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10 citações de F. Pessoa que mostram que ele era tão perdido quanto você — parte II

Na primeira parte desse artigo eu mostrei que Fernando Pessoa (cético e um tanto quando pessimista), em seu “Livro do Desassossego”, nos mostrou que a vida é mesmo uma incógnita (leia aqui). Isso é trágico (e ás vezes cômico), mas também pode servir para nos mostrar um outro lado da coisa — a vida de adulto sucks, mas refletir sobre ela nos mostra que sempre é tempo de mudar de perspectiva.

(tristeza e depressão são coisas sérias e precisam ser encaradas como tal; se esse tipo de conteúdo for um gatilho para você, não leia. a intenção é trazer reflexão junto ao senso de identificação, e não o contrário).

A vida é um novelo que alguém emaranhou. Há um sentido nela, se estiver desenrolada e posta ao comprido, ou enrolada bem. Mas, tal como está, é um problema sem novelo próprio, um embrulhar-se sem onde.

É, realmente viver é um emaranhado. Mas é muito prazeroso ir desenrolando os fios e descobrir novos significados para eles. E faz parte da nossa trajetória fazer alguns nós aqui e ali. Não há nada errado com isso. Ai, os nós que nós fazemos!

Cheguei hoje, de repente, a uma sensaçã absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém.

Vocês já sentiram isso? Eu sempre me dou conta da minha pequenez quando penso no universo ou no mar. Isso, ao invés de me levar pro negativo, me enraíza no positivo: meus problemas não são tão grandes assim — e eu mereço levar a vida levemente já que ela é tão curta e pequena quando comparada a coisas tão grandes; e sempre lembrando que TUDO, absolutamente TUDO, passa.

O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é.

Seres humanos tendo problemas para se expressar desde sempre 🙂

Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros.

É sempre bom ter algo pra conhecer. Saber tudo seria muito chato. Conhecer tudo e todos seria um tédio. Desconhecer é bom porque podemos sempre estar conhecendo.

Só eles sabem que nós somos presas da ilusão que nos criaram. Mas qual é a razão da ilusão, e por que é que há essa, ou qualquer, ilusão, ou por que é que eles, ilusos também, nos deram que tivéssemos a ilusão que nos deram — isso, por certo, eles mesmos não sabem.

Isso me parece confuso, mas de um jeito estranho, me faz muito sentido: a gente cria a ilusão e depois quer sair dela. Seres humanos sabem mesmo complicar as coisas. Sei lá.

Mais que uma vez, ao passear lentamente pelas ruas da tarde, me tem batido na alma, com uma violência súbita e estonteante, a estranhíssima presença da organização das coisas. Não são bem as coisas naturais que tanto me afetam, que tão poderosamente me trazem esta sensação: são antes os arruamentos, os letreiros, as pessoas vestidas e falando, os empregos, os jornais, a inteligência de tudo.

Por que será que as coisas são assim? Pra quê? Como foi que as coisas se organizaram dessa maneira que vivenciamos? Poderia ser diferente? Faria mais sentido?

Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.

Por isso eu digo: sentir é muito melhor que pensar.

Feliz quem não exige da vida mais do que ela espontaneamente lhe dá, guiando-se pelos instintos dos gatos, que buscam o sol quando há sol, e quando não há sol o calor, onde quer que esteja.

Parar de lamentar o que falta e olhar pro que já temos. Parar de querer impedir o sofrimento e preocupar-se mais em encontrar momentos de alegria. É tudo questão de perspectiva.

Tudo quanto tenho buscado na vida, eu mesmo o deixei por buscar. Sou como alguém que procure distraidamente o que, no sonho entre a busca, esqueceu já o que era.

Quem nunca ficou tão focado em conseguir alguma coisa que acabou se deixando pra trás? Essa citação nos confirma uma coisa: nossos sonhos não podem ser maiores do que nós mesmos. Nossa essência vem antes de tudo — até mesmo dos sonhos. Ir atrás do que se quer é bastante importante, mas saiba escolher sua jornada para chegar até lá: com certeza ela pode ser mais leve e menos dolorosa (ainda que demore um pouco mais).

A nossa vida de adultos reduz-se a dar esmolas aos outros. Vivemos todos de esmola alheia. Desperdiçamos a nossa personalidade em orgias de coexistência.

Pesado, né? A vida não se reduz a isso, mas é preciso ter atenção ao que se dá e ao que se recebe: são migalhas fracionadas ou inteiros? A escolha é nossa.

Eu sempre gostei do “Livro do Desassossego”. É um tanto quando pesado, pessimista. O livro nos mostra um lado muito denso de viver, de pensar, de sentir. Mas o que sempre admirei em Fernando foi a profundidade, mesmo. Esse cara descreve muito bem os sentimentos, a mente, os estados psíquicos, a moral e o conhecimento. Tudo de maneira íntima. Apesar do peso da leitura, há também uma reflexão muito sincera do ato de viver. Vale a pena <3

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Autodesenvolvimento

Nietzsche: 7 doses filosóficas para encarar a vida.

Nietzsche foi e ainda é considerado um gênio por muitos. Sua filosofia influencia o mundo até os dias atuais, e aqui reunimos alguns pensamentos desse cara incrível para te ajudar a enfrentar os obstáculos e as aflições da vida (nesse link você pode conhecer mais a fundo a vida dele).

Nietzsche e suas doses filosóficas.
Nietzsche como você nunca viu antes.

Nossa honra não está em nossa origem, mas em nosso fim.

Nietzsche dizia que nossa honra está no fim da jornada.
Ainda dá tempo de correr atrás do prejuízo.

Todos nós temos (ou deveríamos) ter metas e objetivos pra vida. Porém, muitas vezes nos sentimos frustrados e até mesmo envergonhados por ações que fizemos no passado. Nietzsche sugere que durante a vida nó morremos e nascemos várias vezes – temos várias passagens durante nossa existência, e isso seria um ótimo momento pra deixarmos nosso “eu” antigo pra trás. Desse modo, podemos sempre nos reinventar. Não importa o que você foi, e sim o que é a partir de agora. O passado é imutável e nossa grandeza não mora lá: ela mora no que somos hoje e no que ainda seremos. Portanto, devemos escolher sabiamente nossas atitudes e pensamentos. Deixe o passado no passado.

É inútil querer ser bom o tempo todo.

Nietzsche dizia que é inútil tentar ser totalmente bom.
Normal surtar e ser babaca vez ou outra.

Nós somos imperfeitos, é nossa condição enquanto humanos. Não há exceções. Ter isso em mente é ótimo para que saibamos manter sempre a humildade e deixar as atitudes arrogantes pra lá. Manter-se em constante construção é um ato belíssimo. Nós nunca estaremos prontos e terminados, mas a graça da vida mora aí. Nietzsche diz que o homem que imagina ser totalmente bom não passa de um idiota. Assim como a luz só existe porque a escuridão também existe, nós só conseguimos evoluir grandemente com as falhas e erros.

O sucesso é uma grande ilusão.

Nietzsche dizia para não confiar no sucesso.
A vida é uma montanha russa.

Ora se está por baixo, ora se está por cima. A vida é inconstante, nós somos inconstantes. Não podemos depositar nossa felicidade em momentos e em coisas perecíveis. “Onde quer que você vá, lá estará você”. Portanto, quando o sucesso advém de fatores externos, ele não passa de uma grande mentira, uma grande ilusão.
Dependendo da definição que você atribui para a palavra sucesso, você poderá vivenciar grandes desilusões.

A maneira mais eficaz de corromper alguém é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam diferente.

Nietzsche dizia para ensinar tolerância aos jovens.
Falou tudo, Nietzsche.

Tem muita gente intolerante aí fora. Muita mesmo. Gente que declara guerra com qualquer pessoa que se oponha ao seu ponto de vista. Essa atitude arrogante nos afasta do fato de que o mundo é diversificado, e isso não deve ser um problema, precisamos apenas aprender a encarar ideias e visões diferentes das nossas. Todos somos livres pra termos nossas próprias opiniões sobre os vários assuntos existentes. Ensine os jovens a admirar e respeitar quem pensa diferente e teremos uma nação mais amistosa.

São muitas as verdades e, por esse motivo, a verdade não existe.

Nietzsche dizia que a verdade não existe.
Nossa.

Tem gente que se esquece disso. Há tantas culturas, tantas religiões, tantos modos de viver… Eu sei que isso parece absurdo em termos religiosos, mas a prática da empatia pode nos ajudar a entender o outro: basta nos colocarmos em seu lugar. Quanto mais a praticamos a empatia, mais tolerantes ficamos e menos julgamentos emitimos. Não se apegue a uma opinião imutável, você só enxergará o mundo com hostilidade.

Não se aprende a voar voando.

Nietzsche diz que não se aprende a voar voando.
Demora-se muito para chegar nesse nível.

Ninguém começa do alto. A vida é uma construção, estamos o tempo todo aprendendo algo. Nietzsche alegava que quem deseja levantar voo sem ter passado pelos aprendizados básicos está fadado a cair. Saiba avançar degrau por degrau, sem pressa, e acabará chegando no lugar que deve chegar. Não pule etapas. Contenha sua ansiedade e tente aproveitar o melhor de cada passo da caminhada.

Se você ficar olhando o abismo por muito tempo, uma hora ele te olhará de volta.

Nietzsche dizia que quando encaramos o abismo ele nos encara de volta.
O que você olha pode estar te olhando.

Nietzsche acreditava que o universo é um espelho que nos devolve aquilo que cultivamos (ou seja, colhemos aquilo que plantamos). Quando nós olhamos para o mundo, deixamos nossa marca nele. Por isso, devemos treinar nosso olhar – e nosso pensamento – para que possamos deixar neste lugar uma marca da qual nos orgulharemos e que queremos ver refletidas em nossas vidas. A escolha é de cada um.

E aí? A filosofia desse cara é ou não atemporal?

 

 

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Crônicas do Cotidiano

Sobre ser adulto e se perder em excessos.

“É que, além de aflitos e desorientados pelo excesso de informação inútil, somos muito superficiais. Falta-nos o hábito de observar e refletir. Assustados com responsabilidade, escolha e decisão, despreparados como adolescentes, nos desviamos do espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde ou mal. Somos crianças tendo crianças.”
– Lya Luft

Quando estamos perdidos nos encontramos.
Perca-se. Encontre-se.

O excesso é uma delícia.
O excesso nos deixa vivos e alertas o tempo todo. O alerta não nos permite desperdiçar um instante sequer, uma mera oportunidade. Ele nos conduz à rotas cheia de novidades e de intensidade e de prazeres. Porém, o que ninguém diz é que os extremos se chocam: a vida pede, muitas vezes, moderação.

Você pode aprender isso de maneira simples ou complicada, depende do seu comportamento diante do mundo. À medida em que envelhecemos, somos forçados a encarar novas responsabilidades que exigem equilíbrio, compromisso e enraizamento. Enraizar: palavra que causa tremores em muitos corações aventureiros. Eu tenho pavor de criar raízes, de ser moderada e de viver em doses, mas eu aprendi que encarar a realidade é, em partes, encarar que ter moderação é uma escolha válida. Não, não vou abrir mão dos meus sonhos e nem parar com meus devaneios bobos e estúpidos antes de dormir; não vou viver acomodada e nem muito menos aceitarei tudo o que me é imposto; porém, ser moderada é, em primeiro lugar, respeitar o tempo e deixá-lo agir, subindo degrau por degrau, sem pressa e sem atropelar etapas.

Vivemos em uma sociedade que sofre – mais do que nunca – com os efeitos da ansiedade. Nossa sociedade cria frustrados: nossos jovens vivem desiludidos em matéria de amor e de carreira; não temos foco e achamos que, ao sair de uma universidade ou de um curso preparatório, teremos a nosso alcance um super emprego (e também achamos, muitas vezes, que vamos encontrar o amor de nossas vidas nesse meio tempo).

O que ninguém fala é que as coisas não acontecem nessa ordem: estudamos e temos que começar a traçar carreira de baixo, aceitando pouco e perdendo muito tempo de vida; somos explorados e não aceitamos que é preciso se sujeitar a muita coisa até chegar e um patamar, digamos, mais plausível. Nossa vida é pautada basicamente em construções, e não em acasos ou sorte.

Olhamos tanto para a frente que tentamos dar passos maiores que nossas pernas, pulando degraus, esquecendo que um dia já desejamos estar onde estamos. Somos ingratos com a história que nos carregou até aqui e com as escolhas que decidimos traçar no passado.

Essa onda de ansiedade nos tira totalmente o foco do dia a dia, e eis que acontece um grande paradoxo: queremos tanto aproveitar nossos dias como se fossem os últimos que acabamos por desperdiçá-los com reclamações e uma inconformidade que nos devora. Não: não seja um conformado, mas saiba que o caminho se faz caminhando – as coisas não vão cair no seu colo. Esse choque de realidade é comum na transição para a vida adulta: nos topamos com diversidades e com a eterna incoerência que se cria entre fazer a vida profissional e gozar dos prazeres da juventude. É muito difícil, todos – ou quase todos – sofrem com o tal dilema.

E como dizia antes, o excesso é uma delícia, enquanto que nos parece moderação fatal. Mas as fatalidades dessa vida, a meu ver, nos dão uma dose de ânimo. Para colher é necessário semear. E correndo o risco de ser contraditória, acredito que para viver em excesso é preciso saber moderar. Para se achar é preciso se perder. Mas talvez viver perdido seja necessário; talvez essa seja a condição que nos sustenta e que nos manda pra frente.

 

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Entretenimento Para assistir

Séries para assistir quando bater vontade de desistir da vida…

… e espero que te façam MESMO mudar de ideia 🙂

Vamos lá. Nada melhor do que chegar em casa depois de um dia todo cagado, botar aquela série marota e se identificar com o que está acontecendo na trama.

Eu adoro ver quando algum personagem é todo desencanado da vida: cai e levanta, ri da própria desgraça, é idiota, vive a vida com leveza, não se importa com os outros, passa por situações mega desgraçadas e recomeça… Adoro pois assim eu me sinto esperançosa e recordo que nem tudo está perdido – eu também tenho salvação! Claro, isso é só pra explicar o objetivo dessa seleção: aperte o play e entenda que é extremamente necessário pegar leve com a gente mesmo e lembrar que, apesar de todas as dificuldades, temos que tentar tirar proveito de todas as situações, até as que parecem insolúveis, e RIR MUITO. Rir de si mesmo, principalmente.

NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO. NÃO LEVE A VIDA TÃO A SÉRIO.

Essas séries não me deixam esquecer disso. Adelante.

 

  • RICKY AND MORTY

O maior baque que eu tomei ao ver essa série foi: oh lord, como pensamos pequeno! Como somos pequenos! Como esse universo pode ser tão incrivelmente g i g a n t e! E como a gente perde tempo se preocupando com cada coisa TOSCA.

Situando o cidadão que desconhece o enredo: Ricky é o avô bêbado e cientista de Morty, um garoto comum e pacato, que leva uma vida pacata com sua família pacata nos Estados Unidos. Até que Ricky chega chegando no seu netinho – até então mega ingênuo – e começa a arrastá-lo para suas aventuras malucas e deliciosas e aimeu-deus-eu-quero-também-me-leva-com-vocês-que-dorga-vocês-usam. Juntos, eles viajam para universos paralelos (que explodem sua fucking mente), luta contra monstros de outros planetas, congela o tempo e parece conseguir salvar seu neto de situações totalmente inusitadas. E o melhor de tudo: Ricky vai desconstruindo a mentalidade de seu neto – e nessa onda, desconstrói a nossa também.

Tá, mas e daí? E daí que, ao ver a série, a gente passa a reconhecer que nós não somos nada – somos descartáveis e extremamente arrogantes; nos achamos detentores de inteligência e temos zero humildade. Mas calma, a série nos mostra isso com humor – você não se sente depressivo ao vê-la, mas você passa a pensar coisas que jamais havia pensado antes.

E é por isso que ela está no topo da minha lista. Você vê essa série e passa a pensar, mesmo que por frações de segundo, que é bom começar a se importar com o que vale a pena; essa série traz novo significado à nossa existência e pode ser uma ótima ferramenta para sua desconstrução e desencanação.

  • UM MALUCO NO PEDAÇO

Clássica e deliciosa. Ótima para dias nublados no seu coraçãozinho. Will é foda, né?

A trama vocês devem conhecer, acredito. Mas, em suma, Will é um cara de origem humilde que veio do subúrbio e em determinado ponto da vida vai morar com seu tio, tia e primos em uma grande mansão na Califórnia.

O cômico da série é a falta de preocupação de Will e todo o contraste dele e de seu comportamento com relação ao ambiente que o cerca. Ele leva a vida numa boa, não se preocupa em ser “fino” nem mesmo em situações que “exigem” tal comportamento, o que acaba constrangendo seus tios e primos; e claro, ele não deixou seu novo estilo de vida subir à cabeça: manteve seu jeitão o tempo todo.

A série tem várias pequenas lições. Há alguns momentos sérios na trama, mas o grande foco é: pega leve! A vida é e sempre será cheio de problemas, mas aumentamos muito as coisas. Will é simples e prático. Ele nos ensina pequenas doses de sabedoria em suas ações e não perde tempo com bobeiras e muito menos com a opinião dos outros. Ele faz o que bem entende; ele acredita nele próprio e tira o melhor das situações que acontecem. Sim, ele é meio imaturo em alguns momentos, mas ele nos ensina que nossa criança interior JAMAIS deve morrer: cante, dance, arrisque, viva o agora.

Além de tudo isso, a série aborda temas raciais, familiares, escolares, profissionais e amistosos de modo sutil, porém pertinentes; Will passa por alguns momentos complicados (especialmente quanto ao pai) e nos ensina que a vida é assim mesmo: ora quente, ora fria. Mas nem mesmo isso o impede de ser feliz.

  • UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT

Essa mina sabe valorizar as coisas pequenas da vida. Com uma ingenuidade sem igual, ela faz com que lembremos de valorizar o que realmente importa. E como diz o próprio nome da série, ela é inquebrável: com um jeito único, ela consegue contornar várias situações que ocorrem; e outra coisa muito massa na personagem: ela não mede esforços para ajudar as pessoas.

A história da Kimmy é a seguinte: ela e mais algumas mulheres ficam presas em bunker por quinze anos pois foram convencidas por um pastor fanático que o mundo havia acabado e, quando são liberadas, cada uma segue sua vida; Kimmy vai para NY e recomeça tudo por lá.

Imagina: você passa quinze anos da sua vida presa. Quando é liberada, não tem amigos, não tem emprego, não entende nada de tecnologia, não sabe das tendências… você não sabe NADA. Você nasce de novo, mas dessa vez você não tem nem papai e nem mamãe pra te inserirem no mundão. E assim começam as aventuras! Kimmy nos mostra que a SIMPLICIDADE é o melhor caminho a ser percorrido; a vida não tem tempo pra frescuras e exige ação. E essa mulher tá aí pra reforçar essa mensagem: não pare diante das dificuldades (você sempre pode tentar outra vez – tente outra vez quantas vezes forem necessárias), seja leal aos seus verdadeiros amigos e nunca, nunca deixe o lado negativo subir à cabeça.

Valeu, Kimmy. Ser adulto sucks, mas a gente sempre pode mudar a forma como vê as coisas.

  • THE NANNY

Essa série, em particular, é uma das que mais divertidas que já vi. É uma ótima pedida para te ajudar a ligar o foda-se.

Fran é uma mulher extremamente autêntica, desencanada e teimosa. Ela é toda espalhafatosa, se atrapalha a todo momento e leva as situações com leveza; não é do tipo de mulher que guarda as coisas para si – fala tudo o que tem pra falar e sua cara não esconde seus sentimentos. Ela transformou a vida da família de seu novo patrão e mostrou a eles que a vida não é só trabalho, estudo, ou qualquer outra coisa séria demais – a vida é divertida, louca e requer ousadia. Ai que mulher maravilhosa essa Fran Fine (suspiros).

Sempre que eu assisto algum episódio eu crio um pouco mais de coragem pra ser quem eu realmente sou e tentar me importar menos com os padrões comportamentais (que principalmente nós, mulheres, somos impelidas a adotar durante a vida). Se você é um desastre humano, com certeza vai se identificar com a personagem e se sentir em casa. Além disso, Fran vai te ajudar a não desistir tão facilmente de seus sonhos – eis um ótimo ponto positivo para a teimosia. Não arrede o pé enquanto não conseguir o que quer (mas, por favor, saiba a hora de deixar alguma coisa pra lá).

  • MASTER OF NONE

Essa série é foda, queridos. A identificação é garantida para os jovens da década de 90, uma vez que mostra a inserção de um jovem na vida adulta (e quem nasceu nos anos 90 provavelmente está passando por isso). Emprego, relacionamentos, problemas familiares, medos, preconceitos… Não é fácil ser adulto.

O mais legal é que o personagem principal, Dev Shah, é mega simples e nos lembra de voltar o olhar para as coisas que realmente importam e que passam despercebidas no cotidiano caótico em que vivemos. A série me passa uma impressão muito nítida no sentido que estamos todos juntos nessa, sabe? Muitos jovens se sentem solitários e acreditam que só eles estejam passando pelas trevas da recém-chegada vida adulta, mas a verdade é que a grande maioria de nós passa por isso.

 A série traz questões mega pertinentes que dialogam diretamente com nossa realidade: sexismo e racismo são só algumas das polêmicas que entram em cena em Master of None. E sim, o nome da série nos traz uma outra boa reflexão: somos mestres de ninguém. A vida é assim, né? No fundo, não somos mestres nem de nós mesmos. É cada situação que aparece nessa vida… Assistir a série vai te ajudar a relaxar. E acho que todo esse drama de ser adulto uma hora passa (mas que é difícil, é).

Gostaram? Adicionariam alguma série na lista? Conta pra gente nos comentários 🙂