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Autodesenvolvimento

O que teu barulho cala?

Os ruídos da vida são altos demais, convenhamos. É gritaria pra tudo que é lado. Mas e aí dentro, como andam as coisas? Você está se ouvindo? Se amando? Se conhecendo? Ou você tá correndo dessa confusão toda aí de dentro usando o barulho como válvula de escape? Pois é, isso acontece muito. Mas poderia — e pode — ser diferente.

Nós estamos realmente acostumados com o barulho. Prova disso é o espanto que o silêncio nos causa. Já percebeu isso? Puxamos qualquer assunto com qualquer pessoa, mas o silêncio precisa ser evitado. Ele incomoda e parece que aumenta o volume de tudo. Então nós damos piruetas para evitá-lo. E sozinhos? Bem, sozinhos fazemos o mesmo. Para não vivê-lo, colocamos sons mais altos ainda ao redor da gente.

Celular. Internet. Músicas. Vídeos. A gente não para quieto! É toda hora algo diferente, um barulho a mais. A busca por mais informação, conhecimento ou seja lá o quê for. Tudo continua igual: continuamos a buscar fora. Sempre fora. Opiniões. Aprendizados. Qualquer coisa. Mas e o que você pensa? Qual sua opinião? O que você já sabe? Como tem se sentido? Presta atenção em você, por favor! Precisamos disso. O mundo precisa disso. Não, você não precisa ser individualista e nem se isolar do resto do mundo, mas tenta dar uma equilibrada nisso tudo.

Eu ando meio saturada de informação. Eu sempre chegava do trabalho e colocava um vídeo enquanto tomava banho; eu sempre ouvia uma música enquanto colocava roupa. Sempre assistia um filme quando estava sem nada pra fazer. Mas eu me sentia distante de mim mesma quando essa rotina ficava excessiva. Claro que essa é minha perspectiva da coisa, mas é algo que observo em muitos lugares: as pessoas podem estar sentadas almoçando juntas, mas sempre tem alguém que não sai do celular — nem mesmo pra comer. E vejo pais fazendo isso com os filhos para que fiquem quietos. Céus. Isso me assusta muito. Claro que há exceções; o problema é quando isso se torna regra. Será que estamos vivendo o aqui e o agora? Será que entendemos a dimensão do presente? Será que sabemos ter presença? Por que é que fugimos tanto do silêncio? Por que ficar parados quietos nos atormenta tanto?

O silêncio é nosso amigo. Ele fala o que precisamos ouvir. Através dele é que podemos intuir nossos caminhos e compreender as coisas que estão acontecendo. É no silêncio que as coisas voltam pro lugar onde deveriam estar. É lá que está a resposta pra quase tudo que queremos saber. E isso é tão mais fácil do que ficar buscando aí fora. Mas nós somos mesmo teimosos, né? Complicar coisas é nossa especialidade (hahaha).

Então fica o convite: que saibamos silenciar mais. Ouvir o que está acontecendo dentro da gente. Claro, uma musiquinha é sempre bem-vinda. A diferença é na vida que damos aos momentos presentes: estamos vivendo aquilo ou apenas nos deixando levar? O silêncio nos ajuda a dar vida às coisas. Inclusive mais vida à nossas vidas. Mais presença. Mais vigor. Maior entrega.

Demore-se. Não tenha medo do barulho que o teu silêncio faz — encarar as nossas próprias sombras nunca será tarefa fácil, mas totalmente necessária pro amadurecimento da gente. Entenda o motivo das suas fugas. Quais são os gatilhos? Por que será que a tendência da gente é sempre tentar abafar o que dói ao invés de encarar? Silencia o mundo de fora pra ficar pertinho do seu próprio mundo. Tá tudo aí dentro, e não do lado de fora.

Se não puder melhorar o silêncio, cale-se.

vai ver, você sabe muito pouco sobre você…

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Crônicas do Cotidiano

Se não puder melhorar o silêncio, cale-se.

Você pode ler esse texto ao som de “Reggii – Silence”.

Se você não é capaz de melhorar o silêncio, cale-se.

Uma vez me disseram essa frase e ela caiu feito chuva em dia de seca aos meus ouvidos. Eu estava ocupando-me demais com barulhos desnecessários em uma tentativa inútil de preencher meus silêncios sufocantes. Mas desde quando ruídos externos serviram para pacificar alguma alma perturbada? Que eu saiba, nunca. Pelo contrário: esses pandemônios que criamos só fazem com que nos afastemos de nós mesmos, e todos sabemos o que se passa quando isso ocorre: a algazarra torna-se tão, mas tão grande, que somos vomitados do nosso próprio ser e nos sentimos vazios, sem graças, sem ânimo. Interpreto essa frase não apenas no sentido de calar-nos a boca quando não podemos acrescentar algo útil a uma conversação, mas vejo sua grande significação no sentido abstrato: não joguemos tumultos no nosso silêncio. Sei muito bem que o silêncio é assustador tão bem quanto sei que é pacificador. Pra que jogar entulhos no que está perfeitamente arrumado? E também o contrário: se nossa alma está assim tão tumultuada, qual a razão para não evocar o silêncio e assistir sua limpeza?

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Temo que nossa sociedade cada vez mais fuja da calmaria. Vivemos em uma era em que quanto maior o agito, melhor, pois assim temos a desculpa da falta de tempo para resolver o que precisamos e correr atrás do que nos faz bem. Nosso corpo tem um alarme de fábrica que sempre indica quando estamos no caminho errado, e é quando soa esse alarme que, quase sempre, significa que algo está errado. Porém, ao invés de nos retirarmos um pouco da pulsação insana que é viver, afundamo-nos ainda mais no buraco negro. E como eu sempre digo, suas atitudes possuem relação direta com seu estado interior: se por dentro está uma bagunça, a bagunça será feita no exterior; se está uma confusão, seu entorno estará confuso… E assim por diante. E quem muito fala – sem ter realmente algo útil a expressar – é por que está fugindo de seu silêncio. Dessa maneira, é preferível atuar na sua quietude: ele é um grande palco.