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Autodesenvolvimento

Concentre-se no que importa.

Eu sempre disse que meu maior medo era chegar na velhice, olhar pra trás e perceber que não vivi de acordo com meus princípios. Desde muito nova eu convivo com essa agonia e eu sofro muito quando me dou conta de que tô precisando passar muita coisa na frente ao invés de estar fazendo o que quero. Sim, essa é a vida. Temos responsabilidades, quer queiramos ou não.  A sociedade pressiona e a gente acaba sucumbindo. O piloto automático é tão mais fácil. A anestesia é tão mais simples. Não dói. Não incomoda. E a gente vai ficando quietinha, encolhida em nosso próprio mundo, fugindo das dores, das pessoas, das responsabilidades, dos afetos, das intimidades.

Eu venho percebendo que, conforme os anos passam, eu fico mais bruta. Fico mais covarde, também. E muito, mas muito mais inflexível e seletiva. Isso tem um lado bom, não posso negar. Ficamos mais donas do próprio nariz com o amadurecimento. Mas isso também nos afasta de algo primordial: a gente corre o risco de ficar tão submersa no nosso oceano particular, com tanta preguiça e tanto vitimismo que esquecemos de amar. Fugimos da intimidade. E eu cheguei a conclusão de que eu, na minha vida, preciso ter mais intimidade. E também acho que o mundo tá carecendo disso: afeto, olho no olho, profundidade, conexão. E nós vivemos em uma estrutura social que nos afasta cada vez mais. A sociedade e suas criações nos afastam e nos fazem acreditar que melhores sozinhos. Mas nós NECESSITAMOS uns dos outros para viver bem — não no sentido tóxico, mas no sentido afetuoso da coisa toda. Somos completos? Sim, sem dúvidas. Mas qual a graça de viver somente para si? Olhando somente pro seu umbigo? E se você acredita nisso, eu espero que um dia você consiga enxergar isso de forma diferente. Pessoas não são (ou não deveriam) ser tidas como nossas inimigas. Mas é assim que a coisa tá engrenada: nós lutamos pra garantir sobrevivência, sendo que eliminamos qualquer possibilidade de (so)breviver quando o fazemos.

As situações limites sempre nos lembram do quanto precisamos ser íntimos uns dos outros. A doença, a separação, a morte. Nós nos chocamos. Nesses momentos nos damos conta de que algo precisa ser transformado. Na maioria das vezes traçamos um plano que dura um tempo e logo nos esquecemos. Até que outra coisa acontece e revisitamos essa angústia. Mas eu queria saber como faz pra quebrar esse ciclo. E a única coisa que me vem a cabeça é um verbo: agir. Sair dessa inércia e lutar contra ela dia após dia. Visitar a família, ligar pra amiga, ouvir os outros (ouvir mesmo), acolher as dores (as suas e a de quem mais doer), e tantas outras miudezas que podem aquecer nosso coração. De quantos “depois” sua vida é composta? O que você tá enrolando pra fazer? E eu quero propor algo pra gente: vamos. Só vamos. Um pouco por dia. Se não dá pra ver, liga. Mantém contato com as pessoas. Não se isola, não. Esquece isso de ajudar todo mundo: concentre-se no que importa, no que realmente importa. O mundo tá carente de afeto. O MUNDO TÁ CARENTE DE AFETO. Eu sei que somos orgulhosos, vaidosos, medrosos. Eu sou. Eu tenho vergonha de me aproximar das pessoas. Eu tenho vergonha de oferecer ajuda. Eu morro de medo de atrapalhar ou incomodar. Eu me sinto uma criança pequena diante de muitas coisas e eu esqueço da responsabilidade que carrego (que todos carregam) de fazer o bem. Mas quanta oportunidade de fazer o bem eu perco quando me deixo ser vencida por essas noias? Eu prefiro ser tida como boba do que perder uma oportunidade de dar afeto; mas não é assim que as coisas são: eu perco MUITA oportunidade de dar afeto porque eu não me concentro no que verdadeiramente importa.

Nós perdemos tempo com idiotices todos os dias. E lembrar da morte é útil pra abrir nossos olhos. A gente vive como se fosse imortal. E eu sei que é muito fácil falar e que o bicho pega mesmo na hora de agir. Mas a gente precisa agir. Nós não vamos curar o mundo com raiva. E talvez você nem queira curar o mundo; talvez você queira apenas curar uma relação que se desgastou. E, de novo, há que se ter amor. Não há cura sem amor. Não há cura sem amor. Não há cura sem amor. E curar significa recuperação. Recuperar seja lá o que. Não deixa pra depois. Eu não quero deixar pra depois. Sentir que é tarde demais é uma das piores sensações que podemos sentir. E sim, pode ser tarde demais. E daí alguém pode dizer “as coisas são como são, nada é tarde demais”, mas eu digo que é sim. Nada vai alterar o passado, mas ter consciência disso muda tudo; deitar no travesseiro e saber que sua ausência fez falta é horrível. A nossa ausência faz falta na vida dos outros. Nós precisamos de gente para sobreviver. Esse papo de que nascemos e morremos sozinhos não é bom e apenas propaga o individualismo cruel. Cruel. Se afastar das pessoas por pura preguiça é crueldade. Se ausentar porque não deu tempo é crueldade. Deixar pra depois é crueldade.

Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.
Concentre-se no que importa.

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Crônicas do Cotidiano

o tempo, o crescimento e as mudanças.

As noites de domingo impulsionam os pensamentos dela e o som da chuva lá fora traz de volta memórias dos tempos antigos. Eles sempre dizem que a vida passa depressa e que não há tempo a perder. E ela sentia muito medo de perder tempo. Será que ela estaria perdendo tempo?

É meio estranho ser adulto. É bastante confusa, na verdade, a transição que acontece dentro de si mesmo: deixar de ser quem era pra se tornar quem é agora. Mas quem diabos eu sou, ora bolas? É assustador começa a perceber que não dá pra sustentar verdades que carregávamos e jurávamos jamais abandonar; é esquisito começar a compreender atitudes que antes pareciam ridículas. A mudança sempre assusta. E a vida é feita de tantas (tantas, tantas, tantas, tantas, tantas) mudanças. E tem gente que não vai entender. Nem você vai entender. Mas ninguém precisa entender: você precisa apenas ser sincero consigo mesmo. “Apenas”.

Ela antes sentia que o futuro estava distante; porém, deu-se conta de que está no futuro. Ou melhor: percebeu que não existe futuro. O tempo é traiçoeiro quando questionado; é melhor simplesmente usá-lo do que ficar pensando e matutando sobre a melhor forma de fazer isso. Use-o, apenas. Use-o de modo sincero e honesto. Use-o para ser você.

Não é fácil abandonar a ideia que se cria de si mesmo. É duro perceber que estávamos errado e que não tínhamos noção de várias coisas mesmo jurando o contrário. E a vida dá tapas na cara com maestria: ela pega você e faz você enxergar e lidar com coisas que te dão vontade de sair correndo. E ela vai continuar te dando tapas até você encarar. E encarar nem sempre é fácil. 

Não é fácil, e ela sabia que não seria. Viver é desconstrução atrás de construção atrás de desconstrução. E nós temos que ser desapegados para que a vida nos guie. E temos que ser pacientes para entender que processos e ciclos precisam de tempo. Nós precisamos de muita coisa. E isso confunde. Mas acho que dá pra resumir tudo numa coisa só: sinceridade.

Quando se é sincero muita dúvida some da cabeça. A sinceridade nos leva à aceitação, ao acolhimento, à paciência. E, pouco a pouco, ela foi entendendo isso. Talvez alguns momentos não sejam bons. Talvez algumas situações sejam delicadas. Talvez descobrir crenças negativas seja difícil — e mais duro ainda é destruí-las.

Mas talvez nada disso seja grande coisa. Só talvez, mesmo. Vai ver é só uma lente de aumento que ela colocou em cima dessas questões, vai saber. Não dá pra saber. Pelo menos ainda não.

Por enquanto ela escuta o som da chuva e lembra do passado. E no futuro, isso vai ser o passado e ela também não vai ser a mesma. E a lição da vida é que tudo muda, o tempo todo. Não dá pra se apegar. Mas ao mesmo tempo é preciso se apegar, também. É complicado, né? E talvez, lá na frente, fique um pouco mais descomplicado. Crescer nunca foi fácil, afinal.

Aproveita e vem ler essa crônica, onde também falo sobre mudanças. E nessa aqui eu escrevi sobre a vida adulta (que é foda).

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Autodesenvolvimento

Há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Somos ansiosos demais, não é mesmo? Imediatistas, impacientes e preocupados. Temos uma mania de desconfiar e de desacreditar que as coisas darão certo. Parece que as coisas boas só são almejadas com muito sofrimento e suor, né? Mas, sinto lhe dizer, coisas boas acontecem todos os dias. Pra que seus dias sejam agradáveis, não é necessário que tudo seja perfeito: bastam simples e singelos instantes de contemplação pra que você desperte gratidão, esperança e paciência. E sim, todo dia você precisa se lembrar de que o tempo é sábio.

Há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Nem tudo é coincidência.

Einstein dizia que só há dois jeitos de viver a vida: o primeiro é achando que milagres nunca acontecem e que não existem, e o outro é viver como se tudo fosse um milagre. E, cara, isso é profundo demais! Tendemos a achar que tudo não passa de coincidências, de golpes do destino e de sorte. Mas não é assim. Se você realmente acreditar e se permitir, vai começar a observar que a vida te leva pra onde você deve ir e, sem que você perceba, vai te preparando para enfrentar cada etapa. Parece milagre – e é. A vida é um emaranhado de pequenos milagres. Valorize-os.

A paciência transforma.

Ela transforma dor em alegria, desespero em esperança, sombras em luz. A paciência é foda. Se você souber cultivá-la, chegará longe. Bem sabemos que é difícil manter a calma em meio ao caos, mas quem quer consegue. Para e pensa um pouco: quantas coisas aconteceram na sua vida que te deixaram sem chão e sem compreensão e, com o passar do tempo, descobriu o significado de tudo aquilo? Imagina se tudo que quiséssemos acontecesse. Não ia prestar. Sabe por quê? Porque somos carnais demais, impulsivos demais e teimosos demais. Sorte a nossa que nem tudo é como a gente quer.

Entrega. Confia. Esquece.

Nós precisamos acreditar na vida. Sério mesmo. Mas não confiar desconfiando: é preciso confiar, entregar e esquecer. Tire o peso da sua costa, pare de carregar essa preocupação por onde quer que ande. As coisas vão dar certo, mesmo parecendo que não. Calma. Tenho certeza que nós não saberíamos lidar com várias coisas que gostaríamos que estivessem acontecendo e, graças à sabedoria do tempo, não estão. Precisamos de amadurecimento. E nem pense em se comparar aos outros. Nem preciso dizer isso, né?

Há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Confia.

Nunca foi sorte.

E não mesmo. Você conseguir o que quer não é sorte – é sinal de entrega e de confiança na vida. Já falamos aqui que somos um jardim que merece cuidados. E digo mais: somos espelhos. A forma como cuidamos de nós mesmos é a forma como o mundo vai nos cuidar. E por isso não foi sorte. Foi você, com sua força, com sua fé na vida e no tempo que conseguiu chegar até aqui. Você refletiu no mundo a beleza que carrega aí dentro, e a vida te presenteou com a fluidez – ou até mesmo com a falta dela, pois nós também temos que expressar gratidão pelos momentos de perrengue: vai saber pro que ele estão nos preparando, não é mesmo?

Sim, meus amigos. um dia tudo faz sentido. Há tempo pra todo propósito debaixo do sol. E enquanto você não sabe seu real propósito, paciência. Um dia tudo faz sentido.