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Autodesenvolvimento

Você não precisa saber onde quer estar em dez anos.

Loucura? Não, não. De fato, você não precisa saber exatamente onde quer estar daqui a algum tempo: dez, cinco, três ou um ano. A vida não funciona desse jeito. Não dá pra bolarmos um script e seguí-lo do começo ao fim sem nenhuma mudança. Isso é insano. Isso engessa demais e exclui muitas possibilidades.

Nós tendemos a planejar as coisas e projetar tudo nesse caminho idealizado, como se o controle fosse estar o tempo todo em nossas mãos e como se nada ruim pudesse sequer interferir. Por exemplo, você já fez alguma dieta na vida? Provavelmente, sim. E muito provavelmente, também, no dia em que você optou por fazê-la, você visualizou esse processo mais ou menos assim: “nossa, eu vou ser tão fitness, mas tão fitness que eu vou resistir a tudo e as pessoas vão ficar muito chocadas com tamanha força de vontade”, ou, então “nossa, eu vou malhar todos os dias, não importa o clima e nem meus compromissos; eu vou acordar muito cedo e com todo ânimo do mundo — NADA vai me deter”; ou, ainda “putz, quando eu tiver esse emprego eu vou ser tão feliz que eu vou acordar sozinha sem despertador e eu não vou querer faltar nunca porque ele vai ser a coisa mais foda de todas”. Qualquer exagero e idealização cabem aqui. Sinta-se a vontade para criar seu exemplo.

E, cá entre nós, não é assim que a vida funciona. Você pode sim priorizar algum aspecto na sua vida e deixar pra lá outras coisas enquanto persegue aquele objetivo. Mas não vai ser perfeito. O caminho não é perfeito e nem precisa sê-lo. A graça do processo é aprender a cair e a levantar logo em seguida. E não evitar quedas a todo custo.

Ao invés de evitar a queda, aprenda a cair direito: ou seja, levantando em seguida.

Nós cobramos muito dos outros e da gente também. Falta compaixão e benevolência. A gente projeta muita coisa nas pessoas e nos sonhos e em como os realizaremos. Pode ser que seja realmente fácil, mas pode ser que seja difícil e que seja um processo diário de tomada de consciência para processar seus atos, um após o outro, e talvez você precise se lembrar momentaneamente do motivo de estar fazendo tal coisa. Nós somos humanos, e isso significa que nos iludimos aqui e ali. Sabe aquele emprego dos sonhos? Você não vai conquistá-lo e automaticamente todos os seus problemas acabarão. Sabe aquele amor que você tanto deseja? Ele também não vai te iluminar e deixar a vida mega doce e perfeita do tipo meu-deus-por-que-eu-recamava-da-vida-estou-no-paraíso. Não, não, não. Não é assim que a vida é.

Portanto, onde você quer estar daqui a dez anos talvez não importe tanto assim. Claro que devemos buscar nos conhecer para saber o que nos deixa felizes e bolar planos é realmente importante; as metas e os objetivos nos lembram do que queremos e nos disciplinam, mas eu realmente acho absurda essa cobrança por controlar todos os passos do futuro e ainda mais a cobrança em se saber onde se deseja estar daqui a algum tempo. No fundo, nós sabemos (principalmente) onde não queremos estar, certo? E a gente faz sim ideia do que queremos estar fazendo. Mas façamos juntos um exercício aqui e agora: olhemos para trás. Dez anos atrás. Quais eram seus sonhos? Onde você imaginou que estaria agora? Você consquistou tudo o que quis? Você ainda quer o que outrora desejou? Quantos imprevistos aconteceram? Quantos atalhos você pegou? Quantas vezes mudou de direção?

Bom, eu sei que praticamente nem lembro tanto assim do que eu queria dez anos atrás — lembro de pouca coisa. Conquistei algumas, mas outras ambições nem me servem mais. Eu precisei deixá-las para trás e isso foi um ato de amor por mim mesma. Desapegar de sonhos pode ser frustrante? Sim, e muito, mas é uma eterna redescoberta, sabe? Nós falamos tanto em mudanças,  em metamorfoses… Então como que podemos apoiar as mesmas coisas de sempre? Nós mudamos o tempo todo. O tempo todo nós mudamos.

Eu sempre fiquei meio blé quando alguém me perguntava isso e eu não sabia responder. Me sentia irresponsável, meio que sem metas e indisciplinada. Daí automaticamente eu pensava que “meu deus, eu não sei qual estrada quero trilhar, então eu vou acabar tomando qualquer uma e ser uma fracassada”. Puta que pariu. Que cobrança é essa? Eu não sei mesmo onde quero estar daqui a dez anos, mas eu garanto que vou ser muito fiel a mim mesma nesse meio tempo (não perfeitamente, óbvio, mas o melhor possível). Entende? Só o fato de eu me respeitar, em acolher e me amar meio que garante que eu não vou andar em qualquer estrada. Então talvez eu não precise de grandes planos e nem de ambições gigantes. Basta colocar meu coração e inteligência em minhas escolhas que as farei bem — sejam elas grandes ou pequenas. 

Pode ser que você realize os sonhos que carrega consigo agora, mas pode ser que daqui a dois meses eles não lhe façam mais sentido. E aí? Você vai se martirizar por isso ou vai aceitar sua transmutação? É foda, né? Não é fácil. Nós nos apegamos até nos nossos desejos. Mas eles também vão e vêm. Não há nada errado nisso. Você tem o direito de mudar. Trace planos, mas não se apegue tanto assim a eles. Não deposite esperanças de dias melhores em cima de objetivos futuros. Não projete o melhor que você pode ser em coisas que ainda nem aconteceram. Seja feliz com o que você tem e é agora. E saiba que esse “seja feliz” inclui dias péssimos e totalmente cagados e complicados. É assim mesmo. Ser feliz não é um ato constante. Aquele papo de que para ser corajoso é preciso estar com medo é quase a mesma coisa: para ser feliz você precisa saber o que é tristeza. Para caminhar você precisa se perder. Para saber o que se quer é preciso deixar pra trás o que se queria.

Continue refletindo comigo 🙂

a gente nunca sabe nada.

Dadme la muerte que me falta.

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Crônicas do Cotidiano

O que você espera da vida?

Você pode ouvir essa música ao som de “Coldplay – Lost”.

Nunca troque o você mais quer na vida pelo que você mais quer no momento.

Eu tenho pensando muito nisso. O que eu espero da vida?

(Pare de esperar pela sexta; pelo verão; por alguém que se apaixone por você; pela vida. A felicidade é alcançada quando você para de esperar por ela e faz o máximo do momento no qual está agora).

Todos nós, quando crianças, criamos a ilusão de um adulto – vou ser professora, serei médico, bombeira… Tanta coisa passa pela cabeça da gente… São tantas opções, tantos caminhos a serem trilhados; mas temos que optar por um. E não é fácil. Crescemos e vamos percebendo que o amanhã nunca chega. Nunca, nunca, nunca. Não somos nós que deveríamos esperar da vida; a vida espera da gente. Nós somos a vida. Nós somos os únicos capazes de caminhar – e o melhor (e mais assustador) é que tudo sempre só depende da gente.

Tudo bem que algumas situações fogem ao nosso controle – várias delas; mas a escolha de uma possível reação é sempre nossa. A questão é que nós somos um universo; nós podemos viver aquilo que desejamos, mas isso exige um sacrifício danado e um equilíbrio que precisa ser conquistado. Metas. A maioria de nós possui várias; mas será que todos nós escolhemos nossas ações para que possamos alcança-las? Ou ficamos esperando que, de repente, um estalo nos faça mudar? Eu confesso que muitas vezes me pego esperando esse estalo e vivo sonhando com um amanhã que nunca chega. E ele nunca irá chegar, sabe por quê? Porque nós não estamos fazendo nada para atraí-lo. A mudança está na gente, não está aí fora. E mesmo parecendo de uma simplicidade gigante, acho que essa consciência é uma das mais difíceis da vida.

Reclamamos de nossas situações e nem sempre agimos para provocar uma mudança. Vamos sempre deixando pra amanhã, pra depois. O amanhã não vai chegar, o depois não vai chegar. Você não vai chegar se você não fizer diferente hoje.

Mas como fazer diferente? Tô aprendendo também. Mas o que sei, até agora é que:

  • pequenos passos são os mais significativos; pare de tentar fazer coisas grandes sem ter o terreno bem preparado, pega leve e evite frustrações desnecessárias;
  • não pare de caminhar, vá aumentando o ritmo aos poucos e não se compare no meio do caminho com aqueles que parecem estar à sua frente;
  • pequenos sacrifícios são fundamentais para aprender a se controlar e a ser livre de você mesmo – em muitos momentos da minha vida eu tive como certo de que eu deveria fazer TUDO aquilo que minha carne desejasse; resultado: de tanto viver o hoje como se fosse o último dia, eu esqueci de trabalhar por meus sonhos e planos;
  • faça – a vida é ação pura; quando você perceber que está adiando algo importante, pare de pensar e comece a agir, chega de enrolação e vença-se dando um passo de cada vez (lembre-se de começar com coisas pequenas);
  • elimine a culpa da sua vida – muitas vezes nos culpamos por nossas ações pois elas podem parecer não condizer com as expectativas dos outros – continue mesmo assim;
  • você vai bater a cabeça, você vai sentir culpa, você vai se desesperar. Relaxa, tá tudo certo. Reinvente-se e tente observar as coisas como um todo, tire o foco do imediatismo;
  • desencane dos resultados imediatos – exercite a paciência;
  • não fuja de você aprenda a se amar;
  • acredite em você – você é capaz de ir mais longe do que imagina.

Todos os dias a gente vai descobrindo coisas novas: não fuja do que está acontecendo com você. Se está sentindo alguma coisa, é porque precisa passar por essa fase para aprender algo maior. Entregue-se a isso e tente não parar no meio do caminho.