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revisitar-se.

Há um momento na vida em que olhamos pra dentro e começamos a mudar tudo de lugar, e isso é, quase que na mesma proporção, gostoso e doloroso. Crescer é isso — crescer direito é isso: voltar pra dentro de si mesmo constantemente e mudar, ainda que com medo, o que precisa ser mudado.

A vida é um eterno ciclo de nascer-morrer-nascer. As coisas precisam morrer. Você precisa morrer muitas vezes na vida para que possa nascer e renascer e florescer. Nunca acaba. E a morte, convenhamos, mexe muito com a maioria de nós. Ela dói, ela provoca, ela mostra coisas que queremos esconder. A decisão, no entanto, é e sempre será nossa: o que vai e o que fica depende somente da gente, de cada um de nós. Nós somos nosso próprio oráculo.

E é difícil revisitar-se. Difícil, chato, assustador. Sabe quando você se acostuma com tudo que te cerca e, automaticamente, o que os outros dizem parece ser sua verdade quase que por osmose? Você não critica nada porque tudo aquilo parece muito certo. Você não pergunta pra você mesma se aquela é realmente sua convicção porque, de fato, parece muito ser a sua convicção. A gente se acostuma com o meio. A gente absorve mais do que imagina. E isso, em algum momento, parece muito natural. Mas só é natural por conveniência. Só é natural até o dia em que você para, reflete, e se dá conta de que tá reproduzindo qualquer coisa que te digam sem nem pensar naquilo. Mas não tem nada de normal nisso, mesmo que pareça.

Revisitar-se implica mudanças. O que você escolhe mudar é problema seu, mas saiba que isso afeta toda a sua vida, por mínima que seja a mudança. Isso não mexe somente com você, mexe com todos que estão ao seu redor. E as pessoas não gostam de mudanças (talvez você não goste de mudanças). Mas há um momento muito crítico na vida em que você precisa escolher quem você quer agradar e isso é um saco porque vai derrubando as suas próprias máscaras (você nem sabia que usava tantas máscaras assim, né?). E você se dá conta do papagaio que mora em você: sim, talvez você só esteja reproduzindo o que todo mundo fala sem questionar. E você pode concordar com o que todo mundo fala desde que você PENSE. Nunca, jamais, por conveniência. E o ser humano é um baita bicho conveniente. A gente ama se sentir seguro.

Todo mundo tem seu tempo. Quando eu descobri (e ainda continuo descobrindo) que é um direito meu questionar o que acontece a minha volta eu fiquei chata. Acho que vamos atingindo extremos até chegarmos, finalmente, no equilíbrio — e não tenha medo de ir pro extremo quando você precisar, talvez esse seja seu caminho de aprendizando que o conduzirá à ponderação. A gente fica meio cricri quando começa a perceber que nada do que falam (e que você reproduzia até agora) faz mais sentido pra você. E há que se tomar cuidado aqui, também: respeitar o outro é tão necessário quando respeitar-se a si mesmo, senão caímos em um discurso de hipocrisia e (de novo) conveniência. O outro que reproduza o que ele quer, afinal, a vida é dele e cada um faz o que bem entender. Mas eu, particularmente, acho uma baita dormência só aceitar o que te falam sem consultar suas próprias fontes. Pergunte pra você, mastigue as coisas antes de digerí-las (ao invés de aceitar o que os outros já te dão mastigado), faça suas pesquisas, estude, vá atrás do que te interessa. E, se for preciso, fique quieto. Talvez ninguém entenda e nem aceite. Mas a vida é sua. Será que temos noção de que realmente só temos a nós mesmos? 

Revisitar-se é seu próprio ato de rebeldia contra seus conceitos. O tempo vai passando e já vamos formando tantas opiniões que, depois de formadas, deixamos ela num canto e não as alimentamos mais. Será que as coisas deveriam funcionar assim? Eu acredito que não. É um constante processo de ida e vinda, assim como quase tudo na vida. Isso inclui também reaprender a ouvir (a si mesmo e aos outros). Ouvir os outros não é um problema, desde que você questione e entenda que o que sai da boca de alguém não é nenhuma lei; antes de tomar como verdade, consulte-se. E tudo isso é aprender a ouvir. Como você escuta os outros?

Viver com os outros e fortalecer relações é importante, mas sua solitude é mais importante ainda. Você só vai se revisitar sozinho, sem dar as mãos pra ninguém. E não há nada errado com isso. É sozinho que você vai descobrir o que precisa morrer e o que precisa renascer. 

Continue a reflexão aqui: <3

Concentre-se no que importa.

O que teu barulho cala?

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Você não precisa saber onde quer estar em dez anos.

Loucura? Não, não. De fato, você não precisa saber exatamente onde quer estar daqui a algum tempo: dez, cinco, três ou um ano. A vida não funciona desse jeito. Não dá pra bolarmos um script e seguí-lo do começo ao fim sem nenhuma mudança. Isso é insano. Isso engessa demais e exclui muitas possibilidades.

Nós tendemos a planejar as coisas e projetar tudo nesse caminho idealizado, como se o controle fosse estar o tempo todo em nossas mãos e como se nada ruim pudesse sequer interferir. Por exemplo, você já fez alguma dieta na vida? Provavelmente, sim. E muito provavelmente, também, no dia em que você optou por fazê-la, você visualizou esse processo mais ou menos assim: “nossa, eu vou ser tão fitness, mas tão fitness que eu vou resistir a tudo e as pessoas vão ficar muito chocadas com tamanha força de vontade”, ou, então “nossa, eu vou malhar todos os dias, não importa o clima e nem meus compromissos; eu vou acordar muito cedo e com todo ânimo do mundo — NADA vai me deter”; ou, ainda “putz, quando eu tiver esse emprego eu vou ser tão feliz que eu vou acordar sozinha sem despertador e eu não vou querer faltar nunca porque ele vai ser a coisa mais foda de todas”. Qualquer exagero e idealização cabem aqui. Sinta-se a vontade para criar seu exemplo.

E, cá entre nós, não é assim que a vida funciona. Você pode sim priorizar algum aspecto na sua vida e deixar pra lá outras coisas enquanto persegue aquele objetivo. Mas não vai ser perfeito. O caminho não é perfeito e nem precisa sê-lo. A graça do processo é aprender a cair e a levantar logo em seguida. E não evitar quedas a todo custo.

Ao invés de evitar a queda, aprenda a cair direito: ou seja, levantando em seguida.

Nós cobramos muito dos outros e da gente também. Falta compaixão e benevolência. A gente projeta muita coisa nas pessoas e nos sonhos e em como os realizaremos. Pode ser que seja realmente fácil, mas pode ser que seja difícil e que seja um processo diário de tomada de consciência para processar seus atos, um após o outro, e talvez você precise se lembrar momentaneamente do motivo de estar fazendo tal coisa. Nós somos humanos, e isso significa que nos iludimos aqui e ali. Sabe aquele emprego dos sonhos? Você não vai conquistá-lo e automaticamente todos os seus problemas acabarão. Sabe aquele amor que você tanto deseja? Ele também não vai te iluminar e deixar a vida mega doce e perfeita do tipo meu-deus-por-que-eu-recamava-da-vida-estou-no-paraíso. Não, não, não. Não é assim que a vida é.

Portanto, onde você quer estar daqui a dez anos talvez não importe tanto assim. Claro que devemos buscar nos conhecer para saber o que nos deixa felizes e bolar planos é realmente importante; as metas e os objetivos nos lembram do que queremos e nos disciplinam, mas eu realmente acho absurda essa cobrança por controlar todos os passos do futuro e ainda mais a cobrança em se saber onde se deseja estar daqui a algum tempo. No fundo, nós sabemos (principalmente) onde não queremos estar, certo? E a gente faz sim ideia do que queremos estar fazendo. Mas façamos juntos um exercício aqui e agora: olhemos para trás. Dez anos atrás. Quais eram seus sonhos? Onde você imaginou que estaria agora? Você consquistou tudo o que quis? Você ainda quer o que outrora desejou? Quantos imprevistos aconteceram? Quantos atalhos você pegou? Quantas vezes mudou de direção?

Bom, eu sei que praticamente nem lembro tanto assim do que eu queria dez anos atrás — lembro de pouca coisa. Conquistei algumas, mas outras ambições nem me servem mais. Eu precisei deixá-las para trás e isso foi um ato de amor por mim mesma. Desapegar de sonhos pode ser frustrante? Sim, e muito, mas é uma eterna redescoberta, sabe? Nós falamos tanto em mudanças,  em metamorfoses… Então como que podemos apoiar as mesmas coisas de sempre? Nós mudamos o tempo todo. O tempo todo nós mudamos.

Eu sempre fiquei meio blé quando alguém me perguntava isso e eu não sabia responder. Me sentia irresponsável, meio que sem metas e indisciplinada. Daí automaticamente eu pensava que “meu deus, eu não sei qual estrada quero trilhar, então eu vou acabar tomando qualquer uma e ser uma fracassada”. Puta que pariu. Que cobrança é essa? Eu não sei mesmo onde quero estar daqui a dez anos, mas eu garanto que vou ser muito fiel a mim mesma nesse meio tempo (não perfeitamente, óbvio, mas o melhor possível). Entende? Só o fato de eu me respeitar, em acolher e me amar meio que garante que eu não vou andar em qualquer estrada. Então talvez eu não precise de grandes planos e nem de ambições gigantes. Basta colocar meu coração e inteligência em minhas escolhas que as farei bem — sejam elas grandes ou pequenas. 

Pode ser que você realize os sonhos que carrega consigo agora, mas pode ser que daqui a dois meses eles não lhe façam mais sentido. E aí? Você vai se martirizar por isso ou vai aceitar sua transmutação? É foda, né? Não é fácil. Nós nos apegamos até nos nossos desejos. Mas eles também vão e vêm. Não há nada errado nisso. Você tem o direito de mudar. Trace planos, mas não se apegue tanto assim a eles. Não deposite esperanças de dias melhores em cima de objetivos futuros. Não projete o melhor que você pode ser em coisas que ainda nem aconteceram. Seja feliz com o que você tem e é agora. E saiba que esse “seja feliz” inclui dias péssimos e totalmente cagados e complicados. É assim mesmo. Ser feliz não é um ato constante. Aquele papo de que para ser corajoso é preciso estar com medo é quase a mesma coisa: para ser feliz você precisa saber o que é tristeza. Para caminhar você precisa se perder. Para saber o que se quer é preciso deixar pra trás o que se queria.

Continue refletindo comigo 🙂

a gente nunca sabe nada.

Dadme la muerte que me falta.

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Dadme la muerte que me falta.

Dá-me a morte que preciso. Quão difícil pode ser deixar morrer o que precisa morrer? Quão difícil viver sendo o que se é e não mais o que se foi? A morte nos ensina e traz vida. Não há vida sem morte, não há morte sem vida. Eis o ciclo da transformação; o ciclo da vida. Viver, morrer, viver. Viver, morrer, viver.

Viver tem sido líquido. Nada foi feito para durar: desde bens materiais até relacionamentos, as mortes têm sido evitadas, tamanha voracidade temos em pular de galho em galho, sempre sedentos e insatisfeitos — nós fugimos assim que as coisas ficam ruins ou estranhas ou desagradáveis, sem mais nem menos, num piscar de olhos vamos embora. Por que? Porque nós não sabemos lidar com o que morre, com o que se transforma. Nós começamos uma relação achando que todos aqueles sentimentos serão sempre os mesmos, mas jamais o serão. A morte vem para eles e os transforma — e nós nem sempre sabemos lidar com essa transmutação. A gente se apega ao que espera, e isso nos deixa tão frustrados que fugimos. Não ficamos, fugimos. Não arrumamos, trocamos.

Quando algo nasce, algo morre. Inevitavelmente. Quando algo morre, algo nasce. Mas como traremos nova vida e novos significados se não deixamos morrer o que já não cabe dentro de nós? Como traremos nova vida se temos tanto medo da morte? Só de vê-la acenando, de longe, já entramos em desespero e logo fechamos nossas portas a ela. Não aceitamos o processo. Não acolhemos a morte como sendo generosa e parte vital do grande ciclo de transformação: coisas precisam morrer e outras coisas precisam entrar. Ciclo de transformação. Metamorfoses. A fuga? A fuga só nos acovarda. Seria ingenuidade? Pressa?

O desejo de forçar o amor a prosseguir somente no seu aspecto mais positivo é o que faz com que o amor acabe morrendo, e para sempre. (…) Amar significa ficar com. Significa emergir de um mundo de fantasia para um mundo em que o amor duradouro é possível, cara a cara, ossos a ossos, um amor de devoção. Amar significa ficar quando cada célula nos manda fugir.”

Por sermos duais, é extremamente sábio de nossa parte compreender exatamente o que precisa morrer. E é aqui que entra o autoconhecimento, também. Conhecer para saber o que vai e o que fica. O que me veste e o que não entra mais em mim? O que me dói e o que me faz bem? O que eu realmente quero? Pra onde preciso ir? Quem vai comigo? Que parte de mim preciso enterrar? É por isso que fazemos tudo o que fazemos. É por isso também que ficar na zona de conforto é tão gostoso: não precisamos matar nada — mas depois não adianta reclamar que as coisas estão empacadas. Se nada morrer, nada novo vai entrar. É por isso que fazemos tudo o que fazemos. 

Paradoxalmente, à medida que sua vida antiga está morrendo e até mesmo os melhores remédios não conseguem esconder este fato, ela (a mulher, no caso) está alerta para sua perda de sangue e, portanto, apenas começando a viver.

É preciso aceitar o fim. Deixar morrer o que precisa morrer. Dadme la muerte que me falta. Que tenhamos forças pra irmos de encontro ao que tem que morrer. Que saibamos acolher a vida que nasce em seguida com esperança e brilho nos olhos. Vida, morte, vida. Vai ser sempre assim. Tudo passa por esse ciclo, absolutamente tudo. Coisas, pessoas, animais, sentimentos. Tudo. E sim, vai ser difícil, mas também vai ser delicioso.

O texto foi feito com base na reflexão do livro de Clarissa Pinkola Estés, em “Mulheres que correm com os lobos”, e todos os trechos destacados foram retirados do mesmo (by the way, leiam esse livro — l-e-i-a-m esse livro, pelo amor de tudo que é mais sagrado).

Continua por aqui, você é legal:
“Será que estamos nos percebendo?”, aqui.
“Peça ajuda”, aqui.

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sobre aceitar.

A vida é cheia de altos e baixos. Muita coisa pode acontecer em um curto espaço de tempo e é muita bobagem nossa querer manter o controle das situações e das pessoas. Tudo acontece por algum motivo. Tudo pode nos edificar, mesmo que doa; e tudo pode ser motivo para te levar pra baixo, se assim preferir. Mas nós estamos aqui para lidar com todo esse turbilhão. E só nos resta aceitar: vamos perder e ganhar, gostando ou não.

Menina com vários olhos no rosto.

É realmente difícil lidar com tanta coisa nessa vida. Relacionar-se com pessoas nunca vai ser fácil. Relacionar-se com a dinâmica e impermanência da vida nunca vai ser fácil. A gente se apega muito; a gente se acostuma muito. Depositamos toda nossa vida nas mãos de pessoas e situações passageiras. E sim: dói aceitar, mas as coisas passam, as pessoas se vão, nós mudamos de emprego, de casa, de cidade… Nós somos feitos de mudança. De impermanência.

Mas eu te digo: o mais difícil é aceitar-se. Nosso maior desafio somos nós mesmos. Complicamos demais as coisas, né? Nós sabemos que dá pra ter mais leveza, mas somos facilmente influenciáveis… Nós usamos máscaras para trabalhar, para transar, para passear… Transformamos tudo em uma bela performance pois vivemos para fora. Nos preocupamos mais com a validação externa do que com a interna. E isso dificulta a aceitação pois, agindo desse jeito, precisamos e reforçamos o nosso desejo de ter a aprovação de todos. Impossível.

Então por que não começar por você mesmo? Aceitando suas máscaras, suas limitações, seus medos, suas batalhas. Não se cobre tanto. Não tente ser perfeito. Há muita beleza na imperfeição. Acolha o que te fere — só há cura com amor.

“Por que você se agarra a algo? Porque tem medo de perdê-lo. Talvez alguém possa roubá-lo. Seu medo é que não possa ter amanhã o que você tem hoje.”         — Osho.

Nós não vamos ter amanhã o que temos hoje. Ora, se até nós mudamos o tempo todo, como os outros não mudariam? Nada será igual, não adianta acreditar que será. Mas sempre será melhor. Sempre. Só o fato de sermos metamorfose já faz tudo se transformar.

A maior barreira da aceitação vem do ego. Ele se fere muito. Ele não aceita perder, ele bate o pé pras mudanças, ele quer conforto a qualquer custo. Quer certezas, quer aprovação, quer aceitação de todos, quer garantias. Eu sei como isso dói. Nós gostamos de palavras bonitas, de promessas, de ilusões… E tudo bem. É meio que natural hoje em dia. Até isso temos que aceitar. Mas aceitar não significa estagnar.

Muita gente acha que aceitação é passividade. Ledo engano. Aceitação é parar de aumentar o que é pequeno; ou, por outra ótica, é diminuir o que lhe parece gigante demais. Viver é mutação. Aceitar é acolher a mutação.

“Perfeição não é algo como uma disciplina, não é algo que você possa praticar, não é algo que você precise ensaiar. Mas é isso o que tem sido ensinado a todos, e o resultado é um mundo cheio de hipócritas, que sabem perfeitamente bem serem vazios e ocos, mas que insistem em simular todos os tipos de qualidade que nada mais são do que palavras vazias.”
— Osho

Quer continuar refletindo com a gente? 🙂

Clica aqui pra refletir sobre não fugir do que te dói.
Clica aqui pra ler sobre os desfechos imaginados que criamos nas nossas lindas (e malucas) cabeças.

 

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cada um é de si mesmo.

Menina ruiva com tricô e de olhos fechados.

Mania chata essa de controle que vamos adquirindo ao longo da vida, né? Queremos possuir tudo: pessoas, lugares, bens… A lista é longa! Gostamos de ter tudo debaixo de nosso nariz, controladinho… E ai se fugir de vista! A gente já perde as estribeiras.

Nos esquecemos muito facilmente que nessa vida ninguém é de ninguém. É difícil, eu sei. Mas olha pra tua história: você, alguma vez nessa vida, já conseguiu prender alguém? Seja ela quem fosse: amores, famílias, amigos… Não, né? Não dá pra saber do dia de amanhã. Pessoas e lugares e sentimentos e pensamentos mudam (o tempo todo).

Por isso, meu bem, não vale a pena viver na neura. Deixe as coisas irem e virem. Essa é a vida.

Mas, vem cá… Ninguém é tão sua quanto você mesma. Ninguém. Gravou bem isso? Não sei se você realmente entende a profundidade e o tamanho dessa constatação, mas, amiga, você só tem você. E isso é maravilhoso e grandioso e incrível.

Você só pode assinar contratos consigo mesma. Só pode fazer garantias pra você mesma — e o mais legal de tudo isso? Você pode mudar de ideia quando bem entender. Você não precisa ser sempre a mesma, desejar as mesmas coisas… Você é livre pra mudar de ideia, de cor de cabelo, de preferências musicais… Você é livre o suficiente pra isso? Você saberia ser livre o bastante pra se permitir viver a sua vida? E mais: você é livre o bastante pra deixar os outros serem deles mesmos?

(Duro, né? Eu sei. Dói mesmo.)

Parece fácil, né? Mas é bem difícil se desamarrar de tudo o que te amarrou até aqui. É um trabalho pra vida toda.

Quando você entende o tamanho da sua liberdade, você respeita a liberdade dos outros também. Essa é a maior prova de amor que podemos demonstrar para nós e para os outros: deixar com que cada um seja de si mesmo.

Não temos o direito de intervir no sonho de alguém, e ninguém tem o direito de intervir no nosso. O que acontece é que, algumas vezes, cedemos e deixamos com que nos invadam, e daí sentimo-nos no direito de fazer o mesmo com o outro. Cagada. Não troque sonhos por pessoas e não faça ninguém ter que escolher entre você e o sonho da vida dela. Isso é MUITO desumano. A gente tá aqui pra viver com pessoas que edifiquem nossos sonhos e nos ajudem a chegar lá. Você anda fazendo isso com o sonho dos que estão ao seu redor? Você ajuda ou você desestimula?

Pense nisso seriamente. Cada um é de si mesmo e ponto final. Deixe as pessoas viverem a liberdade delas e não se doa por isso: você tem a sua pra viver. Viva-a plenamente. <3

Vai ser fácil? Com certeza não. Nós não sabemos, de fato, o que é ser livre. E quando você começar a descobrir, um monte de neura e de gente chata vai aparecer e te apontar dedos — vão te chamar de maluca, de trouxa, de ridícula. Ignore. Ser livre é entender que cada um faz e fala o que quer, e que se você tem apenas a si mesma, por que diabos escutaria gente mal-intencionada?

Quer continuar refletindo?
Leia esse textinho aqui, ó: https://cabecadenuvem.com/a-gente-nunca-sabe-nada/
Quer mais ainda? Vai nesse, então: https://cabecadenuvem.com/desapego-fuga-equilibrio/

Ei, psiu, vem falar com a gente 🙂
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o tempo, o crescimento e as mudanças.

As noites de domingo impulsionam os pensamentos dela e o som da chuva lá fora traz de volta memórias dos tempos antigos. Eles sempre dizem que a vida passa depressa e que não há tempo a perder. E ela sentia muito medo de perder tempo. Será que ela estaria perdendo tempo?

É meio estranho ser adulto. É bastante confusa, na verdade, a transição que acontece dentro de si mesmo: deixar de ser quem era pra se tornar quem é agora. Mas quem diabos eu sou, ora bolas? É assustador começa a perceber que não dá pra sustentar verdades que carregávamos e jurávamos jamais abandonar; é esquisito começar a compreender atitudes que antes pareciam ridículas. A mudança sempre assusta. E a vida é feita de tantas (tantas, tantas, tantas, tantas, tantas) mudanças. E tem gente que não vai entender. Nem você vai entender. Mas ninguém precisa entender: você precisa apenas ser sincero consigo mesmo. “Apenas”.

Ela antes sentia que o futuro estava distante; porém, deu-se conta de que está no futuro. Ou melhor: percebeu que não existe futuro. O tempo é traiçoeiro quando questionado; é melhor simplesmente usá-lo do que ficar pensando e matutando sobre a melhor forma de fazer isso. Use-o, apenas. Use-o de modo sincero e honesto. Use-o para ser você.

Não é fácil abandonar a ideia que se cria de si mesmo. É duro perceber que estávamos errado e que não tínhamos noção de várias coisas mesmo jurando o contrário. E a vida dá tapas na cara com maestria: ela pega você e faz você enxergar e lidar com coisas que te dão vontade de sair correndo. E ela vai continuar te dando tapas até você encarar. E encarar nem sempre é fácil. 

Não é fácil, e ela sabia que não seria. Viver é desconstrução atrás de construção atrás de desconstrução. E nós temos que ser desapegados para que a vida nos guie. E temos que ser pacientes para entender que processos e ciclos precisam de tempo. Nós precisamos de muita coisa. E isso confunde. Mas acho que dá pra resumir tudo numa coisa só: sinceridade.

Quando se é sincero muita dúvida some da cabeça. A sinceridade nos leva à aceitação, ao acolhimento, à paciência. E, pouco a pouco, ela foi entendendo isso. Talvez alguns momentos não sejam bons. Talvez algumas situações sejam delicadas. Talvez descobrir crenças negativas seja difícil — e mais duro ainda é destruí-las.

Mas talvez nada disso seja grande coisa. Só talvez, mesmo. Vai ver é só uma lente de aumento que ela colocou em cima dessas questões, vai saber. Não dá pra saber. Pelo menos ainda não.

Por enquanto ela escuta o som da chuva e lembra do passado. E no futuro, isso vai ser o passado e ela também não vai ser a mesma. E a lição da vida é que tudo muda, o tempo todo. Não dá pra se apegar. Mas ao mesmo tempo é preciso se apegar, também. É complicado, né? E talvez, lá na frente, fique um pouco mais descomplicado. Crescer nunca foi fácil, afinal.

Aproveita e vem ler essa crônica, onde também falo sobre mudanças. E nessa aqui eu escrevi sobre a vida adulta (que é foda).

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Crônicas do Cotidiano

Acho que estamos todos míopes.

Eu experimentei algo novo dia desses. Senti uma alegria que há tempos me faltava. As coisas andam bagunçadas, confesso. Bagunçadas e indefinidas. Bagunçadas e indefinidas e descontroladas. E embora nada disso tenha mudado, eu mudei. A visão míope, meio embaçada às vezes, tá sendo corrigida.

Garota com olhos nos braços.

Por muito tempo dei valor demais pra besteiras — e ainda dou, mas tá diferente. Acho que finalmente consegui entender que talvez nada disso seja grande coisa. E realmente acho que nada é grande coisa.

Não, não estou acomodada e conformada. Estou leve, apenas. Dane-se, sabe? Tipo isso. Quer gostar, goste. Não tá afim, beleza. Quer se importar com isso, vá em frente. Discorda de mim? Legal. Acho que perdi um pouco do medo da rejeição.

O não tende a ser doloroso, bem sei. Mas é muito insuportável ficar se importando com tudo que falam. As pessoas sempre vão falar, e eu aceitei isso — aceitei que não preciso agradar ninguém e não preciso provar nada aos outros.

Libertador. Todos deveriam experimentar. Quando entendemos que não precisamos nos justificar e nem nos explicar para os outros, vemos que os outros também não estão aqui para nos servir. Deixe os outros em paz, deixe-se em paz.

Mania chata a nossa de achar que todos precisam nos agradar, né? Mania mais chata ainda ficar apontando o dedo pro outro como se fôssemos soberanos e importantes e dignos de toda glória. Não somos. Ninguém é. Cada um faz o que quer (claro que sem interferir na vida do outro).

Eu finalmente entendi que o mundo não gira em torno de mim e que minha vida não é mais valiosa que a vida de ninguém. Eu não preciso sair sempre por cima; eu não preciso ganhar sempre; eu não preciso competir com ninguém; e eu não preciso me sentir especial e diferentona pra estar em paz.

Sabe o que sempre me incomodou? Pessoas que dizem “isso nunca vai acontecer comigo” ou “nossa, eu fui livrada disso e daquilo”. A vida não é uma loteria, caramba. Você realmente acha que tem mais sorte/valor/importância que alguém? Não tem como — precisamos urgentemente corrigir nossa visão.

Não somos mais ou menos sortudos que alguém simplesmente porque algo nos aconteceu ou não nos aconteceu. Pode não ter acontecido com você, mas aconteceu com outra pessoa. Você se considera sortuda por ter se livrado de um acidente, mas e quem passou por isso? Tem menos sorte? Tem menos deus ou sei lá o quê?

Não! A vida não é uma loteria. Coisas vão acontecer independentemente de você ser bom ou ruim. Aceite. A vida não nos deve nada — nós devemos à vida.

E eu entendi isso. E faço uma força imensa pra não me esquecer jamais. Toda vida deve ser celebrada, e a minha não é mais importante que a sua. E a de fulano não é mais importante que a minha. Nós precisamos uns dos outros, essa é a grande sacada. Ninguém vai longe sozinho (e sozinho não é sinônimo de solteiro, tá?).

E tá tudo dentro da gente, sim. É um puta clichê, mas quando mudamos, o mundo muda junto com a gente. Funciona como um filtro: você aprende a selecionar seus problemas, priorizar o que realmente merece ficar no topo das suas preocupações e o que pode ficar pra lá.

Garota usando óculos com coque na cabeça.

E de verdade, tenta trazer mais alegria pra tua vida. É louco, eu sei. O mundo anda bastante perturbado. Pessoas vazias, frias, adormecidas. E nós também nos incluímos nessa, meu bem. Mas precisamos começar a nos esquentar pra ver se a coisa flui. Tenta, ainda que aos poucos, ver que nada disso é grande coisa e que as grandes coisas moram nas pequeninices da vida.

Experimente mudar as coisas de lugar. Experimente deixar pra lá o que te prende ao ego. O mundo tá de ponta-cabeça, sim. As pessoas estão perdidas. Tente se achar. É incrível perceber que as coisas tão valorizadas lá fora são, na verdade, coisas medíocres.

E eu me pego pensando que essa inversão toda é causada porque estamos míopes. Nós nos esquecemos muito facilmente que nada do que nos importa, de fato, importa. Dá pra entender?

Nós muitas vezes zombamos as pessoas que renunciam suas vidas para um propósito maior — como elas conseguem viver sem esses prazeres? Mas a gente esquece quem está realmente míope — que é aquele que faz de tudo pra ter prazeres e mais prazeres e mais prazeres; e mesmo assim, nunca está saciado.

Até quando vai ser mais importante ter do que ser? Até quando precisamos provar nossa importância? Ah, se soubéssemos o peso desnecessário que vivemos carregando.

E eu acordei mais leve. Mudei os óculos e a visão melhorou.

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E no fim das contas, é tudo treino!

Já parou pra refletir que todas as situações que ocorrem conosco estão, no fundo, nos servindo de treino? Infelizmente, somos condicionados a viver em uma busca pela perfeição e fugimos de situações desafiadoras (sim, é muito mais gostoso viver sem problemas). Mas a graça da vida é a superação – e principalmente a superação de si mesmo. E desencana: todos teremos problemas até o último suspiro (quem disse que isso é ruim?).

A vida é um grande treino.
Como você encara suas batalhas?

Tudo tem um significado.

Comece a treinar seu olhar para perceber o que pode ser absorvido com cada situação – mas cada situação mesmo, inclusive as que lhe parecerem inúteis e insignificantes. A vida está constantemente nos ensinando algo. Você sempre tem duas opções: encarar tudo como um milagre ou encarar tudo como mera coincidência. E falando sério: quando você começa a se conscientizar do valor de tudo e todos que passam pela sua vida, você consegue capturar sutilezas tão valiosas que te agregam um valor imenso no seu amadurecimento.

Você está fazendo as perguntas corretas?

Somos efêmeros demais, certo? A vida muda o tempo todo e nós mudamos com ela. Nós não somos fixos e tudo pode ser transformado. Porém, em vários momentos travamos diante da vida – não avançamos e não recuamos – apenas paramos e existimos. Esses momentos geram muita angústia: é horrível sentir o tempo passando e você ali, sem saber o que fazer e implorando por respostas. Mas, cara, eu aprendi algo que fez toda diferença na minha vida: se eu não estou tendo as respostas, talvez eu não esteja perguntando direito pra vida. Como a vida vai me mandar sinais se eu nem sei o que estou buscando? Comece a perguntar direito e serás capaz de enxergar respostas em tudo – é cômico.

Deu certo? Legal. Não deu? Ótimo.

Somos medrosos demais. Tememos tudo: a morte, as opiniões, os fracassos e até mesmo os sucessos. E também somos mimados demais – quando ouvimos um “não” ou quando discordam da gente já perdemos o chão. É muito tenso viver assim, não tem como ser feliz e cagão ao mesmo tempo. Aproveite os foras que a vida lhe dá pra criar uma casca grossa que te protegerá e te capacitará pra ser o campeão da rejeição. O processo é devagar, mas você chega lá – uma das melhores sensações do mundo, pra mim, é vencer-se. Fazer as coisas com medo e ser seu maior domador; mostrar pra você mesmo que quem manda não são seus medos coisíssima nenhuma. Você é mais forte que isso, cara. E sim, a rejeição nos ensina m-u-i-t-o.

Esse texto aqui pode te ajudar a entender melhor a maravilha que a rejeição pode fazer em sua vida 🙂

Maldito conforto. Bendito medo.

É uma delícia viver confortavelmente, concorda? Eu também concordo e prezo sim por certo conforto na vida. Porém, é imprescindível se arriscar e dar a cara a tapa. Eu tô falando que você precisa sair do confortável e ir pra batalha sim, dude. As maiores mudanças de nossas vidas ocorrem quando encaramos as situações. Pegue seu medo e o engula. Depois cuspa e mostre que ele não é nada diante de você.

O nosso lance é ousadia.

Seja ousada. Arrisque. Mostre quem é que manda. E sabe o mais engraçado? A maior briga é com você mesma, e não com todos os outros lá fora. Os outros vêm em segundo plano. O jeito com o qual você lida consigo mesma é o jeito que você ensina todos a lidarem com você. Por isso, antes de se preocupar com o que está fora, comece cuidando de dentro. Seja ousada com você. Atreva-se a fazer coisas que não fazia por puro medo e vergonha do que iam pensar ou dizer. A sensação é libertadora. E mais: faz um bem danado pra autoconfiança e pra autoestima. You go girl!

A vida é um grande treino.
Permita-se ficar mais forte a cada dia. Não fuja do treino.

 

 

Calma, um dia tudo vai fazer sentido.

Demora, meu anjo. Não é do dia pra noite que você vai entender por que aquela empresa não te recrutou, por que o amorzinho da sua vida foi embora e por que sua família é tão implicante. Ou seja lá o que for. A vida nem sempre tem pressa, pra quê ficar se afundando na ansiedade? Relaxa, paciência é uma virtude e precisa ser construída. Vai cuidar de você e, quando menos esperar, você vai entender e o quebra-cabeça vai se completar. Mas presta atenção aqui: fique atenta aos sinais!

Pare de fazer tudo sempre igual.

Pra que a vida possa lhe usar e lhe abusar, você precisa deixá-la agir! Não adianta querer que as coisas se transformem e continuar fazendo tudo igual. Mude as pequenas coisas, mude o que dá pra mudar. E vai devagar – não inventa de correr porque o risco de cair é maior: faça poucas coisas, mas as faça bem. O que está lhe incomodando? O que você sente que precisa mudar? O que tá impedindo você de alcançar o que quer? Faça um compromisso com você. Sabe aquele papo de que a fé move montanhas? Você pode mudar essa montanha de parasitas que está te consumindo e colocá-la pra fora de ti. Comece devagar, mas comece. Um dia você vai se agradecer.

Todo o esforço será gratificado. Às vezes somos tão mesquinhos e ingratos que nem vemos as recompensas diárias que a vida nos oferta. Abra os olhos. Tudo é um milagre. Tudo é um treino. Tudo te fortalece.

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7 sinais de que está na hora de mudar.

Ficar na zona de conforto é fácil e sabemos muito bem disso. Porém, em alguns momentos, a vida clama por mudanças – e nem sempre estamos ouvindo o pedido. Mas como saber que está na hora de mudar e agir diferente?

Quando impedimos que as mudanças ocorram, corremos grande risco de perder nossa identidade. Nós precisamos nos reconhecer diariamente em tudo aquilo que fazemos; quando não estamos nos vendo refletidos nas pequenas ações que executamos, é sua consciência te mandando sinais pra que você mude as coisas de lugar aí dentro.

Como saber que é hora de mudar?

1. Se você anda reclamando de tudo.

Há momentos na vida que só sabemos reclamar. Colocamos defeito em tudo e em todos. Nada parece dar certo e só vemos o lado negativo das coisas. Rabugentos, chatos e reclamões. Se você está vendo coisa ruim em tudo e todos, o problema, provavelmente, está dentro de você. Olha de olhar pra dentro e encarar o que está incomodando. Troque os móveis de lugar aí no seu interior. É desconfortável no começo, mas mais pra frente tudo se encaixará.

2. Se tudo parece estar estagnado.

Nada dá certo, seus projetos parecem não tomar forma e nem proporção. Você se sente parada, sem opções, sem ter pra onde ir. Ai, que sensação péssima! Você sente o tempo passando e não consegue acompanhá-lo. Sim, é hora de parar e rever o que dá pra melhorar. Em alguns momentos ficamos tão bitoladas que esquecemos que sempre temos mais opções. Não tem só um jeito de fazer dar certo. Tome distância e olhe as coisas de longe – você pode pensar em algo tão óbvio que não lhe ocorria antes por falta de magnitude.

3. Se a vontade de desistir de (quase) tudo é gigante.

Sentimento de incapacidade. De impotência. Sensação de que é mais fácil abrir mão dos desejos e dos sonhos porque você simplesmente não consegue andar pra frente. Isso significa que você ressignificar e transformar de dentro pra fora as pequenas ações do seu cotidiano. Pense que tudo é um milagre – tudo mesmo; a respiração, seus dons, seus defeitos, sua vida, seu agir: tudo isso é um milagre. Quando você toma nova perspectiva você vê como a vida pode ser mais leve.

4. Se você anda indisciplinada.

Disciplina é liberdade, sim – leia esse post aqui pra entender mais sobre isso. Quando nos falta a disciplina, só obedecemos os desejos carnais. Nós nos deixamos ser dominadas por nós mesmas. É confuso, eu sei. A indisciplina nos leva à auto sabotagem. Não podemos deixar nosso corpo mandar na gente, não – é óbvio que ele só quero conforto, sombra e água fresca. Levanta essa potranca da cadeira e vai, minha filha!

5. Se você perdeu as esperanças.

Sabe aquela revolta que nos invade quando vemos alguma injustiça? Ela nos mantém vivas e nos aproxima de nossa essência e do nosso senso de mudança. Se você anda achando que as coisas não têm mais jeito, que tudo está perdido, você precisa renovar sua fé – seja no que for – você não precisa nomeá-la.

6. Se você anda muito insegura.

Medo do futuro, medo do presente, medo de não dar certo, medo de perder as coisas, medo de não conseguir, medo de falhar. Medo, medo, medo, medo. Ninguém merece viver assim – ninguém mesmo. Se você anda muito medrosa e preocupada, tá na hora de aprender a confiar mais. Você deve estar carregando fardos desnecessários. Que tal livrar-se deles?

7. Se empurrar com a barriga é sua especialidade.

Você sabe que algo está dando errado, mas não tem forças suficientes pra abrir mão. O relacionamento tá te atrasando, o emprego tá insuportável, as pessoas andam te sugando. Tome fôlego e prepare-se para colocar as coisas nos seus devidos lugares. Pare de empurrar as coisas com a barriga e esperar que elas se resolvam milagrosamente. A vida não é assim – você precisa arrumar as coisas e ponto final. Nada vai cair no seu colo. Levanta e resolve.

E agora?

Perceber que está na hora de mudar já é o primeiro passo. Não ache que as mudanças são rápidas e instantâneas. É como eu sempre digo: o trabalho é de formiguinha. É devagarinho que as coisas vão se moldando. Mas não adianta ficar parada – tem que se mexer. Se começar a dar pequenos passos hoje em busca de mudanças efetivas e significativas na sua vida, seu eu do futuro ficará muito agradecida.

Tire as coisas inúteis que ocupam espaço dentro de você. Faça uma faxina. Filtre o que precisa ficar e deixe ir o que não tem mais lugar na sua vida. Não tenha medo de soltar coisas e nem pessoas. Aprenda a encerrar os ciclos com sabedoria, Não se compare e nem fique pensando “mas e se eu tivesse feito isso?”. As coisas são como são e tudo que você já vivenciou serviu pra alguma coisa – tenha certeza disso. Eu sei que essa vida parece querer nos derrubar em vários momentos, e quando se sentir impotente, lembre-se que a vida é efêmera demais pra que as coisas permaneçam sempre no mesmo lugar.

 

 

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Não tenha medo de olhar pra dentro.

Quando olhamos pra dentro, podemos ficar apavorados e assustados por estarmos mexendo em coisas que gostaríamos que ficassem paradinhas, quietinhas. Porém, em algum momento, precisamos encontrar forças para lidar com pessoas e situações que evitamos pensar. Não sei você, mas eu tenho o hábito de pensar “ah, ainda é muito cedo pra pensar nisso, tenho certeza que no futuro isso vai se desenrolar naturalmente… O “eu” do futuro que pense nisso”. Mas aí o futuro chega e você se dá conta de não é bem assim… Você vai precisar desenrolar sozinha – e agora.

Não tenha medo de olhar para dentro.

As maiores mudanças começam dentro.

Nós buscamos as coisas fora da gente e acabamos esquecendo que temos poder pra modificar a nossa vida olhando apenas para dentro. É fácil? Não! É muito mais difícil do que parece. É um treino diário. Você vai fracassar às vezes, vai se sentir horrível, mas recomeçará. O mais difícil, a meu ver, é a culpa e o julgamento que carregamos contra nós mesmos. Isso nos afunda demais e precisa ser trabalhado com paciência. Nesse post aqui eu dou dicas que me ajudaram – e ainda ajudam – a ser mais humana e tirar o ato de julgar do automático.

Escute os sinais da sua consciência e do seu corpo.

É impressionante como sabemos quando algo vai errado! Nós sempre sentimos algo nos incomodando e, por mais que passemos uns dias fingindo que não é nada, uma hora a coisa desaba. E isso é ótimo! Quando as coisas finalmente desabam é sinal de que você está ouvindo os sinais que sua consciência está mandando e liberando passagem pra mudança.  E nosso corpo também é um ótimo indicador de que as coisas não vão bem por dentro – seja mentalmente ou fisicamente. A indisposição não é normal, a tristeza não é normal, o cansaço não é normal. Olhe pra dentro e não tenha medo de pedir ajuda.

Se as coisas estão bagunçadas…

É sinal de que em algum momento a organização vai chegar. Pensa comigo: se as coisas estão sempre arrumadinhas e limpinhas, como mudanças poderão acontecer? Não tem como melhorar o que, aparentemente, está impecável. Por isso, pare de fingir que as coisas estão bem o tempo todo quando elas não estiverem do jeito que você queria. Nós podemos transformar o que nos incomoda. Vai dar trabalho, mas é melhor do que fingir demência. Vai doer, vai dar vontade de se rastejar pra dentro do subsolo e em alguns momentos você vai querer desistir. Mas isso é só você saindo da sua zona de conforto. Ninguém disse que seria fácil, mas sim que valeria a pena.

Uma hora as coisas se ajeitarão.

Entrega e confia. Há tempo para todo propósito debaixo do sol (o post sobre isso tá lindo). Passar por momentos de desconforto nos fortalece o espírito e nos amadurece tanto! Não tenha medo de olhar pra dentro e abraçar sua mágoa e sua dor. A jornada é sua, lembre-se de filtrar o que lhe falam, também. Não ignore os sinais que vêm de dentro de você: se eles não conseguirem te alcançar de alguma forma, tentarão de diferentes modos, até que, enfim, você se toque. Poupe o sacrifício.

Não tenha medo de olhar para dentro, você é o universo.
Você é o universo.

Lembre-se: você é um universo inteirinho.
Você tem tudo dentro de você – a divindade também te habita.

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Ei, tudo bem se arrepender.

Tem gente que ainda vive a vida com a meta de nunca se arrepender do que faz. Qual o sentido disso? É impossível acertar todas as direções – impossível. Essa crença de que temos que nos orgulhar de todas nossas decisões e jamais nos arrependermos gera ansiedade e frustração. Mas deixa eu te falar: você vai fazer algumas escolhas erradas. Todo mundo faz. É normal. Só assim podemos amadurecer. E tá tudo bem.

De vez em quando – ou até mesmo frequentemente (vai saber) – temos dificuldade em discernir qual a melhor opção; e em outras vezes somos quase que obrigamos a tomar rápidas decisões. E aí? Você realmente acha que seu amadurecimento será feito só de boas escolhas? Que sua vida vai ser um caminho sem pedras, sem arbustos e sem terremotos? Claro que não. Isso é ilusão. Você vai fazer cagadas, vai fazer péssimas escolhas e vai quebrar a cara. E digo mais: você vai sobreviver e vai aprender a não dar tanta importância assim (lembre-se: as coisas têm o valor que lhes damos).

Vida que segue. Não nascemos prontos. E fazer cagadas pode ser realmente doloroso, mas é também delicioso acompanhar nossa evolução. E aí é que está: aprenda com as más decisões. Não adianta nada fazê-las, arrepender-se e continuar repetindo. Não! Temos que crescer com nossos arrependimentos. Portanto, arrependa-se sim! Não sinta remorso quando se der conta de que errou o caminho. Todo mundo erra – mas há aqueles que vivem na negação e jamais assumem que erraram. Não seja uma dessas pessoas que vive negando e que se recusa a admitir que erra – esses cidadãos geralmente vivem estagnados, não regridem e não avançam.

Pintura de uma garota de cabelo vermelho com a mão na cabeça e olhos fechados.
Desenho de Harumi Hironaka.

Dia desses eu tomei uma decisão terrível. Pior que eu sabia que iria me arrepender antes mesmo de ter optado por realmente fazê-la. Mas era necessário. E eu quis tentar. Eu precisava dar uma chance pra essa minha ideia. Eu me arrependi? Sim. Aprendi? Sim também. Aprendi que preciso parar de ser impulsiva. Vou parar assim, de imediato? Óbvio que não. Provavelmente isso ainda vai me custar uma coleção de erros. E eu tô disposta a isso. Sei que ainda vou errar muito, assim como sei que vou aprender muito.

Eu nunca fui apegada com a ideia de ter uma imagem perfeita de quem não erra e tem tudo sob controle (descontrole, a gente vê por aqui). Claro, nem sempre é prazeroso admitir que cometi um erro. Mas eu tento levar na boa, tento dar o meu melhor pra isso. E acho que a gente deveria tentar levar mais na boa os nossos erros. Eu sei que muita gente vive de ilusão (e nós também temos nossas ilusões), mas ser real é tão transformador. Aceitar é tão mais renovador que viver na penumbra que a negação gera.

Então sim, arrependa-se sim! Tire da sua cabeça essas frases que enchem nossos ouvidos desde que somos pequenos: “viva sem arrependimentos”, “arrependa-se apenas do que não fez” e blá-blá-blá. Arrependa-se do que não fez, mas arrependa-se também do que fez. E tente fazer melhor numa próxima. Viva com arrependimentos sim – não seja arrogante a ponto de achar que só toma as melhores decisões. Ninguém está com essa moral toda. Acho que essa onda de viver sem arrependimentos está mais atrelada ao fato de que devemos acolher mais nossos erros do que ficar se corroendo por termos feito algo péssimo.

Arrependa-se. Mas tente mudar sempre que possível.

Ah, em um outro post eu falei sobre o medo que temos em cometer decisões erradas. Clica aqui pra ler. É ótimo (que modéstia).

 

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Por que mudar é tão difícil?

Todos nós queremos mudar em vários aspectos. Mas tem hora que nossa vida dá uma empacada assustadora. Não vamos pra trás e nem pra frente; as coisas não saem do lugar; parecemos vacilar em coisas tão absurdamente ridículas que nos sentimos sugados.

Eu tô numa fase meio assim, acho. Tá tudo assustadoramente calmo por fora, mas eu tô um turbilhão por dentro. Acabei de fazer escolhas dolorosas e aparentemente ando me julgando e culpando muito por isso. Uma coisa bizarra, na verdade. E é engraçado porque as coisas estagnaram. Ou melhor, acho que eu estagnei. Quanto mais assustados, mais estagnados.

Ando lendo bastante sobre isso. E a lição mais valiosa que aprendi diz respeito ao acolhimento. Gastamos energia demais tentando reverter situações que simplesmente não vão se reverter – melhor gastar energia tentado acolher a situação e as emoções que ela nos provoca. Deixar a gente em paz, sabe? Acho que as maiores mudanças acontecem quando aprendemos a simplesmente nos deixarmos quietos, sem culpas desnecessárias e sem fardos exaustivos – quando finalmente nos permitimos respirar em paz. Afinal de contas, tudo está em seu devido lugar (uma vez que só possuímos o agora e nem adianta ficar imaginando as coisas sendo diferentes).

Sempre que me sinto assim gosto de pensar que estou no topo de uma montanha observando o cenário geral de alguma cena (que metaforicamente sou eu mesma: meu conjunto de emoções e pensamentos e situações e superações). Esse simples treino me traz de volta à realidade e me ajuda a lembrar que a vida é como um oceano mesmo: ora ele estará sem ondas, ora a maré estará alta, outra baixa; ora as ondas serão fortes e eu vou me afogar, e ora vou me equilibrar plenamente nelas. Acontece que somos exagerados demais e sempre achamos que estamos na fase mais difícil da vida (que drama), mas na verdade são só algumas ondas passando pela gente. E tudo bem. Olhar a situação de longe nos ajuda a ver que a vida não para e que já passamos por momentos assim antes e que, provavelmente, ainda teremos mais fases assim na vida. E isso vai passar.

 Mulher em frente ao oceano.

 

Acolher a gente mesmo, acolher nossos medos, nossas estagnações, nossos julgamentos, nossas dores. Acolher tudo o que aparecer. Algumas coisas a gente acolhe e coloca pra dormir, sabe? Tem coisa que temos que deixar pra lá pois não cabem na nossa vida, pelo menos não no momento.

Para mudar é preciso deixar-se em paz.

E eu acabei descobrindo que mudar é tão difícil porque sempre acabamos empurrando as coisas com a barriga. E a vida vai sendo empurrada também. Vamos nos deixando pra depois. Só que, por mais dolorido que seja, só colocamos ordem naquilo que tá bagunçado. E outra: mudar depende da gente. Só da gente. E isso é assustador pra caramba. Falta confiança, falta coragem, falta responsabilidade. Uma hora temos que encarar isso – e cada um encara no seu momento; sem pressa, sem competição.

A minha existência tá bem bagunçada, confesso. Porém, dia após dia, estou buscando me deixar em paz – e cada dia vai ficando mais leve. Tenho que me lembrar constantemente que sou um oceano com todas as nuances possíveis. Dá medo e me falta coragem pra encarar a vida em vários momentos do mesmo dia. Caminhando se faz o caminho, né? Mas tem hora que cansa e a gente precisa sentar sim e ficar em paz para retomar as forças e continuar a trilha com energias recarregadas. Então, falo pra você e pra mim mesma: tudo bem descansar e ficar um pouco parada. Já sabemos bem que não existe linha de chegada – e é bem melhor ponderar seus caminhos do que caminhar em qualquer um!