante contra seus próprios pensamentos, sentimentos e ações, calma! Você corre um grande risco de estar sendo exagerado. E acho que quanto mais nos conhecermos, mais vamos saber lidar com isso de modo natural. Podemos escolher entre sermos nossos melhores ou piores amigos. Treina pra ficar com a segunda opção.

(Nesse texto aqui separei algumas dicas úteis que podem te ajudar a parar de julgar a si mesmo e aos outros. Clica pra conferir, pode ser útil.)

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Crônicas do Cotidiano

O mundo é bão, Sebastião.

Já estava tarde quando ela pegou o ônibus pra casa. Assim que desceu na calçada de sua casa, foi caminhando e olhando para o céu. Lindo céu. Linda lua. Fez um pedido e piscou os olhos com força. Entrou em sua casa, ajeitou as coisas e, com os fones no ouvido tocando Raul, foi deitar. Pensou, pensou, pensou. Ficou feliz e confortável em perceber que o tempo havia passado, e estava exatamente no mesmo lugar que imaginou estar naquela época de sofrimento. As vezes a dor é tão grande que ficar desocupada é uma tortura e, convenhamos, a arte de não se fazer nada deve ser aclamada, e seus mais sinceros adeptos afirmam que o ato de não fazer nada é uma dádiva: só quem tem paz consegue. E é verdade: quando não se tem paz, não se fica bem sozinho, não se fica bem sem algo para ocupar a cabeça. E lá em sua cama, com o volume no máximo, aceitou o caminho pelo qual as coisas tomaram o rumo. Aceitou a vida do jeito que ela tem que ser, aceitou o fato de que as pessoas podem mudar de ideia, podem perder o interesse, e isso não faz com que alguém tenha mal caráter. Parte da vida consiste em aceitar a vida e as pessoas exatamente como elas são. Isso não significa que você estará isento de problemas, e tampouco significa que perderá a vontade de estrangular as pessoas nas horas de discordância. Mas eis a chave para isso: abrace o que te é dado. Aceite e entenda que o mundo gira, e que as coisas acontecem exatamente, minuciosamente, do jeito que deveriam acontecer. Claro que isso não extingue os babacas, mas esse consentimento pode extinguir sua insanidade de querer controlar tudo e todos. Se o cara não te ligou, foda-se. Se a mina não te dá a mínima, foda-se. A entrevista de emprego foi uma merda? Foda-se também. Alguém alguma vez disse que as coisas vêm facilmente? O que vem fácil, sempre vai fácil. Mas entenda que essa aceitação não significa que não se deve tentar, que não se deve dar sempre o seu melhor. Pelo contrário: faça o bem para colher o bem. Ame a vida, ame as pessoas, ame-se e confie. Confie que há um ser divino que conspira pro seu bem. E aceite que se o vento soprasse apenas para um lado, as árvores cresceriam inclinadas. 

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O medo de tomar decisões erradas.

Você pode ouvir esse texto ao som de “Planta e Raiz – Eu também faço meu jogo”.

Você não pode se preocupar e viver ao mesmo tempo. Decida-se.

Situações complicadas são corriqueiras; a vida é composta por um emaranhado delas, e a cada nova circunstância, uma nova escolha. Eu, particularmente, sempre tive medo de decisões – muitas vezes fujo dos momentos decisivos. Mas com o tempo nós vamos entendendo que são nossas escolhas que nos levam aos lugares aos quais precisamos chegar – sejam lugares à frente, ou até mesmo lugares que nos fazem parecer regredir. Digo parecer porque não sei se acredito que podemos, de fato, regredir na vida. Depende do ponto de referência, na verdade. Se estivermos falando do ponto de vista financeiro, por exemplo, podemos regredir. Mas quando tratamos de valores, fica difícil dizer se estamos dando passos para trás.

Imagem de life, options, and live

Tudo é questão de perspectiva. Mudanças fazem parte da vida, mas para que elas aconteçam nós precisamos decidir o tempo todo. O ponto é que somos condicionados a valorizar mais as coisas de fora do que as coisas de dentro: é seu emprego, seu corpo, suas posses, suas relações sociais e mais um punhado de coisas externas que te fazem parecer estar à frente. Mas estar à frente de quem? É essa competição que nos faz temer as decisões, as responsabilidades, o medo de fracassar e de ficar para trás – novamente: atrás de quem?

Vivemos frustrados porque vivemos de ilusões. “Onde está seu coração, está também sua riqueza”. Estamos colocando nosso coração em lugares aos quais ele não pertence. Tá fazendo falta olhar pra dentro e ser gentil consigo mesmo e com os outros. Já sabemos que cada escolha é uma renúncia e, em muitos casos, nossas escolhas custam muito. Dói abrir mão de coisas, dói renunciar aquilo que nos gera algum benefício. E o mais complicado é que estamos cada vez mais confusos; e essa confusão atrapalha muito em nossas decisões.

Mas voltando às decisões. De onde vem esse medo desesperador que assola tanta gente? Por que temos tanto medo assim de errar? Isso é muito sério. Somos e estamos muito intolerantes aos erros – aos nossos e aos dos outros. Não conseguimos ficar em paz quando achamos que somos fracassados. Mas aqui, novamente, entra nossa consciência: qual é nossa definição de fracasso?

Na hora de decidir, olhamos muito ao nosso redor: o que vão pensar e dizer sobre mim? Isso é inevitável para muita gente. Mas nós poderíamos ter mais amor pelas nossas decisões; e aceitar que tudo bem se fizermos escolhas erradas vez ou outra, faz parte do processo. Ninguém nasce sabendo tudo. Viver sob pressão e atolados de cobranças é venenoso, ainda mais quando este veneno vem de dentro.

Todos nós já fizemos escolhas erradas e muito provavelmente colecionaremos mais algumas no decorrer da vida; remoer-se por causa delas só aumentará o medo na hora de fazer a próxima escolha. Pega leve com você. Este medo que alimentamos é irracional. Você não está atrás de ninguém e ninguém está à sua frente; essas linhas que criamos para estabelecer padrões são imaginárias. E aí vai mais uma escolha a ser feita: você quer que essas linhas criadas pelo imaginário coletivo façam parte da sua história?