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Autodesenvolvimento

Cura, pressa, vida, fraqueza.

Sabe aqueles dias em que a alma está tão leve que achamos que zeramos todos os problemas e ficamos nos questionando “nossa, por que eu achava que a vida tava mal, hen?”. Há também os dias que tá tudo dando TÃO errado que a única coisa que brota na cabeça é “meu deus, o que será que tá acontecendo? cadê os dias de glória? minha vida é mesmo um trem desgovernado” e logo em seguida surge um novo dia maravilhoso e a gente esquece das coisas ruins.

Vai e volta.

E até nisso precisamos ter desapego. Não podemos achar que tudo vai ser sempre bom, pois obviamente não vai. E nem tudo vai ser ruim também. É um eterno vai e volta — eis mais um belo clichê da vida. E a gente demora muito pra entender, aceitar e acolher todas as nuances que aparecem por aí.

Talvez nem tanto assim.

Apego. Controle. Mania de perfeição e de fingir perfeição a todo custo. Nossa, como dá medo mostrar fraqueza, mostrar erros, mostrar o lado feio. Eu pelo menos tenho muito medo disso. Só mostro o que quero pras pessoas. Finjo que sou isenta de problemas. Quero agradar, quero mostrar que sou legal. A questão é que sim, eu sou legal, mas não sempre. E por que tenho tanto medo de mostrar o lado chato? Aprovação? Pertencimento? Eu sou uma pessoa altruísta, mas não o tempo todo. Sou otimista, mas não o tempo todo. Gosto de respeitar, mas nem sempre consigo fazer isso do melhor modo. E por que é tão difícil aceitar e mostrar isso? Mostrar-se imperfeito? Porque, lá no fundo, todos nós queremos ser bem vistos e queremos ser surpreendentes e extraordinários. Por que ser extraordinário? Por que querer tanto destaque? Talvez sejamos todos incríveis, mas não tanto assim e nem o todo assim. E o que há de errado nisso?

Real life sucks.

Desse modo anulamos a vida real e passamos odiar a vida real. É muito chato ser normal. O legal mesmo é ser idolatrado e amado e reconhecido e valorizado. Por quem? Pelos outros. A gente busca isso primeiro pra depois buscar o próprio reconhecimento. É difícil pra caramba sair disso. Eu ainda tô tentando. Será que vivemos nossa realidade? Será que desejamos aquilo que podemos ter? Será que estamos sendo nós mesmos? É fácil falar “eu sou eu mesmo”, difícil mesmo é ser. São muitas convenções sociais e imposições culturais. É muito ego. É muita dúvida. É muito tudo. Mas a vida real é o mais legal que podemos ter porque ela é TUDO que temos. Simples assim. A gente tem o que tem. Nada mais. Podemos até fingir, mas uma hora a coisa começa a ficar beeeeem incômoda. E graças ao divino esse incômodo vem e muda tudo de lugar. 

A cura.

Acho que cuidar disso tudo não é trabalho fácil. Demanda tempo. E sangra muito, poxa vida. Cada dia uma coisa pra ser observada. E temos que olhar sim, mas com muito amor e cuidado — não há cura sem amor. E vale dar uma desencanada também. Até na questão de se conhecer e tudo mais. Muitas vezes me pego querendo saber mais e mais e mais e mais que acabo ficando mais perdida do que antes. É bom botar o pé no freio e só viver sem pensar de vez em quando. Até nisso precisamos ter equilíbrio. E isso é algo recente pra mim (tendo a ser bem intensa nas coisas). Um passo de cada vez. Um ajuste de cada vez. Sem neura, sem tanta pressa. Senão a gente só tá substituindo uma neurose por outra. Quer gostemos ou não, estamos nesse mundo. Não dá pra saber tudo e nem pra conhecer tudo e nem pra curar tudo. Pronto. Faça poucas coisas, mas as faça bem. Acho que esse já é um belo começo. Poquito, poquito. Portanto, pega leve. Até no seu próprio autoconhecimento. Não dá pra bitolar, não. É pior, acreditem. 

sobre sentir e deixar ir - dhiman
Sinta o que você precisa sentir e depois deixe ir. Não deixe isso te consumir.

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a tal validação externa…

você respeita suas más escolhas?